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O muro de Trump é uma ideia estúpida da qual todo mundo fala. Mas há um outro muro, líquido e cruel, homologado por Obama exatos 8 dias antes da posse do polêmico Donald Trump, que foi discretamente noticiado pela grande imprensa e timidamente comemorado pelas publicações de esquerda.

Trata-se do decreto assinado pelo agora ex-presidente em 12 de janeiro de 2017 que põe fim à chamada política dos “pés secos, pés molhados” que concedia residência aos cubanos que conseguissem pisar nos EUA e deportava apenas aqueles que eram capturados no mar (o que já era uma crueldade). Esta medida abrigava também médicos cubanos em missões no exterior e que decidissem não voltar à Cuba.

O muro de Trump, embora estúpido, prepotente e ineficaz, é um muro para impedir a imigração desenfreada de mexicanos livres que buscam o sonho americano.

Já Obama, honrando acordo com os irmãos Castro na histórica visita de julho de 2015, afogou a política “pés secos, pés molhados” e com ela a esperança de cidadãos cansados da miséria e da falta de liberdade da ditadura cubana.

O primeiro recebeu milhares de críticas, merecidas, diga-se. Eu mesmo expliquei porque considero um erro em outro artigo que pode ser lido aqui.

O segundo, no entanto, foi noticiado, mas raramente criticado.

Pode ser que tal ato tenha sido secretamente celebrado por democratas e republicanos, Trump inclusive. Mas certamente foi muito mais celebrado por quem viu seu muro líquido se tornar mais eficiente e sua população sem alternativa.

Estes dois episódios são bem didáticos. Se formos intelectualmente honestos, é razoável concluir que aqueles que criticaram Trump e não criticaram Obama na realidade não ligam a mínima para os imigrantes. O negócio deles é a ideologia do algoz.

Para certas pessoas, o mexicano que tem total liberdade para deixar seu país, mas não é bem-vindo aos EUA, é vítima da truculência imperialista e deveria ser acolhido pelo opressor poderoso. Já o cubano aprisionado na famosa ilha, quando foge não é vítima, é apenas um traidor.

Digamos que fatos assim tenham ao menos um lado positivo: permitem observar que a maioria dos articulistas e comentaristas da grande imprensa, apesar das teatrais acusações em contrário, é simpática aos sonhos totalitários da velha esquerda e os defende com unhas, dentes e silêncio.

 

Artigo de Paulo Falcão.

 

 

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