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CAPA DA REVISTA ÉPOCA É UM OBITUÁRIO DO JORNALISMO DA GLOBO.

temer

Nem as rocambolescas novelas de Glória Perez jamais atingiram o grau de insensatez e descolamento da realidade que o jornalismo da Globo trilha desde que resolveu se aliar ao Batman & Robin do judiciário brasileiro para derrubar Temer.

A dupla dinâmica Janot-Fachin atropelou a constituição, armou um flagrante, admitiu como prova uma gravação ilegal e segue ignorando alegremente o estado de direito, além, é claro, de presentear o Rei da Carne Joesley Batista com uma delação premiadíssima, generosa e imoral.

É verdade que Temer, o trouxa, ajudou, recebendo fora da agenda um empresário investigado na lava-jato, o que equivale à indefensável marca de batom na cueca.

Também é verdade que integrou os bastidores do governo Lula e foi vice de Dilma, compartilhando com eles métodos e butim. Mas dizer que tivesse mais poder que Lula é algo a que apenas “ex-jornalistas em atividade” se prestam. Mais fantasioso que isto, só se agora também começarem a afirmar que as pedaladas fiscais, o rombo do BNDES e a contabilidade criativa dos governos Lula e Dilma não foram culpa deles, mas arte do currupira a mando de Temer.

Reproduzo abaixo um artigo de Augusto de Franco que aborda muito bem o tema, mas antes quero lembrar um fato que por si só revela o ridículo de se imaginar Temer como o poderoso chefão: o BNDES esteve SEMPRE sob controle do PT, da posse de Lula até o impeachment de Dilma. De 2007 em diante, ficou sob o comando do “criador de campeões nacionais” Luciano Coutinho. Foi neste período que as contas públicas começaram a degringolar e que o grupo de Joesley Batista deixou de ser uma empresa regional e se tornou um gigante internacional, com generosos financiamentos, além de aportes de capital via fundos de pensão controlados pelo PT. Somente este ponto já transforma a matéria da Revista Época em um obituário do jornalismo da Globo.

 

Introdução de Paulo Falcão.

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FAKE NEWS

Revela-se, afinal, o objetivo da armação Janot-Fachin

por  Augusto de Franco

 

Só estava faltando esta. Agora Temer é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil, segundo Joesley Batista. Então tá. A verdadeira organização política criminosa (chefiada por Lula, Dirceu e seus sequazes) pode respirar aliviada. A armação Janot-Fachin revela, afinal, o seu objetivo. Como queríamos demonstrar.

É engraçado de tão ridículo. Matéria da Época (Globo), que sai hoje, solta entrevista-bomba de Joesley Batista, do grupo Friboi – aquele que só cresceu como cresceu em razão da injeção de dinheiro barato do BNDES, seguindo a política dos “campeões nacionais” de… Temer!

Não vale a pena replicar aqui a entrevista. Até Josias de Souza percebeu que é demais. No post intitulado Joesley soa como virgem de Sodoma e Gomorra, publicado hoje (17/06/2017) no seu blog do Uol, ele escreveu o seguinte:

De passagem pelo Brasil, o corruptor confesso Joesley Batista falou à revista Época. Apresentou-se na conversa como uma vítima de políticos achacadores. Nessa versão, se não distribuísse mimos e propinas os interesses do seu grupo empresarial seriam prejudicados. A tese da extorsão é cansativa e ofensiva. Ela cansa porque já foi usada à exaustão pelas empreiteiras pilhadas na Lava Jato. Ofende porque supõe que a plateia é feita de imbecis.

Na definição do dono da JBS, “Temer é o chefe de uma organização criminosa” que inclui Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves, Eliseu Padilha e Moreira Franco. “Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles.” Por quê? “Para não armarem alguma coisa contra mim.” Há, hã… O problema dessa formulação é que, guiando-se por autocritérios, Joesley participa do enredo da rapinagem no papel de um anjo cercado de demônios.

