questões relevantes

espaço para debate de ideias sobre a cultura e a civilização

DESMORONAMENTO DE BARRAGEM E A IRRESPONSABILIDADE COMO MÉTODO.

maxresdefault (10)

Você certamente já ouviu a frase “na prática, a teoria é outra”. Agora, tem a oportunidade de comprovar rapidamente a tese. Veja o texto de apresentação da usina UHE Sinop no site da CES – UHE. Depois, veja o vídeo do desmoronamento da barragem. Volto no final para concluir.

____________________________________________

 

O projeto de construção da UHE Sinop foi desenvolvido levando em consideração o estudo de viabilidade do Empreendimento, de maneira que seus possíveis impactos serão minimizados por uma série de programas socioambientais, constantes no PBA. A construção da Usina representa importante contribuição para atender o crescente consumo de energia elétrica no Brasil. O direito de implantação da UHE Sinop foi concedido à CES a partir do Leilão nº 006/2013, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), realizado em 29 de agosto de 2013.

Distante 70 quilômetros (km) de Sinop com acesso pela BR-163 e estradas de fazendas, a UHE Sinop está sendo construída no rio Teles Pires, sendo que a barragem fica situada nas áreas dos municípios de Cláudia (margem direita do rio) e Itaúba (margem esquerda). O reservatório abrangerá os municípios de Cláudia, Itaúba, Ipiranga do Norte, Sinop e Sorriso.

Com investimentos de R$ 1,8 bilhão, este projeto caracteriza-se pela disposição de uma Casa de Força com duas turbinas/geradores e potência instalada de 400 megawatts (MW). Isto corresponde a geração de energia elétrica para 1,6 milhão de pessoas, equivalente a 50% da população do Estado do Mato Grosso. O reservatório a ser formado terá área de inundação de 337 quilômetros quadrados (km²) ou 33,7 mil hectares, em seu Nível de Água (NA) Máximo Normal de 302 metros (m).

A construção desse Empreendimento irá gerar mais de três mil empregos diretos. Esses postos de trabalho, juntamente com os indiretos que serão gerados, contribuirão para o aumento do nível de emprego no País e na região, bem como para o aumento da massa salarial, resultando em importante contribuição social.

Localização
• Rio Teles Pires, Bacia do Rio Teles Pires que está inserida na Bacia Amazônica
• Distante 70 km de Sinop
• Divisas dos municípios de Cláudia e Itaúba
• Abrangência nos municípios de Cláudia, Itaúba, Ipiranga do Norte, Sinop e Sorriso

______________________

AGORA, ASSISTAM O VÍDEO:

 

RETOMO PARA CONCLUIR

Observem que os funcionários não se espantam com o acidente. Até dão risada. É como se soubessem que a obra foi malfeita e que o desmoronamento era questão de tempo.

A engenharia brasileira já foi levada a sério, já produziu obras desafiadoras e impressionantes, mas parece que vivemos tempos de pura irresponsabilidade, ou de banditismo mesmo.

Vivemos tempos em que a irresponsabilidade virou método de gestão.

Se a usina estivesse pronta, a catástrofe seria menos poluente que a de Mariana, mas certamente mataria muito mais.

A diretoria desta empresa e os engenheiros responsáveis deveriam, no mínimo, ser processados por gestão temerária e por colocar em risco a vida de tantas pessoas.

Isto não é acidente. É, felizmente, uma catástrofe interrompida.

 

 

Artigo de Paulo Falcão.

 

Anúncios

8 comentários em “DESMORONAMENTO DE BARRAGEM E A IRRESPONSABILIDADE COMO MÉTODO.

  1. Fabio
    08/20/2016

    No caso de Mariana existe uma outra area de contenção com 2 vezes e meia mais volume do que a primeira que rompeu, que já esta comprometida, a imprensa fica calada , ninguém mostra o que esta sendo feito, a categoria dos engenheiros não se manifesta não leva ao publico a emergencia e o horror que vira caso esta 2 contenção se rompa, é só aguardar as chuvas de verão.

