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A IDEOLOGIA NÃO SEDUZ A PERIFERIA.

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Em artigo recente afirmei que entre dois polos que sonham com ditaduras, à esquerda e à direita, estão aqueles que reconhecem a democracia e o estado de direito como valores fundamentais (poucos) e aqueles que não entendem nada disso mas desejam ter emprego, fazer um churrasquinho no final de semana e pagar as contas em dia (muitos).

No artigo abaixo, Fernando Schüler analisa pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo, criada e mantida pelo PT, que tem um tom crítico com o resultado que encontrou, provavelmente porque referenda de maneira direta o que venho afirmando: os brasileiros, em sua esmagadora maioria, querem apenas que a economia funcione, que tenham emprego, que a inflação não coma seus salários e que sobre um dinheirinho para esquecer de tudo no final de semana. Afinal, como já cantou Paulo Vanzolini, “os pecados de domingo, quem paga é a segunda-feira”.

Fiquem com o artigo.

Introdução por Paulo Falcão.

___________________________

 

O BOM-SENSO DOS “SEM IDEOLOGIA”

A pesquisa da Perseu Abramo é muito reveladora da lógica opaca de seus autores. Na vida prática, as pessoas, há muito tempo, não dividem o mundo entre “burguesia” e “classe trabalhadora”

 

FERNANDO SCHÜLER para a Revista Época em 07/04/2017

 

“Os pesquisadores da Fundação Perseu Abramo fizeram um bom trabalho. Foram lá na periferia de São Paulo e descobriram muita gente de bom-senso. Pessoas que apostam no trabalho e no mérito pessoal, sonham em empreender, não acreditam muito no governo, em escolas públicas e andam relativamente pouco preocupadas com política. Achei ótimo isso. O que parece ter chamado a atenção, no trabalho, foi o contraste dessas ideias simples e relativamente previsíveis com a narrativa partidária. A pesquisa sugere que os moradores da periferia se tornaram mais “liberais” com a ascensão econômica da década passada. E acentuaram uma cultura individualista, pouco dada a soluções comunitárias, na crise recente. Será? Faz sentido buscar um “encaixe” ideológico, à esquerda ou à direita, para a atitude simples e pragmática das pessoas que vivem e trabalham na periferia de São Paulo?

Nossos pesquisadores sugerem que os mais pobres “assumem o discurso propagado pela elite apontando a burocracia e os altos impostos como empecilhos para o empreendedorismo”. Lendo isso, não sei por que, me lembrei do Sebrae. Será que o pessoal do Sebrae andou pela periferia de São Paulo fazendo a cabeça de todo mundo? Ou será que alguém por lá leu que estamos no 123º lugar no Doing business do Banco Mundial, que mede a facilidade para fazer negócios, e em 181º no quesito “pagamento de impostos”? Será que precisa mesmo aderir ao discurso da elite para saber dessas coisas? Ponto para a periferia de São Paulo. Aliás, achei sensacional a turma dizendo que quer abrir uma franquia da Cacau Show ou da “casa da batata frita”. Me deu até uma esperança no Brasil.

A pesquisa diz que as pessoas “querem colocar filho na escola particular ou pagar convênio médico” quando conseguem dinheiro para pagar. Achei ótimo isso. O Ideb médio das escolas privadas é 51% superior ao das escolas públicas e parece óbvio que os pais façam essa escolha. É a mesma lógica, perfeitamente legítima, que leva políticos de “esquerda” a frequentar o Hospital Sírio-Libanês. Por que os moradores da periferia deveriam agir contra seu próprio interesse? Na curiosa visão dos pesquisadores, eles fazem isso porque há “pouca valorização do público”. Se eu fosse pesquisador da Fundação, sugeriria outra hipótese: eles fazem isso para se defender da precariedade do Estado. Se os dados do Ideb mostrassem resultado inverso, a mães da periferia mostrariam uma súbita “desvalorização do privado”.

