Marina Silva e Lula

Em artigo recente, deixo clara minha resistência à candidatura de Marina Silva pelo vazio de seu discurso, pelo ataque sistemático ao agronegócio (fundamental para a economia brasileira) e sua proximidade com a vanguarda do atraso representada por pessoas como Randolfe Rodrigues e Alessandro Molon.

Sua proximidade com estes dois últimos explica em boa medida a declaração que fez às páginas amarelas da revista Veja do final de junho, que mereceu uma análise precisa e claríssima de Augusto de Franco em sua página no Facebook.

Fiquem com Augusto de Franco.

Introdução de Paulo Falcão

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MARINA SILVA AVALIZA A TESE DE QUE O PT SÓ FEZ O QUE TODO MUNDO FAZ

Marina, em entrevista às Páginas Amarelas da Veja (edição de 27/06/2018) afirmou o seguinte:

“Focar no Lula é reducionismo. Temos, além do ex-presidente, o Michel Temer, o Aécio Neves, o Romero Jucá, o Renan Calheiros… A única diferença é que um está preso e os outros não”.

A “única diferença”, camarada?

O que ela está nos dizendo é que Mussolini é a mesma coisa que Berlusconi, Hugo Chávez é a mesma coisa que Rafael Caldera, Salazar é a mesma coisa que José Sócrates ou que o Hezbollah é a mesma coisa que o PCC. Ou seja, segundo Marina, a corrupção com motivos estratégicos de poder de um Lula, de um Dirceu, de um Vaccari é igual à corrupção endêmica na política, de um Cunha, de um Alves, de um Geddel. Mas para mostrar uma certa injustiça ela cita os que não estão presos: Temer, Aécio, Jucá e Calheiros.

Acontece que a corrupção com motivos estratégicos de poder é um ataque direto ao coração da democracia, enquanto que a corrupção tradicional, endêmica nos meios políticos, provoca uma degeneração do sistema político, por certo, mas não altera necessariamente o DNA do regime. Depois de Berlusconi, a Itália continuou sendo uma democracia, depois de Mussolini, não. Depois de José Sócrates, Portugal continuou sendo uma democracia, depois de Salazar, não. Depois de Caldera, a Venezuela continuou sendo uma democracia, depois de Chávez (e seu sucessor Maduro), não.

Essa é a tese para livrar a cara do PT, inventada por Thomaz Bastos e Malheiros e usada por Lula: o PT só fez o que todo mundo faz. É falso. Tentar fazer a “revolução pela corrupção” (para usar uma expressão do saudoso poeta Ferreira Gullar, que percebeu o ardil) é muito diferente de roubar para enriquecer e se dar bem na vida. Ainda que ambas sejam condenáveis, os riscos são muitos diferentes para a democracia. E ainda que o PT tenha praticado as duas formas de corrupção ao depositar seus ovos dentro da carcaça podre do velho sistema político.

Atenção marineiros litigantes de má-fé. O que vai acima é uma análise do que Marina declarou. Não é um ataque. Contra-argumentem se puderem.

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P.S. – Achei oportuno acrescentar o parágrafo abaixo, de Augusto de Franco, ao presente artigo:

“O problema de fundo é que Marina – e, mais do que ela, o seu partido chamado Rede – é de esquerda. Isso é um problema porque por mais que alguns anseiem por uma “esquerda democrática”, a esquerda realmente existente no Brasil de hoje não está mais no campo democrático.”

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