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Até estourar a polêmica sobre a música “Só surubinha de leve”, não tinha nem ideia da existência do funkeiro carioca MC Diguinho. Me pareceu mais uma gota no oceano de vulgaridade e baixíssimo nível estético em que navega boa parte da “produção cultural” atual, que inclui agressões sonoras como Pabllo Vittar e Anitta. Do ponto de vista do apelo sexual, idem: é mais do mesmo.

Vejo com tristeza que as mesmas favelas em que um dia surgiram Cartola, Nelson Cavaquinho, Dona Ivone Lara, Jackson do Pandeiro e Zé Kéti ainda existem, cresceram, e delas hoje brota esta ausência total de afinação, divisão, melodia e poesia.

Estamos regredindo como povo, como civilização?

Parece que sim.

Quando se constata que “Só surubinha de leve”, antes da polêmica, já tinha mais de 12 milhões de visualizações no YouTube e estava entre as mais tocadas no Spotify, vemos o estrago que a glamourização da baixaria vem causando.

Mas sejamos justos: este cenário diz menos sobre os tais artistas do que sobre uma sociedade que os transforma em ídolos.

A culpa deste baixo nível não é dos ditos artistas, mas da mídia que os valoriza e de um público surdo que os ouve e vê.

 

Artigo de Paulo Falcão.