Nossos pesquisadores descobriram que, fora do mundo metafísico dos manuais de sociologia, não faz nenhum sentido a ideia de um conflito entre “burguesia” e “classe trabalhadora”. Ainda me lembro, nos anos 1980, quando ouvi falar pela primeira vez a palavra “burguesia”. Virou uma das minhas palavras favoritas, mas confesso que nunca entendi exatamente a que ela se refere. Renda? Estilo de vida? Domínio sobre o capital? Adesão a certas ideias? Nunca entendi, mas ao menos agora vejo que não estou sozinho. No mundo “líquido” do século XXI (homenagem ao Zygmunt Bauman), da sharing economy e das mil e uma formas de empreendedorismo, é mesmo curioso imaginar que alguém insista em dividir o mundo entre capital e trabalho, ricos e pobres e coisas desse tipo.”

________________

 

*Fernando Schüler é titular da Cátedra Insper e Palavra Aberta, cientista político, professor e doutor em filosofia, escreve sobre análise política, economia e comportamento brasileiro na Revista ÉPOCA.

 

Link para o artigo original aqui.

Link para a música Capoeira do Arnaldo, de Paulo Vanzolini, aqui.

 

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54 comentários em “A IDEOLOGIA NÃO SEDUZ A PERIFERIA.

  1. George Ayres
    04/12/2017

    Texto isentão, publicado em revista isentona para o público isentão. Depois de ler o texto vem a dúvida: O que esse autor entende de periferia? E de ideologia?

    Falar que “a ideologia não seduz a periferia” sem tocar no assunto da informação (que no Brasil é monopolizada), é achismo.

    • Questões Relevantes
      04/12/2017

      Respondendo de maneira objetiva seu questionamento, o artigo abaixo fala de uma experiência concreta. Há outras, mas esta já está formatada:
      O VENENO DA IGNORÂNCIA
      http://wp.me/p4alqY-af

      • George Ayres
        04/12/2017

        Ótimo texto. Agora sobre o texto anterior: Falar do Brasil (favela, periferia, etc.) sem levantar pelo menos um desses pontos (do texto abaixo) que faz parte da realidade da prática política do país, é ser um mero reprodutor peçonhento de status quo. Morar numa favela onde o estado na maioria das vezes faz vista grossa, assim como o topo da pirâmide econômica (vulgo ‘burguesia’), é ter a ideologia da sobrevivência o tempo todo (com conhecimento etimológico da palavra ou não) pois a realidade cotidiana imprime essa situação. Morar na favela, dentre outras coisas, é morar na história do Brasil, não na história dos heróis de busto e sim a dos escombros e problemas que perduram até hoje (como desigualdade social).
        Segue o texto publicado em 2014 na Le Monde Diplomatique:
        A QUE(M) SERVE O SISTEMA POLÍTICO BRASILEIRO?
        http://zip.net/bctHtZCopiar

      • Questões Relevantes
        04/12/2017

        George Ayres, cada artigo tem um ponto central. Esta discussão sobre a mídia e outras mazelas brasileiras é necessária e a faço em outros artigos. O que discordo é das soluções propostas, principalmente pela esquerda. Trato disto em diversos artigos do blog. Um deles traz uma debate com mestres e doutores da área de humanas da UNICAMP. Ali a divergência ficou bastante explicitada:
        “DEMOCRACIA SOCIALISTA” http://wp.me/p4alqY-3n

  2. Aristóteles Lima Santana
    04/12/2017

    “Questões relevantes” não usa argumentos relevantes. Qualquer um sabe (talvez não o pessoal da fundação perseu abramo) que a “ideologia dominante é a ideologia da classe dominante”. Isso sempre foi claro em todas as épocas da história. E o Liberalismo capitalista em que vivemos NÃO é a sociedade, não no sentido de que esta sempre existiu, ela é a ATUAL sociedade, ou seja, existiram outras antes dela (como o feudalismo e a escravidão antiga) e poderão existir outras no futuro. Mas a pesquisa é importante não tanto por descobrir a pólvora, mas para demarcar um processo de estudo sobre tática e estratégia. E é ai que ela pode ser problemática para o PT, pois no afã de reconquistar votos, o partido vire cada vez mais à direita, ou seja, use o discurso de Dória e Alckimim para voltar a ganhar eleições. Em tempo, se a ideologia dominante é a da classe dominante, quem luta contra essa classe de parasitas que não trabalham e vivem às custas dos trabalhadores, não pode reproduzir sua ideologia. Mas como o PT prefere fazer alianças com a Odebrecht, não se pode esperar muito dele, claro.