    • Questões Relevantes
      08/20/2016

      Fábio, tenho a impressão que há um acobertamento das irresponsabilidades para proteger a arrecadação de tributos federais, estaduais e municipais. Escrevi sobre o primeiro rompimento aqui:
      O ROMPIMENTO DA BARRAGEM DA SAMARCO NÃO FOI ACIDENTE. FOI CRIME.
      http://wp.me/p4alqY-jR

  2. Francisco Fábio de Paula Colares
    08/16/2016

    Paulo, acho que já disse que fui engenheiro de obras, praticamente, durante toda minha vida. Não quero ofender, mas tenha mais um pouco de responsabilidade. Uma obra destas não é simples assim fazer julgamentos. As variáveis são muitas. Só depois de pericias detalhadas será possível chegar a uma conclusão.
    -Há pouco tempo desabou aquela pista para ciclista no Rio. Foram muitos os deboches ditos por muitos que nada entendiam do assunto. Mas xingamento é fácil de ser feito. Quando vi as imagens divulgados e como tenho a noção do assunto pude deduzir: A passarela foi atingida por onda da ressaca de baixo para cima, o que é anormal.. O cálculo é feito para esforço de cima para baixo, que é o normal. Então problema não foi da engenharia o problema foi do histórico dos dados da ressaca. Acharam que ali, historicamente, a ressaca não atingiria aquela altura. O histórico das ressacas ali é que mostrará aonde o erro, e se erro houve. Pode ser que ressaca assim nunca tenha existido. Então não haveria erro. É como fazer cálculo de estrutura no Brasil prevendo terremotos como no Japão. Não há prevenção para isto. Se calcularem prevendo isto serão chamados de burros, não prevendo e acontecer um terremoto aqui vão dizer que foi desleixo.
    Lembro de uma reportagem da queda de um viaduto em Belo Horizonte. Alguém da empreiteira falou que achava ter sido erro de cálculo. A Reporte da Globo, Leila (não sei o que) virada para câmera, com cara de “porca prenha”, fala: “Como uma empreiteira vai fazer uma obra desta e não refaz os cálculos”?.
    Ela tem lá ideia do que é o cálculo de uma obra destas. São escritórios especializados em cálculo que o fazem. Executor não faz e nem tem obrigação de fazer. O empreiteiro é obrigado a executar, sem contestar, o projeto recebido.
    Falar bobagens em frente as câmeras é fácil. A nossa mídia é mestre nisto.

    • Questões Relevantes
      08/17/2016

      Francisco, reconheço a complexidade de uma obra destas, mas reconheço também a falta de surpresa dos funcionários. Como no episódio da barragem de Mariana, foi mais desleixo que acidente.

      • Francisco Fábio
        08/17/2016

        No caso de Mariana não existem dúvidas. Qualquer leigo pode dá opinião porque é só fazer raciocínio lógico e, para a lógico não precisa ter conhecimento específico. Acontece Paulo que nossa mídia é irresponsável. Dá opinião sem conhecimento em vez de se ater as notícias. Lançam o achincalhe no ar e sai para outra. E o manipulável que se lasque…

      • Questões Relevantes
        08/17/2016

        Conheço o engenheiro que projetou e calculou a barragem do Lago Igapó, em Londrina PR, obra inaugurada em dezembro 1959.
        Este cartão postal de Londrina enfrentou em 2016 chuvas muito acima da norma técnica usada para cálculo na região, chegando até mesmo a ficar totalmente submersa, e aguentou firme.
        Acidentes acontecem, mas tem hora que o serviço porco é evidente.
        Veja algumas imagens da barragem de Londrina sob estresse hídrico.

  3. Victor Hugo Pinheiro Cunha
    08/16/2016

    Pra quem construiu a ferrovia da serra do mar que era considerada impossível pelos engenheiros europeus de 1880… É uma vergonha…

    • Questões Relevantes
      08/16/2016

      Sou fã da estrada de ferro Curitiba – Paranaguá. É uma obra ainda hoje desafiadora, impressionante. Lembrei exatamente dela quando escrevi o artigo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: