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ESQUERDA X ESQUERDA, OU: NÃO DÁ PARA CHAMAR SEMÁFORO DE LIQUIDIFICADOR.

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Há um vídeo famoso de Deleuze em que ele arrisca uma definição do que é “ser de esquerda” e que já analisei em um artigo chamado DELEUZE, A ESQUERDA E O CEGO NO LABIRINTO CIRCULAR. Fui bastante irônico na ocasião. Resolvi voltar ao tema com um ponto de vista diferente: assumindo, ao menos inicialmente, como verdadeira sua tese.

O vídeo está aqui.

Nele, a síntese é que não existe governo de esquerda porque a esquerda não tem nada a ver com governo, com exercer o poder; e que ser de esquerda é pensar no coletivo antes que no indivíduo (teoria do código postal).

Se aceitamos que isto está correto, que realmente define a esquerda, precisamos concordar que toda forma de governo que se diz de esquerda já não o é. Ou seja: a esquerda só é esquerda enquanto pulsão, enquanto potência, enquanto desejo. No caso específico de Deleuze e sua obra, a esquerda só é esquerda quando inserida na democracia liberal e capitalista. É um processo de simbiose. Virou poder já não é esquerda.

Logo, a ditadura do proletariado prevista por Marx não é de esquerda.

O fim da propriedade privada dos meios de produção por meio de uma revolução não é de esquerda.

Os governos de Cuba, da China e da Coreia do Norte não são de esquerda.

Os governos da URSS, Alemanha Oriental, Camboja, Vietnã, Polônia e Albânia não foram de esquerda.

E são o que, então? Como defini-los?

Se aceitamos a proposta de Deleuze para “ser de esquerda”, do que vamos chamar estas outras alternativas?

Podemos colocar em um mesmo balaio Deleuze, Guattari, Badiou e Zizek, por exemplo?

 

AS PALAVRAS E AS COISAS

 

Em debates com acadêmicos que se declaram de esquerda, frequentemente me deparo com conflitos lógicos deste tipo. Escolhi a entrevista de Deleuze como ponto de partida porque ela explicita de forma muito clara a contradição.

Se tomarmos como base a esquerda original, a da Revolução Francesa,  ser de esquerda era defender valores burgueses, como nos lembra Mariana Nóbrega: “Foram os filósofos iluministas, representantes da burguesia, que consolidaram a concepção de direitos civis e políticos universais, o que permitiu o despertar da ideia de direitos humanos e o surgimento de movimentos como o feminista e o abolicionista (contra a escravidão). 

Os direitos civis têm como pedra de toque a liberdade individual. Nessa categoria estão os direitos à vida, à liberdade, à propriedade e à igualdade perante a lei, prerrogativas que se desdobram na garantia de livre circulação, manifestação e organização, na inviolabilidade do lar e da correspondência, na garantia de um processo legal justo e no respeito às leis impostas pelo Estado por meio de uma Constituição. Os direitos políticos dizem respeito à participação dos cidadãos e cidadãs nas decisões relativas aos destinos da sociedade a qual compõem. O seu exercício corresponde à possibilidade de votar e ser votado, formar grupos políticos e organizar partidos. É possível existir direitos civis sem direitos políticos, no entanto, a plena realização dos direitos políticos só acontece com a realização dos de natureza civil”.

Por outro lado, se tomarmos como base as definições que se tornaram estatisticamente hegemônicas a partir do final do século XIX, ser de esquerda é ter como objetivo a superação da democracia liberal, bem como a expansão do controle estatal na economia até a extinção da propriedade privada dos meios de produção.

Observe que são definições mutuamente excludentes. Chamar as duas de “esquerda” é investir na confusão. Não podemos chamar semáforo de liquidificador e achar que faz sentido. Não faz.

Assim, ouso dizer que a definição de Deleuze para “ser de esquerda” está errada e que ele próprio era de direita.

Para ser bem claro: conceitualmente falando, quem tem a democracia representativa como valor fundamental ocupa uma estreita faixa do espectro político que vai do centro (social democracia) ao liberal conservador. Embora estreita, acomoda desde o libertário até o tradicionalista.