    • Questões Relevantes
      04/12/2017

      Aristóteles, obrigado pela participação. Comentários divergentes, antagônicos, mas bem costurados são sempre bem-vindos. Discordo de sua visão inicial, como deixo claro na abertura do artigo, quando digo que a grande maioria das pessoas simplesmente ignora a ideologia em que vive (quase como os peixes ignoram a água em que nadam tranquilamente). Esta maioria decide eleições, mas há muito pouco de ideologia quando votam em quem quer que seja. Votam com a manada, seja em FHC ou Lula, seja em Haddad ou Dória, para citarmos casos conhecidos. Quanto ao PT, ambos temos críticas, embora, exceto pela critica à corrupção, sejam bastante distintas.

      Por último, desembarque desta canoa furada de achar que todo capitalista é um parasita. Não precisa ir longe, leia os comentários do José Renato sobre o pequeno empreendedor da periferia. Conheça melhor empresas médias e grandes. Veja o impacto que têm na vida de seus funcionários para além do emprego em si. Seu discurso é um esteriótipo que encontra cada vez menos correspondência na realidade.

  3. José Maria Zehma Reis
    04/10/2017

    Já vi muita insanidade dita nessa pagina mas essa rsrs .Olhem em todas as periferias que tenho trabalhado todos, todos ! tem plena ciência que são explorados, quando a ideologia chega por meio da formação política , toma se consciência, o esclarecimento, mas todas sabem que são explorados.

    • José Renato
      04/10/2017

      Na minha sabem, principalmente que são explorados pelo Governo, principalmente pela violência policial e dos bandidos. Muitos também entendem que são explorados pelos patrões. Por isso, que para se libertar, em montam negócios próprios , com a família, sociedades com amigos. E não por formação política.

      Porém seria boa mesmo que as famílias tivessem mais esclarecimentos, principalmente educação econômica. Principalmente para não ficarem dependentes de empresas, bancos, governos, sindicatos.

    • Questões Relevantes
      04/10/2017

      José Maria, não é difícil manipular pessoas que o vêm como superior, no sentido de experiência, conhecimento. É o básico da relação professor-aluno. O problema para aqueles que caem nesta sua conversa mole é que ou arrumam uma boquinha, uma teta para mamar em um sindicato ou cargo público (indicação, claro, jamais por mérito) ou vão perder muito tempo na vida lutando contra moinhos de vento. Depois de 10 ao 20 anos verão, ressentidos, vizinhos e conhecidos que ignoraram esta doutrinação e tiveram conquistas mais significativas na vida.

    • José Renato
      04/10/2017

      Se os jovens desde cedo tivessem uma educação financeira dos pais e na escola, ensinando a importância da poupança, de como adquirir patrimônio, saber o que é uma ação, titulo da dívida, fundo imobiliário, etc. a longo prazo , com a união familiar, poderiam ter várias fontes de renda, para que diminuíssem a dependência dos salários, conquistando sua independência financeira.

      • Questões Relevantes
        04/10/2017

        José Renato, esta é uma ideia de efeitos realmente benéficos. Uma revolução real, não violenta e não utópica.

      • José Maria Zehma Reis
        04/11/2017

        Como sempre muito equívocado é fraco de argumentos. essa conversa mole de liberalismo só ganha mesmo aqueles que permanecem na obscuridade. formação marxista já !

      • Questões Relevantes
        04/11/2017

        José Reis, seu desconhecimento da realidade é um sintoma recorrente em marxistas, inclusive alguns famosos. Felizmente estão cada vez mais desacreditados em todo o mundo civilizado.

      • José Renato
        04/11/2017

        A população tem formação marxista desde que nasce kkk. Por isso estamos nesse buraco.

      • José Maria Zehma Reis
        04/11/2017

        kkkk não tem nossa da realidade material e objetiva da vida kkk contra essa conversa mole fazemos isso, lotamos auditórios para debater e construir a práxis marxista:
        Seminário Marxismo na contemporaneidade da Fundação Maurício Gabrois lotado!

