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A IMPRENSA AGONIZA EM PRAÇA PÚBLICA. ISTO NÃO É NADA BOM PARA A DEMOCRACIA.

a imprensa agoniza

A notícia que circulou dizendo que a PF inocentou Lula no caso do Triplex do Guarujá é falsa. Trata-se do triplex 164/B, VIZINHO ao 164/A que o Ministério Público suspeita ter Lula como dono oculto.

Ocorre que este fato demonstrou o quanto a grande imprensa brasileira foi afetada pela perda de receita decorrente da migração de leitores do papel para as mídias digitais, bem como da redução de verbas federais que, no conjunto, são o maior anunciante do país.

Por mais que detratores adorem ofender, desqualificar e difamar o que chamam de PIG (partido da imprensa golpista), até pouco tempo quem quisesse confirmar se uma notícia era verdadeira ou falsa, verificava em um ou mais dos seguintes canais: Folha, Estadão, O Globo, Agência Estado, G1, Veja, Época, Exame e Valor Econômico. O que era publicado ali obedecia a critérios técnicos, havia departamentos para checar as informações antes de serem publicadas.

Ainda hoje são as melhores fontes de consulta, concentram os melhores profissionais, mas não há dúvida que a crise financeira afetou a qualidade da informação publicada.

O episódio do Triplex foi emblemático. Tanto a Folha como a Editora Abril, através do portal da Revista Exame, publicaram a notícia de que o Ministério Público e Sérgio Moro haviam concluído que o imóvel não pertencia ao Lula. Um erro grosseiro.

A Folha publicou a informação equivocada sob o título PF conclui relatório e indicia dona de tríplex no Guarujá e logo no primeiro parágrafo sacramenta o erro insinuado pelo título: “A Polícia Federal concluiu o relatório a respeito da Operação Triplo X, fase da Lava Jato, e indiciou Nelci Warken, dona de um tríplex no condomínio Solaris em Guarujá, supostamente ligado ao ex-presidente Lula”.

Na Exame.com, Valéria Bretas cometeu erro semelhante.

A coisa se espalhou e virou campanha dos portais conhecidos por serem linhas auxiliares de Lula e do PT, como Revista Forum, DCM, Viomundo, Brasil 247 etc.

Não sei se alguém plantou a notícia e Folha e Exame morderam a isca ou se foi um deles a origem da versão falsa, mas em qualquer dos casos a coisa só prosperou porque há falta de gente qualificada para analisar e verificar as informações. A quase coincidência total do endereço de fato poderia levar ao erro, mas um assunto desta gravidade exige atenção total e verificação.

A imprensa independente e crítica é chamada de quarto poder porque ajuda a sociedade na fiscalização dos três outros poderes que, independentes, formam a espinha dorsal da democracia: executivo, legislativo e judiciário.

Se a imprensa independente morre, a democracia perde.

A agonia da chamada Grande Imprensa é comemorada por muita gente, mas é péssima para a democracia. Aliás, é comemorada por muita gente EXATAMENTE porque é péssima para a democracia. Quem não tem a democracia como valor fundamental despreza a imprensa livre e vive sonhando com o controle social da mídia.

Não sei se é suficiente, mas quem compreende a importância da imprensa livre deveria fazer uma assinatura de um ou mais dos veículos tradicionais da imprensa Brasileira. Ajudar na sobrevivência de uma imprensa plural é uma forma efetiva de resistência contra o pensamento único.

 

Artigo de Paulo Falcão.

PS – Para que você mesmo possa pesquisar, lembre-se que o triplex 164-B foi investigado na Operação Triplo X e Lula não aparece como suspeito. Já o apartamento vizinho, o 164-A continua sendo investigado na Operação Aletheia e traz Lula como investigado.

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19 comentários em “A IMPRENSA AGONIZA EM PRAÇA PÚBLICA. ISTO NÃO É NADA BOM PARA A DEMOCRACIA.

  1. Lauro Maia
    08/27/2016

    Que triste que as pessoas não possam discutir um assunto desse com seriedade. Não se pode criticar ou elogiar sem receber um palavrão.
    O artigo é curto e muito interessante.
    Tenho opinião muito parecida com a do texto.
    Acrescento apenas que a grande imprensa não é de esquerda nem direita, mas como qualquer grande instituição busca seus interesses. No caso dos grandes veículos de imprensa adquiriram uma estrutura pesada e excessivamente cara. Para isso necessita de verbas de publicidade que não são apenas governamentais.
    Eu não recordo aqui de uma única edição de VEJA, por exemplo, que no período de FHC não pegasse pesado. Às vezes demasiadamente. Se a notícia vende, em geral, eles publicam porque cuidam dos seus interesses. Precisam do furo jornalístico e das vendas. A grande imprensa não tem partido. Tem sua lógica interna de funcionamento.
    Eu diria que uma diferença marcante entre a grande imprensa brasileira e a americana (poderia aí incluir boa parte da Europa também) é o enorme compromisso com a veracidade.
    Eles checam 10 vezes a notícia para saber se procede. No caso brasileiro muitas vezes o boato é noticiado como verdade. São milhares de exemplos que poderíamos dar, desde o caso da Escola Base de São Paulo até a notícia recente do nadador americano que teria sofrido assalto no Rio de Janeiro e poucos dias depois tiveram que noticiar a falsidade do caso.
    De todo modo e com todas as imperfeições prefiro viver num mundo com Veja, Globo, Carta Capital, Nassif etc. do que sem eles. Sim todos tem defeitos e nosso modelo pode melhorar. Mas seria muito pior sem eles. O PT havia prometido melhorar os meios de comunicação. Passaram-se 13 anos e isso não ocorreu.
    Mas uma coisa eu creio. A mudança não deve passar por fechar veículos de comunicação. Creio que poderíamos ter uma regulamentação melhor para as mídias. Mas com ou sem defeitos precisamos da grande imprensa. Sem ela teremos apenas ditaduras e regimes nada democráticos. Uma mídia exclusivamente formada de pequenos jornais seria um erro. Se uma Globo ou Veja podem ser de alguma forma “cooptadas”, o que impediria que isso ocorresse com pequenas empresas de mídia?
    Duas mudanças poderiam ser pensadas desde logo: aprenderem a viver do que vendem sem precisar de verbas do governo (aliás, elas já tem imunidade fiscal); e um compromisso maior com a veracidade da informação.

