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A “NARRATIVA DO GOLPE” TEM O MESMO DNA DO “ESCÂNDALO DOS ALOPRADOS”?

Lula-Dilma-Mercadante

Como já defendi em artigo recente, há um movimento coordenado e pernicioso da maioria do corpo docente das universidades brasileiras, principalmente nas chamadas “humanas”, que ajudou o PT a “vender” a tese do golpe.

Que o PT crie lá suas teorias da conspiração é esperado. Como provam diversos dossiês fajutos que criaram e difundiram ao longo de sua história, falsificar a verdade e os fatos é seu modus-operandi. Logo, não há surpresa nisso.

Para dar substância a esta afirmação basta lembrar do famoso “Escândalo dos Aloprados”, assim batizado por Lula quando emissários de Aloízio Mercadante foram presos pagando por um dossiê falso elaborado por, entre outros, Amaury Ribeiro Jr, aquele mesmo que também produziu o livro Privataria Tucana, outra obra de ficção que só petistas e desinformados tratam como verdade.

Mas voltemos aos professores de nossas universidades. Esta turma de alguma maneira representa as instituições em que trabalham e deveriam representar o melhor da inteligência brasileira. É um vexame ver estes profissionais desrespeitando as cátedras deliberadamente.

Felizmente a cortina de fumaça vai se dissipando e a verdade aparecendo. As perguntas ainda são feitas, mas as respostas começam a ser ouvidas com mais discernimento, como fica claro nesta entrevista com FHC publicada no jornal El País.

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 FHC: “Temer tem que falar com o país, e não com os políticos”

Tucano defende que Governo interino, apoiado pelo PSDB, “junte forças” pela reforma política 

 

Por Javier Martín

Lisboa 4 JUN 2016

 

Fernando Henrique Cardoso (Rio de Janeiro, 1931) foi presidente do Brasil de 1995 a 2002 pelo PSDB, que ele ajudou a fundar. Derrotou em duas ocasiões o líder do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Primeiramente, como ministro da Fazenda, e depois, como presidente, Cardoso reduziu uma inflação galopante e estabilizou a economia do país. Aposentado há anos, é consultor em várias universidades e fundações, como a Champalimaud, de Lisboa, onde conversou com o EL PAÍS sobre a delicada situação política e econômica do Brasil.

Pergunta. A destituição da presidente Dilma Rousseff foi um golpe de estado político?

Resposta. Não foi nenhum golpe de estado. O impeachment seguiu rigorosamente a Constituição. O impeachment brasileiro não se refere à realização de um delito, à responsabilidade penal; está relacionado à responsabilidade política. Está claro na Constituição que autorizar gastos pelo Executivo sem a aprovação da Câmara é ir contra a Constituição. E isso ocorreu reiteradamente.

Pergunta. Não há mais nada por trás?

Resposta. O impeachment representa, ao mesmo tempo, um processo político em um país com 11 milhões de desempregadose que vive uma crise moral por um processo sistemático e organizado pelo aparelho do Estado para beneficiar partidos que apoiem o poder. Por tudo isso, Dilma foi perdendo popularidade desde sua reeleição, em 2014. Mas perder popularidade não é motivo para impeachment; perder a credibilidade, sim, porque Dilma utilizou métodos para ocultar a verdadeira situação econômica do Brasil.

Pergunta. Inicialmente, o senhor era contra a destituição de Dilma.

Resposta. É verdade. Também ocorreu o mesmo com o impeachment do presidente Collor, em 1992. Sou contra até que se esclareça. O impeachment é consequência de atos, não da iniciativa de um partido. O povo apoiou em peso o impeachment. É sempre um processo traumático, mas não podemos esquecer que o sucessor de Dilma é Temer, seu companheiro na candidatura presidencial. Ou seja, que obteve democraticamente os mesmos votos que ela: 55 milhões. Do ponto de vista constitucional, não há o que discutir.

Pergunta. Não seria mais natural resolver essa situação com novas eleições?

Resposta. Sim, mas a Constituição não permite. Exceto se o Tribunal Eleitoral anula as eleições por abuso de poder econômico – que foi o que meu partido solicitou -, mas que é um processo lento. Ou se a presidente renunciar. Eu pedi a Dilma que fizesse esse ato de grandeza, mas não foi o que ocorreu. Acredito que, sobretudo, por pressões de seu partido.

Pergunta. Em termos midiáticos, será que Dilma não foi condenada sem ter sido julgada?

Resposta. Ninguém disse que Dilma não é inocente. Dilma não é uma criminosa, é uma irresponsável com as contas públicas. No caso do presidente Collor em 1992, o impeachment foi aprovado porque ele tinha recebido presentes de valor. Ele foi condenado por crime de corrupção, mas em seguida absolvido com o voto de quem antes tinha votado a favor do impeachment, porque ele aceitou presentes, mas não ficou provado que ele deu contrapartidas. Não foi provado o crime. Ele foi retirado da Presidência, mas não cometeu nenhum crime.

