Paralização dos caminoneiros

Os caminhoneiros conseguiram parar o Brasil e contam com o apoio de boa parte da população, como fica claro nas muitas manifestações que dominaram as redes sociais.

Até quando vai este apoio? Provavelmente até que comecem a faltar itens essenciais como leite, óleo, açúcar, arroz, feijão, gasolina etc.

É interessante também observar a força do movimento apesar da ausência de artistas, CUT, MST, Lula Livre ou Fora Temer nestas manifestações. É realmente um movimento popular e pragmático.

Ao contrário do Movimento Passe Livre, que paralisou algumas capitais em 2013 com a bandeira socialista de estatizar tudo e jogar a conta no lombo da população, via aumento de impostos, os caminhoneiros querem o oposto: que o Estado não atrapalhe, que reduza seu tamanho e os elevados impostos que cobra sobre os combustíveis.

Quando falamos em Estado, estamos nos referindo a este Leviatã de muitas bocas famintas que se alimentam de impostos e crescem de forma ineficiente e corporativista.

Para se ter uma ideia, os impostos federais que incidem na gasolina e no diesel são a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e as contribuições para o PIS/PASEP e Cofins. No caso da gasolina, esses tributos somados correspondem a 16% do preço final da gasolina. Para o diesel, 13%.

As outras bocas do Leviatã são os Governos Estaduais, que se alimentam de ICMS.
No início de maio, o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, que varia de estado para estado, tinha peso médio de 29% no preço final da gasolina e de 16% para o diesel.

Para piorar, o ICMS incide em cascata sobre os valores já onerados pela Cide, PIS/PASEP e Cofins.

Os caminhoneiros, de certa maneira, estão fazendo o que os candidatos à presidente estão fugindo a todo custo de fazer: discutindo o tamanho do Estado e o peso que ele representa para cada brasileiro que sustenta esta máquina perdulária.

Para sermos justos, há um candidato que não foge do tema: João Amoedo. Mas o que lhe sobra de coragem e clareza lhe falta em intenções de voto.

É importante lamentar também o oportunismo de uma militância que, por falta de caráter ou ignorância, compara os preços do período em que Dilma quebrou a Petrobrás com seu congelamento de preços dos combustíveis, com o atual, em que os preços variam de acordo com os custos, o que é básico para a saúde financeira de qualquer empresa.

Para além de reduções pontuais nos impostos sobre combustíveis, espero que a mobilização atual deixe como herança a necessidade de discutir seriamente o equilíbrio fiscal dos diversos governos, não pelo aumento de receitas, mas pela redução das despesas.

Por fim, compartilho aqui uma piada que circulou nas redes sociais nos últimos dias e que faz todo sentido:

“Lula ameaçou parar o Brasil.

A CUT ameaçou.

O MST idem.

Gleisi Hoffmann e Lindberg Farias, aquelas vozes histéricas do PT,  também prometeram parar tudo.

Mas apenas os caminhoneiros conseguiram. É que só quem trabalha de verdade pode parar….”

Como diz o ditado italiano, se non è vero, è ben trovato.

 

Artigo de Paulo Falcão.