image-172

A primeira publicação do blog Questões Relevantes, em dezembro de 2013, dizia logo no primeiro parágrafo: “A insensatez travestida de razão está na base da maioria (se não de todos) os conflitos humanos.” Abordava um artigo publicado por Eça de Queiroz em 1880, em coluna jornalística chamada “Cartas de Inglaterra”, que antecipava em décadas o nazismo que germinava na Alemanha (mas não somente lá).

A lembrança me veio de imediato quando soube da decisão de Donald Trump e de seus apoiadores em perseguir imigrantes e segregar crianças de suas famílias no processo. É algo que evoca claramente tanto a insensatez travestida de razão quanto o nazismo.

O absurdo é tão grande que incialmente pensei se tratar de Fake News. Conferi. Era fato.

Ainda que a lei utilizada para isto seja da gestão Obama, foi Trump quem a colocou em prática. As imagens das crianças em jaulas, separadas dos pais, chocaram o mundo e a maioria dos norte-americanos. Foi, disparada, a atitude mais ignóbil de Trump na presidência e possivelmente em todos os países democráticos, desde a segunda guerra mundial.

A avalanche de críticas fez Trump voltar atrás na separação das crianças de suas famílias, mas o drama persiste em ao menos dois níveis: como reagrupar as famílias separadas e como alojar as novas famílias detidas?

De acordo com a revista Time, a marinha americana estaria planejando a construção de centros de detenção de imigrantes em bases militares e também em aeroportos abandonados na Califórnia, Alabama e Arizona.

São claramente campos de concentração contemporâneos em plena terra da liberdade. Quem apoiou esta medida nunca mais poderá cantar o Hino dos EUA sem constrangimento.

Trump ainda não recuou da decisão de perseguir os imigrantes ilegais, mas em minha opinião é apenas uma questão de tempo. Manter a prática de separar as crianças das famílias se tornou impensável (felizmente) e sua revogação criou tamanha dificuldade logística que praticamente inviabiliza o projeto.

Melhor assim, mas a vergonha será eterna para quem embarcou nesta aventura desumana que agride frontalmente o que chamamos de Cultura & Civilização.

 

Artigo de Paulo Falcão.