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DOMENICO LOSURDO E A ARTE DE MENTIR FALANDO VERDADES.

Domenico Losurdo e a arte de mentir falando a verdade

No vídeo abaixo, de aproximadamente 10 minutos, Domenico Losurdo acusa os EUA de serem o país mais tirano do mundo. Ao mesmo tempo nos dá uma demonstração prática de como mentir falando verdades. Ou melhor: selecionando algumas verdades e omitindo outras.

Não se trata nem mesmo de uma manipulação sofisticada, mas, mesmo fraca, tem encantado doutores, mestres e universitários pelo mundo, o que revela o miserê crítico e intelectual a que a esquerda levou a academia, principalmente na área das chamadas “Ciências Humanas”.

Para entender melhor a prestidigitação do badalado historiador Italiano, acredito relevante lembrar que é também autor do livro “Stalin: História e Crítica de uma Lenda Negra”, em que tenta resgatar o prestígio de um dos mais frios e virulentos assassinos da história. Livro, aliás, que teve boa acolhida entre a chamada “esquerda acadêmica”. Uma das raras críticas de alguém da esquerda a esta obra pode ser lida aqui.

Mas vamos à demonstração da picaretagem de Domenico Losurdo.

Ele até começa bem ao fazer uma comparação pertinente e defensável entre as impressões que Alexis de Tocqueville e Victor Schoelcher tiveram de suas respectivas visitas aos EUA em torno de 1830. Viram as mesmas coisas mas chegaram a conclusões opostas. Tais diferenças de olhar poderiam dar lugar a um rico debate, mas Losurdo prefere o truque fácil.

O historiador italiano poderia e deveria problematizar os motivos que levaram Tocqueville a escrever “A democracia na América” e seu encantamento com uma sociedade onde os partidos políticos ganhavam corpo para desafiar elites locais, estabelecendo cada vez mais o governo da lei sobre o poder econômico.

Poderia e deveria comparar o estágio da democracia americana com a de países europeus no mesmo período (o que daria uma régua temporal para as conclusões de Tocqueville).

Poderia e deveria fazer o mesmo com a escravidão e o conflito com os índios.

Mas não fez nada disso. Preferiu a crítica cínica em que inclusive deixa subentendida a superioridade de Victor Schoelcher sobre o autor do clássico “A democracia na América“.

Como fez isto?

Simples: avalia Tocqueville e os EUA com o olhar contemporâneo. Simplesmente ignora o momento histórico de uma sociedade em formação e em pleno processo de luta por direitos e pelo império da lei.

Aliás, seu desprezo por direitos e o império da lei é a pedra de toque para entender a segunda mistificação, o segundo truque, quando faz um salto temporal para imaginar Tocqueville e Schoelcher visitando os EUA no século XX.

Diz que Tocqueville valorizaria o Governo das Leis mais desenvolvido nos EUA que na União Soviética ou China, a imprensa livre e outros valores democráticos.

Já Schoelcher destacaria o genocídio conduzido pela França na Argélia e pela Inglaterra no Quênia (sim, quando lhe é conveniente, inclui comparações europeias), bem como os EUA impondo ferozes ditaduras na América Latina (o que é, no mínimo, falta de senso de ridículo, já que nenhuma ditadura Latino Americana chegou perto da ferocidade das ditaduras de esquerda pelo mundo, inclusive a de sua Lenda Negra).

A hipotética crítica de Schoelcher aos EUA inclui ainda a guerra contra os comunistas na indonésia.

Observem que Domenico Losurdo segue falando verdades ao apontar qualidades e defeitos dos EUA, França e Inglaterra, mas economiza muito quanto aos defeitos da URSS e China.

Ao falar da política de extermínio da França na Argélia, ou da Inglaterra no Quênia, “esquece” a política de extermínio da Rússia na Ucrânia, por exemplo. Ao falar da política do EUA impondo ditaduras ferozes por toda a América Latina, esquece que a URSS nada mais foi que a Rússia expandida por anexações de caráter colonialista que lhes impuseram um totalitarismo comandado de Moscou.

Assim, nosso picareta italiano fantasia um Tocqueville ingênuo, que se deixa impressionar pela democracia triunfante e o contrapõe a um Schoelcher sábio que veria a verdadeira face da América e da Europa: a opressão colonial feroz.

Neste ponto, se usarmos a mesma régua para medir o que acontecia na URSS e na China, veremos que a opressão atrás da chamada cortina de ferro era muito maior, com um agravante: não havia de forma alguma o Governo das Leis e a violência totalitária atingia brutalmente não apenas os países anexados, mas também a própria população em nome de quem exercia seu terror.

Aliás, a frase “oprimia ferozmente o mundo colonial, oprimia ferozmente todos aqueles que se mostravam suspeitosos ou hostís em relação ao império” é totalmente verdadeira também para as ações da URSS e da China. Mas ele, claro, omite este detalhe.

Isto se mostra ainda mais deletério quando cita Hegel e o conceito segundo o qual “a verdade é o todo”.

Observem. Em sua fala, o “todo” do ocidente é o governo das leis somado a barbáries colonialistas e imperialistas.

Já o “todo” dos países socialistas é menor desenvolvimento no governo das leis (eufemismo para ditaduras) e silêncio vergonhoso sobre extermínio, colonialismo, opressão e guerras.

