Os números e o futuro do Brasil

A famosa frase “É a economia, estúpido”, do marqueteiro de Bill Clinton James Carville, mostrou sua força no episódio do impeachment de Dilma. Se a economia estivesse em ordem, seus crimes fiscais e políticos teriam sido perdoados. Como estava um total desastre, ela caiu.

Pode-se dizer que o inverso salvou Temer em episódios recentes: como a economia melhorou muito, as denúncias contra o presidente foram arquivadas, mesmo com toda campanha midiática pedindo sua cabeça.

Resta saber se a melhora da economia terá, além de força política, força eleitoral.

Reinaldo Azevedo publicou artigo bastante didático sobre o que vem a ser esta “melhora da economia”. Longe de ser algo abstrato, números e fatos concretos estão à disposição de quem quiser ver, medir, comparar, entender.

Seguem alguns trechos. A íntegra está aqui.

“(…) Por capricho, fui reler o Boletim Focus da última semana de janeiro deste ano. Para lembrar: trata-se do relatório semanal divulgado pelo Banco Central com as expectativas sobre indicadores econômicos. Participam da consulta 120 entes de mercado (bancos, corretoras, gestores de recursos) etc. Confrontei, então, aqueles dados com os divulgados pelo Focus nesta segunda.

Os agentes econômicos esperavam que a taxa de juros encerrasse o ano em 9,5%. Nota: o ano começou com essa expectativa em 10,25%. A taxa está em 7%. Apostava-se, no fim de janeiro, que a economia cresceria neste ano apenas 0,5%. No boletim divulgado nesta segunda, a expectativa de expansão do PIB subiu de 0,89% para 0,91%. No caso da inflação, contava-se que o ano terminasse com a taxa a 4,7%. Na mais recente previsão, fala-se em 2,88%, abaixo do próprio piso da meta, que é de 3% — e o Ministério da Fazenda passou a ser patrulhado por isso, o que, se querem saber, dado o conjunto dos números e de práticas do governo, não faz o menor sentido. Para 2018, projetava-se um crescimento de 2,2%; agora, 2,62%. Nesta segunda, o Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas, também revisou suas projeções sobre o PIB: está ainda mais otimista do que o Focus: acha que a expansão chegará a 1% neste ano e a 2,8% no ano que vem.

Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, está sendo patrulhado, especialmente pelas vozes à esquerda, porque a inflação deve ficar, sim, abaixo do piso da meta. A dita-cuja é de 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O que isso estaria a indicar, segundo o mau humor influente? O governo teria exagerado na política recessiva e administrado um remédio amargo demais. A inflação abaixo do piso estaria a indicar que o Ministério da Fazenda foi excessivamente restritivo e teria desestimulado os agentes econômicos.

O raciocínio tem coerência interna, mas vai contra os fatos. A realidade aponta no sentido oposto. Para que a crítica procedesse, forçoso seria que, com a inflação abaixo do piso da meta, também o crescimento estivesse abaixo das expectativas. Mas não! Percentualmente, caminha-se para o dobro do que se previa: de 0,5% para 1%.

Mais: sabe-se que a taxa de juros ainda é o remédio mais eficaz para esfriar processos inflacionários quando ligados à demanda. Ora, a taxa é de 7%, bem abaixo dos 9,5% esperados. Restaria, então, acusar um governo que teria conduzido o Brasil à paralisia em razão de um brutal corte de gastos. Bem, isso é apenas mentira grotesca no país que elevou o rombo fiscal para R$ 159 bilhões. O teto de gastos pôs um freio na loucura. O corte draconiano é uma fantasia que alimenta os palanques de esquerda. De resto, o crescimento da economia está muito acima da expectativa, não abaixo, com a balança comercial batendo recorde: US$ 63 bilhões de superávit no acumulado do ano.

Eis o que chamo de pessimismo como uma expressão da covardia. Os números estão na cara e nos fatos.”

RETOMO

A blitz ininterrupta da imprensa e da esquerda contra Temer talvez contrarie a lógica e anule o poder eleitoral de uma economia em crescimento. Talvez não.

Se a economia seguir o curso que os números indicam, um nome como o de Henrique Meireles poderia ter muita força eleitoral, principalmente se tiver o apoio real do PMDB e seus partidos satélite.

Torço (este é o termo) para que a tese de James Carville mostre novamente sua força.

As alternativas semeadas pela imprensa e pela irracionalidade militante são assustadoras, tanto para a democracia quanto para a racionalidade econômica.

 

Artigo de Paulo Falcão.

 

Anúncios