E quem são aqueles que não têm a democracia representativa como valor fundamental?

Quando à direita, são fascistas, nazistas, fundamentalistas, déspota e ditadores (populistas ou não).

Quando à esquerda, se auto intitulam revolucionários, socialistas, comunistas e até anarquistas. O curioso com aqueles que ocupam esta faixa do espectro ideológico é que conseguem ver mais democracia na “ditadura do proletariado” do que na nossa imperfeita e assimétrica democracia representativa.

Não faz sentido. Nenhum. Mas há dezenas de teses que insistem em chamar a “ditadura do proletariado” de democrática, mesmo que onde tenha ocorrido as pessoas tenham perdido até mesmo o direito de ir e vir.

Vão além em suas análises. Insistem que a democracia representativa, responsável pelo mais alto grau de liberdade que as sociedades humanas já experimentaram, é na verdade opressora.

Pense nisso. Como disse acima, não dá para chamar “semáforo” de “liquidificador”. Quer dizer, até dá, mas causa muito mais confusão do que esclarecimentos.

Quando as palavras e as coisas se alinham, o debate de ideias e a clareza só têm a ganhar.

É obvio. Só não acontece porque a esquerda prefere a imprecisão semântica. Chamar as coisas pelo nome que têm seria fatal para ela. Acabaria com todo o charme.

 

Artigo de Paulo Falcão.

 

 

 

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39 comentários em “ESQUERDA X ESQUERDA, OU: NÃO DÁ PARA CHAMAR SEMÁFORO DE LIQUIDIFICADOR.

  1. Rod Rodrigues
    04/22/2017

    O conceito do Deleuze é realmente genérico e coloca em saia justa aqueles que se pretendem esquerda disputando o poder estabelecido. Sair dessa generalidade é tarefa das organizações políticas ou indivíduos que vão lapidar o conceito conforme suas convicções ideológicas, e dentro da esquerda tem como é sabido uma grande gama ideológica. É de se esperar que marxistas, anarquistas, trotskistas, etc. usem de ferramental teórico diferente para lapidar esse conceito.

    • Questões Relevantes
      04/22/2017

      Então você concorda com o artigo: Deleuze está errado.

      • Rod Rodrigues
        04/22/2017

        Não está errado, está inacabado. Parto da mesma premissa dele, ou se é esquerda, ou se é governo, os dois juntos não dá.

      • Questões Relevantes
        04/22/2017

        Então precisa concordar com as oposições lógicas que fiz. Não dá para chamar uma coisa e seu avesso pelo mesmo nome.

      • Rod Rodrigues
        04/22/2017

        Esta é a minha concepção, mas seria arrogância tomar ela como uma verdade absoluta.

        Tem quem acredite que dá pra ser governo e esquerda ao mesmo tempo, é um direito até, mas o PT taí pra provar que isso não acaba bem. Mas se alguém quiser fazer uma nova tentativa, que fique à vontade, não sou eu que vou censurar.

      • Questões Relevantes
        04/22/2017

        Nem eu. Apenas chamo a atenção para que a definição de Deleuze é uma dessas coisas que parecem inteligentes, mas se provam uma bobagem.

      • Rod Rodrigues
        04/22/2017

        Vejo que tu confunde um debate estratégico com outro que é ideológico.
        Uma coisa é definir quais anseios definem o que é ser de esquerda, outra é o debate estratégico de como tornar esses anseios realidade. Uns acreditam na ditadura do proletariado, outros não.

        Perceba que Deleuze fala de um ponto de vista estratégico, e que as experiências desastrosas da tal “ditadura do proletariado” resultaram em modelos semi-acabados, totalitaristas ou totalmente desviados de seu objetivo (já usei o PT de exemplo,né?). O fim da propriedade privada dos meios de produção, as liberdades civis e os direitos universais do seres humanos, já são elementos que definem a esquerda do ponto de vista ideológico.

        Já que gosta de dar o devido nome às coisas, deveria saber separar o que é estratégia e o que é ideologia. Uma está condicionada à outra, mas não são a mesma coisa, logo teu artigo inteiro é uma bobagem.

