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DEFENDENDO LULA E O CAOS: A ARTE DE SER SUBSERVIENTE E FALSIFICAR OS FATOS.

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Como chamou a atenção meu amigo Marcus Vinicius, a grande maioria dos economistas e técnicos que alertaram por anos sobre o desastre potencial que representava a política econômica adotada desde 2008 pela dupla Lula/Dilma, agora é a favor da PEC 241. Obviamente, a maioria dos que consideravam esses alertas exagerados e ou equivocados, hoje é contra a tentativa de conter o caos.

Podemos dizer que são pontos de vista diferentes, claro, mas resta evidente que o primeiro grupo estava certo o tempo todo e o segundo errado.

Será que agora, quando o desastre se materializou, não seria conveniente prestar mais atenção naqueles que avisaram repetidamente sobre o que aconteceria?

Quais as chances do primeiro grupo estar novamente certo e o segundo errado como sempre?

Para responder esta pergunta que deveria ser meramente retórica, para deixar claro que certas escolhas ideológicas nublam a visão de quem as contrai, apresento abaixo um artigo de Júlio Miragaya, nada mais nada menos que o presidente do Conselho Federal de Economia. O artigo, publicado no jornal O Globo, é quase inacreditável. Parece coisa de militante de escola do segundo grau. É uma aula da arte de ser subserviente e falsificar a realidade.

Segue o artigo com meus comentários devidamente destacados.

___________________

LULA E O AJUSTE FISCAL

Dilma caiu pela incapacidade de reduzir gastos sociais na escala e intensidade que a elite deseja.

(Comentário: o subtítulo acima já começa falsificando descaradamente os fatos, mas é só o começo).

 

POR JÚLIO MIRAGAYA

23/10/2016 no O Globo.

 

Se perguntassem ao povo qual deve ser a principal preocupação do governo Temer, a maioria certamente responderia: educação, saúde, retomar o crescimento econômico para gerar emprego ou acabar com a corrupção. Mas não é o que pensam 199 entre os mil maiores empresários brasileiros, segundo o que foi constatado em enquete do jornal “Valor Econômico”. Somente 2% responderam que a principal preocupação do governo deva ser o combate à corrupção. Já educação e crescimento econômico mereceram a atenção de apenas 1%.

(Comentário: notem que é uma afirmação pesada. Mas trata-se de uma conclusão, no mínimo, estúpida. A alternativa é que seja meramente desonesta. Não há dados que corroborem tal afirmação. De qualquer maneira, o combate à corrupção conta com poucos oponentes, e os que existem, quase todos, militam no PT e demais apoiadores do lulopetismo. Já a racionalidade econômica e o ajuste fiscal possuem um número bem maior de opositores, o que torna natural ser esta a principal preocupação de quem de fato entende como funciona a economia, inflação, dívida pública etc.).

 

E o que os principais empresários do país esperam do governo Temer? Segundo a enquete, aprovar a PEC 241, que congela os gastos em saúde e educação (47%), e as reformas previdenciária (22%) e trabalhista (10%). Em síntese, 80% defendem que Temer deve cortar gastos e direitos sociais, que consideram excessivos.

(Comentário: chega a ser comovente ver um profissional da economia torcer os fatos desta maneira. Dá vergonha da educação brasileira e dos pares que o elegeram presidente do conselho federal de economia. Para começar, nada na pesquisa lhe permite concluir que 80% considera os direitos sociais excessivos. Isto é apenas uma prestidigitação intelectual. Quanto à PEC 241, não só os empresários, mas todos os economistas que sabem fazer contas, todos que entenderam a relação de causa e efeito entre o descontrole das contas públicas iniciado por Lula e acelerado por Dilma e o desarranjo da economia a que chegamos são a favor da proposta, e o são não para cortar direitos, mas para preservá-los. As contas públicas descontroladas é que ameaçam os direitos conquistados. Lembrem-se que Dilma cortou 10,5 bilhões da educação em 2015. É perfeitamente razoável ter críticas pontuais à PEC 241. Eu, por exemplo, acho que o § 6º mereceria especial atenção ao item V, que trata das despesas com aumento de capital de empresas estatais não dependentes. Aqui falta uma definição mais clara de que estas empresas, por serem não dependentes, deveriam ser legalmente impedidas de emitir debêntures garantidos por qualquer esfera de governo. As garantias precisam ser restritas às suas receitas reais, obtidas em seu ramo de atividade. Mas voltemos ao artigo).

