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A jornalista Marina Rossi fez uma entrevista com José Dirceu para o Jornal El País.

É uma entrevista de militante, sem qualquer confrontação ou questionamento do discurso panfletário e cheio de equívocos evidentes.

O real valor da entrevista está em um momento que a jornalista simplesmente ignorou. Marina preferiu deixar a resposta pra lá e “mudar o rumo da prosa”.

Difícil dizer se o fez por incompetência ou militância. O fato é que a resposta revela a real natureza do PT e joga por terra a farsa de que o Partido respeita a democracia.

Muita gente que conhece o PT por dentro já avisou sobre seu caráter autocrático.

Quando na presidência, o próprio PT já havia revelado claramente esta face em pelo menos dois momentos.

Primeiro tentou controlar a imprensa através do famigerado “Controle Social da Mídia” inserido no Plano Nacional dos Direitos Humanos (PNDH) de 2010.

Depois tentou implantar no Brasil a “democracia Chavista”, através do decreto presidencial nº 8.243 apresentado pelo Governo Dilma Rousseff.

Ambos foram barrados pelo congresso e pela imprensa, duas coisas que Chávez destruiu antes de implantar o seu modelo de “democracia”.

Agora, com a naturalidade com que um democrata diria “vamos disputar a eleição”, o totalitário José Dirceu diz: “dentro do país é uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição.”

Observe. Não é uma frase qualquer. Não estou fazendo uma tempestade num copo d’água, mas o oposto:  pretendo que a tempestade anunciada não seja tratada como um mero copo d’água.

Trata-se de uma frase que nega a essência da democracia, que é o cidadão sem um senhor e o poder sem dono.

O PT deixa claro que despreza a democracia sempre que repete seu apoio à Venezuela de Chávez e Maduro, à Cuba do feudo castrista ou à Nicarágua de Daniel Ortega.

Agora, com José Dirceu, deixa evidente o que já afirmei diversas vezes: para o PT e a esquerda em geral, a democracia não é um valor fundamental. É mera ferramenta para tomar o poder.

Se você não quer ter que escolher entre dois autocratas no segundo turno, no primeiro turno vote em quem estiver melhor colocado nas pesquisas  entre Alckmin, Amoedo, Álvaro Dias e Meirelles. É o chamado “voto útil”. No caso, utilíssimo, pois poderia dar ao Brasil uma opção democrática para o segundo-turno.

 

Artigo de Paulo Falcão.