Isto não é papel de um historiador ou de um intelectual sério. É papel de um reles prosélito, de um militante sem escrúpulos.  Losurdo não tem pudores em omitir o que não lhe favorece e assim dar maior relevo à suas críticas.

Na hipótese otimista, nem percebe o erro e está mentindo para si mesmo, como fazem os ingênuos que o aplaudem. Na pessimista, é um embusteiro convicto.

A parte final do vídeo reforça ainda mais a segunda hipótese.

Ao falar da cobrança que as democracias liberais contemporâneas fazem sobre direitos humanos na China, coloca em linha, sem perspectiva, fatos com 150 a 200 anos de intervalo e os utiliza como justificativa para o necessário totalitarismo do socialismo Chinês.

Novamente não usa informações falsas, mas omite muitas outras que desmontariam sua tese.

O passo seguinte é explorar as guerras recentes em que se envolveram EUA e os principais países da Europa e com isto questionar a democracia e o governo das leis. A crítica é justa, diga-se, mas novamente passional e parcial.

Como bom esquerdista, daqueles de almanaque, se recusa a reconhecer que foi nas democracias liberais que as camadas mais pobres da população tiveram as maiores conquistas da história da humanidade em termos de renda, direitos civis, liberdade, acesso à educação e saúde, qualidade de vida, lazer e direitos políticos. Não há nenhuma experiência conhecida que se aproxime deste sucesso.

Já as experiências socialistas também apresentam pontos positivos, mas nada comparável ao estágio das democracias liberais. Foram e são ditaduras que jamais hesitaram em sacrificar a própria população em nome de um ideal mítico que nunca chega.

Como já salientaram Giovanni Sartori e Denis Lerrer Rosenfield, a esquerda tem o hábito de atribuir ao socialismo teórico todas as perfeições e então compará-lo com a prática real das democracias liberais. É uma fraude intelectual, claro, mas faz o maior sucesso por aí.

Ou seja, enquanto o socialismo é uma eterna promessa de um mundo melhor e uma ditadura na prática, “a democracia é, por definição, uma obra em constante processo de inclusão de demandas, inclusive demandas sociais de origem socialista. Isto ocorre porque é da essência da democracia ser plural no que tange a seus atores, mesmo que de forma assimétrica”, como já disse em outro artigo.

Para terminar, é bom lembrarmos uma bela observação de Milton Friedman que deveria funcionar como vacina contra tentações socialistas: o livre mercado não é, evidentemente, a única opção de organização da economia. Também não é uma imposição. O livre mercado é simplesmente a opção de todas as sociedades dos últimos 100 anos em que o indivíduo teve liberdade de escolha. Pense nisso.

Artigo de Paulo Falcão

 

 

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COMPLEMENTO EM 27 DE JULHO DE 2016

Hoje me deparei com o artigo AS 4 POSIÇÕES MAIS REACIONÁRIAS DEFENDIDAS POR KARL MARX, de JOEL PINHEIRO para o Spotniks e foi impossível não notar o quanto ele complementa o artigo acima.

Convém lembrar que Marx (1818-1883) era ainda um estudante quando Alexis de Tocqueville e Victor Schoelcher visitaram os EUA (1830).

Observem que Joel Pinheiro, embora obviamente seja um crítico de Marx e do marxismo, tem o cuidado de contextualizar as críticas, de lembrar qual era o “espírito da época” para que não se julgue suas opiniões com o olhar de hoje.

Ou seja: faz exatamente o que faltou a Domenico Losurdo. Mais do que isto: traz boa parte das informações que Losurdo preferiu esconder.

Penso que seja uma leitura fundamental.

 

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As 4 posições mais reacionárias defendidas por Karl Marx.

Por JOEL PINHEIRO para o Spotniks

 

É fácil julgar as gerações passadas. E equivocado. Tomamos nossos juízos de valor como universais e óbvios, quando na verdade as mudanças de valores e opiniões requerem muito esforço e o trabalho genial de muitos indivíduos.

Do mesmo modo, é também tolice tentar pintar os pensadores de outros tempos com as cores do presente, como se eles partilhassem conosco as mesmas preocupações, opiniões e modos de pensar hoje considerados corretos. Ao fazer isso, a gente corta a possibilidade de contato com o passado, preferindo uma versão falsa e mutilada dele, como se seus atores fossem importantes apenas na medida em que ajudaram a chegar até nós.

Karl Marx é, para muitos, um herói do pensamento. Para outros, um grande vilão. Seja como for, era um pensador que em muitos sentidos surpreende quem vive no século 21, inclusive aqueles que se consideram seus seguidores. Nesse espírito de revelar o pensador verdadeiro por trás da versão para consumo do século 21, vamos olhar quatro aspectos do pai do socialismo científico que hoje causariam um certo embaraço…

RACISMO E ANTISSEMITISMO

São muito poucos os autores do século 19 que escapam ao racismo. Marx não fugiu à regra. A questão da raça não ocupava papel central em seu pensamento. Ele foi, ademais, defensor ferrenho da abolição da escravidão. Mas em diversas ocasiões revelou sua crença na superioridade do europeu ocidental sobre negros e eslavos.

Isso era quase universal em sua época. O que distingue um pouco o caso de Marx é que ele, ao menos por uma curta fase, foi um crente entusiasmado do evolucionismo de Pierre Trémaux, cientista totalmente esquecido hoje em dia. Segundo Trémaux, a evolução dos diferentes tipos humanos era determinada pelo solo. Solos mais recentes davam origem a raças superiores, e solos antigos, de camadas de rocha mais velhas, a raças degeneradas.