      • Questões Relevantes
        04/22/2017

        Você nada com muita desenvoltura pelo mar da imprecisão semântica.

      • Rod Rodrigues
        04/22/2017

        É só isso que te restou? Ad hominem? Qual vai ser a próxima, me chamar de chato, feio e bobo?

      • Questões Relevantes
        04/22/2017

        Diante das afirmações acima, em que você faz tudo que meu artigo afirma ser a prática cotidiana da esquerda, comento que nada com muita desenvoltura pelo mar da imprecisão semântica.
        Isto nada tem de argumento ad hominem, trata-se da mais pura análise semiótica de seu discurso. Sua argumentação sobre o que é ser de esquerda e seus valores me lembraram uma conhecida experiência metafísica ligada à mecânica quântica, chamada O Gato de Schrödinger, mas, ao contrário daquela, sua argumentação não reproduz a dúvida ou a ambivalência contida no experimento de Schrödinger, pois todas as vezes em que se abriu a caixa das experiências socialistas, o gato estava morto. E, infelizmente, a esquerda não aprendeu nada com a repetição dos desastres.

      • Victor Chamun
        04/23/2017

        Uma análise que discorda pontualmente de seu artigo, mas o corrobora:

        “A verdadeira direita”
        O Globo, 5 de novembro de 2000.
        “Se nas coisas que escrevo há algo que irrita os comunas até à demência, é o contraste entre o vigor das críticas que faço à sua ideologia e a brandura das propostas que lhe oponho: as da boa e velha democracia liberal. Eles se sentiriam reconfortados se em vez disso eu advogasse um autoritarismo de direita, a monarquia absoluta ou, melhor ainda, um totalitarismo nazifascista. Isso confirmaria a mentira sobre a qual construíram suas vidas: a mentira de que o contrário do socialismo é ditadura, é tirania, é nazifascismo.
        Um socialista não apenas vive dessa mentira: vive de forçar os outros a desempenhar os papéis que a confirmam no teatrinho mental que, na cabeça dele, faz as vezes de realidade. Quando encontra um oponente, ele quer porque quer que seja um nazista. Se o cidadão responde: “Não, obrigado, prefiro a democracia liberal”, ele entra em surto e grita: “Não pode! Não pode! Tem de ser nazista! Confesse! Confesse! Você é nazista! É!” Se, não desejando confessar um crime que não cometeu, muito menos fazê-lo só para agradar a um acusador, o sujeito insiste: “Lamento, amigo, não posso ser nazista. No mínimo, não posso sê-lo porque nazismo é socialismo”, aí o socialista treme, range os dentes, baba, pula e exclama: “Estão vendo? Eis a prova! É nazista! É nazista!”
        Recentemente, cem professores universitários, subsidiados por verbas públicas, edificaram toda uma empulhação dicionarizada só para impingir ao público a lorota de que quem não gosta do socialismo deles é nazista. Não se trata, porém, de pura vigarice intelectual. A coisa tem um sentido prático formidável. Ajuda a preparar futuras perseguições. Consagrado no linguajar corrente o falso conceito geral, bastará aplicá-lo a um caso singular para produzir um arremedo de prova judicial. Para condenar um acusado de nazismo, será preciso apenas demonstrar que ele era contra o socialismo. Hoje esse raciocínio já vale entre os esquerdistas. Quando dominarem o Estado, valerá nos tribunais. Valerá nos daqui como valeu nos de todos os regimes socialistas do mundo.
        Intimidados por essa chantagem, muitos liberais sentem-se compelidos a moderar suas críticas ao socialismo. Mas isso é atirar-se na armadilha por medo de cair nela. Já digo por que.
        Socialismo é a eliminação da dualidade de poder econômico e poder político que, nos países capitalistas, possibilita – embora não produza por si — a subsistência da democracia e da liberdade. Se no capitalismo há desigualdade social, ela se torna incomparavelmente maior no socialismo, onde o grupo que detém o controle das riquezas é, sem mediações, o mesmo que comanda a polícia, o exército, a educação, a saúde pública e tudo o mais. No capitalismo pode-se lutar contra o poder econômico por meio do poder político e vice-versa (a oposição socialista não faz outra coisa). No socialismo, isso é inviável: não há fortuna, própria ou alheia, na qual o cidadão possa apoiar-se contra o governo, nem poder político ao qual recorrer contra o detentor de toda riqueza. O socialismo é totalitário não apenas na prática, mas na teoria: é a teoria do poder sintético, do poder total, da total escravização do homem pelo homem.
