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Para o articulista Luiz Santiago, O Ovo da Serpente (1977), de Ingmar Bergman é a melhor reprodução cinematográfica do surgimento do nazismo na Alemanha. Em seu artigo chamado “A República de Weimar vista por Bergman”, podemos ler a seguinte citação de Hans Vergerus:

[…] “qualquer um que fizer o mínimo esforço poderá ver o que nos espera no futuro. É como um ovo de serpente. Através das membranas finas pode-se distinguir o réptil já perfeitamente formado”.

A metáfora serviu perfeitamente como crítica ao misto de silêncio e apoio que levou ao surgimento do nazismo e serve com igual perfeição à cegueira voluntária da grande maioria da esquerda Latino-americana diante do que se assiste na Venezuela.

“O réptil já perfeitamente formado” estava evidente desde o momento em que Hugo Chávez começou a destruir a independência dos poderes venezuelanos, a adaptar a constituição a seus delírios messiânicos, à perseguir economicamente quem lhe fizesse oposição. Mas a esquerda aplaudia, em nome de um projeto chamado “Socialismo do Século XXI” gestado aqui no Brasil em um misto de congresso e “clube de amigos” chamado Foro de São Paulo.

A esquerda continuou aplaudindo quando Chávez e sua política irresponsável deixou o país em uma situação insustentável e teve que desvalorizar a moeda venezuelana em 2005. A crise continuou e nova desvalorização teve que ser feita em janeiro de 2010, mas para a esquerda a culpa nunca é da gestão, das escolhas desastradas. Como fiéis discípulos de Eduardo Galeano, a culpa é sempre externa. O culpado preferido é “o imperialismo dos EUA”, que curiosamente poderia ter derrubado Chávez apenas parando de comprar petróleo do país durante alguns meses.

O silêncio cúmplice da esquerda continuou mesmo quando o Governo Maduro começou a matar manifestantes nas ruas (já são mais de 100).

Na mais recente edição do famigerado “Foro de São Paulo”, que aconteceu na Nicarágua, a senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, renovou o apoio do partido ao carrasco venezuelano, no que foi apoiada por todos. Não houve qualquer voz dissidente neste clube de amigos do caos.

Por que fazem isto, afinal? A resposta é simples, como era simples para aqueles que viram o nazismo em gestação: porque acreditam, porque têm fé em uma ideia que só pode produzir desastres.

A crise que o Brasil vive hoje é filha da mesma visão inconsequente da economia que levou ao desastre venezuelano. Dilma só não nos levou à crise semelhante porque perdeu o mandato. Mas a esquerda, a julgar pelo que brada aos quatro ventos, tem esperança de voltar ao poder e terminar o serviço de transformar o Brasil numa imensa Venezuela.

A História demonstra seguidamente que o sonho vendido pela esquerda termina invariavelmente em pesadelo, do tipo em que não é permitido acordar.

 

Artigo de Paulo Falcão.

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