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HAVIA VOZES LÚCIDAS NO PT, MAS A IGNORÂNCIA ARROGANTE FALOU MAIS ALTO.

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Falar em Responsabilidade Fiscal ou controle dos gastos públicos é certeza de ofensas e confrontos, mas não deveria ser assim. Já deveríamos ter aprendido algo com a História. Um olhar em perspectiva verá que, em todo o mundo, cada ajuste chamado de “neoliberal” aconteceu para consertar situações de grave desequilíbrio fiscal e econômico de governos que imaginaram os cofres públicos como uma fonte inesgotável de recursos (no caso brasileiro temos que incluir também a imagem da teta infinita em que apaniguados e amigos do rei mamam sem qualquer pudor). Nunca dá certo. Sempre termina em dor e ranger de dentes. Ou como escrevi em artigo recente, “Certas ideias precisam ser combatidas porque trazem em si um grande potencial de sofrimento, principalmente para as camadas mais pobres da população”.

Este é o ponto central. Responsabilidade Fiscal e controle dos gastos públicos são requisitos básicos e indispensáveis para garantir que conquistas sociais não sofram retrocessos.

Quem acha importante programas de distribuição de renda, programas de bolsas para estudantes, maiores investimentos em saneamento básico, escolas de qualidade, melhores salários para professores, investimentos na saúde etc. deveria ser um entusiasta da responsabilidade fiscal. Sem ela, nada é sustentável. Tudo fica ameaçado.

Já tratei deste conflito inglório entre a ideologia e matemática em diversos artigos e via 2008 como o ano em que o Governo do PT, ainda com Lula na presidência, abandonou boas práticas herdadas do Plano Real e resolveu enfiar o pé na jaca.

O artigo abaixo, de Luan Sperandio, mostra que o desastre começou antes. Em 2004 havia vozes lúcidas no governo, mas a ignorância arrogante falou mais alto.

Mostra também que há uma relação de causa e efeito muito clara entre a opção pela irresponsabilidade fiscal do PT e a crise que trouxe de volta o fantasma da inflação, o desemprego e o pior desempenho da economia brasileira desde que os dados começaram a ser compilados.

 

Introdução de Paulo Falcão.

 

______________________________________

 

 

Acredite: o PT teve a chance de salvar o país, mas não quis.

Por Luan Sperandio @luansperandio · Em 13/07/2016

 

Desde o início da crise brasileira, economistas vêm endossando a necessidade de se fazer um ajuste fiscal. E, de todas as propostas do governo interino para impedir o abismo, a mais interessante até aqui, apesar da demora em reverter o déficit, é a de limitação do crescimento do gasto público. Nas palavras de Marcos Lisboa e Samuel Pessoa, isso permitiria o melhor enfrentamento aos graves desafios do país e a preservação das políticas sociais que protegem os grupos mais vulneráveis. Ocorre que, há 10 anos, o Governo Lula teve a oportunidade de fazê-lo, mas não quis.

O problema das contas públicas brasileiras é estrutural e decorre de normas que regulam as políticas públicas as quais resultam em alto crescimento dos gastos. Ao longo dos últimos 25 anos, a despesa pública tem crescido a uma taxa maior que a renda nacional, fazendo com que o governo aumente a carga tributária para que o aumento de receita possa custear isso, ocasionando uma das maiores cargas tributárias do mundo.

O caso é que o problema do gasto público foi diagnosticado em 2004, sendo que, à época, o Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e da Fazenda, Antonio Palocci, propuseram a realização de ajuste fiscal de longo prazo, mirando um horizonte de 10 anos. Mas Dilma Rousseff, ao assumir a Casa Civil, rejeitou veementemente qualquer proposta para o controle de seu crescimento, definindo-a como “rudimentar” e concluindo: “Gasto público é vida”. Dessa forma, vetou qualquer debate que pudesse vir a acontecer e impedir a escalada de gastos maiores. Em 2005, o Brasil vivia um período de tranquilidade econômica, um momento mais propício para analisar e propor uma medida como essa.

A oportunidade foi desperdiçada, e agora o inevitável ajuste precisa ser feito, mas sem que haja tempo adequado para que esse debate ocorra: desde 2014, quando o Governo Federal passou a não cumprir os superávits primários, a dívida pública cresceu de 50% para quase 70% do PIB.