As asas angelicais do entrevistado abriram-se com maior entusiasmo no instante em que ele explicou por que pagava pelo silêncio de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, que estão atrás das grades. “Virei refém de dois presidiários. Combinei quando já estava claro que eles seriam presos, no ano passado. O Eduardo me pediu R$ 5 milhões. Disse que eu devia a ele. Não devia, mas como ia brigar com ele? Dez dias depois ele foi preso.”

O anjo prosseguiu: “Eu tinha perguntado para ele: ‘Se você for preso, quem é a pessoa que posso considerar seu mensageiro?’. Ele disse: ‘O Altair procura vocês. Qualquer outra pessoa não atenda’. Passou um mês, veio o Altair. Meu Deus, como vou dar esse dinheiro para o cara que está preso? Aí o Altair disse que a família do Eduardo precisava e que ele estaria solto logo, logo. E que o dinheiro duraria até março deste ano. Fui pagando, em dinheiro vivo, ao longo de 2016. E eu sabia que, quando ele não saísse da cadeia, ia mandar recados.”

Que a política virou apenas mais um ramo do crime organizado, ninguém ignora. Nessa matéria, a Lava Jato eliminou até o benefício da dúvida. Mas Joesley só está solto para dar entrevistas porque sua delação foi superpremiada pela Procuradoria-Geral da República. O delator faria um favor aos brasileiros se não exagerasse na pose.

O que há de novo no país que a força-tarefa de Curitiba desencavou é que, pela primeira vez desde as caravelas, a polícia, a Procuradoria e a Justiça invadiram os salões do clube dos corruptores, do qual Joesley Batista é sócio-atleta. O barão da carne ainda não se deu conta da aversão que sua despudorada figura passou a despertar.

Hoje, só há dois tipos de brasileiros: os desinformados e os que torcem para que os lucros que a JBS obteve no mercado financeiro manipulando a própria delação resultem em nova ação judicial. Coisa séria o bastante para levar gente como Joesley à cadeia sem prejuízo da utilização de tudo o que foi delatado para fins criminais.

Até lá, convém a Joesley não diminuir sua importância como corruptor no maior esquema de rapinagem sob investigação no planeta. Do contrário, sua voz soará nos depoimentos e nas entrevistas como ladainha de uma virgem de Sodoma e Gomorra.

A entrevista da Época é apenas mais um movimento – com a colaboração dos meios de comunicação – no vale-tudo para tirar Temer. A grande mídia publica e veículos auxiliares, como O Antagonista – hoje um site de malfeitores – se lambuza na “revelação”.

Quem parar um minuto para pensar, percebe que a história não fica em pé. Temer pode ser tudo o que de pior existe no velho sistema político que apodreceu, mas não chefe da maior e mais perigosa organização criminosa do país. Não tem perfil político, nem psicológico, para tanto. Não há antecedentes conhecidos, nem evidências perceptíveis na sua trajetória, de que ele seja isso. Engraçado que Joesley – segundo a Época – usa a palavra Orcrim (inventada pelo O Antagonista, inicialmente para designar o PT e, depois, com a decaída do site para a rede suja, deslizada para designar o atual governo ou para carimbar qualquer grupo de desafetos dos jacobinos).

As pessoas devem estar pensando. Como são ingênuos esses bravos patriotas do PT, que escolheram Temer para vice, duas vezes, sem saber que estavam dormindo com o inimigo: nada menos do que o chefe da maior e mais perigosa organização política do Brasil. Carái, mano!

Enquanto isso… vamos aos fatos. Quais são os fatos, por trás das narrativas engendradas? Os fatos são os seguintes:

Lula (o chefe, segundo o próprio Deltan Dallagnol – que agora deve estar amargurado por ter se enganado tanto), continua solto. Verdade ou mentira?

Dirceu (o sub-chefe, o “capitão do time” de Lula) não voltou para a cadeia. Confere?