Numa carta entusiasmada, Marx escreve a Engels maravilhado com a obra de Trémaux:

“Em suas aplicações históricas e políticas, Trémaux é muito mais importante e frutífero do que Darwin. […] Como ele indica (ele esteve na África por muito tempo) o tipo comum do negro é apenas a degeneração de um tipo muito superior.”

Outro detalhe curioso é que, em sua correspondência pessoal, Marx usava o termo “nigger” (escrito em inglês mesmo) para se referir depreciativamente a quem ele não gostava. Como no caso de Ferdinand Lassalle, rival intelectual seu no campo socialista, a quem chamava de “judeu nigger”.

Isso nos leva ao antissemitismo de Marx, outro preconceito amplamente difundido no século 19, especialmente na Alemanha. A família de Marx era originalmente judaica. Seu avô foi rabino, e seu pai, Heinrich Marx, se converteu ao cristianismo. Karl não teve nenhum grande contato com a cultura e religião judaicas.

Sendo assim, ele acabou partilhando de muito do antissemitismo de sua época, reproduzindo estereótipos comuns. Os judeus só pensavam em dinheiro, queriam enganar os outros, eram usurários, pouco confiáveis. Em A Questão Judaica, Marx elabora:

“Consideremos o judeu concreto, mundano, não o judeu do Sabbath, como Bauer faz, mas o judeu cotidiano. Não procuremos o segredo do judeu em sua religião, e sim o segredo de sua religião no judeu real. Qual é a base secular do judaísmo? A necessidade prática. O auto-interesse. Qual é a religião mundana do judeu? A pilantragem. Qual é seu deus mundano? O dinheiro.

Então muito bem! A emancipação da pilantragem e do dinheiro, e consequentemente do judaísmo prático, real, seria a auto-emancipação de nossa época.

Uma organização social que abolisse as pré-condições da pilantragem, e portanto a possibilidade da pilantragem, tornaria o judeu impossível. Sua consciência religiosa seria dissipada como uma névoa fina no ar real e vital da sociedade.”

Marx jamais defendeu nada próximo da deportação ou mesmo extermínio dos judeus, e nem de sua etnia mais detestada, os eslavos. Essa “honra” fica com seu amigo Engels. Conclui ele num artigo para o Neue Rheinische Zeitung, jornal que ele e Marx publicavam:

“Entre todas as nações e grupos étnicos da Áustria, há apenas três que têm sido portadores do progresso. […] Os alemães, os poloneses e os magiares. Por essa razão eles são, agora, revolucionários. A grande missão de todas as outras raças e povos – grandes e pequenos – é perecer no holocausto revolucionário.”

COLONIALISMO

Hoje em dia, ser socialista significa lutar contra a exploração imperialista das nações poderosas. Para Marx, a coisa era um pouco diferente.

Segundo sua teoria, o advento do socialismo dependia do desenvolvimento radical do capitalismo. Quanto maior o progresso tecnológico e a exploração do trabalho industrial, maiores as contradições econômicas que criariam as condições da revolução.

Povos e nações atrasados em nada ajudavam nesse processo. Por isso, a empreitada colonial das grandes potências de seu século era um elemento de progresso, tirando nações do atraso do modo de produção asiático e trazendo-as para o capitalismo. Nas palavras do Manifesto Comunista, a burguesia capitalista “arrasta para a civilização todas as nações, até mesmo as mais bárbaras”.

Foi por esse motivo que ele defendia a Inglaterra em sua dominação da China – e isso mesmo depois da sangrenta Guerra do Ópio –, assim como sua presença na Índia. O colonialismo, ainda que brutal, era uma força de progresso. Isso fica mais claro em seus comentários sobre a Índia no artigo “O Domínio Britânico na Índia”, escrito para o New York Daily Tribune em 1853. Marx reconhece o sofrimento causado pelos ingleses, mas os vê como importantes para destruir o modo de produção e a cultura arcaicos e obscurantistas da velha Índia.

“A Inglaterra, é verdade, ao causar uma revolução social no Hindustão, foi movida apenas pelos interesses mais vis, e foi estúpida em sua maneira de persegui-los. Mas essa não é a questão. A questão é: pode a humanidade cumprir seu destino sem uma revolução fundamental no estado social da Ásia? Se não, quaisquer que tenham sido os crimes da Inglaterra, ela foi uma ferramenta inconsciente da História em promover essa revolução.”

 

TRABALHO INFANTIL

Haverá causa mais unânime hoje em dia do que o combate ao trabalho infantil? Direita e esquerda se unem para proibir e coibir essa prática.

Marx vivia em outros tempos, tempos em que o trabalho infantil ainda era realidade comum, como sempre fora ao longo de toda a história. E muitas mentes humanitárias, olhando para o trabalho infantil nas fábricas, desejavam proibi-lo. Essa era uma das plataformas do Programa de Gotha, a carta de propostas do Partido Social-Democrata Alemão.

Marx, em sua Crítica ao Programa de Gotha, escolhe esse ponto para uma de suas críticas. O trabalho infantil, desde que regulamentado, é um propulsor do desenvolvimento produtivo, e não deve, por isso, ser proibido.