        A formação de uma “nomenklatura” onipotente, com padrão de vida nababesco, montada em cima de multidões reduzidas ao trabalho escravo, não foi portanto um desvio ou deturpação da idéia socialista, mas o simples desenrolar lógico e inevitável das premissas que a definem. É preciso ser visceralmente desonesto para negar que há uma ligação essencial e indissolúvel entre elitismo ditatorial e estatização dos meios de produção.
        O socialismo não é mau apenas historicamente, por seus crimes imensuráveis. É mau desde a raiz, é mau já no pretenso ideal de justiça em que diz inspirar-se, o qual, tão logo retirado da sua névoa verbal e expresso conceitualmente, revela ser a fórmula mesma da injustiça: tudo para uns, nada para os outros.
        Porém, no próprio capitalismo, qualquer fusão parcial e temporária dos dois poderes já se torna um impedimento à democracia e ameaça desembocar no fascismo. Não há fascismo ou nazismo sem controle estatal da economia, portanto sem algo de intrinsecamente socialista. Não foi à toa que o regime de Hitler se denominou “socialismo nacional”. Stalin chamava-o, com razão, “o navio quebra-gelo da revolução”. Por isso os socialistas, sempre alardeando hostilidade, tiveram intensos namoros com fascistas e nazistas, como nos acordos secretos entre Hitler e Stalin de 1933 a 1941, na célebre aliança Prestes-Vargas etc. Já com o liberalismo nunca aceitaram acordo, o que prova que sabem muito bem distinguir entre o meio-amigo e o autêntico inimigo.
        Por isso mesmo, é uma farsa monstruosa situar nazismo e fascismo na extrema-direita, subentendendo que a democracia liberal está no centro, mais próxima do socialismo. Ao contrário: o que há de mais radicalmente oposto ao socialismo é a democracia liberal. Esta é a única verdadeira direita. É mesmo a extrema direita: a única que assume o compromisso sagrado de jamais se acumpliciar com o socialismo.
        Nazismo e fascismo não são extrema-direita, pela simples razão de que não são direita nenhuma: são o maldito centro, são o meio-caminho andado, são o abre-alas do sangrento carnaval socialista. Os judeus, perseguidos em épocas anteriores, podiam usar do poder econômico para defender-se ou fugir: o socialismo alemão, estatizando seus bens, expulsou-os desse último abrigo. Isso seria totalmente impossível no liberal-capitalismo. Só o socialismo cria os meios da opressão perfeita.
        Não, a crítica radical ao socialismo não nos aproxima do nazifascismo. O que nos aproxima dele é uma crítica tímida, debilitada por atenuações e concessões. E essa, meus amigos, eu não farei nunca.”
        Olavo de Carvalho.

      • Questões Relevantes
        04/23/2017

        Obrigado.

  2. Jose Romeu Robazzi
    04/21/2017

    Acho bastante interessante que a esquerda moderna “progressista” não perceba que, ao defender o uso do poder coercitivo do estado para atingir seus objetivos de “igualdade”, na prática atentam contra os direitos individuais, se tornando portanto uma fonte de desigualdades de fato.

  3. Júlio César Pinto Teixeira
    08/01/2016

    Exatamente. Esquerda e Direita foram termos cunhados no parlamento burguês, nos primórdios da Revolução Francesa. Esquerda eram os progressistas liberais e Direita eram os reacionários, amarrados ainda ao velho regime do absolutismo. Com o desenvolvimento do Capitalismo Globalizado, surgem as contradições de classes inconciliáveis, e a ideia da superação do Capitalismo pelo Socialismo. A Esquerda Revolucionária, então, passa a ser identificada com o Socialismo.