Do núcleo duro da organização política criminosa (chefiada por Lula, Dirceu e seus sequazes), apenas uma pessoa continua presa (em regime fechado): João Vaccari (não, Palocci – há muito tempo – não pertence mais ao inner circle). Certo?

Até agora, pelo menos, nunca se ouviu dizer que a organização criminosa que Temer chefia tenha repassado parte dos recursos de que se apropriou criminosamente para apoiar protoditaduras ou ditaduras na África ou na América Latina, nem para eleger ou reeleger gente como Chávez, Evo, Ortega, Funes etc. falsificando a vontade política dos povos dos países dominados e manipulados por esses meliantes. Ou será que estamos enganados e era Temer o tempo todo que levava o PT a proceder assim?

Não há nenhuma evidência de que perigosa organização criminosa chefiada por Temer tenha sequestrado, torturado e matado algum prefeito do seu partido, para calá-lo. Ou há?

Também não há nenhuma evidência de que essa “Orcrim” temerista tenha pensado ou tomado iniciativas para estabelecer o controle partidário-governamental (disfarçado de social ou civil) dos meios de comunicação e da internet. Mas quem sabe, tudo isso não tenha saído mesmo da cabeça maligna de Temer, sempre manipulando os ingênuos petistas por trás dos panos.

Igualmente não se ouviu dizer que Temer tenha planejado instaurar forças de segurança militarizadas (guardas nacionais) sob o controle do governo e não como entes de Estado. Errado! Quando Marcio Thomaz Bastos, ainda em 2004, bolou tudo isso, deve ter sido a mando de Temer.

E nem que ele tenha tentado criar novas instâncias participativas, dirigidas por seu partido, para cercar a institucionalidade vigente e subordinar a dinâmica social à lógica do Estado aparelhado. Hummm… Vocês não sabem, mas o Decreto 8243, assinado por Dilma, foi, na verdade, redigido por Temer.

Por último, por incrível que pareça, a organização de Temer nunca defendeu a formação de alianças internacionais por meio de uma política externa ideológica, de alinhamento com regimes antidemocráticos, ditatoriais e protoditatoriais. Nada disso! Ficou provado pela política externa imposta por Temer ao Itamaraty desde que ele assumiu o governo, que ele gosta mesmo é ditaduras, vocês não estão vendo?

Mas não adianta analisar, protestar, estrebuchar: a ordem já está dada! Vamos abolir os fatos. O que vale é a narrativa. Foi Temer que bolou e operou o mensalão. E foi a sua organização criminosa (a maior e a mais perigosa do Brasil) que planejou e executou o petrolão. Ademais, foi também Temer que saqueou o BNDES para fabricar gente como Fake Batista e a dupla de Freeboys Joesley & Wesley.

É bom avisar, para quem não percebeu, que tudo isso é ironia e até um pouco de chacota. Não dá para encarar os conspiradores janotistas a não ser na base da chacota.

Estamos diante do maior processo de falsificação que já foi realizado no Brasil recente. Mas devemos ficar tranquilos. Porque “as instituições estão funcionando”. O problema é que instituições como a dirigida por Janot funcionando dão nisso que estamos vendo.

____________

RETOMO PARA CONCLUIR

Reinaldo Azevedo, ainda no início do Petrolão, foi o primeiro analista a perceber que Rodrigo Janot atuava para descaracterizar o PT como líder do assalto ao erário e à institucionalidade. A estratégia era ser lerdo, muito lerdo, nas denúncias contra Petitas e célere contra os demais partidos, estabelecendo um quadro em que o PT deixava de ocupar o centro do megaesquema de corrupção e todos os partidos se igualavam em métodos e safadeza. Ou seja, o que era um golpe contra as instituições virou apenas corrupção.

A iniciativa não deu de todo certo porque alguns juízes de primeira instância insistiram na investigação de Lula e sua “rede de amigos e favores”.