“Uma proibição geral do trabalho infantil é incompatível com a existência de indústria em larga escala e, por isso, um desejo piedoso e vazio. Sua realização – se possível – seria reacionária, já que, com uma estrita regulação do tempo de trabalho de acordo com as diferentes faixas etárias e outras medidas de segurança para a proteção das crianças, a combinação desde cedo de trabalho produtivo com educação é um dos meios mais potentes para a transformação da sociedade presente.”

CONTRA A UNIVERSIDADE PÚBLICA, GRATUITA E DE QUALIDADE

Na mesma Crítica ao Programa de Gotha, Marx revela uma outra opinião sua que não cairia bem dentro da esquerda brasileira atual: universidade gratuita. O programa pedia educação compulsória gratuita para todos. Marx questionava a relevância disso: educação básica já era compulsória na Alemanha. Será que o programa se referia à educação superior? Nesse caso, seria absurdo. Afinal, pensava ele, quem frequenta a universidade? A elite. Universidade gratuita, portanto, era um jeito do Estado – todo o povo – financiar um privilégio da elite.

“Se em alguns estados dessa nação [os EUA] as instituições de ensino superior também são ‘gratuitas’, isso significa apenas bancar o custo da educação das classes superiores da receita geral dos impostos.”

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31 comentários em “DOMENICO LOSURDO E A ARTE DE MENTIR FALANDO VERDADES.

  1. Marco Sousa
    05/15/2017

    “Como fez isto?

    Simples: avalia Tocqueville e os EUA com o olhar contemporâneo. Simplesmente ignora o momento histórico de uma sociedade em formação e em pleno processo de luta por direitos e pelo império da lei” – NOS EUA!???…

    É, no mínimo RISÍVEL!.

    São ótimas, as ilações de Domenico Losurdo sobre os EUA e seu (IMPÉRIO DE DOMINAÇÃO), em especial na América Latina, qualquer pessoa, por mais leigo que seja em história (não manipulada) pelo os meios de comunicação ordinários (todos à serviço do imperialismo yankee) sabe, conhece, entendo que todas, absolutamente, todas as ditaduras nesse continente são frutos dos EUA (filhas dos EUA), inclusive, no Brasil, a atual, com o governo ilegítimo Temer é o maior exemplo disso!.

    O que faltou ele (relatar) foi o genocídio dos povos nativos, em especial, naquele país, onde essas ações eram comandadas pele exército.

    • Questões Relevantes
      05/15/2017

      É difícil argumentar com quem carrega um tal grau de preconceitos e falta de informação como você. Alguém que faz uma leitura desatenta e desastrada.
      Sua ironia, por exemplo, sobre a frase em que falo de uma sociedade em formação e em pleno processo de luta por direitos e pelo império da lei não é contra mim, já que não se trata de uma conclusão minha, mas sim de um consenso básico entre os pensadores que estudaram Tocqueville e contribuíram para que sua obra “A Democracia na América” se tornasse um clássico tão importante.
      A cereja do bolo me parece ser a teoria da conspiração segundo a qual o impeachment de Dilma foi um “golpe” engendrado pelos EUA.
      Sei que provavelmente seja inútil indicar-lhe algumas breves leituras, mas vou fazê-lo assim mesmo.
      MARIO SERGIO CORTELLA E SEU ANTI-IMPERIALISMO TUPINIQUIM.
      http://wp.me/p4alqY-D0

      O IMPEACHMENT DE DILMA E A VERGONHA ALHEIA.
      http://wp.me/p4alqY-kJ

      PROFESSORES DA FFLCH-USP E O MANIFESTO CARA DE PAU.
      http://wp.me/p4alqY-ht

  2. Marcos Silva
    08/03/2016

    É cômico vê o esforço do Paulo Falcão em justificar os milhões de mortos pelas potências capitalistas (sejam índios, negros, cidadãos civis ou militares, estrangeiros ou não) e, no mesmo compasso, não considerar os aspectos que levaram às mortes de milhões de pessoas em países como URSS e China. Afinal, Paulo, quais são as justificativas e os números de de mortes aceitáveis para a implantação de qualquer regime ?

    • Questões Relevantes
      08/03/2016

      Marcos, esta pergunta que você tenta utilizar como argumento eu a fiz para o Lúcio na área de comentários abaixo. Está tudo bem explicado lá.

      De qualquer maneira, a impressão que fica de seu comentário é que você começou a ler, parou e já foi comentar. Ou seja, não leu direito, ou, se leu, não compreendeu.

      • Marcos Silva
        08/04/2016

        Kkkkkkkkkkk. Paulo, as suas desculpas estão ficando patéticas, uma vez que sempre “foge do óbvio e mente dizendo verdades”.
        Você não respondeu ou explicou nada. Ao contrário, para tentar justificar suas “teses”, simplesmente, faz insinuações que não levam a qualquer conclusão, mas levantam dúvidas quanto à sua honestidade intelectual. É por isso que em vez de explicar o meu questionamento, você tenta me desqualificar como debatedor.
        Sempre mais do mesmo Paulo Falcão.

      • Questões Relevantes
        08/04/2016

        Marcos, se além das críticas rasas você procurasse ler tudo de maneira isenta, teria reparado que nem eu nem ninguém nega as barbaridades cometidas por países capitalistas e mais precisamente pelas democracias liberais. Reconhecemos a história como processo.