    • Questões Relevantes
      08/27/2016

      Concordo com você, exceto quanto à questão da verificação, que seria negligente no Brasil e boa no primeiro mundo. As armas de destruição em massa no Iraque são um exemplo radical de manipulação da imprensa por um governo e de não verificação por parte da imprensa. O que quero dizer é que a grande imprensa lá e aqui erra. Não tenho convicção de que erra menos por lá. Mas lá e aqui se esforçam para não errar e poder vender o bem mais precioso de um veículo de notícias: credibilidade. Obrigado pela participação sempre ponderada e enriquecedora.

  2. Questões Relevantes
    08/25/2016

    O merecido artigo em memória de Geneton Moraes Neto reproduzido abaixo é também uma reafirmação do que disse no artigo acima: a chamada Grande Imprensa é fundamental, apesar das críticas que se possa fazer a elas.

    Fica claro que Geneton teve total liberdade para trabalhar, publicou o que quis e encontrou reconhecimento e apoio no sistema Globo.

    Fez História, fez críticas e foi muito bem remunerado por isso, além da Globo financiar e viabilizar seus projetos.

    Fiquem com a homenagem.

    _______________

    MEMÓRIA > GENETON MORAES NETO (1956-2016)
    O Mestre Perguntador morre desencantado com o jornalismo

    Por Luiz Cláudio Cunha em 24/08/2016 na edição 917

    O jornalismo brasileiro ficou mais obtuso, medíocre, raso, frio, casmurro e sem respostas nesta segunda-feira, 22 do agosto sempre aziago. Perdemos o Geneton.

    Geneton Moraes Neto morreu no Rio de Janeiro aos 60 anos, vencido pelas complicações de um aneurisma na aorta sofrido três meses antes. Na autoapresentação de seu blog, criado em 2004, ele já avisava: “Nasci numa sexta-feira 13, num beco sem saída, numa cidade pobre da América do Sul: Recife. Tinha tudo para fracassar. Fracassei”.
    Bela mentira. Em quatro décadas de jornalismo, o Geneton do beco e da sexta-feira 13 tornou-se, para sorte de todos nós, um exemplo de sucesso e uma referência para todos os repórteres que tentam ser fiéis ao compromisso irrevogável de uma imprensa dedicada à verdade, à memória, à história e ao dever de consolar os aflitos e afligir os consolados.

    Ele começou como repórter em sua terra, no Diário de Pernambuco e na sucursal local de O Estado de S.Paulo¸ nos duros anos do Governo Geisel, em plena ditadura. Foi estudar no exterior. Em Paris, trabalhou como camareiro do Hotel Mônaco e motorista de uma família rica enquanto estudava Cinema na Sorbonne.

    Voltou ao jornalismo, e ao Brasil, para trabalhar no Grupo Globo a partir de 1985. Ali, o repórter que se dizia fracassado foi chefe e mestre nos principais postos de jornalismo da casa: editor-executivo do Jornal da Globo e do Jornal Nacional, correspondente em Londres da GloboNews e do jornal O Globo, repórter e editor-chefe do Fantástico.

    Nenhuma mesa poderosa da burocracia da redação, porém, deslumbrou o ex-fracassado do beco: “Não troco por nada o exercício da reportagem — a única função realmente importante no jornalismo”, definia Geneton no seu blog. E foi na função seminal de repórter, não como executivo de redação, que Geneton imprimiu sua marca indelével na imprensa brasileira. As provas estão guardadas para sempre no seu blog, geneton.com.br, que devia ser tombado como patrimônio cultural e leitura obrigatória para estudantes, repórteres, jornalistas e todos aqueles que respeitam a inteligência e o conhecimento. Ali, Geneton passeia sua intimidade, seu talento e seu ofício de repórter exemplar e humilde diante da notícia e de gente que, como ele, fez História. Presidentes e ex-governantes, generais e guerrilheiros, escritores e cineastas, atletas e poetas, astronautas e políticos, cantores e compositores, jornalistas e repórteres, grandes repórteres como ele, passaram pelo crivo de sua inteligência e argúcia.