      • Questões Relevantes
        04/11/2017

        José Maria Zehma Reis , seu último comentário, com este link, foi uma interessante e talvez involuntária contribuição a um tema recorrente do blog. Deixa claro que existe de fato toda uma mobilização de doutrinação de jovens, com organização, apoio, estrutura e tudo mais. Doutrinação, diga-se, que confronta o valor da democracia e almeja sua superação. O maior problema é que quem cai nesta teia vira massa de manobra e acaba perdendo muito tempo e oportunidades na vida, a não ser que descole uma boquinha, como parece ser o seu caso. Mais uma vez, obrigado.

      • José Renato
        04/11/2017

        Lotou um auditório de uma Universidade, provavelmente pública, para ensinar marxismo para as classe media e elites universitárias. Ir a um centro comunitário de uma favela ou bairro periférico, nem pensar. Só reforça o que já dissemos.

        Melhor fala: “debater e construir a práxis marxista” .Só se for com a classe burguesa da Universidade.

      • Questões Relevantes
        04/11/2017

        É verdade. Na foto niguém tem cara de pobre.

        Não é universidade. Trata-se de um instituto ligado ao PCdoB, mantido com o dinheiro suado dos impostos. Sem verba pública (ou “contribuições” de empresas), não dura uma semana.

  4. Roniel Sampaio Silva
    04/10/2017

    Parte dos pobres ignoram o conceito de luta de classes e é por essas e outras que os ricos continuam ganhando cada vez mais. Quando um grupo ignora um conceito, não significa que ele não existe. Significa que a ideologia da classe dominante está funcionando muito bem.

    As contradições não perdoam… uma hora a chapa vai esquentar e as tensões vão aumentar.

    “só porque a água está calma não pense que não há crocodilos” – Provérbio Malaio.

    • Questões Relevantes
      04/10/2017

      Roniel, a sociedade que serviu de base para as teses de Marx já não existe. As pessoas “não ideológicas” até se deixam seduzir por este discurso de “luta de classes” quando a economia vai mal, com desemprego elevado e achatamento de salários, mas esquecem disso rapidamente quando a economia melhora.

      Apesar da torcida e das ações de pessoas como você, estamos felizmente muito longe de suas utopias totalitárias.

  5. Felipe Calabrez
    04/10/2017

    Que texto horroroso. Um sujeito que se propõe a escrever sobre ideologia deve ter claro que também ele parte de um determinado ponto de vista. Afinal, ideologia não é só a do “outro”. Não faz isso, ou porque é muito ruim e não leu direito nem os tais “manuais de sociologia”, ou porque é desonesto.

    • Questões Relevantes
      04/10/2017

      Felipe, não há dúvida de que não existe neutralidade ideológica. O texto não insinua isto. Seu incômodo se deve, principalmente, à dificuldade em compreender o que leu. O artigo parte de uma pesquisa realmente “ideológica”, feita por um instituto bem definido em suas preferências e que lamenta a realidade objetiva que encontrou, com pessoas que, em sua maioria, mesmo sem consciência do fato, estão imersas e confortáveis no pequeno comércio, na prestação de serviços e nas possibilidades de ascensão social que fazem parte de suas vidas. Você, como o Instituto petista, lamentam hoje algo que Lula compreendeu bem em seus mandatos, surfando a onda da popularidade baseada em crédito, consumo e alguma mobilidade social.

  6. Clark Bruno
    04/09/2017

    Esse papinho da direita é velho e ninguém engole mais.Consciência de classe é algo que se adquire através da educação.A burguesia sabe disso e por isso quer implementar a “escola sem partido”

    • Questões Relevantes
      04/09/2017

      Clark, você defende uma escola com partido, entendo. Faz mais de 50 anos que a esquerda domina a educação em boa parte do mundo e só conseguiu criar uma “classe média revolucionária”., barulhenta e ruim de gestão. De qualquer maneira, é importante lembrar Milton Friedman: o livre mercado não é, evidentemente, a única opção de organização da economia. Também não é uma imposição. O livre mercado é simplesmente a opção de todas as sociedades dos últimos 100 anos em que o indivíduo teve liberdade de escolha. Pense nisso.

      • Lúcio Jr
        04/19/2017

        Se o liberalismo é tão bom, como pode perder toda a área da educação para a esquerda marxitsta–será? E ainda por tanto tempo…

      • Questões Relevantes
        04/19/2017

        Lúcio, é um truísmo que a área de educação é majoritariamente de esquerda. Não tenho ilusões quanto a isto. A área de produção cultural, idem.

