Robson Braga de Andrade

Já defendi em diversos artigos que a partir de 2008 os governos Lula e Dilma foram desastrosos. Não mudo uma vírgula. Mas reconheço igualmente que as lideranças visíveis da direita brasileira são estúpidas.

Há, neste momento, uma luta política para que o afastamento de Dilma seja permanente.

Há outra luta política para que haja uma alternativa razoável à Lula em 2018.

Pois bem. Frente a esta realidade, o lógico seria as lideranças que falam em nome do empresariado se prepararem para o debate e para propor alternativas inteligentes de como o Brasil pode superar tanto a crise econômica quanto a política. Seria. O que temos visto é de tal maneira desarticulado e despreparado que mais parecem sabotadores infiltrados, ou aliados objetivos tanto de Dilma quanto de Lula.

Que outra conclusão se pode tirar, por exemplo, deste evento que reuniu o presidente interino Michel Temer e aproximadamente 100 empresários do Comitê de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI)? A única ideia ventilada após o encontro veio a público na voz do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade e não poderia ser mais imprópria: defender que o Brasil autorize a mudança da jornada de trabalho de 44 para até 80 horas semanais.

Trata-se de uma demonstração pública de despreparo e falta tanto de inteligência como de estratégia.

O despreparo está em confundir 60 (que já seria um erro) com 80 horas semanais.

A falta de inteligência está em defender esta tese quando há diversas outras alternativas para recuperar competitividade que não penalizam o trabalhador. Nos ingredientes que impactam o chamado “Custo Brasil” o número de horas trabalhadas tem peso mínimo. O Brasil não é a França.

A falta de estratégia está no momento em que apresenta a tese desastrada, já que mesmo que sua ideia fracasse (o que acredito, aconteça), terá sido útil para Dilma, Lula e toda a esquerda.

Na verdade, cada vez fica mais claro: o problema do Brasil não é nem a esquerda nem a direita. É a opção preferencial pela estupidez.

 

P.S. em 10/07/2016 – Conforme Victor Chamun me alertou, não foi proposto um aumento da jornada. Ele apenas teria feito um contraponto frente à demanda das centrais sindicais brasileiras de redução da jornada de 44 para 40 horas semanais citando o exemplo de um governo socialista para mostrar que deve haver flexibilização nas leis trabalhistas.

De qualquer maneira, penso que certos assuntos exigem preparo e estratégia para serem abordados, uma vez que todos sabemos o quanto tudo que os liberais dizem pede e será usado contra eles (nós) pela esquerda, mesmo que falsificando os fatos. O erro na citação, de 60 para 80 horas abriu as portas para concluir-se que estavam discutindo o assunto. Tentei encontrar a entrevista em vídeo, mas não consegui, o que já aponta realmente para a manipulação. De qualquer maneira, recomendo a leitura desta matéria do BuzzFeed.

 

Artigo de Paulo Falcão.

 

 

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