 

Por fim, 13% clamam pela redução da taxa de juros, e 4% esperam uma política cambial mais afeita aos interesses da indústria nacional, revelando que ainda há alguma lucidez em parte de nossa elite econômica.

(Comentário: taxa de juros e câmbio foram herdadas do governo Dilma, logo aquilo que reconhece como uma cobrança justa é na verdade uma crítica ao desgoverno que defende).

 

No Brasil, embora os ganhos de capital deem uma contribuição menor para a carga tributária (28%, contra 72% advindos do imposto sobre o consumo e renda do trabalho), são os ricos que mais dela reclamam. Se queixam de o Estado destinar R$ 27 bilhões anuais a 40 milhões de miseráveis atendidos pelo Bolsa Família, mas se locupletam com os R$ 500 bilhões anuais que embolsam na forma de juros da dívida pública, além de centenas de bilhões na forma de subsídio, isenção, desoneração e sonegação.

(Comentário: mais um truque de militante. Isto numa assembleia da UNE ou das escolas invadidas deve fazer o maior sucesso, mas novamente é um amontoado de estereótipos. Quem são os ricos que reclamam do Bolsa Família? Quantos são? A grande maioria dos que conheço apoia a medida que inclusive começou no “governo neoliberal” de FHC. Além disso, a afirmação de que são os mesmos que “se locupletam com os R$ 500 bilhões anuais que embolsam na forma de juros da dívida pública, além de centenas de bilhões na forma de subsídio, isenção, desoneração e sonegação” é uma destas bobagens mentirosas repetidas na esperança de que virem verdade. A grande maioria dos empresários do Brasil está hoje recorrendo a bancos para conseguir pagar o 13º salário de seus funcionários).

 

A enquete do “Valor” explica muito do que se passa hoje no Brasil. Dilma não foi deposta pelas supostas “pedaladas”, tampouco por corrupção e muito menos pela propalada gastança. O real motivo foi a sua incapacidade de promover o ajuste fiscal na escala e intensidade que a elite deseja, reduzindo gastos sociais para preservar a apropriação do Orçamento público pelos ricos. Ela até tentou com Joaquim Levy, mas sua base social se rebelou; titubeou, e aí não teve perdão.

(Comentário: é realmente ridículo o presidente do conselho federal de economia dizer que Dilma caiu por não reduzir gastos sociais e preservar a apropriação do Orçamento público pelos ricos. É desconhecer o básico de política e de economia. É estar alheio à realidade das contas públicas e de como chegamos ao descalabro atual).

 

O roteiro elaborado pela elite econômica prevê que o governo Temer, impopular e destituído de legitimidade, deva cumprir este papel. Haverá reação dos movimentos sociais e sindicais, mas o grande obstáculo se chama Lula, que já lidera as pesquisas para presidente em 2018, encarnando a resistência popular ao ajuste fiscal, e que, em 2003, combateu a crise ampliando os direitos sociais, diferentemente do que hoje se propõe. Isso implica que ele deve ser apeado da disputa política.

(Comentário: aqui ele começa a dizer a que veio: promover Lula. É claro que mais uma vez tortura os fatos para que eles confessem o que deseja. Lula recebeu de FHC um país com as contas públicas em muito melhores condições do que as entregou a Dilma. Aliás, o sucesso do primeiro mandato de Lula foi exatamente seguir os fundamentos do Plano Real. A coisa começou a desandar em 2008 quando estes fundamentos foram abandonados e entrou em campo a “nova matriz econômica” e sua contabilidade criativa).

