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Quando Calígula nomeou seu cavalo Incitatus para o Senado, tinha ou não consciência da ofensa que este ato representava aos demais senadores, à população e à instituição? Tinha ou não consciência da própria prepotência?

As mesmas perguntas valem para Bolsonaro e sua ideia de nomear o filho Eduardo como embaixador nos EUA.

O fato de enxergar no filho qualificações suficientes para a função, por falar inglês e ter feito intercâmbio, revela que não faz ideia do papel desempenhado por um embaixador e dos atributos necessários para o exercício da função. É o exato avesso da meritocracia: é o arbítrio como método.

Neste ponto me recordei de uma entrevista com Pedro Simon sobre seu período como Governador do RS. Ele nomeou secretários e proibiu qualquer tipo de nepotismo, algo que criticava violentamente no governo do presidente Sarney. Um de seus secretários, no entanto, nomeou o filho como assessor. Questionado por Simon, o secretário apresentou as excelentes qualificações do filho para a função. Pedro Simon lhe respondeu: “Tem razão. Ele é muito qualificado. Seu filho fica e você sai.”

Infelizmente Bolsonaro não é Pedro Simon nem seu filho qualificado para ser embaixador.

Espero que, se insistir nesta ofensa ao bom senso e às instituições, o senado, em votação secreta, corrija tal abuso.

Aliás, uma outra questão surge aqui: este tipo de comportamento de Bolsonaro ajuda ou prejudica a tramitação de seus projetos na Câmara e no Senado? Me parece que a resposta é óbvia e deveria ser suficiente para que abandonasse o hábito de produzir atritos em série.