        O que faço, e outras pessoas intelectualmente honestas também, é lembrar que estas barbaridades não são uma criação das democracias liberais, são, de certa forma, uma herança cultural.

        Como nos lembra Joel Pinheiro, para o próprio Marx povos e nações atrasados precisavam ser colonizadas, a empreitada colonial das grandes potências de seu século era um elemento de progresso. Nas palavras do Manifesto Comunista, a burguesia capitalista “arrasta para a civilização todas as nações, até mesmo as mais bárbaras”.

        Foi por esse motivo que Marx defendia a Inglaterra em sua dominação da China – e isso mesmo depois da sangrenta Guerra do Ópio –, assim como sua presença na Índia. O colonialismo, ainda que brutal, era uma força de progresso: “A Inglaterra, é verdade, ao causar uma revolução social no Hindustão, foi movida apenas pelos interesses mais vis, e foi estúpida em sua maneira de persegui-los. Mas essa não é a questão. A questão é: pode a humanidade cumprir seu destino sem uma revolução fundamental no estado social da Ásia? Se não, quaisquer que tenham sido os crimes da Inglaterra, ela foi uma ferramenta inconsciente da História em promover essa revolução.”

        E lembre-se: Tocqueville escreveu suas impressões sobre a democracia na América quando Marx era ainda um adolescente.

        Quanto à sua pergunta “quais são as justificativas e os números de mortes aceitáveis para a implantação de qualquer regime ?”, lembro que as democracias liberais são uma construção da civilização e não um modelo ideal a ser implantado. Esta é uma diferenciação fundamental da qual trato no artigo FUJA DE UM MUNDO MELHOR (http://wp.me/p4alqY-mF ). De qualquer maneira, reproduzo o que havia sugerido que lesse na própria área de comentários:

        “vamos tomar como ponto de partida “O Livro Negro do Comunismo: Crimes, Terror, Repressão”, apresentado da seguinte maneira na Wikipedia: “é uma obra anticomunista coletiva de professores e pesquisadores universitários europeus. O livro foi editado por Stéphane Courtois, diretor de pesquisas do Centre national de la recherche scientifique (CNRS), e seu lançamento ocorreu por ocasião dos 80 anos da Revolução Russa, motivando a elaboração de uma obra antagônica denominada “O livro negro do capitalismo”.

        O Livro Negro do Comunismo faz um inventário da repressão política por parte regimes ditos marxistas-leninistas — incluindo as execuções extrajudiciais, as deportações e as crises de fome. Foi publicado originalmente em 1997, na França, sob o título Le livre noir du communisme: Crimes, terreur, répression.[1]
        A introdução, a cargo do editor Stéphane Courtois, declara que “…os regimes comunistas tornaram o crime em massa uma forma de governo”. Usando estimativas não oficiais, apresenta um total de mortes que chega aos 94 milhões.

        A estatística do número de mortes dado por Courtois é a seguinte:
        20 milhões na União Soviética
        65 milhões na República Popular da China
        1 milhão no Vietname
        2 milhões na Coreia do norte
        2 milhões no Camboja
        1 milhão nos Estados Comunistas do Leste Europeu
        150 mil na América Latina
        1,7 milhões na África
        1,5 milhões no Afeganistão
        10 000 mortes “resultantes das acções do movimento internacional comunista e de partidos comunistas fora do poder” (página 4).

        RETOMO
        Agora vamos dar um desconto nestes números. Vamos dar um grande desconto. Digamos, 90% de desconto, reduzindo a estimativa de 94 milhões para 9,4 milhões.

        OK. 9,4 milhões. Trata-se de um número aceitável? Do ponto de vista ético, matar por motivos políticos 9,4 milhões de cidadãos comuns da própria população é defensável? Existe um número defensável?

        Para mim, não. Para quem defende os valores republicanos consolidados nas democracias liberais contemporâneas, não. Concordar com um regime que precisa deste tipo de terror para sobreviver é endossar o genocídio.

        Já o socialismo/comunismo real exige uma considerável ingenuidade ou flexibilidade ética para ser defendido.

    • Marco Sousa
      05/15/2017

      Perfeito!

  3. Victor Chamun
    07/22/2016

    Russell Kirk um alerta contra os utópicos: “o conservador pensa políticas públicas para preservar a ordem, a justiça e a liberdade. O ideólogo, ao contrário, pensa na política como um instrumento revolucionário para transformar a sociedade e até a natureza humana. Na marcha em direção à utopia, o ideólogo é implacável.” O conservador não é “quem conserva”, é quem entende o que deve ou não ser conservado baseado na experiência, mudando o que pode ou deve ser mudado.

    João Pereira Coutinho, num trecho de 8 minutos de uma palestra, faz um brilhante resumo sobre o perigo dos governos utópicos:

    • Questões Relevantes
      07/22/2016

      Obrigado. Excelente como de costume.

  4. Lúcio Júnior Espírito Santo
    07/20/2016

    Você escolhe inimigo grande, hein Paulo Falcão…

    • Questões Relevantes
      07/20/2016

      Grande, mas fraquinho.

      • Lúcio Júnior Espírito Santo
        07/20/2016

        Você se prende a abstrações…Lituânia, p. ex, nem tinha tido reforma agrária, era governada por nobreza feudal alemã, a classe média era russa, o proletariado e os camponeses, letãos. Só depois de república soviética o povo de lá teve vez, teve reforma agrária, etc.