    Os bastardos

    As duas sobreviventes do Titanic, o copiloto da bomba de Hiroshima, o assassino de Martin Luther King, o produtor dos Beatles, o promotor britânico do tribunal de Nuremberg, o agente secreto que tentou matar Hitler, os três astronautas que pisaram na Lula, o confessor de Bin Laden nas montanhas de Bora-Bora, o professor do líder dos terroristas do 11 de Setembro, o homem que encarou o ‘Setembro Negro’ nas Olimpíadas de Munique, o filho do carrasco nazista de Auschwitz que ataca o próprio pai, o guerrilheiro brasileiro que recrutou a mãe para a luta armada, o repórter de Watergate que derrubou o presidente da Casa Branca, o relato dos 11 jogadores brasileiros da derrota na final da Copa de 1950 num Maracanã estufado com 10% da população do Rio de Janeiro na época, mais de 200 mil torcedores.

    Todos fazem parte deste universo mágico que Geneton esquadrinhou e trouxe para perto de nós, para nos recontar, com detalhes inéditos, a saga da espécie humana, nos seus bons e maus momentos. “Que se faça a louvação da reportagem. O papel de todo repórter é produzir informação a curto prazo. E memória, a longo prazo – de preferência, nas páginas de um livro, hoje transformado em espaço nobre a reportagem no Brasil”, escreveu Geneton na orelha do penúltimo de seus onze livros, Dossiê História (2007).

    Ali, Geneton se define modestamente como um “pequeno tarefeiro da memória porque, em última instância, a memória é a grande matéria-prima do jornalismo”. Nessa tarefa, ele seguia com devoção o mandamento de um velho jornalista do inglês The Times, que ensinava: Toda vez que estiver entrevistando alguém, anônimo ou famoso, rico ou pobre, o repórter deve sempre fazer a si mesmo, intimamente, a seguinte pergunta:

    ‘Por que será que estes bastardos estão mentindo para mim?’

    O blog de Geneton se define como ‘jornal de um repórter’ e tem até uma padroeira, uma tal de ‘Nossa Senhora do Perpétuo Espanto’. Ele explicava: Para que possam contribuir com esse ‘mundo real’, os jornalistas têm que ter uma atitude de permanente espanto. Precisam ser ‘levantadores’, não ‘derrubadores’ de matéria.

    É aí que entra em cena, gloriosamente, a Nossa Senhora do Perpétuo Espanto. Quando criou esta ‘entidade’, Kurt Vonnegut [1922-2007, escritor, EUA] não estava se referindo ao jornalismo, mas essa ‘santa’ deveria ser proclamada padroeira plenipotenciária da nossa profissão.

    O jornalista precisa manter, em algum ponto de suas florestas interiores, aquela chama, aquela faísca, aquele espanto que se vê no brilho dos olhos de um estagiário – ou de uma criança.

    Quando você se guia pelo entusiasmo das pessoas que estão fora da redação, o resultado do trabalho é melhor do que se você se guiasse pelo tédio dos que estão dentro.

    Geneton ensinava que o mundo real é mais interessante do que o mundo dos jornalistas: “Cansei de ver, ouvir e encontrar leitores e telespectadores mais interessados pelos fatos do que jornalistas. Não estou falando de algo abstrato, mas de uma situação real, palpável, comprovável no dia a dia dos jornais. Cansei de ver em redações um clima de tédio total entre os jornalistas. Se você atravessar a rua, for à padaria e comentar que entrevistou uma velhinha que foi passageira do Titanic, provavelmente os ‘ouvintes’ farão perguntas e se interessarão pelo assunto, enquanto muitos jornalistas dirão, com os olhos semicerrados de tédio: ‘Ah, mas já faz 100 anos que o Titanic afundou…’.”

    Esse diagnóstico levou Geneton à descoberta de uma terrível doença que ataca as principais redações brasileiras: a SFG, a ‘Síndrome da Frigidez Editorial’, que ele batizou e, com ar divertido, ameaçava registrar na Organização Mundial da Saúde. Definição da síndrome, segundo Geneton: “É a doença do jornalista que, depois de anos de profissão, perde a capacidade de se espantar diante da realidade. Se perde esse fogo, o jornalista deve mudar de profissão”. E jornalista que não se espanta, é claro, nem pergunta mais.

    O crédito do general

    Perguntar é o que Geneton sabia fazer como ninguém na imprensa brasileira. Como já se disse1, “o jornalismo é a atividade humana que depende essencialmente da pergunta, não da resposta. O bom jornalismo se faz e se constrói com boas perguntas”.

    Inimigo juramentado do terno e gravata, fiel ao seu negro blusão de gola rolê que fazia contraste com o branco da barba branca e dos cabelos desgrenhados e cada vez mais ralos no alto da cabeça, Geneton não se intimidava diante das luzes e câmeras da GloboNews, muito menos diante de seus entrevistados. Preocupado menos com a forma, o penteado ou o traje, ele não descuidava nunca do conteúdo, a partir da pauta que ele mesmo escrevinhava, em letras grandes, em folhas de papel almaço que brandia e consultava sem constrangimentos em suas entrevistas. Com sua fala mansa e firme, no doce sotaque recifense que preservou até o fim, Geneton encarava as respostas enganosas com mais perguntas — rápidas, incisivas, cirúrgicas —, repelindo as mentiras com outras perguntas que conduziam à verdade.

    Quando o notório Paulo Maluf negou ser sua a assinatura de uma conta no exterior, mesmo diante do documento exibido pelo entrevistador, Geneton disparou:

    — O sr. nega então que este Paulo Maluf, aqui, seja o senhor?