        Tem tudo a ver com uma estratégia conhecida por marxismo cultural, inspirada em Gramsci.

    • José Renato
      04/10/2017

      Mas ninguém nunca engoliu esse papo Clark. Não precisa. É apenas a realidade. Pelo menos para quem nasceu na periferia,favela, etc.

    • Mauricio Yamada
      04/10/2017

      Toda vez que falam sobre consciência de classes me lembra o sistema de castas na Índia, enquanto a Índia quer abolir isso, uns retardados querem convencer a população que os pobres estão destinados a pobreza se não virarem esquerdistas, o Brasil era ate o governo do PT um dos países com maior mobilidade social.
      Todos os milionários e bilionários brasileiros tiveram ou pais pobres ou avos pobres ou bisavós pobres, em alguma geração, o ciclo da pobreza foi quebrada e é isso que precisa ser feito, fornecer as ferramentas p/ quebrar o ciclo da pobreza e não criar barreiras p/ o empreendedorismo, inclusive taxando abusivamente quem é pobre e trabalha, aqui no Brasil ate o mendigo tem que pagar impostos elevados.

      • Clark Bruno
        04/10/2017

        Quem domina o “livre mercado “? As grandes corporações que ditam a política econômica dos países. Não é de agora que o sistema capitalista vendem a ilusão que pobres oprimidos podem vir a ser patrões opressores, enquanto na realidade,só poucos gatos pingados consegue romper a cadeia de determinismos sociais e chegar à classe A.

      • Questões Relevantes
        04/10/2017

        Clark, mesmo aceitando com verdadeira sua tese (com a qual não concordo), ainda assim foi nas democracias liberais, com livre mercado, que a humanidade atingiu os mais elevados índices de qualidade de vida, acesso à educação e saúde, bem como elevação de renda para as camadas mais pobres da população. Assistimos uma enorme conquista de direitos para maiorias e minorias. Mesmo no Brasil isto é observável. Ao contrário, nos países que abraçaram suas teses, há miséria bem distribuída e ausência de liberdade. A China, com seu sistema híbrido de “Capitalismo de Estado” conseguiu produzir riqueza, mas continua sendo um ditadura com enormes bolsões de ignorância e miséria na zona rural.

      • José Renato
        04/10/2017

        No bairro em que vivo, o empreendedorismo é realidade e praticamente o unico caminho para Ascenção social,uma vez que faculdade ainda é um sonho distante para boa parte dos jovens.Claro que deve se nascer num bairro pobre para entender isso.

      • Questões Relevantes
        04/10/2017

        José Renato, não acho que seja necessário nascer na periferia para compreender seu ponto de vista, basta estar aberto à realidade.

      • José Renato
        04/10/2017

        Verdade. Muita gente prefere a alienação, dos livrinhos de sociologia .

      • Clark Bruno
        04/10/2017

        Não sei em que mundo vocês vivem. O capitalismo só trouxe degradação da natureza e do próprio homem para enriquecer uns poucos países do primeiro mundo. A única maneira de libertar a classe trabalhadora é a tomada de consciência de sua condição de explorada e oprimida. Esta tomada de consciência resulta na práxis revolucionária que tem por fim tirar a burguesia do poder, terminando de vez com o sistema de classes, a propriedade privada e o modo de produção capitalista.

      • Questões Relevantes
        04/10/2017

        Bem-vindo ao século XIX, Clark Bruno. Agora, se você quer viver no século XXI, sua tese já não faz sentido. Se tiver tempo, leia:
        LIBERDADE, DEMOCRACIA E MARXISMO: ESTRANHO FETICHE.
        http://wp.me/p4alqY-1a

  7. José Renato
    04/09/2017

    A realidade objetiva dos mais pobres para melhorar de vida, na maioria das vezes, é o comércio, não os estudos. É o pedreiro que sonha em montar uma loja de material de construção. O cozinheiro seu restaurante, o mecanico com sua oficina,etc Não tem sentido a luta de classes.

    • Questões Relevantes
      04/09/2017

      Concordo.

