A SOLIDÃO DO ABORTO

Fazer um aborto, para a maioria das pessoas, é uma decisão emocionalmente pesada, difícil.

Para uma minoria, não. São capazes de fazer um aborto sem qualquer conflito emocional.

Quem pertence ao primeiro grupo, provavelmente seria, é ou poderá ser boa mãe. No caso de casais, bons pais.

Para quem pertence ao segundo, a probabilidade é outra.

Mas uma coisa é certa: com conflito ou sem conflito emocional, legal ou ilegal, muita gente aborta no Brasil.

Você que está lendo este artigo talvez tenha passado pela decisão de interromper ou não uma gravidez, mas certamente conhece pessoas que decidiram por interromper.

Analise sem paixões. Na prática, defender o aborto legal é defender a vida e a segurança da gestante. Frequentemente, a qualidade de vida dos demais filhos da mulher também.

Abortos mal feitos matam o feto e a gestante. Abortos legais, bem feitos, preservam a mulher, a mãe, a companheira.

Sim, envolve a interrupção de uma vida em gestação. Envolve morte. Mas, ilegal, coloca ainda mais vidas em risco.

Talvez quem é contra o aborto legal veja alguma justiça divina nesta aplicação aleatória da lei de talião, que atinge quase que exclusivamente os mais pobres, mas na verdade tal pensamento revelaria apenas crueldade e grande falta de empatia por quem já é, existe, respira.

Analisando o perfil de quem se posiciona sobre o tema, contra ou a favor, percebemos que o debate se restringe à chamada classe média.

Para as camadas mais pobres da população, a realidade do aborto se impõe de forma pragmática, perigosa e desassistida.

O aborto legal é o único caminho capaz de minorar tal sofrimento.

 

Artigo de Paulo Falcão.