        Precisou o tempo todo de recorrer ao espantalho dos bilhões de mortos do socialismo para defender as democracias tão bonitas…a democracia existe no Iraque e no Afeganistão também sabia…demora muito frutificar lá?

      • Questões Relevantes
        07/20/2016

        Lúcio, democracia não se impõe, se constrói através da cultura. Iraque e Afeganistão estão há uns 50 ou 100 anos de poderem sonhar com uma democracia razoável.

      • Lúcio Júnior Espírito Santo
        07/20/2016

        Estou vendo aqui, sem recorrer ao argumento de que outro lado tb faz, é praticamente evidente tudo aquilo que o Losurdo denuncia. Para índios e negros a democracia americana é um desastre.

      • Questões Relevantes
        07/20/2016

        Lúcio, sobre negros e índios, vamos tratar as questões separadamente, já que os negros chegaram como escravos e os índios são nativos.

        Comecemos pelos índios. Hoje há diversas políticas compensatórias para os remanescentes. É suficiente? Provavelmente não, mas existem.

        Quanto ao passado, o que ocorreu nos EUA não foi muito diferente do que aconteceu ao longo de toda a história humana. Sempre que uma cultura mais avançada em termos militares conquistava territórios, ocorriam mortes em grande quantidade, escravidão e, por fim, aculturamento. Como digo no artigo, estes casos não podem ser observados isoladamente. Ao não estabelecer paralelos e relações com outros fatos semelhantes que lhes são contemporâneos e mesmo com os que o precederam, você cai na mesma vala comum do Losurdo.

        A questão do negro também merece considerações. A escravidão era uma realidade bastante concreta e frequente na África muito antes de se tornar um comércio ultra marítimo. E não era menos cruel lá do que nos EUA ou no Brasil. É uma tragédia humana, sem dúvida, mas este é o ponto: não é uma característica americana, não é uma característica capitalista, não é uma característica do liberalismo. É uma característica da crueldade do homem como lobo do homem.

        A história do negro nos EUA é sim uma história de crueldades, de arbitrariedade, de ignorância, de desculpas esfarrapadas etc. Mas onde não foi assim? Em Ruanda? No Sudão? Na Somália? No conflito entre etnias negras na África do Sul? Em Uganda? No Brasil?

        Além disso, não é possível ignorar o fato de que hoje há um presidente negro na Casa Branca, que foi inclusive reeleito. Antes deles vários foram secretários de estado (ministros), senadores, cientistas, advogados, músicos, médicos, professores etc. Depois deles, muitos outros o serão.

        Os EUA são um país de contrastes, com grandes universidades, grande produção científica, grande produção de cultura e também com grande ignorância do cidadão médio de todas as cores. As oportunidades para o negro pobre, hoje, não são muito diferentes das oportunidades para o branco pobre, mas o negro desenvolveu uma cultura de guetos e confronto que reduz o número de indivíduos que consegue aproveitar estas oportunidades.

        Quanto aos mortos do socialismo, são um fato. Além disso, foram mortos não em guerras, mas por perseguição política. São o que chamo de “mortos educativos”.

        Não é preciso usar este dado para desqualificar Losurdo, mas ele torna mais evidente a falta de honestidade do historiador.

      • Rafael Freitas
        07/20/2016

        Pra mim isso soa bastante desonesto intelectualmente:
        “As oportunidades para o negro pobre, hoje, não são muito diferentes das oportunidades para o branco pobre”.

      • Questões Relevantes
        07/20/2016

        As oportunidades são semelhantes, sim. As fornecidas pelo estado. E o são há décadas.

        Houve inicialmente um forte movimento compensatório de cotas para negros no serviço público e empresas privadas desde o final dos anos 70 que contribuiu para a criação de uma significativa classe média negra.

        Esta política já não vigora por não ser mais necessária.

        Me parece que a explicação atual para a situação do negro americano (e em parte dos hispânicos também) é o culto à marginalidade que se espalhou através, principalmente, da música.

        Enquanto os brancos pobres americanos possuem forte identidade com o país, usam bandeiras nas casas e têm uma sensação de pertencimento com relação ao país, os negros caminham na direção oposta, principalmente os movimentos negros com suas bandeiras de confronto, de exclusão, o os movimentos “gangsta” com sua cultura da bandidagem, do fique rico ou morra tentando.

        A forma como cada grupo se organiza e se relaciona com as oportunidades é diferente, mas as oportunidades são as mesmas.

      • Lúcio Júnior Espírito Santo
        07/21/2016

        Quando se pesquisa o período Stálin, há uma pressuposição: quem investiga isso, possivelmente já tem agenda pronta e quer apenas reforçar seus preconceitos. É mais ou menos essa a posição do artigo do Cícero Araújo que você indicou.

        Após a abertura dos arquivos da União Soviética e do Leste Europeu, a historiografia sobre a experiência do chamado “socialismo real” tem passado por um período de revisionismo. As pesquisas publicadas nos últimos anos vêm nuançando fatos e visões sobre aspectos os mais diversos daquela experiência, quando não os modificando substantivamente. Estado, sociedade e mesmo personalidades são reexaminados à luz desses trabalhos. PAULO, ISSO AQUI É FALÁCIA PURA. A tendência de repensar a Guerra Fria é minoritária, os arquivos têm sido totalmente ignorados. Em noventa e nove por cento dos casos, como nesse artigo do Cícero, vomitam-se clichês., mais nada.