    — Nego.

    — Mesmo com a assinatura de Paulo Maluf?

    — Nego.

    — Então, existe outro Paulo Maluf?

    O Maluf à sua frente ficou em silêncio.

    Como todo bom repórter, Geneton era teimoso. Tentou uma, duas, três vezes, até convencer o general Leônidas Pires Gonçalves (1921-2015), ministro do Exército do Governo Sarney, a lhe dar uma histórica entrevista em 2010. Nos créditos da telinha, surpreendentemente, o general não aparece identificado como o primeiro ministro militar da democracia, mas como o chefe da repressão da finada ditadura, a quem Leônidas serviu com espartana e rígida fidelidade. Por isso, na entrevista da GloboNews, o general é creditado apenas como ‘chefe do DOI-CODI, 1974-1977’.

    O general falou com uma fluência inédita e uma sinceridade desconcertante, levantando temas que beiravam a fantasia, a leviandade e a arrogância. Ironizou as denúncias (“Hoje todo mundo diz que foi torturado para receber a bolsa-ditadura”) e duvidou até do assassinato do jornalista Vladimir Herzog sob torturas no DOI-CODI de São Paulo, em 1975: “Eu não tenho convicção de que Herzog tenha sido morto… Um homem não preparado e assustado faz qualquer coisa. Até se mata”.

    Leônidas desafiou qualquer um a dizer que foi torturado no DOI-CODI do I Exército, no Rio de Janeiro, que ele comandou como chefe do Estado-Maior durante quase três anos, na fase mais turbulenta do governo Geisel. ‘Não houve tortura na minha área’, garantiu Leônidas.

    Devia ser uma bolha milagrosa, porque ali mesmo no I Exército, comandado pelo general Sylvio Frota entre julho de 1972 e março de 1974, o DOI-CODI carioca era um centro de morte, conforme apurou O Globo. Naquele espaço de 21 meses, contou o jornal, morreram 29 presos nas masmorras da afamada rua Barão de Mesquita, onde funcionava o centro de torturas do Exército, comandado pelo notório major Adyr Fiúza de Castro, um dos radicais mais temidos da ditadura. Bastou chegar ali e assumir o DOI-CODI carioca, fantasiava o general Leônidas, e a paz dos anjos se instalou.

    Sem arrogância, Geneton enfrentou o general Leônidas com perguntas precisas, enxutas, minimalistas, que iluminaram a história e conseguiram arrancar o melhor (e o pior) do chefe da repressão política que se orgulhava de seu trabalho na ditadura. Preocupado com a edição do programa na TV, Leônidas se apressou em ensinar jornalismo a Geneton:

    — Que minhas ideias não sejam suprimidas na edição. Se houver um corte, você me deixa mal — avisou o general, esquecido de que o regime de força que ele defendeu se esmerava em cortes sistemáticos pela censura burra que suprimia ideias e fatos que sempre deixam mal as ditaduras. Geneton não cortou, e ainda assim o general Leônidas ficou muito mal pelas ideias que exprimiu, livremente.

    Sempre educado, mas incorrigivelmente firme, Geneton questionou a exótica versão do general de que líderes do regime deposto – como Arraes, Brizola, Jango, Prestes – saíram do Brasil, a partir de 1964, ‘porque quiseram’. Leônidas mirou no ex-governador Miguel Arraes, conterrâneo de Geneton, pregando:

    – Ele [Arraes] podia ter ficado em casa…

    – Deposto – emendou Geneton.

    – E qual é o problema? – admirou-se o general.

    – Todo – encerrou Geneton, com a sintética sabedoria que o general, já nos seus 90 anos, ainda não apreendera. – Não havia condições de exercer a política no Brasil, naquela época, general.

    O ex-chefe do DOI-CODI desdenhou toda uma fase de arbítrio e violência, dizendo que o país não teve exilados pelo golpe de 1964, mas apenas ‘fugitivos’.

    – Eles que ficassem aqui e enfrentassem a justiça – pregou Leônidas.

    – General, num regime de exceção, a justiça não é confiável – replicou o repórter, com a altivez e a dignidade devidas.

    Eu destaquei esse luminoso desempenho de Geneton x Leônidas num texto — A arte de perguntar —, publicado pelo site Observatório da Imprensa em 7 de abril de 2010, quatro dias após a exibição do programa pela GloboNews, num sábado. Geneton, o mestre e amigo a quem eu tratava nos e-mails pelo carinhoso título de Master Asker (Mestre Perguntador), me agradeceu pelo texto com o bom humor de sempre:

    Olá. Com um cabo eleitoral como você aí, considero-me eleito para o Comitê Central do PPB, Partido dos Perguntadores do Brasil. Obrigado!

