Siúves continua desfilando sua sensibilidade e humor ferino. É sempre um prazer lê-lo.

JS

[Texto originalmente publicado na revista cultural Inclusive.com nº1.]


Ninguém assistiu ao formidável enterro da minha última quimera. Minha última quimera foi tentar honrar um mundo que se partiu — e dá os suspiros finais. Com tal mundo morrem os livros e a literatura, o cinema e a música de certa extração. Morrem a arte como razão de viver e a ideia transcendente da beleza, herdeira da religião. Morre a imprensa e com a imprensa morre o papel de certo jornalismo na Democracia. Nasce a pós-verdade.

Nasce o mundo dos dispositivos digitais e das redes sociais. Eis o mundo da razão tecnológica, da hiper-higienização da vida e da expectativa de vida eterna por meio da inteligência artificial, como prega o profeta Raymond Kurzweil, engenheiro da Google. Se a um mundo correspondem uma cultura e uma moral — certas formas de viver —, entramos no milênio da satisfação individual e da cultura…

Ver o post original 601 mais palavras

Anúncios