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MONICA DE BOLLE E A SÍNTESE DE UM COLAPSO ANUNCIADO.

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Monica de Bolle, professora da Universidade Johns Hopkins, foi a convidada do programa Roda Viva de 24 de outubro de 2016.

Reproduzo abaixo alguns trechos do que disse no programa com dois objetivos: endossar teses defendidas neste blog e chamar a atenção para o fato que que ainda existem economistas que negam esta realidade tão nua, crua e óbvia.

Confira.

 

Falar sobre a PEC do Teto pode soar um pouco abstrato para a população. Esse tipo de comunicação deve se dar de maneira simples: “olha, passamos por um momento complicado, houve um desmonte da economia e, diante disso, temos duas opções, podemos cortar gastos, aumentar impostos ou fazer uma combinação das duas coisas. Como aumentar impostos terá um impacto no seu bolso, estamos tentando evitar essa situação de imediato”.

A partir de 2011 houve uma tentativa de manter o país crescendo numa taxa que já não era condizente com a realidade. E vários artifícios foram utilizados, mas principalmente dois: o uso do crédito público subsidiado, sobretudo do BNDES, e a queda dos juros de uma forma um tanto atabalhoada.

Dilma Rousseff deixou uma porta arrombada sem nada dentro. Foi um legado de destruição.

O processo de reconstrução da economia é árduo, lento e vai exigir muita paciência. E o pior é que, diferente da época de Itamar Franco, quando o Plano Real levou dinheiro ao bolso da população, hoje não há nada que se possa fazer para dar um alento às pessoas.

Existe atualmente no Brasil uma situação esquisita. Se você foi a favor do impeachment de Dilma Rousseff, precisa necessariamente ser a favor do governo Temer. Eu entendo aqueles que apoiaram o impeachment mas olham com desconfiança o atual governo. São coisas diferentes.

O problema maior não é fazer a PEC 401 (o correto é PEC 241) ser aprovada no Congresso, mas ter pulso firme para aguentar a pressão de todos os grupos de interesse que querem um pedaço desse latifúndio.

O governo Dilma, principalmente no final, estava completamente sem direção, o que tem um impacto grande sobre o mercado financeiro. As pessoas estão mais otimistas. Mas tanto eu quanto parte dos investidores estrangeiros que pensam a longo prazo estão preocupados, porque a situação que vivemos hoje tende a mudar em 2017, quando já estaremos vivendo uma realidade pré-eleitoral.

Países onde houve uma queda muito forte do PIB per capita normalmente demoram uma década para se recuperar.

 

Nos primeiros anos do governo Lula havia um equilíbrio grande entre ideologia e pragmatismo, além de um quadro internacional positivo. No segundo mandato, principalmente depois de 2008, esse equilíbrio começou a se desvirtuar. No final, predominou a ideia de que o que importava era manter o crescimento, a renda subindo e os níveis de emprego, mesmo que isso não estivesse mais em conformidade com o processo que o Brasil estava vivendo naquele momento. Se Dilma tivesse retomado o equilíbrio, talvez revertesse essa descida ladeira abaixo. Em vez disso, ela acelerou.

Enquanto nossos vizinhos estavam fazendo diversos acordos bilaterais, nós simplesmente ignoramos por completo o que acorria ao nosso redor. É uma infelicidade que o Brasil esteja se abrindo somente agora, num momento em que o mundo quer se fechar.

 

 

 

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2 comentários em “MONICA DE BOLLE E A SÍNTESE DE UM COLAPSO ANUNCIADO.

  1. Gilberto Svitek
    10/26/2016

    Lula também errou qdo trocou a dívida com o FMI por uma outra com os bancos nacionais. Essa troca fez a nossa dívida total aumentar de 865 bilhões para 1,4 trilhões e os juros que eram de apenas 4%, passou para 14%. Tem muita gente reclamando dos juros, mas se esquecem de quem fez. O pior erro de Lula, foi largar as diretrizes do plano Real em seu segundo mandato. Dilma seguiu com os mesmos procedimentos exercidos no governo Lula, só com um agravante, as commodities haviam perdido o seu valor, onde deveria ter controlado as contas e assim o governo começou a gastar o que não tinha, cada vez mais e assim, abusar da contabilidade criativa e de falsear as contas públicas. Quase tudo se iniciou no governo Lula, mas a incompetência e arrogância de Dilma, agravou mais ainda os problemas. Um outro ponto de vista, é que Lula não tinha uma visão das necessidades de se fazer as reformas necessárias que o país tanto necessita. Valorizou os salários e o aumentou o BF, mas o país não cresceu em produtividade para acompanhar os gastos, prejudicando no futuro.

    • Questões Relevantes
      10/26/2016

      Concordo.

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