Agora vemos a dupla Janot-Fachin somar-se à Globo para não só lavar a reputação do PT e de Lula em praça pública, com o boneco de ventríloquo Joesley Batista, regiamente remunerado com “favores legais” dizendo que Temer era o manda-chuva. O troço foi tão ridículo que nenhum jornalista ou analista sério embarcou na canoa.

Se o trio Janot-Fachin-Globo mantiver o padrão de conduta, em breve veremos Joesley Batista dizendo que o tríplex do Guarujá era do Temer, assim como o sítio de Atibaia. Lula era apenas o caseiro, por hobby.

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Link para o artigo original de Augusto de Franco AQUI.

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6 comentários em “CAPA DA REVISTA ÉPOCA É UM OBITUÁRIO DO JORNALISMO DA GLOBO.

  1. Simone Acuri
    06/18/2017

    Você e o Reinaldo Azevedo estão de acordo. Veja este artigo.

    Joesley na “Época”: esforço desesperado das Organizações Globo para depor Michel TemerEm entrevista, o maior bandido da história do país (245 crimes confessados) diz que Michel Temer é chefe de uma organização criminosa. É mesmo? Então vamos pensar

    Não é pouca coisa. Desde 1º de abril de 1964, está no poder um governo que não conta com o apoio das, como posso chamar?, “Organizações Globo”. Ao contrário: elas atuam para derrubá-lo. E, para tanto, não medem esforços. Há procedimentos que até podem ser confundidos com jornalismo.

    Estamos falando dos últimos 53 anos. Notem: o próprio Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente, um homem acostumado a ser independente, não se se sente à vontade para endossar institucionalmente o governo. Sabe que estaria na contramão de aliados históricos. Afinal, os Marinhos nunca lhe faltaram, e ele não pode lhes faltar numa hora como esta: os veículos da família apostaram tudo no sucesso da blitzkrieg. Era para Michel Temer cair em suma semana. Mas ele não caiu.

    E agora?

    E agora? Na semana em que a revista “IstoÉ” evidencia o clima de terror que vigora no Ministério Público Federal, eis que Joesley Bastista, anti-Macunaíma das Organizações Globo, o herói cheio de caráter — ele confessou apenas 245 crimes —, concede uma entrevista à revista “Época” que tem o claro objetivo de constranger o Supremo Tribunal Federal.

    Esse monumento moral que é Joesley decide acusar o presidente Michel Temer de ser o “chefe da maior e mais perigosa organização criminosa” que há no país. Que coincidência! Será justamente essa a acusação a ser feita por Rodrigo Janot, procurador-geral da República. É desse princípio que partiu Edson Fachin, relator auto-outorgado do caso, para tomar suas decisões. Nos veículos da “Organização” — TVS (aberta e a cabo), rádios e jornais —, não há uma só crítica, nem a mais remota, às ações ilegais ou autoritárias que buscam depor Michel Temer. Ao contrário: editorial do jornal “O Globo” pregou a deposição.

    “Que é isso, Reinaldo? Vai se comportar como a esquerda agora? Vai gritar palavras de ordem contra pessoas da Globo em aviões?”

    Ah, não! A turma da emissora sabe que não sou esse tipo de vagabundo. Sabe que não me perco em pensamentos genéricos. Inclusive quando julguei necessário defender o grupo de ataques que considerei injustos.

    Onde estão as evidências de ilegalidade? Pois não! Se seus donos e editores ainda não descobriram, eu digo.

    – A gravação, EDITADA, da conversa com o presidente é uma prova ilícita, que fere o Inciso LVI do Artigo 5º da Constituição. Aceito, claro, um contra-argumento. Mas não me tragam “opiniões”. Cobro que evidenciem que a letra da Constituição foi suplantada por algum outro título legal;

    – Edson Fachin nunca foi o relator natural do caso porque, obviamente, este nada tem a ver com o petrolão. Assim, violou-se o fundamento do juiz natural, triplamente assegurado na Constituição de 1988: Artigo 5º, incisos XXXVII (“Não haverá juízo ou tribunal de exceção”), LIII (“Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente”) e LIV (“Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”).