    • Marcos Silva
      04/10/2017

      Kkkkkkkkkkkkk
      A agressiva sugestão ao empreendedorismo serve, justamente, para justificar a falta de mérito, ou melhor, aquela velha máxima mentirosa vendida pelo capitalismo barato de bolso… “Se você não trabalhar bastante e se dedicar ao máximo, e ser resiliente, e persistente, e… , você nunca atingirá seus objetivos”.

      Como quem detém o capital e os meios de produção nunca dão chances de progressão social, financeira, etc… o pedreiro vai continuar pedreiro, o cozinheiro vai continuar cozinheiro e blogueiros vão continuar blogueiros.
      Né mesmo, Paulo Falcão ????

      • Mauricio Yamada
        04/10/2017

        Marcos Silva Hahaha, a maioria dos donos de lanchonete, bares e etc já foram um dia funcionários.

      • Questões Relevantes
        04/10/2017

        O Marcos tem aquela ironia típica de quem não perdoa o fato da realidade divergir de suas teses. É algo recorrente.

      • José Renato
        04/10/2017

        Marcos Silva, vc já ouviu falar em poupança, alguma vez na sua vida? Nunca viu aquelas casas de primeiro andar , em que se em cima, e monta o negocio embaixo, típicos da periferia ? Vc já visitou e conviveu alguma vez numa periferia ?

      • Questões Relevantes
        04/10/2017

        José Renato, pelos comentários do Marcos Silva, ele só conhece periferia por foto e manuais de sociologia.

      • José Renato
        04/10/2017

        É bem por aí mesmo. Moro no Rio Grande do Norte, um Estado que vive do Turismo, é tem vários pobres perto de zonas turísticas. A maioria dessas pessoas eram pescadores, garçons, etc , porém com desenvolvimento do turismo, virão uma oportunidade de sair da pobreza, através do comércio. Muitos pescadores viraram barraqueiros, pequenos comerciantes de peixes, frios, etc Muitos cozinheiros , juntaram dinheiro fazendo hora extra, FGTS, montaram restaurantes, petiscarias, na maioria das vezes na propria casa. Outros na própria casa, construíram flats para turistas, etc.

        Agora só quem vê essas coisas é morando no bairro, conversando e vivendo com pessoas mais humildes, e não quem estuda os pobres, nas suas faculdades através de livros de Sociologia.

      • Eurico Silva
        04/10/2017

        Marcos Silva, na idade média a nobreza nunca deu bola para a ideologia da Igreja voltada aos camponeses; do mesmo modo hoje, a burguesia adora a ideologia pequeno burguesa do mérito, da poupança, do esforço, desde que voltada aos assalariados, mas também nunca acreditou nela. Meritocracia, empreendedorismo, resiliência, flexibilidade, capturam, sem dúvida, uma porção gigante da sociedade. Não fosse assim, Marx não teria dito que as ideias hegemônicas em um tempo são as ideias da classe hegemônica. “Questões Relevantes” não descobriu a roda, apenas se apropriou de um conhecimento já secular.

      • José Renato
        04/10/2017

        Poupança é um conceito econômico. Não é uma ideologia.

        Burguesia adora” ideologia pequeno burguesa”!? Pessoas tem ideologias.

        Marxismo, socialismo capturam uma porção gigantesca da sociedade, com mentiras .Que coisa não ?

      • Questões Relevantes
        04/10/2017

        Eurico Silva, nunca tive a pretensão de “inventar a roda”, limito-me a observar e divulgar as diversas possibilidade de sua aplicação, ao contrário do que fazem os marxistas e correlatos. Aliás, em outro artigo do blog digo textualmente que “O que os engenheiros sociais e outros pensadores não compreenderam é que, enquanto o Liberalismo Econômico é uma leitura da sociedade, uma tentativa de compreender como funciona uma sociedade fruto de milênios de desenvolvimento, Nazismo, Fascismo e Socialismo, por exemplo, são “projetos de sociedade”, são propostas de uma nova forma de organização que se propõe a abolir a atual e resolver os problemas do mundo”.
        Em FUJA DE UM MUNDO MELHOR
        http://wp.me/p4alqY-mF

