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Sou contra a invasão/ocupação das escolas, por vários motivos, mas dois deles se destacam. Quem participa destes movimentos faz parte, em sua maioria, de um destes dois grupos: os que não precisam trabalhar ou os que estão ali a trabalho. O primeiro é massa de manobra. O segundo, manobristas. Nenhum dos dois pensa realmente na escola, na educação e naqueles para quem estudar é uma oportunidade de futuro melhor.

Não pensam no prejuízo que causam a quem vai perder o ano letivo. Não pensam nos pais que trabalham e não têm mais a escola como um espaço de apoio.

Aliás, quase todas as propostas da MEDIDA PROVISÓRIA nº 746, de 2016 (MP do Ensino Médio) já estavam em discussão desde 2013 sem nenhuma ocupação contra ela. Os grandes cortes na educação foram feitos por Dilma, afetando duramente programas como PROUNI, FIES, PRONATEC e CIÊNCIA SEM FRONTEIRAS. Só em 2015 foram mais de 10,5 bilhões em cortes, também sem nenhuma ocupação.

Ou seja: a invasão/ocupação não tem nada a ver com educação ou economia. Tem a ver com ideologia.

Neste estranho mundo em que alguns poucos acham natural agredir direitos constitucionais da maioria, e chamam isto de democracia, meu amigo Marcus Vinicius propôs uma reflexão que me parece necessária, no mínimo para expor o contrassenso por trás desta tese. Diz ele:

“O jovem merece uma educação digna, com professores bem remunerados, motivados, escolas bem equipadas, liberdade de expressão. Como não tem, vamos ocupar as escolas, impedir os alunos que querem ter aulas e os professores que querem dar aulas de frequentar a escola e terem aulas, em nome do diálogo e da necessidade da melhoria da educação.

O cidadão doente merece uma saúde digna, com profissionais da saúde bem remunerados, motivados, hospitais e centros de saúde bem equipados, em quantidade suficiente, com autonomia profissional. Como não tem, vamos ocupar os hospitais e centros de saúde, impedir os doentes que querem e precisam se tratar, e os médicos e demais profissionais que querem e precisam tratá-los, de frequentar o hospital e realizar os tratamentos necessários, em nome do diálogo e da necessidade da melhoria da saúde.

(…)

Não é lindo, democrático, coerente?”

Não se trata aqui de defender o governo Temer, até ouro dia sócio e apoiador do governo Dilma. Trata-se de dar nome aos bois, de não cair neste canto de sereia de “progressistas” de araque.

A invasão/ocupação das escolas é, antes de ser luta política, um ataque frontal aos direitos da maioria que quer estudar e um desperdício enorme de dinheiro público.

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