 

Daí advém seu indiciamento pela PF, com base na patética acusação pelo MP de ser o “chefe máximo” do esquema de corrupção no país. Ora, como alguém comanda um esquema de propina de R$ 30 bilhões e puxa para si tão somente as reformas de um apartamento e de uma chácara, que nem a ele pertencem, e que somam meros R$ 2 milhões? Como o “chefe supremo” fica com um décimo de milésimo do total desviado, quando teve gerente da Petrobras levando US$ 200 milhões? Talvez Eremildo, o idiota, creia.

(Comentário: até o Luis Fernando Veríssimo e sua “Velhinha de Taubaté” já não acreditam na inocência do Lula. Mas Júlio Miragaya não só acredita como ainda se permite fazer graça e insultar a inteligência alheia. Só de imaginar que este cidadão, este presidente do conselho federal de economia, acredite que José Dirceu e Palocci tenham agido à revelia das ordens do poderoso chefão do PT já demonstra o quanto desconhece o Partido dos Trabalhadores e suas entranhas, ou pior: o quanto conhece e lhe é subserviente. Em nenhum dos casos é algo de que possa se orgulhar).

 

 

Artigo de Paulo Falcão.

 

Link para o artigo original de Julio Miragaya no O Globo.

Link para a notícia do corte de 10,5 bilhões na educação.

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11 comentários em “DEFENDENDO LULA E O CAOS: A ARTE DE SER SUBSERVIENTE E FALSIFICAR OS FATOS.

  1. Marta Maria Vasca Vasca
    11/02/2016

    Penso, logo existo.. Não sei porque fala-se tanto em comunismo quando sabemos que não seremos um país comunista pois esse regime aqui, no Brasil, não interessa a países dominantes.. Hoje, me sinto apolitica.. (mas, não sem noção).. Estamos com a grande chance nas mãos de passar o país politicamente a limpo.. Só que não vislumbro esse acontecimento.. Dentre os partidos considerados grandes há muita sujeira debaixo do tapete.. Se se confirma um fato de corrupção que não leve a sigla PT, não é investigado.. Falar em nomes como FHC, Aecio Neves, Renan Calheiros, Michel Temer tornou-se uma heresia.. O ódio consolidado pelo PT, cegou dois terços dos brasileiros.. O que eu gostaria? Gostaria de ver a água a rolar em grande correnteza, passando forte e levando para a Lava Jato tudo o que está escondido nos outros partidos.. É uma insanidade pensar que o que assistimos hoje, vem de hoje.. Os políticos “viciados” estão há anos em Brasília fazendo a festa.. Vamos abrir muito bem nossos olhos e não deixar passar essa grande oportunidade que a Lava Jato nos proporciona e cobrar, cobrar sim, quando virmos algum sinal de verdade quando ouvirmos rumores, que sejam rumores de corrupção em outros partidos.. Que vença sempre a imparcialidade e não o ódio..

    • Questões Relevantes
      11/02/2016

      Marta, a corrupção no Brasil certamente é muito antiga e arraigada. Acredito que ninguém discorde. Ela não foi inventada pelo PT, mas ele a transformou em uma forma de “privatização” do estado e das estatais em benefício do partido e seu projeto de poder. Deixou de ser uma ação individual para ser um método de governar. Quanto à Lava Jato, fala-se muita bobagem sobre ser partidária e perseguir o PT, deixando de investigar o Aécio, o Serra, o Renan e o Temer, como você disse. Ocorre que estas pessoas NÃO PODEM ser investigadas pela Lava Jato porque possuem o chamado Foro Privilegiado. Quando seus nomes aparecem em alguma delação, a equipe da Lava Jato precisa parar de investigar e transferir o caso para o STF, onde as coisas andam muuuuito lentamente. Aliás, isto foi objeto de uma crítica contundente do jornalista José Neumanne Pinto a Marco Aurélio Mello e o STF no programa Roda Viva