Mais: se nada for feito, estima-se que a dívida pública chegue a 90% em 2018. Alguns acadêmicos, como Bruno Salama, já sinalizam que é muito difícil não recorrermos a um calote implícito, levando o país a reviver a inflação crônica dos anos 1980. É isso que está em jogo agora.

10 Divida Bruta do Governo federal

Portanto, pode-se até argumentar que o PT não foi o único responsável pela maior recessão que o país já teve, mas é inegável que o partido, quando à frente do Governo Federal, desperdiçou a oportunidade de salvar o país.

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8 comentários em “HAVIA VOZES LÚCIDAS NO PT, MAS A IGNORÂNCIA ARROGANTE FALOU MAIS ALTO.

  1. Francisco Fábio de Paula Colares
    08/17/2016

    Paulo, você quer é justificar o Golpe? O que tem a ver esta relação divida/PIB com responsabilidade fiscal? Fazem terrorismo com a nossa relação de 55% quando no Japão é 230. Nos EUA é de 103. Itália 132. Canadá 87. Alemanha 75. São estes países, ferrenhos capitalistas, irresponsáveis fiscal? No caso do Brasil esta relação tem a ver com taxas de juros e queda de arrecadação. Querem combater inflação de custos elevando os juros. Isto é estupidez! Aumenta os custos e faz dá renda aplicar na banca. Quem vai querer produzir se a banca paga mais? E no Brasil a estupidez aumenta, ainda isenta de imposto. ( Hoje em vez de corrigir isto querem tirar direitos do trabalhador). Aumento de juros não tem lógica nem em inflação de demanda. O Plano Real não combateria a inflação sem aumento brutal das importações e brutal arrocho salarial. De eficaz no plano só a URT e a tablita que permitiu a saída sem traumas de inflação de mais de 80% para o civilizado um dígito.
    Paulo, sei que você é informado mas tem medo de enfrentar as suas verdades. Compare esta relação dívida/PIB com juros e suas consequências, como: inflação,desemprego, Lucro do sistema financeiro. Se ainda não fez, faça. Ficará chocado como juros afeta tudo. E afeta para baixo e para cima, mantendo as proporções.
    Estes países de primeiro mundo conseguem captar com juros baixos. O Brasil, quando capta é com altos juros. Ele está pagando para banca, que aplica na ciranda e não vai produzir
    E digo mais uma coisa: Só acabaremos a memória inflacionária quando for proibido reajustes de contratos pela inflação passada. O resto é mimimi!
    E justo agora, quando parecia termos arranjado uma saída com o BRICS contrataram os EUA para dá o Golpe.

    Paulo se quer defender o golpe faça, se declare golpista, mas não venha fazer jogo de números!

    • Questões Relevantes
      08/17/2016

      Francisco, esta questão de que defendo golpes é uma bobagem que você deveria evitar. Prefiro acreditar que se trata apenas de uma blague, uma provocação.
      Quanto ou restante, vários fatores influenciam no custo do dinheiro (juros) e na relação aceitável Dívida/PIB.
      No caso dos juros, a transparência, o histórico, a pontualidade nos pagamentos, a previsibilidade econômica e o controle da inflação (este último é ao mesmo tempo um sinal de controle/descontrole do governo sobre os gastos públicos).
      A relação dívida/PIB aceitável é estabelecida pela capacidade de pagamento que os agentes financeiros atribuem a cada país, o que evidentemente é influenciado pelos mesmos fatores que influenciam os juros e mais as avaliações sobre cenários políticos, perspectiva de crescimento ou retração etc.
      Até concordo que os juros no Brasil são ridiculamente altos, mas ao baixa-los e estimular o consumo, frente a uma capacidade de produção limitada, gera-se uma pressão de demanda que eleva preços e realimenta a inflação. Inflação não é causada pela demanda, que fique claro. Aumentos de preço por oferta e procura não são a causa da inflação, mas em economias indexadas como a do Brasil há uma retroalimentação.
      A relação Dívida/PIB dos países que você citou preocupam, mas o funcionamento de suas economias e os fatores que citei acima bem posicionados, dão a eles uma credibilidade e uma capacidade de pagamento que nos falta.
      O que o artigo demonstra é que o diagnóstico correto foi feito, que o cenário era favorável para implantar um controle eficiente que não afetaria os programas de distribuição de renda, mas criaria condições para uma expansão gradual, segura e sustentável destes programas.
      Ao ignorar o diagnóstico e apostar na doença, a estupidez falou mais alto.
      Segue um vídeo instrutivo sobre as causas da inflação brasileira (e não se está falando do governo Lula ou Dilma):

