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espaço para debate de ideias sobre a cultura e a civilização

O FESTIVAL DE CINEMA DO RECIFE E O ÓDIO EDUCATIVO.

CENSURADO

O recente boicote de cineastas ao XXI Cine PE Festival Audiovisual, me lembrou artigo publicado neste blog em fevereiro de 2014. Na ocasião, eu e Victor Chamun participamos de um debate na internet sobre Nazismo e eventuais diferenças e semelhanças com o socialismo. Eram dois liberais contra uma multidão de esquerda. O debate caminhava razoavelmente civilizado até que sugeri a leitura de um artigo com uma breve citação de Olavo de Carvalho.

Foi como se tivesse xingado a mãe de todo mundo. Não houve mais qualquer vestígio de civilidade e/ou racionalidade por parte dos debatedores de esquerda. As agressões eram contra Olavo e quem o tivesse lido.
Observei então ser justo ler um artigo e discordar radicalmente de suas teses, mas não era o caso: a grande maioria era do tipo “não leu e não gostou”.

O vexame destes intolerantes de esquerda se repete, agora em versão cinematográfica, conforme foi amplamente noticiado.

A “tropa progressista” emitiu inclusive uma “nota oficial” em que dizem textualmente:

“Constatamos que a escolha de alguns filmes para esta edição favorece um discurso partidário alinhado à direita conservadora e grupos que compactuaram e financiaram o golpe ao Estado democrático de direito ocorrido no Brasil em 2016. Para nós, isso deixa claro o posicionamento desta edição, ao qual não queremos estar atrelados”.

Ou seja: sonham com a hegemonia cultural e política. Dois míseros filmes “de direita” em um festival de cinema são inaceitáveis.

Apenas totalitários têm este tipo de postura. É isto que eles são: totalitários.

Como observou Ruth de Aquino em artigo para a Revista Época, parodiando o poema “No caminho com Maiakóvski” (1968), de Eduardo Alves da Costa:

“Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. Boicotam um filme no Festival de Cinema de Pernambuco. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam o cineasta maldito, matam o contraditório, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho na sala escura, rouba o projetor e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada”.

E complementa:

“O motivo maior do boicote foi um documentário de 81 minutos, O jardim das aflições, sobre o filósofo de direita Olavo de Carvalho. (…) O festival foi adiado por causa da debandada. A seleção era de nove filmes. Não seria isso o que se chama diversidade?

“Não é possível ter debate, só entre esquerdistas”, me disse o diretor Josias Teófilo. Ele revelou que sua vida ficou “insustentável” em Brasília depois de resolver filmar Olavo de Carvalho. “Grandes festivais disseram que eu não era bem-vindo e que nunca mais eu conseguiria dirigir nada. Esse documentário foi feito com crowdfunding porque seria impossível tentar a Lei Rouanet. Vivemos a tirania da coletividade sobre o indivíduo. Quem está fora desse establishment de esquerda só encontra má vontade no campo do cinema.”

A patrulha, de esquerda ou de direita, não é só burra, primária e insuportável. É perigosa. Favorece o obscurantismo, a ignorância. Na chamada esquerda brasileira, há grupos numerosos, especialmente no PT, que fazem distinção entre “a censura do bem” e a “censura do mal”. “As ditaduras do bem”, como Cuba e Venezuela, e “as do mal”, de direita. É de uma insensatez frenética e fanática a forma como tantos intelectuais relativizam prisões, torturas, arbitrariedades, corrupção, censura, preconceito sexual, força do Estado… desde que o regime seja de esquerda.

“Esses cineastas que boicotaram o Festival de Pernambuco conseguem ser piores que Mao e Hitler, que assistiam aos filmes antes de censurar. Leonid Brejnev proibiu um filme de Tarkovski, mas assistiu antes. Esse grupo aí não viu e não gostou”, disse o diretor Josias Teófilo. “O jardim das aflições é muito mais metafísico que político. Fala de Aristóteles e Platão. O documentário traz uma mensagem a favor da individualidade. Discorre sobre a morte. Não tem motivo esse desespero todo. Mandei mensagens simpáticas aos colegas revoltados, agradecendo pela divulgação. Eu não podia pagar assessoria de imprensa.”

