Detalhe

A estética está ligada à cultura, tanto a antropológica quanto a educacional. É uma construção. Ou uma desconstrução, dependendo do caso.

A música ocupa, sem dúvida, papel central nesta tarefa.

Certos caminhos ampliam horizontes, enriquecem a capacidade cognitiva e apontam futuros melhores.

Outros estreitam horizontes, empobrecem a percepção e apontam futuros regressivos.

Cesar Benjamim, diretor da editora Contraponto e atual secretário municipal de Educação do Rio de Janeiro (onde vem fazendo um grande trabalho), publicou em seu Facebook o seguinte texto:

CESAR BENJAMIN: “Confúcio dizia que podemos conhecer o caráter de uma sociedade pela música que ela ouve. A música marcou o ano de 2017 em nossa rede. No início, pensei que a ideia de montar uma orquestra sinfônica era um delírio. Depois comecei a pensar que conseguiríamos isso em três anos. 2017 ainda não terminou e já temos 15 mil alunos praticando música ativamente nos polos que se multiplicam. A Orquestra Sinfônica Juvenil Carioca marcou este ano. Muito obrigado a todos os professores que se engajaram. A vitória é de todos. Nós podemos mais.” (Resultado concreto aqui)

Em boa medida o texto acima dialoga com o que disse meu filho André Falcão, estudante de direito, também no Facebook: “Quando alguém fala que um certo grupo de conteúdos relacionados à indústria fonográfica moderna é lixo, imediatamente se assume que é preconceito de classe, ou sexismo, ou homofobia… Ou um milhão de outros elitismos que nada tem a ver com a única coisa que deveria permear a discussão: análise objetiva.”

Assim, para sermos objetivos por aqui:

– Pabllo Vittar é ruim de doer porquê canta mal e é musicalmente péssimo. Liniker é interessante e Ney Matogrosso ótimo porque cantam bem e são musicalmente instigantes. A sexualidade não tem nada a ver com isso.

– Anitta é ruim de doer porquê canta mal e é musicalmente indigente. Talma de Freitas é ótima porque canta bem e é musicalmente interessante. Cor e sexualidade não têm nada a ver com isso.

O projeto musical conduzido por Cesar Benjamin é ótimo porque amplia horizontes de todos os envolvidos e mostra de forma clara que os interesses populares podem ir muito além do que induz a mídia e o preconceito.

Defender Pabllo Vittar e Anitta não é defender direitos LGBT ou cultura popular. É apenas ignorância profunda, ideologia tosca, oportunismo ou modismo, combinados com uma boa dose de surdez.

 

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