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Há um assunto importante para o qual a imprensa e a opinião pública ainda não deram a devida atenção: a destruição da ética e do senso crítico pela chamada “esquerda acadêmica”, em sua maioria formada por professores da área de Humanas das principais universidades brasileiras.

Este grupo é responsável por criar e espalhar mentiras, como a tal “narrativa do golpe contra Dilma”, já bastante discutida neste blog, e “a entrega do Pré-sal”, que transforma em crime de “entreguismo” e lesa-pátria um projeto de lei que retira a obrigação legal da Petrobrás em participar com um mínimo de 30% dos investimentos em todos os campos do Pré-Sal mas assegura a ela o direito de poder escolher, a cada caso, se tem ou não interesse em participar da exploração de campos específicos. Ou seja, critica-se um projeto que dá à Petrobrás maior autonomia e liberdade para escolher onde e quando investir. Parece coisa de doido, mas é só má-fé.

Este preâmbulo é necessário para compararmos dois episódios bastante simbólicos.

O primeiro foi uma operação conjunta, em janeiro de 2012, entre o governador de São Paulo Geraldo Alckmin e o então prefeito Gilberto Kassab na área central da capital conhecida como “cracolândia”.

A operação envolveu repressão ao tráfico, dispersão de usuários, derrubada de cortiços e tratamento de viciados, com a possibilidade inclusive de internação compulsória de dependentes. O governo chegou a falar sobre a necessidade de “desprivatizar” o espaço público e devolvê-lo aos moradores da região.

Foi um pandemônio. A tal “esquerda acadêmica” produziu dezenas de “textões” e artigos criticando a medida “higienista” e a retomada do espaço público. Os centros de tratamento e as internações compulsórias foram a oportunidade perfeita para fazer adaptações bastante elásticas de Michel Foucault.

A blitz da “academia” contra Alckmin e Kassab teve grande acolhida na imprensa e colaborou para que o projeto fosse abortado. A consequência foi a continuidade da cracolândia como uma ferida purulenta no centro da metrópole.

Quando Fernando Haddad assumiu a prefeitura, resolveu mostrar como se faz e implantou o programa “De braços abertos” em que pagava hotéis para parte dos viciados e ainda dava uma graninha. Foi tratado como gênio pela mesma turma que criticou Alckmin e Kassab. Mas o resultado ….Bem, foi o óbvio: aumento no consumo e no número de usuários, agora divididos entre uma “elite” (que recebe o que podemos chamar de “bolsa crack”) e o resto dos viciados que continuam jogados nas ruas. O problema cresceu, degradando ainda mais aquela região da cidade sob o silêncio cúmplice dos tais “intelectuais”.

Chegamos agora a junho de 2016, no inverno mais rigoroso da capital Paulista em duas décadas. É neste clima que o prefeito Fernando Haddad ordenou a retirada de colchões e papelões dos moradores de rua da cidade pela Guarda Civil Municipal (GCM). Trata-se, segundo disse o próprio prefeito, de uma estratégia para evitar a “refavelização” de praças públicas, ou, nas palavras do comando da GSM, para evitar que a população de rua “privatize” espaços público.

Já são 5 os moradores de rua mortos pelo frio depois que a prefeitura iniciou esta “operação sem noção”.

Você leu algum textão da “esquerda acadêmica” criticando a medida?

Viu alguma entrevista da Marilena Chauí espumando seu ódio contra tamanha covardia?

Viu alguém que assinou os “manifestos contra o golpe” criticando a medida “higienista” do prefeito?

Viu alguém que escreveu sobre o projeto de Alckmin e Kassab desfilar suas críticas contra Haddad?

Com a repercussão negativa que o assunto ganhou a partir de uma matéria no Estadão, várias publicações que estão à esquerda do PT passaram a criticar a medida, ainda que de forma tímida e o próprio prefeito foi obrigado a modificar seu discurso.

No entanto, o fato concreto é que deste setor que adora assinar manifestos defendendo Dilma e o PT não brotou uma única crítica contra a crueldade explícita de Fernando Haddad. Fica cada vez mais claro que eles não ligam a mínima para quem sofre. Não defendem princípios éticos. Defendem com unhas, dentes e cara-de-pau apenas um projeto de poder e suas boquinhas.

 

Artigo de Paulo Falcão.

 

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