  2. Marcus Grade
    11/02/2016

    O artigo do Miragaya é uma peça de nanismo cognitivo. Quando vejo o artigo dele, com correlacoes nao comprovaveis, nas redes servindo de argumento contra os que diziam que os tecnicos da area economica estavam majoritariamente a favor da PEC, sinto o mesmo cheiro azedo de “corrupção intelectual”. Parabens pelo artigo, pelo compromisso com os fatos. Obrigado pela referencia e forte abraço!!

  3. Lisiong Lee
    10/31/2016

    Como economista (HONESTO) ainda estou engasgado de tanto rir.

    Quem não percebeu que o “discurso” foi preparado pelo Sindicato das Empreiteiras para “livrar a cara” do Arquiteto Supremo do Petrolão/Mensalão? Afinal, as empreiteiras deve muitos “favores” ao “Dom Brahma Eneadáctilo Jararaca”…

    Como sou “macado aposentado” de tão macaco velho, entendi perfeitamente o “discurso” deste “economista”. Que por definição é um CARGO POLITICO, só é colocado no “cargo” para poder interagir com…o Governo, claro…O mesmo vale para o chefão do CREA. Enfim, ele não é subserviente, é conivente.

    Vamos por os pingos nos “i” e os traços nos “t”. Assinado um Economista Engenheiro (ainda honesto) que hoje se envergonha dos seus respectivos “Conselhos Federais”…

    • Questões Relevantes
      10/31/2016

      Obrigado pela visão “de dentro” não corporativista.

  4. lucemiro1405
    10/30/2016

    Paulo, Dilma caiu por inúmeras razões, mas a razão política que Miragaya aponta é essa mesma, a razão central: não aplicou o ajuste fiscal na medida desejada, sua base social não aceitou.

    Os economistas que elogiam a PEC querem o arrocho que Temer propõe, por isso se mostram críticos da política econômica de Dilma. Infelizmente, quem é a favor de Dilma em geral é contra Temer, como se ambos não se acotovelassem para aplicar o mesmo programa.

    • Questões Relevantes
      10/30/2016

      Lúcio, Dilma não só era contra o ajuste necessário como não acreditava nele. Além disso, era uma maquiadora contumaz das contas públicas e uma gestora movida a rompantes. Ela caiu pelo conjunto da obra.

  5. Victor Hugo Pinheiro Cunha
    10/29/2016

    Ninguém é santo… Mas temos que reconhecer que dá saudades do tempo do Lulla… Banqueiros e empreiteiros faturando alto e contratando muita gente… Desemprego em baixa… E a pobreza no bolsa família… Todo mundo satisfeito da classe A à E…. Muahahahaha

  6. phillgalli
    10/29/2016

    É uma falácia tratar políticas econômicas em termos de certo e errado, assim como de política em sentido estrito.

    • Questões Relevantes
      10/29/2016

      Você está equivocado Phill. Há parâmetros já bem definidos para o que funciona e o que não funciona em economia, o que causa pressões inflacionárias, o que causa o colapso da economia etc. Tanto é assim que desde 2008 várias pessoas lúcidas estão alertando sobre o desastre que estava em gestação. Quando Dilma assumiu o primeiro mandato e acelerou rumo ao desastre os alertas aumentaram. Não é coincidência, é apenas respeito aos fatos, à matemática e às normas básicas de boa gestão.

      Um pouco mais sobre este tema pode ser lido aqui:
      A PEC 241, A INSANIDADE E A CAMISA DE FORÇA.
      http://wp.me/p4alqY-Bf

      e aqui:
      SE O SEU GURU XINGA A RESPONSABILIDADE FISCAL, PEÇA UM EMPRÉSTIMO PARA ELE.
      http://wp.me/p4alqY-qm

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