Pergunta. A destituição de Dilma resolve a crise do Brasil?

Resposta. Há uma crise maior que a destituição de um presidente. O sistema político está muito corrompido. Os mais de 20 partidos representados no Congresso, seu financiamento, o sistema de votos… Hoje os partidos são grupos de interesses.

Pergunta. Dilma deixou o país dividido?

Resposta. O país não está dividido. Está 80 a 20. 80% não querem a Presidência de Dilma, o que não quer dizer que eles queiram o presidente Temer [Não há pesquisas de opinião recentes. Na mais recente do Datafolha, publicada em 7 de abril, 61% eram a favor do impeachment de Dilma e 60% o de Temer].

Pergunta. A corrupção também não acabou. Parece que metade do Congresso está envolvido na rede.

Resposta. Afeta principalmente três partidos: o PT, com dois ex-presidentes seus presos e Lula acusado; o PMDB, com o presidente da Câmara em uma situação insustentável; e o PP. Acredita-se que as denúncias firmes podem alcançar 50 deputados, mas são o Congresso tem 500 deputados. Não é preciso exagerar.

Pergunta. O presidente de seu partido, Aécio Neves, parece estar envolvido.

Resposta. Não há nada de concreto. Ele recebeu uma citação, e veremos quando for verificada.

Pergunta. O senhor não teme que a trama chegue a seu partido?

Resposta. Não, por uma questão muito simples: meu partido não está no poder há 14 anos e sem poder não há favores para prestar. Infelizmente, ao governar com Lula e Dilma, o Partido dos Trabalhadores (PT) perdeu todo o seu espírito original e se dedicou a organizar uma rede de corrupção institucionalizada. Nunca o Brasil havia tido uma corrupção sistematizada.

Pergunta. Ao problema da corrupção se soma uma gravíssima crise econômica.

Resposta. Agora, sim. Lula e Dilma saíram bem da crise internacional de 2008, mas derraparam depois com a Nova Matriz Econômica, fomentando o consumo sem investimento. Foi um erro de condução da política econômica sob uma visão ideológica. Os orçamentos do Estado têm que ser equilibrados. É uma questão de competência, não de ideologia. Dois mais dois são quatro, seja você de direita ou de esquerda. Em dois anos, o PIB caiu 8 pontos.

Pergunta. E Temer é a pessoa para tirar o país do atoleiro político e econômico?

Resposta. Ele não pode fazer tudo isso. Temer é o homem do interregno. Tem habilidade para gerenciar o Congresso, mas agora tem que falar com o país, e não com os políticos.Tem que dar sinais e juntar todas as forças para encarar uma grande reforma política, que é o principal problema do país.

Pergunta. Em que consistiria?

Resposta. Não é possível governar com mais de 20 partidos no Congresso. É preciso limitar a representação política no Congresso, controlar os gastos eleitorais, aproximar o eleitor do eleito. Hoje o eleitor não é o cidadão, é o intermediário: a igreja, a prefeitura, o clube de futebol.

Pergunta. Em meio a toda essa agitação, o senhor nunca escutou o ruído dos sabres, dos militares?

Resposta. O Brasil não tem golpismo. Tem atraso, conservadorismo, no comportamento político. Se o caso de Dilma tivesse ocorrido há 20 anos, todos nós saberíamos os nomes dos generais. Hoje conhecemos os nomes dos juízes. É uma diferença essencial. As instituições brasileiras são fortes.

Link para o artigo original do El País aqui.

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RETOMO PARA CONCLUIR

Quem desejar se aprofundar no assunto e entender a fundamentação legal do impeachment, o link abaixo leva ao pedido de impeachment aceito pela câmara e avaliado no senado. O principal está nas páginas 15 a 30: http://www.zerohora.com.br/pdf/17802008.pdf

 

Artigo de Paulo Falcão.

 

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4 comentários em “A “NARRATIVA DO GOLPE” TEM O MESMO DNA DO “ESCÂNDALO DOS ALOPRADOS”?

  1. eliane
    06/08/2016

    TÁ TENTANDO DESMONTAR O GOLPE? COITADO! ESTÃO DESMASCARADOS SEUS VERMES.

    • Questões Relevantes
      06/08/2016

      Eliane, não sei se você percebeu, mas o nível do debate aqui é outro. Este tipo de comentário fiz mais de você do que de mim.

  2. Osni Lopes
    06/05/2016

    Sem dúvida! Os personagens, salvo uma ou outra alteração, são (sempre) os mesmos!

  3. Rogerio Bastos
    06/05/2016

    O Merval Pereira e o senador Cristóvam Buarque concordam com você.

    Merval: http://zip.net/bbtl9Y

    Cristóvam: http://zip.net/bgtl6G

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