    Essas são as duas agressões primitivas ao devido processo legal, das quais outras tantas decorreram, com o beneplácito dos veículos da “Organização”, que passaram a atuar como ordem unida. Não se leem, não se veem nem se ouvem em notícias nem no material opinioso:
    – críticas aos critérios solipsistas que definem as prisões preventivas;
    – críticas a métodos característicos de um Estado policial; ao contrário: os veículos passaram a atuar como colaboradores da agressão sistemática a direitos individuais;
    – críticas aos métodos heterodoxos a que recorrem procuradores, inclusive o geral, para provocar alarido na opinião pública. Como definiu Nina Lemos, uma jornalista de esquerda, que não é da minha turma, Deltan Dallagnol, por exemplo, se comporta como uma “blogueira teen”, que decide dizer nas redes tudo o que lhe passa pela cabecinha confusa, ornada por duas faces rosadas. Ocorre que ele é coordenador da Força Tarefa da Lava Jato, que deveria colaborar para pôr o Brasil nos trilhos; em vez disso, parece haver um esforço deliberado para afundar o país.

    A revista “Época”, do grupo, traz uma entrevista com Joesley. Com o devido respeito, juro!, aos profissionais envolvidos na operação, estamos diante de uma das coisas mais vergonhosas que já se fizeram no país sob a chancela de “jornalismo”.

    Não! Não se trata de defender ou de atacar Michel Temer; de crer ou não crer nas sua honestidade pessoal, de apostar ou não na sobrevivência do seu governo. Trata-se de dar a palavra, sem contestação, a um bandido confesso, beneficiado — a exemplo de outros, mas com ainda mais licenças — por uma delação premiada espúria e por um acordo de leniência idem. Nos dois casos, os lesados são os brasileiros.

    Já fiz a conta que as Organizações Globo não querem fazer: o 0,25 ponto percentual a menos na redução de juros custa, em 12 meses, algo em torno de R$ 6,5 bilhões. E a mais recente redução da Selic foi de 1%, não de 1,25%, por causa de Joesley e sua organização criminosa. O Boletim Focus já reduziu em 0,1 ponto percentual a expectativa de crescimento neste ano em razão dessa crise. Parece pouco? Estamos falando de R$ 6,3 bilhões. É o que custa cada 0,1 ponto percentual que deixarmos de crescer. O que está dado hoje: o grupo J&F pagará R$ 10,3 bilhões de multa ao longo de 20 anos, e o país já levou no lombo, até agora, um esperto de quase R$ 13 bilhões em um ano.

    E Joesley comparece à revista “Época” como herói da resistência, apto a apontar Michel Temer como chefe da organização criminosa? Quem o faz é o sujeito que confessou 245 crimes e, como garantia da impunidade e da imunidade, só tinha de entregar o presidente da República. Deveria haver um limite para o ridículo. Mas parece que tal limite se perdeu de vista diante do horizonte golpista.

    Empreitada irresponsável
    O que levou as “Organizações” a adotar essa postura? Não sei. A esquerda fica fantasiando coisas: “Ah, é a publicidade”. Besteira! Uma empresa do grupo, a Seara, está entre os 20 maiores anunciantes do país, sim, mas em 16º lugar (dados de 2016). Será a Globo dando sequência a seu mea-culpa pelo apoio do patriarca, Roberto Marinho, ao golpe de 1964? Não sei. Houve, no caso, uma abjuração até exagerada. Seria curioso que os contemporâneos tentassem purgar, com o apoio a um novo golpe, a sua herança culpada em razão de um… golpe! Um amigo, um tanto indignado, recomenda: “Pesquise as apostas cambiais também das organizações, não só da J&F”. Se alguém tiver tempo para isso, que o faça. Eu não tenho.