    • Zilcer
      04/12/2017

      O artigo se encerra abruptamente ignorando por completo a extrema concentração de renda nos últimos anos na qual praticamente o mundo está sendo repartido entre aqueles pouco ricos e os muitos pobres, diagnóstico de pesquisas de diversas instituições não-esquerdistas, diga-se de passagem. Ou vai dizer que a ONU, OXFAN ou o IBGE são marxistas? Finalizo com a citação de um dos homens que mais lucraram no mercado financeiro – pelo menos este bilionário tem mais franqueza e honestidade intelectual do que o blogueiro em tela: “Na verdade, tem havido uma luta de classes nos últimos 20 anos, e a minha classe venceu. Nós é que tivemos nossos impostos reduzidos significativamente”. (Warren Buffett). Deixemos de lado os dogmatismos tanto a esquerda quanto de direita e falemos da economia real: das desonerações nas folhas de pagamento das empresas, da redução progressiva das alíquotas da Pessoa Jurídica, das isenções bilionárias que abrem mão da arrecadação de impostos sobre os lucros acionários e rentistas (caso único no mundo), das elevadas e irracionais taxas de juros praticadas pelo mercado brasileiro que sufocaria qualquer tentativa de empreendedorismo local, da política de juros sobre o pequeno produtor que de fato produz 75% dos alimentos no Brasil enquanto que o agronegócio recebe as menores taxas do mercado, dos altos juros sobre o cheque especial e o crédito caro para os pequenos negócios bla bla bla

      • Questões Relevantes
        04/12/2017

        O artigo não se encerra abruptamente, ele apenas não se propôs à discussão que você reclama. Mas no blog o assunto é bem discutido.

        Seu comentário tem alguns problemas. Em primeiro lugar, faz uma crítica genérica, global, sobre concentração de renda. Em seguida fala dos vícios da legislação brasileira como se fossem a regra mundial, o que é em si um erro conceitual importante.

        Comete a mesma generalização equivocada ao falar do agronegócio como algo diverso daqueles produtores responsáveis por 75% da produção. Trata-se, evidentemente, de desconhecimento de causa. Não confunda os benefícios indevidos recebidos por “amigos do rei” (que foi Lula por 13 anos) com as políticas agrícolas que estão sim disponíveis à todos que tenham a ficha cadastral aprovada, com linhas específicas para micro e pequenos produtores.

        Quanto à questão da distribuição de renda, deixo algumas indicações de artigos em que discuto o tema:

        OS 62 MAIS RICOS DO MUNDO, OS 50% MAIS POBRES E AS CONCLUSÕES RIDÍCULAS.
        http://wp.me/p4alqY-rt

        OS DEVOTOS DE “SÃO MARX DA MAIS VALIA”, O NEOLIBERALISMO E A LÓGICA.
        http://wp.me/p4alqY-c3

  8. Guilherme Marques
    04/09/2017

    Artigo mau escrito, cheio de contradições, muito superficial, pegar um simples trecho onde ele fala sobre impostos e articula com sebrae. A grande questão no debate temos um aparato de informação hoje principalmente a grande mídia que reproduz esse discurso como um mantra. Ele simplesmente ignoro isso

    • Questões Relevantes
      04/09/2017

      Você pode não gostar do artigo, mas ele traduz uma realidade que incomoda muito a esquerda: a utopia divergente, pragmática, que seduz a periferia, movida e emprego e consumo. O pragmático Lula surfou bem nesta onda,enquanto pôde.

      • Lúcio Jr
        04/19/2017

        Paulo: você por vezes quer jogar nas onze e deixa o gol vazado.

        Você não conhece bem Marx, autor que você rejeita com fervor. Mas quer ser utópico. Não; não há ‘utopia divergente” aí. Não há utopia. Você quer o mundo como ele está.

      • Questões Relevantes
        04/19/2017

        Lúcio, a utopia marxista está bem definida no Manifesto Comunista, que considero um manual seguro para o desastre econômico e humanitário. É esta a utopia que Eça de Queiroz enxergou com clareza lá em 1890 quando disse que em breve se ergueriam altares para a adoração de São Marx.

  9. Lourival
    04/08/2017

    Excelente artigo. Muito bom.

    • Questões Relevantes
      04/08/2017

      Obrigado.

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Publicado em 04/08/2017 por em Uncategorized.
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