Ruth de Aquino ainda observa: “Gabi Saegesser, do curta Iluminadas, disse que “O jardim das aflições vai contra qualquer possibilidade de diálogo”, ao falar sobre “um dos maiores representantes do conservadorismo de direita”. Para a cineasta, a presença do título na programação “é como se o festival desrespeitasse a visão política e social de outros filmes”.

Ou seja, Gabi Saegesser nos brindanda com um exemplo didático do que os totalitários entendem por diálogo e pluralismo.

Segue a lista dos “progressistas totalitários” que boicotaram o festival:

Arthur Leite

Cíntia Domit Bittar

Eva Randolph

Gabi Saegesser

Leo Tabosa

Petrônio Lorena

Sávio Leite

 

Artigo de Paulo Falcão.

 

 

 

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5 comentários em “O FESTIVAL DE CINEMA DO RECIFE E O ÓDIO EDUCATIVO.

  1. Pingback: A EXPOSIÇÃO CANCELADA E A VERDADEIRA CENSURA. | questões relevantes

  2. Lauro Maia
    05/15/2017

    Muito boa observação. Apesar de não trazer novidade alguma é sempre bom relembrar esse fato: ao menos direita não é autoritária. Sempre tivemos em todo ocidente acesso à literatura, poesia, cinema com feições claramente de esquerda.
    ACM estava sempre protegendo o Jorge Amado – comunista declarado, e que eu ADORO ler – mesmo na ditadura. Quando o ministro do exército não gostou dessa defesa do escritor, ACM respondeu de forma dura: “deixe que dos comunistas baianos cuido eu”! Sempre foram amigos, como todos sabem.
    Juscelino Kubitschek sempre manteve um estreito relacionamento com Oscar Niemayer, que dispensa aqui qualquer apresentação. Pagou um preço alto porque seus aliados sempre reclamavam dessa aproximação. Mas JK nunca misturou as coisas.
    Sempre teve lugar na sociedade liberal para comunistas, socialistas, anarquistas.
    Aliás, o sociólogo Bauman, outro comunista, lecionou por muitos anos na Inglaterra. Lá nunca foi cerceado nos seus pensamentos.
    Se vivêssemos num regime do tipo socialismo soviético ou norte coreano, queria ver se existiria um comunista defendendo um liberal.
    Se houvesse isso, seria como no verso de Bertolt Brecht:

    “Avança: ouvimos
    dizer que és um homem bom.
    Não te deixas comprar, mas o raio
    que incendeia a casa, também não
    pode ser comprado.
    Manténs a tua palavra.
    Mas que palavra disseste?
    És honesto, dás a tua opinião.
    Mas que opinião?
    És corajoso.
    Mas contra quem?
    És sábio.
    Mas para quem?
    Não tens em conta os teus interesses pessoais.
    Que interesses consideras, então?
    És um bom amigo.
    Mas serás também um bom amigo de gente boa?
    Agora escuta: sabemos
    que és nosso inimigo. Por isso
    vamos encostar-te ao paredão. Mas tendo em conta os teus méritos
    e boas qualidades
    vamos encostar-te a um bom paredão e matar-te
    com uma boa bala de uma boa espingarda e enterrar-te
    com uma boa pá na boa terra.”

    Inclusive é EXATAMENTE isso que nossa esquerda prega. Basta ver.

    • Questões Relevantes
      05/15/2017

      Ótima contribuição.

  3. Jornal do Siúves
    05/14/2017

    Caro articulista, louvo sua tenacidade. Desisti de debater qualquer ideia flutuante nesse pântano. A esquerdofrenia é incapacitante para a razão, por óbvio.

    • Questões Relevantes
      05/14/2017

      Penso que este movimento de resistência à idiotia totalitária seja como uma boia salva-vidas lançada neste “infomar”, como já cantou Gil. Não recupera os afogados, mas pode salvar alguns que ainda estejam esperneando.

      Ou, talvez, eu tenha sido influenciado pela famosa frase de Edmund Burke: Para que o mal triunfe basta que os bons fiquem de braços cruzados.

      Abraço.

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