desigualdade-social

Faça uma pesquisa isenta e comprove: mesmo neste nosso Brasil de tantos problemas é possível observar que, para os pobres,  para a parte de baixo da pirâmide, as condições socioeconômicas hoje lhes são mais favoráveis do que há 100 ou 50 anos.

Só nos últimos 30 anos pode-se observar que houve inclusão de trabalhadores rurais idosos no sistema de aposentadorias (mesmo sem terem feito qualquer contribuição), houve horizontalização do acesso à educação (mesmo com qualidade insuficiente), houve ampliação do sistema público de saúde (mesmo que longe do desejável), houve melhoria de renda etc.

Podem escolher o tópico: houve evolução. A exceção é a segurança pública, mas aqui a explicação está mais no hábito brasileiro de empurrar os problemas com a barriga. Dizer que é culpa da pobreza e da desigualdade é desinformação ou má-fé. Já tive este debate aqui.

É fácil compreender que a desigualdade não é, necessariamente, um problema em si.

Tomemos uma situação hipotética em que a base da pirâmide ganha U$ 2,00 e o topo ganha U$ 60,00 por exemplo. Ou seja, o topo ganha 30 vezes mais.

Passado algum tempo, vemos que a mesma base agora ganha agora U$ 3,00 e o topo U$ 600,00, ou 200 vezes mais.

É óbvio que a desigualdade de renda aumentou, mas a base da pirâmide recebe um valor 50% maior que antes. Observe: aumentou 50% apesar do aumento da desigualdade. Esta situação, com outros números, aconteceu tanto no governo FHC quanto no governo Lula, por exemplo.

Ou seja: é igualmente óbvio que, para quem está na base da pirâmide, a situação socioeconômica melhorou.

Isto não significa que não seja desejável trabalhar por diminuição da desigualdade de renda, mas significa, claramente, que seu aumento não é um mal em si.

Aliás, é fundamental lembrar aqui que desigualdade de renda é muito diferente de desigualdade social.

A grande questão com a desigualdade é atacá-la no que tange ao acesso à educação, saúde e segurança alimentar. A renda aqui é periférica.

Reduzir a desigualdade nestes três quesitos significa uma melhoria significativa de oportunidades para as pessoas mais pobres, capacitando-as para conquistarem aumentos de renda mais significativos.

A insistência de grupos como o Instituto Oxfam em focar na desigualdade de renda e não no incremento de renda e outros ganhos sociais evidentes para a base da pirâmide é, comprovadamente, uma estratégia de manipulação eficiente, mas ainda assim, apenas isto: uma estratégia de manipulação – que leva incautos a conclusões equivocadas.

As democracias liberais (todas elas capitalistas) produziram (inclusive para a base da pirâmide) as sociedades mais prósperas e livres da história. É sob democracias liberais que houve a maior conquista de direitos civis e trabalhistas, além de consistentes benefícios sociais.

O foco na desigualdade de renda parece ser o único argumento de peso que restou à esquerda para atacar as democracias liberais e o capitalismo, embora sempre esqueçam que nas experiências de socialismo real a desigualdade foi reduzida sim, mas não deixando todo mundo mais rico e sim deixando todo mundo mais pobre.

Não caia nesta.

 

Artigo de Paulo Falcão.

 

PS – Sobre as famosas pesquisas do instituto Oxfam, faço a análise de uma delas aqui.

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