JANOT-FACHIN-GLOBO

Em artigo recente afirmo que a dupla Janot-Fachin, com o apoio luxuoso da Globo, assumiu a missão de lavar a reputação do PT e de Lula em praça pública, através do boneco de ventríloquo Joesley Batista, regiamente remunerado com “favores legais”. A coisa ficou tão ridícula que nenhum jornalista ou analista sério embarcou na canoa.

Lembrei ainda que se o trio Janot-Fachin-Globo mantivesse o padrão de conduta, em breve veríamos Joesley Batista dizendo que o tríplex do Guarujá era do Temer, assim como o sítio de Atibaia. Lula seria apenas o caseiro, por hobby.

É claro que infelizmente vimos intelectuais e juristas que ocupam importantes cargos em universidades públicas e privadas endossando a tese do “Temer poderosos chefão” e contribuindo novamente para o rebaixamento do pensamento brasileiro.

Felizmente também vimos vozes dissonantes salientando o absurdo e o ridículo da coisa.

Uma destas vozes é de Guilherme Fiuza, ironicamente na própria Revista Época que lançou a tese esdrúxula. Sua opção pela ironia clara e inconteste foi talvez a melhor escolha para revelar o absurdo da tese para além que qualquer dúvida razoável.

O trio Janot-Fachin-Globo está nú, sem realeza e sem qualquer beleza. Fiquem com o artigo:

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O GIGANTE ENFIM ACORDOU.

Pare com essa mania pequeno-burguesa de investigação. Um país moderno não pode ficar travado em burocracias.

POR GUILHERME FIUZA PARA REVISTA ÉPOCA

29/06/2017

O gigante enfim acordou. O grande dia demorou a chegar, mas valeu a pena. A criatura paquidérmica e modorrenta espreguiçou-se com estilo, lançou um olhar de sagacidade em direção ao nada e anunciou a descoberta da origem de todos os seus problemas: Michel Temer.

Foi bonito, mas não pensem que foi fácil. Na verdade, nem teria sido possível se não fosse a intervenção de um herói discreto, um humilde homem do povo disposto a tudo para salvar a sua gente: Joesley Batista. Desde o lendário Luiz Inácio da Silva – o filho do Brasil – não se via nesta terra alguém tão determinado a sacrificar-se pelo bem comum. Talvez até já se possa dizer que o Brasil tem dois filhos.

Ninguém ganhou tantas manchetes neste país em pouco mais de 30 dias quanto o companheiro Joesley. Nada mais justo. Está faltando um historiador corajoso o suficiente para constatar o óbvio: o Maio de 17 no Brasil foi mais revolucionário que o Maio de 68 na França. Daniel Cohn-Bendit, o heroico líder das passeatas estudantis na França conhecido como Dani Le Rouge, tende a sumir dos livros de história com a consagração de Joesley Batista, o Jo Free-Boy. Cohn-Bendit nem exilado foi. Já o nosso Free-Boy teve de se exilar em Manhattan, em plena primavera nova-iorquina, jogado como um indigente em seu apartamento na 5ª Avenida, cercado por todos os lados de grifes milionárias e opressoras.

Felizmente, Jo Free-Boy é um herói solitário, mas nem tanto. Alguns estudiosos progressistas e humanitários asseveram que ele não seria nada sem uma eminência parda também fadada a passar aos livros de história como ícone da revolução de Maio de 17 no Brasil: Rodrigo Janot, o Deixa-Que-Eu-Chuto. Graças aos chutes certeiros de Janot, em tabelinhas sensacionais com Joesley (jogam por música), o Brasil descobriu que a quadrilha de Michel Temer sequestrou e depenou o país por 13 anos – mantendo gente inocente como Lula, Dilma, Dirceu e todos aqueles tesoureiros simpáticos deles sob efeito de drogas pesadas, obrigados a fazer papéis sórdidos. Desumano.

Mas agora tudo se esclareceu. Quem roubou o BNDES e passou mais de década enfiando bilhões de reais na conta de Jo Free-Boy, na marra e sem dar a ele a mínima chance de defesa, foi Temer. Quem obrigou José Dirceu, por meio de tortura e choques elétricos, a reger na Petrobras o maior assalto da história do Ocidente foi Temer. Todo mundo sabe que o único parceiro de luta armada que tinha a chave da casa de Dirceu era Temer. Uma violência.

E vejam só a desfaçatez: no que Temer assume a Presidência da República, o que ele faz? Enxota todos os bandidos da Petrobras e de seu entorno, põe para dirigir a companhia um executivo de primeira linha, inclusive honesto, que vai lá e salva em tempo recorde a maior empresa nacional. É muita cara de pau. Na guerrilha, chamavam isso de “fazer fachada”.

Mas não engana ninguém. Agora todos já sabem, depois de tanta polêmica, que o tríplex do Guarujá é de Temer. O sítio de Atibaia também. Os pedalinhos pertencem a Michelzinho – e aqueles nomes da família de Lula pintados ali eram disfarce. Os Silvas na verdade eram empregados do sítio, inclusive submetidos a trabalho escravo. Michelzinho ficou milionário à sombra do pai – que o apelidou de Ronaldinho dos negócios – quando todos sabem que talentoso mesmo para as finanças era Lulinha. Mas esse continuou pobre, porque a quadrilha de Temer sabotou todas as suas iniciativas. Antes de ser preso na Lava Jato, o pecuarista José Carlos Bumlai cuidou pessoalmente de asfixiar a promissora carreira empresarial do filho de Lula.

É tudo muito triste, mas Deus é brasileiro e agora estamos caminhando para o final feliz. A receita do sucesso é simples, Brasil: não deixe de apoiar, em hipótese alguma, os chutes da dupla Janot & Joesley. A bola costuma ir à arquibancada, mas isso não tem problema, porque o juiz Fachin sempre apitará gol. Entendeu? Pare com essa mania de investigação, processo e outras frescuras pequeno-burguesas. Um país moderno não pode ficar travado em burocracias.

Só falta erguer um monumento ao revolucionário desconhecido que tatuou seu lema na própria testa: “Eu sou ladrão, vacilão e safadão, mas estou livre porque tem um monte de otário pra acreditar em mim”.

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RETOMO PARA CONCLUIR

Se você ainda tem alguma dúvida, não estou defendendo a impunidade de Temer ou sua inocência. Como já afirmei diversas vezes, o impeachment de Dilma nunca foi uma esperança de redução da corrupção e sim da incompetência. Temer era a alternativa legal. Era ele ou Dilma e a petista já havia demonstrado à exaustão sua incapacidade gerencial.

Temer melhorou a economia, reduziu a inflação e encaminhou reformas necessárias. O medo do PT e de seus aliados é que os acertos de Temer virem capital eleitoral e enfraqueçam a volta do PT, com ou sem Lula.

O jogo é pesado e a maioria da imprensa apoia o PT. Lembre-se disso, sempre. É a melhor forma de reconhecer o ridículo de certos argumentos.

 

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