inocentes mortos

Certas questões são difíceis. A dos refugiados islâmicos é uma delas. Pessoas que se preocupam em controlar melhor suas fronteiras são chamadas de xenofóbicas, islamofóbicas, antimulticulturalismo, eurocêntricas e outros adjetivos menos publicáveis.

Os “progressistas” que espalham pelo mundo suas ideias redentoras defendem que não haja fronteiras, que se acolha a todos.

Ai vem o terror, com toda sua estupidez.

Sim, este terror é filho legítimo do bom coração insensato que abriu as portas para o choque de civilizações, ou para sermos mais precisos, o choque entre a civilização e a barbárie.

Sempre que coisas assim acontecem, alguém justifica o ocorrido com a frase síntese de Zizek, aquela que empresta valor afirmativo ao terror: “são exigências de reconhecimento de sujeitos não-substanciais que tendem a se manifestar como pura potência disruptiva e negativa”.

Parece algo sofisticado, mas é apenas um jeito metido a besta de dizer que a culpa não é do terrorista mas de nós, do ocidente opressor, que lhes negamos humanidade e substância. Ou seja, pura picaretagem refinada.

Como disse meu amigo Victor Chamun, a solução dos “progressistas” nestas horas é colorir o avatar no Facebook com as cores da bandeira da França ou fazer passeata vestidos de branco.

Para maior impacto e eficiência, meu amigo sugere também que estejam cantando Imagine do John Lennon. O ideal é fazer isto com as mãos para cima, segurando uma vela ou isqueiro, balançando levemente o corpo, formando uma onda corpórea de utopia que atingirá o coração da barbárie…

Quem sabe os terroristas se sensibilizem. Ou, quem sabe, aproveitem a multidão e façam um novo atentado.

O que é mais provável?

Você, progressista ou não, responda: é razoável que, em nome da tolerância, uma sociedade abrigue quem a odeia, quem a quer destruir?

É aceitável contar mortos aleatórios, vitimas de um terror anunciado?

É possível uma cidade, um país, viver em estado de alerta, monitorando ameaças terroristas daqueles a quem deu abrigo?

Como disse no início, trata-se de uma questão difícil.

Não receber os refugiados muitas vezes é condená-los à morte.

Recebê-los é colocar em risco o verniz civilizatório tão duramente construído, como já ficou claro na Inglaterra, na Espanha, na Alemanha, na França.

No limite, a continuar como está, o choque de civilizações equalizará a todos pela barbárie.

Só idiotas podem defender esta forma de igualdade.

 

Artigo de Paulo Falcão

imagine-paris

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