bolsonaro arminha

Isto não é torcida, é análise. Lamento profundamente que o plano do PT de polarizar com o Bolsonaro tenha nos trazido a este dilema, mas, como disse Mano Brown no comício do Haddad, a eleição está decidida. Bolsonaro está muito forte “nas quebradas”, no Brasil profundo, no Brasil de maioria conservadora, porque o PT esticou demais a corda e perdeu contato com as bases, com o povão.

O encanto foi quebrado.

Boa parte do eleitorado nem conhece direito as propostas do Bolsonaro ou do PT, mas o identifica claramente como anti-PT.

É anti-PT quando critica a corrupção como método de governo, revelada no mensalão, no petrolão e na Lava-Jato.

É anti-PT quando propõe diminuir o tamanho e o peso do Estado sobre as costas do cidadão que paga impostos.

É anti-PT quando diz que vai recuperar os empregos que o partido destruiu.

É anti-PT quando faz chacota com a insistente farsa de Lula e seus seguidores ao se dizem honestos e perseguidos pelas elites, pela imprensa e pelo judiciário.

Há outros motivos. Se quiser, fique à vontade para adicioná-los à lista.

Mas, embora tudo que foi dito acima some pontos para Bolsonaro, há um tema que me pareceu central desde o início da campanha: a segurança pública.

Nada pode ser mais anti-PT do que dizer que não vai dar trégua a criminosos em um país que, além de ter sido assaltado pelo PT durante os anos em que Lula e Dilma estiveram na presidência, viu os homicídios crescerem de 49,8 para 60 mil por ano, o que representa um aumento de 28,53 mortos por 100 mil habitantes em 2002 para 30,3 em 2016.

Mas a culpa é do PT? É.

O PT tem um conceito de Segurança Pública equivocado, que não funciona. Além disso, é um crítico histórico do que funciona.

É famosa a implicância do partido, por exemplo, com o trabalho realizado nesta área pelo Governo do PSDB no Estado de São Paulo, mesmo que, no período em que os números de homicídios cresciam no Brasil, caiam em São Paulo.

Vamos analisar dois casos concretos.

Entre 2002 e 2016, São Paulo foi governado pelo PSDB e viu a taxa de assassinatos por 100 mil habitantes cair de 30,05 em 2002 para 10,8 em 2016. Uma redução de 65%.

Já a Bahia, entre 2002 e 2006 foi governada pelo PFL. A partir de 2007, pelo PT. Lá, os números seguiram caminho inverso do que ocorreu em São Paulo. Em 2002, com o PFL, foram 13,2 mortos por 100 mil habitantes. Em 2016, depois de 9 anos consecutivos de PT no Governo do Estado, o número havia saltado para 46,94 mortos por 100 mil habitantes. Uma piora de 250%.

Estes números, e as relações de causa e efeito que indicam, podem ter sido pouco explorados pela imprensa, pela academia e a turma que construiu a Narrativa do Golpe, mas foram percebidos e incorporados pela população, aquela mesma população que Mano Brown identificou.

Quando Bolsonaro fala em acabar com o prende e solta, com regalia de preso, com saidinha disso e daquilo, a esquerda critica e o povo, que vive estes números, aplaude.

Não estou dizendo que Bolsonaro terá sucesso na redução da criminalidade ou que suas diretrizes serão semelhantes às de São Paulo.

O que estou afirmando é que a segurança pública encontrou no gesto de imitar uma pistola com os dedos, um simbolismo potente para sua campanha.

Agora, some a tudo isto a Pesquisa do DataFolha  segundo a qual 53% das pessoas quer o Lula na cadeia. O resultado é que Bolsonaro se tornou a única alternativa lógica para eles.

Veremos se a tese se confirma nas urnas.

 

Artigo de Paulo Falcão.