    No dia seguinte, ainda mais feliz, Geneton me repassou uma mensagem do diretor da GloboNews, César Seabra, que redistribuiu pelo correio interno o meu texto do Observatório a toda a equipe da TV, com a seguinte determinação:

    Caros,
    o texto do link abaixo faz elogios merecidíssimos ao nosso Geneton. Mas também nos faz um alerta precioso, sobre como conduzir uma entrevista. É leitura obrigatória para todos – apresentadores, repórteres, editores, produtores, chefes… Aproveitem. Beijo e bom dia, César

    Bolt da garotada

    O incansável Geneton não desistiu do general, que ficou satisfeito com o que viu no ar, com todas as suas ideias bizarras respeitadas, como cabe numa democracia. “Devo ter recebido uns 400 telefonemas…”, disse o eufórico Leônidas a Geneton, num encontro casual num final de manhã de junho de 2014 num shopping do Leblon. Em março de 2015 Geneton pensava num lance mais ousado. Colocar o general da repressão no estúdio diante de um guerrilheiro da luta armada. O general piscou. Perguntou quem seria seu oponente. Geneton pensava no ex-guerrilheiro Cid Benjamin, um dos integrantes do grupo que sequestrou o embaixador americano Burke Elbrick em 1969. “Vou dizer uma coisa que você não sabe: o Cid foi prisioneiro meu”. O encontro épico sonhado por Geneton nunca aconteceu: Leônidas morreu três meses depois, aos 94 anos, exatamente um ano depois do encontro dos dois no shopping.

    Geneton esmerou-se na arte das perguntas por que esta é a missão central do repórter: “Não faça jornalismo para jornalista. Faça para o público”, repetia ele ao público, embevecido como eu, nas duas vezes em que nos encontramos, em 2011 e 2014, no tradicional SET Universitário promovido pela Famecos (Comunicação Social) da PUC de Porto Alegre. É o mais longevo (29 anos em 2016) evento de comunicação do sul do país, atraindo gente da Argentina, Uruguai e outros países. Geneton era o Usain Bolt da garotada, que ele conquistava com a rapidez e o brilho de um raio.

    Mesmo diante da crise econômica que vive a indústria da comunicação e da crise existencial que abate os jornalistas atropelados pelo desafio da tecnologia, Geneton nunca abdicou de seus princípios. Fidelidade absoluta à reportagem e ao seu ídolo maior, Joel Silveira (1918-2007), “o maior repórter brasileiro”, um sergipano autodidata que Geneton frequentava todo dia, até a sua morte, com a reverência de um fã.

    Joel foi correspondente de guerra na campanha da FEB na II Guerra Mundial, escalado para cobrir o conflito em 1944 pelo dono dos Diários Associados. Assis Chateaubriand lhe deu a ordem final:

    — O senhor vai para a guerra! E vou lhe pedir um favor, senhor Silveira: não me morra! Repórter não é para morrer, repórter é para mandar notícia!

    Joel embarcou e voltou. Mas, contrariando as ordens de Chateaubriand, morreu um pouco.

    — Fui para a Itália com 27 anos, passei dez meses e voltei com 40 anos. A guerra me tirou 13 anos — confessou o ídolo Joel ao fã Geneton, que a partir desses 20 anos de convivência e confidências, juntando fitas K7 e imagens amadoras, acabaria produzindo um documentário fundamental de 90 minutos sobre o maior repórter brasileiro: Garrafas ao mar — A víbora manda lembranças, exibido pela GloboNews em 2013.

    Geneton se divertia contando as relações de seu ídolo com os magnatas da mídia. De Chateaubriand, Joel ganhou o apelido de ‘víbora’. De Adolpho Bloch, dono da revista Manchete, onde Joel publicou suas últimas reportagens, ele ganhou um bilhete. Bloch aproveitou uma viagem de seu repórter a Jerusalém e lhe pediu que colocasse o bilhete, como manda a tradição judaica, numa das frestas do Muro das Lamentações, acompanhado de um pedido. Joel cumpriu a pauta do patrão, que lhe perguntou na volta:

    — E aí, Joel, fez o pedido?

    — Fiz, Adolpho. Pedi para você me dar um aumento de salário…

    Porta estandarte

    Um dos mantras preferidos do sergipano Joel Silveira — “Jornalismo é ver a banda passar, não é fazer parte da banda” — reproduz bem a visão que seu fã pernambucano tinha de boa parte da mídia atual, em que o jornalismo cede espaço ao partidarismo, a razão é acuada pela paixão, a isenção é atropelada pela facção. Geneton também deplorava o engajamento até de jornalistas experientes em uma ou em outra banda partidária, no calor de uma luta político-eleitoral cada vez mais acesa que rebaixou parcela da imprensa ao jogo abrutalhado de um Fla-Flu de caneladas e mútuo xingamento, tão estridente que nem dava para ouvir a banda passar.

    Geneton, com a serenidade que nunca lhe permitiu desfilar nessas bandas, definia:

    — Fazer jornalismo é não praticar nunca, jamais, sob hipótese alguma, a patrulha ideológica.

    Geneton via em Joel o seu ideal cada vez mais romântico do repórter que sobreviveu à ‘ditadura da objetividade’, imposta para combater pragas como subliteratura, beletrismo e academicismo, e sucumbiu à maldição dos tempos atuais, com textos áridos, chatos, anêmicos, soporíferos, iguais. “Lástima, lástima, lástima”, lamentava Geneton.

    Geneton sonhava com alguém pichando os muros da cidade, proclamando: “Chega de objetividade! As notícias eu já vi na internet e na TV! Quero vivacidade, imaginação, arrebatamento, ousadia!”. No seu devaneio, Geneton achava que Joel poderia ser o porta-estandarte do resgate desse tipo de jornalismo, segundo ele exilado para a Sibéria.

    — A luta por um jornalismo mais vívido, mais atraente, mais iluminado faz parte da luta por um Brasil menos medíocre. Por que não? — perguntava-se Geneton, mais uma vez.

