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O PT E SEUS APOIADORES SÃO ALÉRGICOS À MATEMÁTICA E AOS FATOS.

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Venho tratando de alguns defeitos congênitos do PT e seus apoiadores, principalmente a aversão à matemática, a incapacidade de reconhecer a relação de causa e efeito entre a lambança da irresponsabilidade fiscal e a crise em que Lula e Dilma mergulharam o Brasil (real em alguns casos e ensaiada em outros) e a fraude a que chamo de “a narrativa do golpe”. Note que nem falo na corrupção, nos bilhões de dinheiro público surrupiados em todos os órgãos que aparelharam. Mesmo se milagrosamente a corrupção acabasse, ainda quebrariam o país com sua contabilidade criativa e justificariam o desrespeito à lei de responsabilidade fiscal com a conhecida cara de pau. Ou o que é pior: acreditando realmente que não são responsáveis pela crise.

Resolvi republicar aqui o artigo de Alexandre Schwartsman que a Folha de S. Paulo publica hoje porque ele aborda de forma precisa estes temas. Não é para tripudiar sobre o governo finalmente afastado. É uma tentativa sincera de aumentar o acervo de argumentos e talvez contribuir para que este tipo de erro grosseiro não se repita (e já se repetiu no Paraná com Beto Richa, do PSDB).

 

Introdução de Paulo Falcão.

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Mitologia do ‘golpe’ é um excesso de desonestidade intelectual

Por Alexandre Schwartsman na Folha

 

A mitologia do “golpe” se ampara na ideia de que as “pedaladas” se justificariam para manter o crescimento e o emprego. Reconhece, portanto, a ilegalidade da ação (a vilipendiada Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe operações de crédito entre o governo e seus bancos), mas argumenta se tratar de política com fins nobres: impedir a recessão e garantir que a população permanecesse ocupada.

Há vários problemas com o argumento. A começar pela contumaz noção de que fins justificam os meios, possibilitando a destruição do aparato institucional em nome de presumidos ganhos imediatos. Mesmo que estes se materializem —o que está longe de ser verdade—, não raro as consequências para a capacidade de expansão de longo prazo são desastrosas, em linha com nossa experiência recente.

Diga-se, aliás, que o objetivo, vendido como nobre, era bem mais mundano, a saber, ganhar uma eleição, nem que à custa de “fazer o diabo”, posição tornada explícita ao longo do processo.

Isto dito, há sérias dúvidas acerca da adequação dessa política. Em primeiro lugar porque, conforme discutido mais vezes do que seria saudável neste espaço, em 2013 e em 2014, quando se usou e abusou desse expediente, estava mais do que claro que o problema da economia brasileira não era a falta de demanda originária da crise internacional (já então o mundo crescia bem mais do que nós), mas sim os sérios gargalos do lado da oferta, incluindo o mercado de trabalho.

Naquele contexto, aumentar gastos iria simplesmente agravar nosso desequilíbrio externo (e o agravou, trazendo o deficit em conta-corrente de US$ 75 bilhões para US$ 105 bilhões) e elevar ainda mais a inflação, apesar dos controles de preços, o que também ocorreu.

Junte-se a ambos esses desequilíbrios o forte aumento da dívida pública no período e fica claro que a política econômica da época, além de ineficaz para elevar o crescimento, era também nitidamente insustentável para qualquer economista que não fosse signatário do manifesto de apoio à presidente às vésperas da eleição.

Não faz tampouco sentido o raciocínio (se cabe aqui a expressão) que atribui ao excesso de responsabilidade fiscal a queda da presidente.

Em primeiro lugar porque, sendo a política anterior insustentável, não havia alternativa que não passasse pela correção dos desequilíbrios fiscais. Ao contrário, a crise que resultaria da manutenção da Nova Matriz, hoje uma pobre órfã, faria a atual parecer não mais que mera desaceleração econômica.

Mais importante, porém, a modestíssima contração fiscal que se materializou em 2015 dificilmente justificaria a queda observada do PIB. Ajustado ao padrão sazonal, o produto encolheu cerca de 6% entre o quarto trimestre de 2014 e o primeiro de 2016 (quase R$ 100 bilhões a preços do primeiro trimestre deste ano). Já o consumo do governo no mesmo período caiu menos do que 2%, ou R$ 5,5 bilhões no mesmo período.

Conforme notado por Samuel Pessôa, não há valores plausíveis para o multiplicador fiscal que justifiquem tamanho colapso econômico.

Trata-se, na verdade, de mais um episódio da notória desonestidade intelectual dos keynesianos de quermesse a serviço de um projeto político. Se há algo de bom no atual governo, é a certeza de que eles estão longe da condução da política econômica.

 

Link para o artigo original: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/alexandreschwartsman/2016/08/1808668-mitologia-do-golpe-e-um-excesso-de-desonestidade-intelectual.shtml?cmpid=compfb

 

 

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6 comentários em “O PT E SEUS APOIADORES SÃO ALÉRGICOS À MATEMÁTICA E AOS FATOS.

  1. Mauro Grade
    09/19/2016

    olá Paulo,

    segue aqui excelente texto que mostra como o livre mercado melhora a vida de todos: http://liberalismoeconomico.org/como-o-livre-mercado-atua-sobre-a-pobreza/

    abço.

    • Questões Relevantes
      09/20/2016

      Obrigado pela contribuição.

  2. Francisco Fábio
    08/31/2016

    Vou continuar a confrontar. Diga-me se o capitalismo concentra renda. Diga-me porque a ONU diz isto. Diga-me como evitar isto. Porque eu afirmo: o capitalismo é um antibiótico e, como todo antibiótico tem efeitos colaterais e a ONU diz comigo: O capitalismo está fazendo a humanidade se tornar em poucos senhores e milhões de escravos. Quero respostas com argumentos não aceito mandar ler nada..E tudo que este artigo fala é balela…

    • Questões Relevantes
      08/31/2016

      Francisco, já debati estas questões longamente com uma renomada e titulada socióloga e este debate virou um artigo que responde objetivamente suas questões. Se quiser respostas, leia:
      OS DEVOTOS DE “SÃO MARX DA MAIS VALIA”, O NEOLIBERALISMO E A LÓGICA.
      http://wp.me/p4alqY-c3

      • Francisco Fábio
        09/01/2016

        Li este artigo que você fala. Ele não responde as minhas perguntas. Diga se a ONU não diz o que eu disse. Diga se não é realidade que estamos nos tornando escravos de alguns senhores. Diga de forma clara se a concentração de renda não matará a democracia. Não quero ler coisas do passado quero debater o futuro. O que leio do passado é só o que me traz deleite, outras coisas já li. Não me dizem mais nada.

      • Questões Relevantes
        09/01/2016

        Francisco, o aumento da desigualdade só é problema se ocorrer junto com crise econômica. A questão da concentração de renda, neste sentido obedece a mesma lógica da desigualdade: se a base da piramide ganhava 1 e o topo ganhava 10 e, passado algum tempo, descontada a inflação, a base estiver ganhando 3 e o topo 100, a situação da base da piramide terá melhorado, mesmo que a desigualdade e a concentração de renda tenha aumentado. Ocorre que a esquerda não quer saber se a renda e a qualidade de vida da base da pirâmide melhorou. Eles desprezam este fato. Para eles só importa que a desigualdade aumentou.

        Como dizia Thatcher, a esquerda prefere ver todo mundo mais pobre com uma desigualdade menor do que todo mundo mais rico com uma desigualdade maior.

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