    • Questões Relevantes
      08/01/2016

      Júlio César, como o artigo afirma, a ideia da superação do Capitalismo pelo Socialismo, e por tanto de ser efetivamente um projeto de poder, na medida em que passa a definir o campo majoritário do que podemos chamar de “esquerda”, exclui a definição de esquerda enunciada por Deleuze.

  4. Mario
    07/25/2016

    Não concordo com as premissas do argumento :
    “Nele, a síntese é que não existe governo de esquerda porque a esquerda não tem nada a ver com governo, com exercer o poder; e que ser de esquerda é pensar no coletivo antes que no indivíduo (teoria do código postal)”
    Existe governo de esquerda
    Tem haver com governo
    Tem haver com exercer o poder
    Ser esquerda é pensar no bem comum da humanidade e inclusive dos indivíduos.
    https://en.wikipedia.org/wiki/Left-wing_politics
    Left-wing politics supports social equality and egalitarianism, often in opposition to social hierarchy and social inequality.They typically involve concern for those in society whom they perceive as disadvantaged relative to others and a belief that there are unjustified inequalities that need to be reduced or abolished.
    Esta definição mostra exatamente a necessidade do Brasil ter um governo de esquerda pois tem a pior desigualdade do mundo porem o PT se transformou num partido de centro e não tributou as grandes fortunas.

    • Questões Relevantes
      07/25/2016

      Mario, o artigo é exatamente sobre a necessidade de se definir o que é “ser de esquerda”. Na primeira parte de seu comentário, concorda como o que o artigo afirma: Deleuze e sua tese não são de esquerda.

      Na segunda parte, comete o que está descrito aqui:
      OS PROGRESSISTAS, O PARADOXO E OS TEMPOS DE PAZ.
      http://wp.me/p4alqY-iM

  5. Pingback: CELEBRANDO O SENTIDO DAS PALAVRAS. | questões relevantes

  6. Geraldo Machado
    06/27/2016

    NÃO FAZ SENTIDO ALGUM, EM PLENO SÉCULO XXI, SONHAR OU PROPOR DITADURA DE PROLETARIADO. MAS, SIM, A ELIMINAÇÃO PROGRESSIVA DAS DESIGUALDADES, NO RUMO DE UM CRESCENTE DOMÍNIO DO ESTADO SOBRE OS MEIOS DE PRODUÇÃO, ATÉ SE ALCANÇAREM CONDIÇÕES MÍNIMAS DE IGUALDADE DE TODOS, QUE, EM MUNDOS CAPITALISTAS, NÃO PASSA DE UM BELO PRINCÍPIO, TORNADO NULO, INSOSSO – PORQUE IRREALIZADO.,.. SER DE ESQUERDA, A CONTRÁRIO DO QUE MUITO SE PENSA, É MUITO MAIS SIMPLES. É LUTAR E ERRADICAR, PROGRESSIVAMENTE (NUNCA SE ESQUECER QUE HISTÓRIA NÃO SE FAZ EM COMÍCIOS NEM EM UM ATO, NEM EM UM GOVERNO), A INTERFERÊNCIA DO ECONÔMICO PRIVADO NO CENTRO DE PODER, QUE VAI SENDO OCUPADO PELO ESTADO, UM ESTADO FORTE, TIDO COMO SÍNTESE DAS ASPIRAÇÕES DA SOCIEDADE…s.m.m.

    • Questões Relevantes
      06/27/2016

      Geraldo, em primeiro lugar este negócio de escrever tudo em maiúsculas é muito deselegante. Parece que está gritando.

      Quanto ao conteúdo, o que propõe não é muito diferente do que o artigo define como hegemônico na esquerda: a expansão do controle estatal na economia até a extinção da propriedade privada dos meios de produção.

      Ocorre que ninguém que conheça o assunto imagina este cenário possível dentro de uma democracia liberal. Ou seja, é preciso acabar também com a democracia.