      • Francisco Fábio de Paula Colares
        08/20/2016

        Paulo, onde digo que você defende o golpe? Eu perguntei não afirmei, Porque não entendi a relação entre divida/pib com responsabilidade fiscal. E não é a irresponsabilidade fiscal que estão usando como pretexto para o golpe? E eu nem quero discutir o golpe porque ninguém vai me convencer que não é golpe, Nem tentem.
        Quanto a aula que você dá sobre o que influência o custo do dinheiro mesmo com meus parcos conhecimento, acredito que dá para descobrir. E já fiz a descoberta que não podemos aceitar que os agentes financeiros ditem as regras. Primeiro temos que saber que o setor privado é o devedor mor. Segundo temos hoje a 6ª reserva em dólares do mundo e temos recursos naturais abundantes. E nosso histórico de bom pagadores só caiu na ditadura. Então porque deixar na mão dos “agentes financeiros” o ditar a política econômica?
        Paulo, “agentes financeiros” que você tanto acredita nunca são isentos.
        Paulo, o mundo precisa mais do Brasil do que o Brasil do mundo!
        Claro, com este caos político perdemos estas condições e estamos perdendo a DEMOCRACIA. E é por esta que choro!
        Resolvido este caos político podemos sim comandar nossa política econômica e não deixar para os agentes. Para inflação primeiro acabar contrato indexado por inflação passada. Só assim perderemos a memória inflacionária. A SELIC tem que ir caindo o mais rápido possível. Isto provocará dois movimentos virtuosos: Cai os custos para produção e cai a renda da banca, o que provocará aumento da oferta. Temos condições de se houver queda na oferta, pois produzir é mais lento, fazer importações pontuais. A inflação de SERVIÇOS virá, e, é lógico, serviços não se importa. Mas isto aumenta a renda do trabalho, que é benéfico pois vai dar respaldo para o empresário investir, inclusive em maquinário que melhora a produção. É um círculo virtuoso e não o contrário.

        Paulo, um pedido: Quando você responder responda desconstruindo meus argumentos e não falando que fulano disse isto e aquilo. Conhecer o que foi falado como o lógico em épocas passadas sempre ajuda, mas não quer dizer que na realidade de hoje continue lógico, Pode não ser mais. Se minha argumentação pecar diga aonde!

  2. Thiago Suzuki
    08/16/2016

    A única voz lúcida que consigo ver é o Valter Pomar e a galera que saiu. E mesmo que elas existam, de qual é o proveito se as direções são surdas e cegas?

    A questão não foi a irresponsabilidade fiscal. É uma análise bem coxinha e digna de revista Veja isso. Como alertado pelo Wilson Cano em 2011 no lançamento do Plano Brasil Maior o grande erro das desonerações foi não ter sido feito em setores essenciais que poderiam alavancar o crescimento sem comprometimento das receitas. A questão é que os setores desonerados simplesmente não reagiram, transformaram aquilo em margem de lucro sem investimento. O salto dos preços das commodities teve mais mérito do que a responsabilidade fiscal do Henrique Meirelles àquela época ou o mesmo Henrique usando desse discurso nesse momento para confortar o empresariado e sua lucratividade.

    Sobre o tamanho do estado e funcionalismo público, isso é um mito. As demandas sociais no Brasil abrange muito investimento estatal. A questão é a eficiência desse estado que devemos aperfeiçoar, na qual o primeiro passo deveria ser uma transformação tributária e aumento de recursos às areas sociais e de infra-estrutura. O problema do estado atual é que ele é concentrador. Porém, ele é necessário e parte dos gastos sociais retornam em forma de impostos pro próprio governo.

    • Questões Relevantes
      08/16/2016

      Thiago Suzuki, você ainda não entendeu a relação de causa e efeito entre a irresponsabilidade fiscal e o desastre em que Dilma transformou a economia do Brasil. Recomendo a você ao Wilson Cano a leitura deste artigo:
      SE O SEU GURU XINGA A RESPONSABILIDADE FISCAL, PEÇA UM EMPRÉSTIMO PARA ELE.
      http://wp.me/p4alqY-qm

  3. Ale Fernandez
    08/16/2016

    Lo mismo que hizo Kretina, son gemelas??

    • Questões Relevantes
      08/16/2016

      Son hermanas en la estupidez.

      • Ale Fernandez
        08/16/2016

        Y en la corrupción, Paulo.

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