    Não sei as razões, mas sei o tamanho da irresponsabilidade da empreitada. Dar apoio objetivo a métodos ilegais de investigação; acatar como verdades absolutas, aptas a depor um governo, as palavras de um criminoso contumaz; apostar todas as fichas nessa deposição quando não se tem claro nem o rito que se seguiria para a ascensão de um presidente eleito pelo Congresso — acho que, a esta altura, a Globo já percebeu que Cármen Lúcia não tem fôlego —, bem, tudo isso é de uma irresponsabilidade gigantesca.

    Virulência
    A entrevista deste bandido à “Época” é só a expressão do agravamento de uma virulência que parece já ter vislumbrado a própria derrota. Atenção! Para todos os efeitos, o sr. Joesley está à disposição do Ministério Público Federal, que ainda pode denunciá-lo, e da Justiça. Uma entrevista com tal teor não seria concedida sem a prévia concordância de Rodrigo Janot, que está a dias de entregar a sua denúncia.

    É um acinte à inteligência que Joesley, o grande amigo de Lula, seja a peça central de uma armação disposta a depor Michel Temer. O açougueiro de instituições, claro!, acusa também o petista, que teria profissionalizado a corrupção no Brasil. Faz parte dos chamados “saludos a la bandera”. Sem a admissão de um Lula também corrupto, a entrevista se limitaria apenas ao ridículo. Mas o alvo primeiro é Temer, como se nota. Em seguida, Aécio Neves. A ópera bufa de Janot prosperou até aqui.

    E que se note: Joesley veio para enterrar a expressão “petrolão”. E também retirou do mercado político o PT como o responsável pelo maior escândalo da história do país. No lugar dessa narrativa, há outra, já vocalizada pela “blogueira teen” de faces rosadas: “o combate à corrupção”, assim, de modo genérico, sem atores, o que, obviamente, é uma prática que absolve o PT.

    A entrevista de Joesley é uma das últimas cartadas para tentar depor o presidente. Os autores da patuscada já não sabem o que fazer. Contavam com o depoimento bombástico de Eduardo Cunha, que não veio. Não por acaso, Joesley diz o que qualquer pessoa que acompanha política sabe ser falso como nota de R$ 3: o ex-deputado seria um subordinado de Temer. É brincadeira!

    Sem saída
    A articulação golpista está sem saída. Eis o sentido dessa entrevista. É nesse contexto que entendo o estranho discurso de Fernando Henrique Cardoso, que decidiu apelar à generosidade de Temer, falando até em antecipação das eleições, em consonância, sim, com as Organizações. Não que FHC faça parte do golpe. Claro que não! Mas é fato que ele decidiu não atuar na resistência, daí o apelo àquela que seria uma saída, digamos, “democrática”. Nota: nem ao povo, numa democracia, é dado violar a Constituição. Imaginem eleições diretas agora… Lula não quer outra coisa.

    E o ex-presidente deveria saber, ou fica sabendo agora, que a Constituição se pronuncia duas vezes sobre o caso: o Parágrafo 1º do Artigo 81 é afirmativo: “Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei.” E o Inciso II do Parágrafo 4º do Artigo 60, o das cláusulas pétreas, é proibitivo: “Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir (…) o voto direto, secreto, universal e periódico”. Esse “periódico” quer dizer que não se muda a data da eleição na vigência do período definido por lei. Se FHC se lembrar bem, a malfadada emenda da reeleição, que seu governo patrocinou, não mudou a periodicidade do voto.

    Encerro
    Como encerrar este texto? As Organizações Globo, em parceria com as esquerdas — que hostilizam seus profissionais, com a covardia costumeira —, decidiram depor o governo. E, como se vê, optaram pelo vale-tudo. Quem perde a noção dos limites institucionais acaba, fatalmente, apoiando o golpismo e a agressão a direitos e garantias individuais.