      De qualquer maneira, está provado que ter múltiplos patrões possíveis (a propriedade privada dos meios de produção em ocorrência múltipla) traz muito mais benefícios para o trabalhador do que ter apenas um: o estado patrão. Este já se mostrou ineficiente e extremamente corrupto.

      • Paulo, sempre colocando para os outros o que está na sua cabeça.Onde está dito, nesta altura do campeonato, que a esquerda so pode ter o poder se acabar com a democrácia? Você tira de fala dos outros o que é favorável às suas teses e não consegue enxergar a evolução dos conceitos. Não é porque alguem disse que a mulher é “recatada e do lar”, não quer dizer que sempre o será! Há uma evolução natural de tudo. Só não muda o já demonstrado como verdadeiro quando se fala em ciências exatas. Qualquer outra muda.Você também não quer enxergar que a “social democrácia” é um estágio do socialismo, A única mudança necessária é a não pose de “solo e sub solo”, por ilógico, pois sempre em seu início tem uma usurpação. Estes dois itens serão sempre “concessões” para uso fruto. Sei, você vai me chamar de novo de velho ingênuo, mas o socialismo vai acontecer, quer você queira ou não.

      • Questões Relevantes
        07/30/2016

        Fábio, novamente nos vemos diante da necessidade de definir parâmetros. A esquerda de Badiou e Zizek (este último um dos mais ativos intelectuais da esquerda contemporânea), por exemplo, pressupõe revolução e ditadura do proletariado. Está nos fundamentos do “socialismo científico” de Marx e Engel o fim da democracia liberal e de tudo que lhe dá suporte para que o socialismo possa encontrar seu caminho.

  7. Gilson Bicudo
    06/26/2016

    Novilíngua, Paulo. A Esquerda adora manipulá-la.

    • Questões Relevantes
      06/26/2016

      Excelente lembrança, Gilson.

      • Gilson Bicudo
        06/26/2016

        “A gente não pode pensar em termos de Direita ou Esquerda; a gente tem de pensar para a frente” é uma das frases mais cretinas que eu conheço. Frase típica dos “isentões” (esquerdistas camuflados) só tem um único objetivo: dificultar que os indivíduos de Direita se reconheçam como tal e se aglutinem, formando um corpo de oposição à Esquerda coeso e forte.

      • Questões Relevantes
        06/26/2016

        Como digo no artigo, temos um intervalo de interesses que abriga do libertário ao tradicionalista. Dificilmente vão formar um bloco coeso, mas assim mesmo defendem algo em comum, algo que a extrema direita e a esquerda desprezam: a democracia.

  8. Eduardo Terra Coelho
    06/26/2016

    Assim atuam os neoliberais , onde basta ser governo para não se enquadrar no perfil, onde ser governo o faz interventor.

    • Questões Relevantes
      06/26/2016

      Eduardo, esta é a visão do Deleuze, este conhecido neoliberal…

      • Questões Relevantes
        06/26/2016

        Eduardo, se você se aprofundar na obra de Deleuze vai perceber que a questão é mais complexa. Além disso, há um ponto frágil central em sua análise: o neoliberalismo ou o liberalismo, mesmo levados ao limite máximo, não ameaçam a democracia liberal. Já para um comunista ou socialista, só é possível levar suas teses ao limite destruindo a democracia liberal. A diferença não é pequena.

      • Eduardo Terra Coelho
        06/26/2016

        Entendi , e nisto ele colocou que a esquerda quando assume o poder , corre o risco de ter que distanciar-se de muito do que defende , pensando como atuar na realpolitik sem avançar para a questão revolucionária em si.

        Por isto pontuei que o mesmo cabe ao neoliberalismo que sendo defensor dos ataques ao Estado , uma vez no poder faz uso do que tanto critica .

        Ou seja, no campo da realpolitik , nem sempre um comunista ou liberal no poder conseguem alinhar suas ideologias às ações que pedem cada momento.

        Seria como cobrar de um anarquista que o emprego público que ele possui o impede de proferir sua ideologia , mas não é tão simples assim .