      • Questões Relevantes
        07/21/2016

        Não tenho dúvidas de que números podem ser revistos. Mas quando gente do calibre de um Losurdo o faz, desconfio. Quero os dados, as fontes e, de preferência, quero gente que não edite a verdade.

      • Lúcio Júnior Espírito Santo
        07/21/2016

        O presidente Truman, por exemplo, afirmou que Stálin não tinha poder: era um prisioneiro do politburo. Ou seja: não adiantava tratar as coisas com ele, ele tinha menos poder que o presidente americano.

        Furr apontou esse problema em Losurdo, a falta de consulta a documentos e fontes primárias. Curiosas as voltas em torno de si mesmo que Cícero dá. Ele lê que a revolução russa foi um pontapé inicial que fez desmoronar o colonialismo europeu, mas logo fala que a “memória coletiva” (leia-se a senhora gorda comendo pipocas, bem entendido) faz avaliação de que o stalinismo é pior do que o nazismo e no máximo as iguala. Ele acaba de entender que o período Stálin tem aspectos positivos, mas dá uma volta em torno de si mesmo e aponta que tem que fazer uma “avaliaçao profundamente negativa”. Ora, ora. Isso se chama preconceito.

      • Rafael Freitas
        07/21/2016

        O artigo reproduz um anti comunismo do mais básico e corriqueiro, já escreveste melhor Paulão.

      • Questões Relevantes
        07/21/2016

        Lúcio, vamos tomar como ponto de partida “O Livro Negro do Comunismo: Crimes, Terror, Repressão”, apresentado da seguinte maneira na Wikipedia: “é uma obra anticomunista coletiva de professores e pesquisadores universitários europeus. O livro foi editado por Stéphane Courtois, diretor de pesquisas do Centre national de la recherche scientifique (CNRS), e seu lançamento ocorreu por ocasião dos 80 anos da Revolução Russa, motivando a elaboração de uma obra antagônica denominada “O livro negro do capitalismo”.

        O Livro Negro do Comunismo faz um inventário da repressão política por parte regimes ditos marxistas-leninistas — incluindo as execuções extrajudiciais, as deportações e as crises de fome. Foi publicado originalmente em 1997, na França, sob o título Le livre noir du communisme: Crimes, terreur, répression.[1]

        A introdução, a cargo do editor Stéphane Courtois, declara que “…os regimes comunistas tornaram o crime em massa uma forma de governo”. Usando estimativas não oficiais, apresenta um total de mortes que chega aos 94 milhões. A estatística do número de mortes dado por Courtois é a seguinte:

        20 milhões na União Soviética
        65 milhões na República Popular da China
        1 milhão no Vietname
        2 milhões na Coreia do norte
        2 milhões no Camboja
        1 milhão nos Estados Comunistas do Leste Europeu
        150 mil na América Latina
        1,7 milhões na África
        1,5 milhões no Afeganistão
        10 000 mortes “resultantes das acções do movimento internacional comunista e de partidos comunistas fora do poder” (página 4).

        RETOMO

        Agora vamos dar um desconto nestes números. Vamos dar um grande desconto. Digamos, 90% de desconto, reduzindo a estimativa de 94 milhões para 9,4 milhões.

        OK. 9,4 milhões. Trata-se de um número aceitável? Do ponto de vista ético, matar por motivos políticos 9,4 milhões de cidadãos comuns da própria população é defensável? Existe um número defensável?

        Para mim, não. Para quem defende os valores republicanos consolidados nas democracias liberais contemporâneas, não. Concordar com um regime que precisa deste tipo de terror para sobreviver é endossar o genocídio.

        Apesar do Rafael Freitas acusar o artigo de um “anticomunismo do mais básico”, lembro que o socialismo/comunismo teórico é um erro conceitual que tem lá o seu charme.

        Já o socialismo/comunismo real exige uma considerável ingenuidade ou flexibilidade ética para ser defendido.

      • Lúcio Júnior Espírito Santo
        07/21/2016

        Interessante que um fascista como Plínio Salgado desconhece, em seu tempo, esses milhões de mortos e recorre ao argumento de que o comunismo, como o capitalismo, é um materialismo bruto, sem alma, faltando-lhe o lado espiritual, bem ao estilo hoje de Gerson Soares de Melo.

      • Questões Relevantes
        07/21/2016

        Como costumo dizer, a ignorância não é uma bênção e nem desculpa. Mas repito a pergunta: do ponto de vista ético, do ponto de vista conceitual, qual o número aceitável de mortos por motivos políticos?

      • Lúcio Júnior Espírito Santo
        07/21/2016

        O primeiro historiador a gerar esse argumento dos milhões de mortos foi Hitler em 1923. Curioso como Plínio Salgado não notou a serventia; vc simplesmente está falando de algo que não existe. Houve uma grande fome na Ucrânia, devido a causas naturais, segundo Mark Tauger, de West Virginia, mas a coletivização do período Stálin resolveu o problema. O correto seria dizer que o socialismo SALVOU milhões de vidas, nos salvando do nazismo rs.

        Tava lendo o artigo do Cícero: ele atrela firmemente o período Stálin ao nazismo, na cabeça dele, não há como desvincular. Pena que no tempo do Stálin mesmo, essa comparação aparece e´em Trotsky, mas é incomum, não ocorre a muitas cabeças geniais, não. Inclusive Thomas Mann a repudia com vigor.