    Para sustentar sua teoria, ele usava a prática inigualável de Joel, dando como exemplo este texto em que o velho sergipano descrevia um menino morto no Bogotazo, uma revolta popular na Colômbia de 1948 que se seguiu ao assassinato de um candidato liberal da oposição, Jorge Gaitán, abatido na rua com três tiros. Os protestos, desordens e a repressão desatada em Bogotá, num único dia, deixaram um saldo de 500 mortos só na capital. Trecho do texto de Joel:

    Estive no Cemitério Central de Bogotá, em afazer de repórter, para ter uma ideia aproximada do saldo de mortos deixado pela explosão popular. Nunca, em toda minha vida, nem mesmo nos meses de guerra, estive diante de mortos tão mortos. Somente aquele menino – não mais de oito anos – morrera cândido, de olhos abertos, um começo de sorriso nos lábios. Os olhos vazios fixavam o céu de chumbo. As mãos de unhas sujas e compridas pendiam sobre a laje dura – como os remos inertes de um pequeno barco. Um funcionário qualquer se aproximou, olhou por alguns segundos o menino morto, procurou sem achar alguma coisa que ele deveria trazer nos bolsos. Tentou em seguida fechar com os dedos os olhos abertos, mas não conseguiu. Abertos e limpos, os olhos do menino morto pareciam maravilhados com o que somente eles viam, com o que queriam ver para sempre.

    Geneton fez a pergunta, que insinuava a resposta:

    — Os jornais de hoje publicariam textos assim? O grande poeta Ferreira Gullar fez uma vez, num verso, uma pergunta que a gente bem que poderia repetir, contra o cinzento da mesmice: ‘Onde escondeste o verde clarão dos dias?’. Ah, Jornalismo: onde escondeste o clarão?

    Geneton, sempre amigo e solidário, acompanhou solitário o final de vida dos últimos 20 anos da víbora da reportagem. Ninguém mais frequentava aquele apartamento deserto no sexto andar de um prédio da rua Francisco Sá, em Copacabana, habitado apenas por livros, lembranças, história e Joel Silveira.

    — Estou morrendo, Geneton, estou morrendo! — suspirava o velho repórter, que já não saía de casa e já não tinha amigos. Só Geneton. Joel desprezou o tratamento de um câncer na próstata para morrer em casa em 2007, na amarga mansidão de seus 88 anos. Na companhia fiel de seu último amigo.

    Um dissidente

    O fim melancólico de Joel Silveira, que Geneton definia como precursor do New Journalism que fez a fama de profissionais festejados como Gay Talese e Truman Capote, explica um pouco a visão cada vez mais pessimista que Geneton tinha do próprio jornalismo na atualidade.

    Geneton criava, produzia, executava, editava e apresentava suas próprias reportagens na GloboNews, com a doída convicção de que, como Joel, ele se tornava uma avis rara do jornalismo, um exemplar de dinossauro condenado à extinção imposta pelo cometa brilhante da inevitável modernidade tecnológica. Geneton parecia, agora, uma víbora que já não confiava nem na peçonha de suas perguntas, por mais venenosas que fossem.

    Aqui e ali, sem alarde, Geneton deixava fluir aos poucos sua melancolia, fazia vazar sua desilusão.

    Na véspera do réveillon de 2010, ele publicou em seu blog uma nota sem destaque, quase escondida, sugerindo um ‘Teste para Seleção de Jornalistas’. Era uma azeda reflexão sobre o jornalismo:

    “Uma sugestão aos responsáveis pelos departamentos de pessoal das empresas jornalísticas: depois de pesquisas que se arrastaram por meses, os especialistas conseguiram montar um teste infalível para seleção de candidatos a vagas nas redações. O candidato ao emprego deve ficar imóvel durante três minutos, diante de um fiscal da empresa. Se, ao final deste prazo, o candidato não latir nem relinchar deve ser sumariamente eliminado, porque não serve para a profissão jornalística. Se, no entanto, o candidato emitir latidos e relinchos terá provado que é jornalista legítimo. Deve ser imediatamente contratado. Porque mostrou estar preparado para ingressar nas redações brasileiras e produzir os jornais, revistas e programas de TV mais chatos do mundo”.

    Cinco anos depois, em 24 de agosto de 2015, inspirado numa definição de Winston Churchill para a União Soviética de Stálin (“É uma charada envolvida num mistério dentro de um enigma”), Geneton voltou a filosofar com amargura em seu blog, numa nota impiedosa sob o título ‘Entrevista de Emprego’, que seria cômica, se não fosse trágica:

    Se eu fosse enfrentar hoje uma entrevista de emprego e se me pedissem para dizer em trinta segundos o que penso do jornalismo, eu diria, com toda sinceridade:

    “Depois de décadas na estrada, tenho a nítida, nitidíssima sensação de que, no fim das contas, como escolha profissional, o jornalismo foi um equívoco envolvido num engano dentro de um grande erro. Mas agora é tarde para voltar atrás. Bola pra frente, então! Faz de conta que é a melhor profissão do mundo! E é – para os que se descobrem tecnicamente incapazes de fazer alguma coisa que seja de fato útil ao avanço da humanidade! Nem preciso dizer que eu seria imediatamente dispensado pelo burocrata do Departamento de Recursos Humanos encarregado de selecionar os candidatos. Eu ouviria o aviso de dispensa sumária, me levantaria, cumprimentaria o dispensador e diria: ‘Parabéns! Você nunca tomou uma decisão tão acertada”‘.