      • Questões Relevantes
        06/26/2016

        Eduardo, se você se aprofundar na obra de Deleuze vai perceber que a questão é mais complexa. Além disso, há um ponto frágil central em sua análise: o neoliberalismo ou o liberalismo, mesmo levados ao limite máximo, não ameaçam a democracia liberal. Já para um comunista ou socialista, só é possível levar suas teses ao limite destruindo a democracia liberal. A diferença não é pequena.

      • Eduardo Terra Coelho
        06/26/2016

        A democracia liberal não é a democracia em si, mas uma das múltiplas possibilidades .

        Os EUA se colocam como a maior democracia e isto é relativo .

        Por exemplo , o assassinato de Kennedy foi em verdade um golpe de estado , assim como a mudança na legislação eleitoral após as consecutivas vitórias de Roosvelt foi outro tipo de golpe .

        Nem as eleições presidenciais são realmente diretas por lá.

        Assim , a destruição do modelo liberal de democracia não faz com que uma ditadura se consolide .

        As experiências dos sovietes eram experiências democráticas.

      • Questões Relevantes
        06/26/2016

        Você está chamando semáforo de liquidificador com a maior naturalidade. Esta questão das “múltiplas democracias” é uma campeã de desinformação. Trato especificamente deste tema aqui:
        QUANDO A PATRULHA IDEOLÓGICA COMPROMETE A LÓGICA.
        http://wp.me/p4alqY-3B

      • Eduardo Terra Coelho
        06/26/2016

        Não é. A sociedade é uma sociedade em disputa , verdades em disputa .

        Não há um modelo de democracia , mas modelos de democracia .

        A democracia em si não é um constitutivo do liberalismo e menos ainda do neoliberalismo.

        Sobram fatos históricos para relatar esta realidade .

        O PT , que já em inícios do anos 1990 retiraram de seu estatuto a palavra socialismo , sempre foi em sua maioria de quadros , social democrata.

        Os comunistas do partido, em grande parte , não fizeram disto sua plataforma .

        A expulsão de diversas correntes trotskistas seguiu como forma da disputa interna .

        As disputas PT versus PSDB , deixaram e lado na prática real o discurso de esquerda contra direita , ou de liberais versus conservadores , passando a ser uma disputa pelo aparato de poder que não colocasse em xeque a relação com o grande capital e a Carta aos brasileiros de 2002 assinada por Lula, Serra, Garotinho e Ciro Gomes é um demonstrativo disto .

      • Questões Relevantes
        06/26/2016

        Eduardo, leia o artigo que lhe sugeri. Ele faz uma análise do verbete DEMOCRACIA no conceituado “Dicionário de Política” de Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino.

        E quem assinou a “Carta aos Brasileiros” de 2002 foi apenas Lula.

      • Alvaro Marques
        06/27/2016

        O discurso de esquerda é basicamente um constante esforço por acomodar conceitos consolidados de democracia – sem inicialmente questionar-lhes a universalidade mas distorcendo-lhes o sentido original – a uma ideia central historicista. É inconciliável com qualquer noção possível de democracia – exceto conceituando-a ad hoc – justamente por não admitir que a história não segue leis “científicas” predeterminadas. Os termos “reacionário” e “progressista”, inclusive, advém desta concepção rígida e essencialmente equivocada da evolução das sociedades humanas – este aceita e professa devoção religiosa ao dogma trajetorial marxista; aquele, não.

      • Questões Relevantes
        06/27/2016

        Álvaro, concordo. Obrigado pela contribuição.

      • Eduardo Terra Coelho
        06/27/2016

        Todos os 4 assinaram a Carta, mas o Serra nem precisava assinar, entreguista notório.

        A História pelo viés marxista tem uma estrutura própria , assim como a escola de Annales criou outra metodologia .

        O positivismo foi desmascarado tanto pelos Annales, quanto pelo marxismo .

        Quanto à questão democrática , a América Latina sentiu a porrada do Big Stick.

      • Questões Relevantes
        06/27/2016

        Eduardo, fazer gracinhas e ser teimoso não funciona como argumento. Segue link para a Carta aos Brasileiros. Trata-se de uma peça de propaganda do PT assinada pelo Lula. Só o Lula.
        http://zip.net/bstnDD

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