    “Teoria conspiratória”? Que besteira. A dita-cuja se alimenta da ausência de fatos — é o caso dos ETs, que nunca aprecem em Nova York ou São Paulo —, e eu lido com uma pletora deles.

    • Questões Relevantes
      06/18/2017

      Obrigado. Sem dúvida tenho muito mais pontos de convergência do que de divergência com o Reinaldo Azevedo. Neste caso, concordo inteiramente com ele.

  2. Lourival Marques
    06/17/2017

    O pior de tudo isso é que se Temer renunciar ou for deposto como Dilma vai voltar com tudo a grita por eleições diretas, mesmo que ao arrepio da Constituição (ignorando-se o art 81, que regula a sucessão na vacância de Presidente e Vice-Presidente, e o art, 16, que determina que mudanças na legislação eleitoral só valham 1 ano após promulgadas).

    Eu, que até pouco tempo achava que Temer deveria renunciar para dar lugar eventualmente a alguém que tocasse as reformas necessárias, estou achando que a melhor coisa (ou, vá lá, a menos pior) é que ele fique até o fim do mandato. Nisso não vai nenhuma simpatia pelo peemedebista, apenas constato que o risco de que Lula, Bolsonaro, Marina ou qualquer outro doente mental ganhe uma eleição pelo calor do momento é real e não pode ser ignorado.

    • Questões Relevantes
      06/17/2017

      Lourival, concordo com sua avaliação. Temer resistir até as próximas eleições é a alternativa menos danosa para o Brasil que vive além das disputas de poder.

      • Lourival Marques
        06/18/2017

        Acredito que ele vá resistir.
        Gostei do seu comentário final no artigo e concordo que está sendo uma forçação de barra descabida querer pintar Temer como o capo dei capi. Até as emas do Palácio do Planalto sabem que esse papel é de Lula.

        Temer jamais teria o perfil que Lula tem para querer instituir uma espécie de “Reich tupiniquim”, um governo eterno, ou algo como o PRI fez no México por mais de 70 anos. O marido da Marcela pode ter lá seus esquemas escusos, mas não tem nem de longe a vontade de poder que o ex-sindicalista mantém viva em seu íntimo.

      • Questões Relevantes
        06/18/2017

        E as evidências tornam ridícula a acusação. Diversas pessoas andaram relembrando alguns fatos que exigem muita ginástica para encaixar Temer na posição de “chefão””:

        Lula alterou o estatuto do BNDES para que empresas brasileiras pudessem realizar aquisições e fazer investimentos fora do País com dinheiro público, possibilitano as seguintes aquisições:

        2005 — a JBS deu seu primeiro passo no exterior, comprando 85 por cento da Swift Armour, maior processadora de carne bovina da Argentina, por 200 milhões de dólares.

        2007 — a JBS comprou a norte-americana Swift Foods comprou por 225 milhões de dólares e assumiu sua carga pesada de dívida, estimada em mais de 1 bilhão dólares, logo após a abertura de capital na Bolsa de Valores de São Paulo.

        2008 — a JBS comprou a produtora de carne bovina com sede na Austrália, Tasman Group, por 107 milhões de dólares em dinheiro, seguido em 2009 pela australiana Tatiara Meat.

        2008 — a JBS adquiriu a processadora norte-americana Smithfield Beef da Smithfield Foods por 565 milhões de dólares.
        * 2009 — a JBS comprou fatia controladora na produtora de carne de frango em reestruturação dos EUA, a Pilgrim’s Pride, por 800 milhões de dólares.

        2009 — a JBS abocanhou a segunda maior produtora de carne bovina do Brasil, a Bertin, com 38 fábricas no Brasil e no exterior em um acordo acionário.

        2010/11 — a JBS fez uma série de aquisições menores: a australiana Beef Rockdale, a empresa dos EUA McElhaney Cattle, o Toledo Group na Bélgica, a Weddel do Canadá e a Rigamonti Salumficio da Itália.

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