    Cinco anos antes, na mesma mensagem de 8 de abril de 2010 em que me agradecia pela louvação à sua ‘arte de perguntar’, o e-mail privado de Geneton traía sua desilusão já na linha seguinte, com uma inesperada autodefinição em tom de confissão:

    “Pode parecer pretensão, mas acho que realmente o jornalismo se mediocrizou. O exibicionismo toma o lugar da substância, especialmente na TV. Modestamente, considero-me um dissidente’.

    O dissidente Geneton Moraes Neto, meu amigo Master Asker, nosso grande Mestre Perguntador, nos deixou de repente, envolto num manto diáfano de desencanto, deixando no ar uma última pergunta, que cabe a todos nós responder:

    — Por quê?

    ***

    Luiz Cláudio Cunha é jornalista, autor de Operação Condor: o Sequestro dos Uruguaios

    1 Todos temos que lembrar. Discurso proferido na diplomação do autor com o título de ‘Notório Saber em Jornalismo’, outorgado pela Universidade de Brasília (UnB), em 9 de maio de 2011. http://observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-em-questao/todos-temos-que-lembrar/

    Link para a matéria original: http://migre.me/uLsaP

  3. Francisco Fábio
    08/22/2016

    Paulo, algum tempo atrás, como galhofa, postei este comentário: “Estou com problemas para receber as notícias. Se busco nas redes sociais tenho dúvidas se são verdades ou sacanagem. Se busco na mídia tradicional, tenho certeza que é sacanagem”
    É isto que se tornou nossa mídia. Ela continuaria com poder, como tem no mundo, se não se tivesse tornado, como se tornou, um partido político sem um mínimo de escrúpulo contra os que elas consideram adversários.
    -Acho engraçado você falar dos blogs sujos (vê já começa o escracho pelo nome. Não estou dizendo que foi você que os chamou assim) falando em linha auxiliar da esquerda e só publica o que a esquerda quer. E o seu blog é linha auxiliar de quem? Paulo não queira nos fazer de burros! Paulo você ter uma posição política é um direito seu como é direito meu eu ter a minha. Mas, nem eu nem você, temos direito de encobrir a realidade. E, no momento a realidade é: Estão acabando com a DEMOCRACIA, estão dando um golpe, a mídia está atolada até o pescoço com este golpe, o interesse é geopolítico e não nacionais e o Moro nunca procurou combater a corrupção, ele faz parte do golpe. Se você até hoje, com todo seus estudos, não entendeu isto, é você que é o ingênuo e não eu.

    • Questões Relevantes
      08/22/2016

      Francisco, quanto à chamada grande imprensa, observe que Folha, Estadão, O Globo, Época e Globo News vivem sendo acusados pela direita de serem de esquerda e pela esquerda de serem de direita. Isto demonstra que são plurais. Até a Veja andaram dizendo que, com a nomeação do André Petry como editor geral, estava adernando à esquerda.

      Já nas publicações que chamei de linhas auxiliares do PT, não existe polêmica. Ninguém da esquerda os acusa de serem de direita. Não dá. Eles não publicam nada que desagrade o Grande Irmão. E são regiamente remunerados com dinheiro público, que como você deve saber, não é do PT. Brasil 247, Carta Capital, DCM, Nassif, Revista Forum, Viomundo, Opera Mundi e congêneres são bonecos de ventríloquo do PT.

      Este blog, ao contrário, é um projeto individual, que não recebe um tostão de patrocínio de ninguém, a não ser de mim mesmo. É uma doação de tempo e de trabalho intelectual que faço em meu tempo livre. Nele você encontrará criticas ao Lula, Dilma, Temer, Geraldo Alckmin, João Dória Jr, PT, PSTU e PSDB.

      Sou de direita? Sim. Sou um crítico declarado da esquerda? Sim. Mas publico o que quero, não o que querem.

      Sobre esta “narrativa do golpe” em que você naufraga, nem vou perder tempo em explicar que está redondamente enganado. O blog tem diversos artigos que tratam a questão, com explicações bem didáticas. Continuar falando em golpe, depois de lê-las, é pura teimosia.

      Para facilitar, seguem alguns links para entender de vez porque golpe mesmo é chamar o eventual impeachment de golpe:

      CAROS PROFESSORES DO PT, NÃO PERCAM ESTA AULA.
      http://wp.me/p4alqY-uR

      A “NARRATIVA DO GOLPE” TEM O MESMO DNA DO “ESCÂNDALO DOS ALOPRADOS”?
      http://wp.me/p4alqY-ul

