Fernando Gabeira é um dos apresentadores

Bolsonaro precisa de um assessor que lhe explique o que está escrito em seu Programa de Governo e no pronunciamento que fez logo depois de eleito.

Precisa compreender o conceito de Estado de Direito que jurou respeitar.

Precisa compreender o significado da Liberdade de Imprensa que prometeu garantir.

Precisa entender a gravidade de sua ameaça à Folha de São Paulo e o quanto isto desrespeita o Estado de Direito e a Liberdade de Imprensa.

O Governo Federal pode e deve reduzir seus gastos em publicidade, mas os critérios de distribuição das verbas precisam ser técnicos, baseados em custo por mil, em efetividade, em alcance, em adequação de público. Vingança ou simpatia não são critérios republicanos.

Não importa que o PT tenha desrespeitado estes critérios e cortado verbas de veículos que o criticavam para irrigar generosamente quem o defendia (e defende ainda) com fidelidade canina.

Não importa que o PT tenha incluído em seu programa, novamente, o famigerado “Controle Social da Mídia”.

Não importa que o PT tenha elaborado  e divulgado uma “lista negra” de jornalistas que criticavam o partido e suas lideranças.

(Neste ponto vale à pena lembrar que é perfeitamente justo criticar Bolsonaro por sua declaração em relação à Folha de São Paulo, mas quem criticou agora e silenciou sobre os atos do PT acima, pertence àquela categoria desprovida de ética que pratica duplo critério: não age por princípio e sim por conveniência. Condena no adversário o que permite aos aliados. Mas sigamos.)

Bolsonaro foi eleito com a proposta de ser o anti-PT e não faz sentido repetir seus erros com sinal trocado.

O título deste artigo não é uma brincadeira.

Na sabatina realizada na Globo News, Bolsonaro disse que amava o Gabeira, que o admirava. Agora, eleito, diante da necessidade de ser o Presidente de todos os Brasileiros e não apenas dos 39% que votaram nele, certamente se beneficiaria muito se telefonasse para o velho amigo e trocasse com ele algumas ideias. Muitas vezes, um amigo sincero e ponderado, que discorde de você, pode ser mais útil que um cordão de puxa-sacos que elogie seus defeitos.

Fica a sugestão.

 

Artigo de Paulo Falcão.