marilenachaui

A narrativa do Golpe de 2016 tem a assinatura de um número significativo de professores das principais universidades brasileiras. Criaram inclusive cursos a respeito na grade extracurricular.

Já tratei desta questão em alguns artigos do blog, mas talvez a melhor maneira de se compreender quem são os que defendem tal tese nas Universidades seja relembrar outro episódio, de 1980/81: o plágio de Marilena Chauí, que copiou longos trechos de Claude Lefort em seu livro “Cultura e Democracia”.

Explicitado por José Guilherme Merquior em artigo para a Folha de S. Paulo, que virou uma barulhenta polêmica, os companheiros ideológicos e acadêmicos da plagiadora a defenderam de forma inacreditável: atacaram  Merquior com argumentos ad hominem e disseram que não houve plágio, mas sim uma “filiação de pensamento”, uma sintonia tão fina que Marilena Chaui passara a pensar igual a Lefort, sendo natural que produzisse páginas idênticas…

A explicação também é um plágio, desta vez coletivo: copiaram o argumento central do conto “Pierre Menard, Autor do Quixote”,  de Jorge Luis Borges, no livro Ficções (o personagem, profundo conhecedor de Cervantes, se propunha a escrever o livro Dom Quixote, linha por linha, de maneira igual ao modelo do século XVII).

Diante das provas do crime devidamente impressas em longas páginas, Marilena Chauí afirmou inicialmente que teve um caso amoroso com o plagiado, o que a deixara “muito influenciada por seu pensamento”.

No final, a solução foi Lefort, o amante, dizer que ela o citara sem aspas com seu consentimento…

Digamos que tenha sido uma solução heterodoxa: deixa claro que José Guilherme Merquior estava certo, mas empresta aspas metafísicas às páginas copiadas.

Esta ponte entre dois eventos separados por 35 anos deixa claro que para parte significativa dos nobres ocupantes de nossas universidades, a verdade é irrelevante. Importante são as versões que constroem.

É a mentira e a fraude como método.

 

Artigo de Paulo Falcão.

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