      A NARRATIVA DO GOLPE OU: COMO VENDER UMA FRAUDE.
      http://wp.me/p4alqY-th

      • Francisco Fábio
        08/23/2016

        Paulo, faz tempo que não leio jornal impresso, tenho meus motivos e não cabe explicar. Mas li muito, já fiz coleções de revistas semanais ocupando várias prateleiras dos meus pequenos apartamentos. Sei como funciona. A mídia eletrônica faço acompanhamento diário de tudo que possa me dar subsídios para entender o mundo. Não olho o lado de quem dá a noticia. Faço um grande esforço para ter a notícia e isolar a opinião, não porque não quero a opinião de quem dá a notícia. Acho errado dá a notícia opinando principalmente opinião de quem não tem capacidade de opinar. Já passei horas vendo TV ´Câmara, Senado, STF, e coisas afins. Então você vem me falar que não sei quem disse isto, disse aquilo? Paulo eu sei do que está acontecendo: A grande mídia tornou-se uma grande máfia. Esta é a realidade que você se nega a ver.
        -Na segunda parte você parte para acusação. Naturalmente você deve ter as provas. Então acuse apresentando as provas.
        – Paulo eu leio estes que você falou, mas você já notou que leio também o seu?
        Já postei comentários discordando de coisas ditas por eles, da mesma maneira que já discordei (é verdade em maior número) das suas posições. Mas eu dou argumentos quando opino. Se acho errado o que foi falado tendo desconstruir o que o outro falou. Raramente faço afirmações e quando o faço, faço raciocínios lógicos que comprovam as afirmações. Tento não fazer nada gratuitamente.
        Sobre o seu blog, não vou fazer acusações como você fez dos outros. Não tenho nenhuma prova. Como posso acusar?
        -Sobre você ser de direita, não precisa justificar, é um direito seu. Isto não o enaltece nem o rebaixa. É só uma maneira de pensar.
        – Sobre o Golpe você me envia artigos para ler. Paulo já falei, eu acompanho tudo, faço meus raciocínios lógicos e tiro as conclusões.Devolvo para você os conselhos que você me manda e recomendo, esqueça os que os outros escreveram, raciocine, tire você mesmo as conclusões. Mas eu não me dou direito de esconder a realidade e isto eu também não lhe dou.

      • Questões Relevantes
        08/23/2016

        Fábio, chamar de golpe um processo que segue estritamente a constituição é, digamos assim, um golpe na lógica, um atentato ao bom-senso.

  4. Enio Lucio
    08/22/2016

    Paulo Falcão, que tal mudarmos o seu último parágrafo para: não sei se é suficiente mas, para quem entende a importância dos restaurantes, deveria, sei lá… comprar a COMIDA ESTRAGADA deles pois a sobrevivência desses estabelecimentos é importantíssimo para aplacar a fome da população.

    Passa pela sua cabeça que a sugestão acima tem sentido?

    Pois saiba que esses veículo só produzem “comida estragada”

    • Questões Relevantes
      08/22/2016

      Ênio, obrigado por, com seu desprezo, confirmar a tese defendida no artigo.

    • Francisco Fábio de Paula Colares
      08/24/2016

      Paulo, afirmei que não lhe dou o direito de encobrir a realidade. A sua resposta é um deslavado encobrimento.

      • Questões Relevantes
        08/24/2016

        Francisco, qual encobrimento? Temos uma imprensa livre que compete entre si. Esta imprensa teve papel importante na História brasileira. É perfeita? Não. Comete erros? Sim. Atualmente, mais ainda. Mesmo assim é o que temos de melhor em termos de imprensa.

        Esta conversa mole de mídia golpista. mídia comprada, e outras coisitas mais são uma espécie de câncer que corrói o cérebro da esquerda. A alternativa à imprensa livre e independente é o que? Imprensa estatal? Estes bonecos de ventríloquo do PT?

        A lógica é cruel com quem pensa com o fígado.

  5. Eduardo Terra Coelho
    08/21/2016

    Agoniza por não suportar concorrência.

    • Questões Relevantes
      08/21/2016

      Eduardo, sua opinião é de uma inconsistência exemplar: somente a imprensa livre tem concorrente, disputando leitores e anunciantes, como fazem Folha, Estadão, O Globo, Veja e Época por exemplo. Já a imprensa camarada, aquela que publica o que Lula e o PT querem, não competem entre si, apenas disputam verbas, sempre proporcionais à fidelidade canina que demonstram.

      • Eduardo Terra Coelho
        08/21/2016

        Não suportam a concorrência com a Internet , não suportam a concorrência com a mídia estrangeira.

        Não querem a mídia estrangeira por aqui por defender exclusividade de mercado e, nisto, colocam no lixo o discurso liberal que defendem.

      • Questões Relevantes
        08/21/2016

        Bobagem, Eduardo. Há mais de 20 anos a CBN, do sistema Globo tem boletins da BBC Brasil. Os jornais e revistas brasileiros assinam as principais agências internacionais. Como o artigo deixa claro, a crise é muito mais pela mudança de plataforma, que derrubou a venda em banca e com ela as receitas publicitárias.

    • Francisco Fábio
      08/24/2016

      Paulo, vou parar para não ter que ofender. As suas respostas só merecem ofensas e neste campo sou meio lerdo. Fica para outra…

      • Questões Relevantes
        08/24/2016

        Ok, Francisco.

  6. jfarod
    08/21/2016

    É bastante grave esse erro que a imprensa cometeu. Apenas para a informação do texto se mostrar correta, pode disponibilizar alguma fonte da decisão acertada? Obrigado.

    • Questões Relevantes
      08/21/2016

      Há diversas fontes que tratam do assunto, mas é fácil você mesmo comprovar. O triplex 164-B foi investigado na Operação Triplo X e Lula não aparece como suspeito. Já o apartamento vizinho, o 164-A continua sendo investigado na Operação Aletheia e traz Lula como investigado.

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