DEBATE PLURAL E HONESTO

A eleição acabou. Bolsonaro foi legitimamente eleito. Se o novo presidente é uma alternativa ruim para a democracia, é fundamental entender que o PT não era melhor, apesar de ser muito mais sofisticado. O partido de Lula tentou eleger e legitimar um Programa de Governo abertamente autoritário. Não é exagero ou força de expressão. As ameaças ao estado de direito estão lá, com todas as letras.

Outro ponto é que a eleição de Haddad significaria a volta ao poder de uma quadrilha cujo poderoso chefão e o subchefão estão condenados e presos por corrupção.

Como já disse em outro artigo, sem aprender a reconhecer o que é e o que não é democrático, nossa tragédia eleitoral não serve nem como recurso educativo.

É hora de começar a reconstruir a política e a democracia como valor fundamental, trazendo o tema para o centro do debate, com seriedade. Este aspecto é importante porque, como observou Marcos Lisboa em seminário no Instituto de Estudos Avançados da USP, os intelectuais brasileiros estão devendo seriedade ao debate político e econômico (vale à pena assistir ao vídeo todo, mas esta afirmação está a partir de 9:30 minutos).

O Brasil atravessa um momento em que a academia precisa parar de se comportar como torcida organizada. Os problemas são reais, o desemprego é real, o sofrimento da população é real, o descontrole das contas públicas é real e a solução exige honestidade intelectual no debate político.

Tornar o Estado mais enxuto e mais eficiente é, claramente, um passo correto na direção de um Estado que sirva ao povo, ao contrário do modelo atual em que o povo serve ao Estado. Um Estado menor significa redução do poder discricionário e coercitivo sobre a população e agentes econômicos, além de menores oportunidades de corrupção.

Mesmo que bronco, mal-educado e rezando toda hora, Bolsonaro diz que vai atuar nesta direção. Se o fizer, faz algum sentido lutar contra?

Responda honestamente.

 

Artigo de Paulo Falcão.