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Lula teve seu caminho bloqueado por dezenas de manifestantes em estradas e cidades. Embora com consequências notadamente menores, é a mesma estratégia que já critiquei quando movimentos de esquerda, com uma dúzia de pessoas, param avenidas e criam o caos em grandes cidades.

Depois vieram os ovos. Estes são menos radicais que os bloqueios, mas possuem uma incontestável carga de humilhação. Sejam jogados por gente de direita ou de esquerda, se atingem veículos, são uma manifestação. Se atingem pessoas, uma agressão – ainda que leve.

A temperatura subiu e veio o episódio em Francisco Beltrão, Paraná, onde seguranças da caravana de Lula intimidaram jornalistas e agrediram com um tapa na orelha o repórter de “O Globo” Sergio Roxo.

O repórter filmava a abordagem de dois homens ligados à caravana petista a um carro de manifestantes. Um dos seguranças não gostou e o abordou, para logo em seguida agredi-lo com um soco no rosto.

Pegou mal. Muito mal. Veio então a história dos tiros no ônibus. Testemunhas dizem que os veículos estavam em movimento, mas as fotos mostram perfurações em ângulo de 90°, o que é extremamente raro.

Tiros que atingem veículos em movimento exibem ângulo sempre diferentes de 90°. Segundo Peter Leal, há um deslocamento da tinta para o lado contrário do movimento, mesmo se no instante do disparo o atirador estiver alinhado com o objeto.

O mesmo Peter conclui: “Sem afirmar nada sobre o caso em si, mas se me fosse apresentado em um teste uma lataria de carro com essa perfuração, eu diria que o atirador estava perto do veículo, parado, e o veículo também parado, tendo feito calmamente a mira.”

Evidentemente, se os tiros foram disparados por pessoas que se opõem à Lula, trata-se de episódio gravíssimo.

Se foi “falsa bandeira”, se foi um episódio forjado por Lula e sua equipe, é igualmente grave. Nos dois casos os responsáveis seriam bandidos.

Como no caso da bomba lançada na calçada do Instituto Lula em julho de 2015, é pouco provável que os culpados  sejam identificados.

Para Lula e seus apoiadores, como a presidente do PT Gleisi Hoffmann já deixou claro, nos dois episódios é melhor que nada se esclareça. Poderão sempre explorar a versão que lhes for mais conveniente.

 

Artigo de Paulo Falcão.