        “Aqueles que, com o delinear-se da crise da Grande Aliança, tinham começado a comparar a União Soviética de Stalin e a Alemanha de Hitler, foram duramente rebatidos por Thomas Mann. O que caracterizara o III Reich fora a ‘megalomania racial’ da pretensa ‘raça de senhores’, que pusera em ação uma ‘política diabólica de despovoamento’, e antes ainda de extirpação da cultura, nos territórios sempre de novo conquistados. Hitler se ativera à máxima de Nietzsche: ‘Se quiser escravos, é tolice educá-los como senhores’. Diretamente oposta era a orientação do ‘socialismo russo’, que, difundindo maciçamente instrução e cultura, demonstrara não querer ‘escravos’, mas ‘homens pensantes’ e, portanto, a serem postos no ‘caminho da liberdade’. Então se tornava inaceitável a comparação entre os dois regimes. Melhor dizendo, aqueles que argumentavam assim podiam ser suspeitos de cumplicidade com o fascismo, o qual declaravam querer condenar.”

      • Questões Relevantes
        07/21/2016

        Lúcio, esta coisa de nagar o Holodomor na Ucrânia é semelhante ao Ahmadinejad negando o Holocausto dos Judeus na Alemanha nazista. Pura fantasia que desqualifica quem as leva a sério. Há documentários sobre o Holodomor, com entrevistas de sobreviventes. Você mesmo já reconheceu em outros debates que os pequenos produtores da Ucrânia tiveram a produção confiscada e muitos morreram de fome. Além deles, boa parte da população da Ucrânia também morreu, pois os alimentos foram enviados para Moscou e repartidos para regiões mais estratégicas. É até possível discutir o número de mortos, mas não o fato em si. Logo, repito a pergunta: do ponto de vista ético, do ponto de vista conceitual, qual o número aceitável de mortos por motivos políticos?

      • Lúcio Júnior Espírito Santo
        07/21/2016

        O Holodomor é uma invenção de nazistas ucranianos.

        O confisco ocorreu, realmente, mas quem explica isso é Mark Tauger, mas o acontecimento, em si, deveu-se a uma quebra de colheita e uma fome periódica na região, algo RESOLVIDO POR STALIN. Parece que, para vc, as democracias imperialistas podem matar à vontade, pois vc não se importa ou retém: dois milhões de mortos na Indonésia, milhões de mortos e mutilados no Congo Belga…nada disso vc computa. Vale tudo, se o outro lado tb faz.

        Só de índios, uns 200 milhões, de negros deve estar por volta disso em 3 séculos de escravidão e com o processo de colonização da África, que matou muitos de fome acabando com as culturas locais. Mas nada disso importa para você.

      • Rafael Freitas
        07/21/2016

        Sinceramente sei pouco sobre Holodomor, no entanto quantas mortes em nome da civilização capitalista ou do mundo livre ocorreram na história do mundo? O capitalismo fere intensamente a ética. Na mais valia não cabe qualquer ética, somente resultados. Quiçá essa lorota anticomunista seja verdadeira, na matemática o socialismo russo é bem bondoso e angelical.

      • Questões Relevantes
        07/21/2016

        Embora possamos criticar com veemência as mortes na Indonésia, no Congo belga, no Iraque, no Afeganistão etc, é importante não perder de vista que foram mortos em situações de guerra contra estrangeiros. Nada comparável aos mortos de Lênin, Stalin, Pol-Pot ou Mao. Comparar mortos educativos entre a própria população com mortos estrangeiros em situação de guerra é sinal de desespero argumentativo.

        O artigo abaixo, de 2009, é interessante na medida que deixa entrever de forma clara que, ao perceber que estava a caminho do fim, a URSS tentou apagar os fatos mais vergonhosos de seu passado:
        Ucrânia revela segredos dos arquivos da União Soviética
        http://goo.gl/gIMgd2

        Este outro acaba com as fantasias negacionistas sobre o Holodomor: The Holocaust in Ukraine by the Soviet Union 1932-1933:

      • Lúcio Júnior Espírito Santo
        07/24/2016

        Curiosamente, Stálin mesmo jamais produz textos adjetivosos como os seus sobre Trotsky. Ele não o pinta de preto e sai simplesmente atribuindo-lhe os piores horrores, como vc faz com a esquerda, atribuindo a ela islamofascismo, nazismo, vingança, etc.

        “Estou longe de negar o papel sem dúvida importante de Trotski na insurreição. Mas devo dizer que Trotski não teve nem podia ter nenhum papel particular na insurreição de Outubro e que, como presidente do Soviete de Petrogrado, não fez senão seguir a vontade das instâncias competentes do Partido, que guiavam todos os seus passos. Aos filisteus do tipo de Sukhanov tudo isso pode parecer estranho, porém os fatos, os fatos reais, confirmam por completo esta minha afirmação”.

        Do artigo Trotskismo ou Leninismo?

        Por Stálin em 19 de novembro de 1924

        http://migre.me/uqPcp

      • Questões Relevantes
        07/24/2016

        Gostei da indicação. Reconheci uma certa inspiração irônica neste trecho: “Em geral, devo dizer que em período de insurreição vitoriosa, quando o inimigo está isolado e a insurreição em pleno desenvolvimento, não é difícil combater bem. Em semelhantes momentos até aqueles que andam sempre a reboque se tornam heróis”.

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