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A AUDITORIA DA DÍVIDA E OS SEIS ANOS DE BOLSA FAMÍLIA QUE DILMA ESCAMOTEOU.

Pobres-15

Em um artigo do início de março de 2016 lembrava que por trás de expressões como “auditoria da dívida”, “equilíbrio fiscal para pagar juros para banqueiros”, “privatização dos lucros e socialização dos prejuízos” há sempre um discurso de justificativa dos desastres gerenciais da esquerda.

Com o afastamento de Dilma, este discurso se multiplicou e não falta gente repetindo a ladainha, acrescentando que os ajustes são coisa de “neoliberais”.

Nos últimos dias tem circulado nas redes sociais os dois gráficos “acusadores” reproduzidos abaixo. A origem primária é o movimento Auditoria Cidadã da Dívida, que tem como liderança mais conhecida Maria Lucia Fattorelli.

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Chama a atenção no gráfico, evidentemente, os 45,11% da receita destinados ao pagamento da dívida pública.

Agora, o anúncio do “pendura” extra de 170 bilhões que o governo Dilma deixou escondido para todos os brasileiros pagarem, inclusive os mais pobres, é uma oportunidade para explicar mais uma vez para este pessoal do realismo mágico e da contabilidade criativa a importância do reconhecimento da responsabilidade fiscal como um compromisso republicano, um compromisso que protege a todos os cidadãos, principalmente aqueles que precisam das políticas de distribuição de renda como o Bolsa Família.

Mas é fundamental antes tentar fazer este número ser compreendido. Precisamos de comparações para entendermos a magnitude. A economista Monica de Bolle, em artigo do Estadão, lembra:  “cento e setenta bilhões de reais divididos pela população que foi às urnas no fatídico 26 de outubro de 2014 dá R$ 1.639,40 reais por cabeça”. Para ajudar a tornar o valor concreto, acrescento: dá pra pagar 6,3 anos de bolsa família a todas as famílias já cadastradas.  Preste atenção: 6,3 anos. E mais, este valor é “extra”, estava escondido. É despesa não coberta pelos 33,4% da carga tributária brasileira.

Pois bem. Dilma e sua equipe de prestidigitadores nos deixou esta herança maldita, esta dívida que se soma a outras de outros governos.

Aí surge toda pimpona a Maria Lúcia Fattorelli com sua tese antiga de que não precisamos pagar, precisamos é fazer a Auditoria da Dívida.

Claro, a auditoria pode ser feita, mas se negar a pagar é a mais estúpida das alternativas. Jogaria o Brasil no caos imediato, pois ninguém mais compraria títulos da dívida pública ou emprestaria dinheiro para o Brasil.

Alguém pode desejar mandar Dilma e o PT pagarem a conta, outros querem que FHC e o PSDB paguem, outros vão recuando até Dom João VI. Mas não é assim que funciona.

Vamos nos concentrar em Dilma e no episódio recente. Ela foi constitucionalmente eleita. Fez a lambança com a devido poder legal.

O mesmo vale para o restante da dívida. Se há pagamentos indevidos, se há dívidas suspeitas, se há dividas idiotas, o caminho é o judiciário, não o calote.

Ou seja: a dívida precisa ser paga ou o país perde a credibilidade, o crédito e seu lugar no mundo. Vira um pária.

A Responsabilidade Fiscal, por tanto, é também um fundamento que dá credibilidade, e quanto maior a credibilidade, menor o “custo do dinheiro” (juros) para o governo.

Dilma e a irresponsabilidade fiscal de seu governo, mesmo esquecendo por um momento a corrupção, comprometeram seriamente tanto a saúde financeira do país quanto sua credibilidade, o que tornaria mais barato financiar as dívidas.

Para aqueles que ainda não entenderam, proponho uma experiência didática e ao mesmo tempo edificante, coisa bonita mesmo: comece cada um a gastar acima de sua renda, mas faça isto por motivos nobres. Por exemplo, escolha 10 crianças carentes e dê uma cesta básica para elas todo mês. As presenteie também com um par de tênis a cada 6 meses.

Complemente doando 30% de sua renda a instituições humanitárias.

Quando começar a faltar dinheiro para pagar a conta de luz e de água, faça um empréstimo, afinal são causas justas. Merecem seu apoio.

Quando estiverem cobrando novamente a conta de luz, de água e o empréstimo, talvez comece a entender a importância da responsabilidade fiscal.

 

Artigo de Paulo Falcão.

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23 comentários em “A AUDITORIA DA DÍVIDA E OS SEIS ANOS DE BOLSA FAMÍLIA QUE DILMA ESCAMOTEOU.

  1. Questões Relevantes
    04/12/2017

    Assistam o que diz Alexandre Schwartsman, ex-Diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central do Brasil no
    Jornal da Cultura de 12/10/2016
    Dos minutos 15:18 à 17:35

  2. Flávio
    05/23/2016

    AUDITORIA NÂO É CALOTE. Auditoria da dívida é investigação. E é um dever do governo que é previsto na Constituição do país. Dívidas que forem legalmente amparadas logicamente devem ser quitadas, porém, e essa é a posição da Fatorelli (não seja mal intencionado com esse papo de calote) há fortes indícios de ilegalidade nesse endividamento.

    • Questões Relevantes
      05/23/2016

      Flávio, conheço a conversa. O fato é exatamente o que eu disse: se há contratos suspeitos, que sejam denunciados e questionados na justiça. Mas não é esta a posição majoritária da esquerda e da própria Fatorelli. Pregam abertamente algum tipo de calote.

    • Paulo César Amorim
      07/05/2016

      Concordo Flavio, somente trabalho deve produzir lucro, juros não devem produzir lucro. Auditoria já.

      • Questões Relevantes
        07/05/2016

        Paulo Cesar, não tenho nada contra fazer tal auditoria, mas é preciso cuidado com as conclusões.

        Esta história de que juros não deveriam produzir lucro é uma bobagem.

        A coisa funciona assim: se não fere a lei, vale. Cobrar juros não fere a lei. Logo, este papo é conversa mole.

  3. Marcos Toni
    05/23/2016

    Duvido que 80% dos que falam disso estiveram realmente preocupados em suas vidas com os pobres do Brasil.

    • Questões Relevantes
      05/23/2016

      Marcos, a questão fundamental não é saber se 80, 70, ou 10 % se preocupa com os pobres. O que importa é que a tese está correta. Este outro artigo traz alguns casos em que a relação de causa e efeito podem ficar mais claras:
      SE O SEU GURU XINGA A RESPONSABILIDADE FISCAL, PEÇA UM EMPRÉSTIMO PARA ELE.
      http://wp.me/p4alqY-qm

  4. Fabio
    05/23/2016

    E assim vamos morrendo com as heranças malditas de cada partido, Paulo vc tem ideia de quanto é arrecadado e de quanto é gasto para manter o pais em pé, com este Judiciário, Legislativo e Executivo, ( o custeio da maquina publica federal, estatual e municipal )deve sobrar muito pouco dinheiro para investimento.
    Outra questão interessante que da urticária na esquerda e vc falar de corrupção, responsabilidade fiscal, reformas e matemática basica em compensação se vc falar com a direita de direitos humanos, distribuição de renda , corrupção , aborto, sexo e diversidade cultural o pessoal foge.

    • Questões Relevantes
      05/23/2016

      Fábio, sim, tenho uma boa noção da complexidade que é gerir um país, mas também sei que se a responsabilidade fical for um valor fundamental para a sociedade, muitos abusos que assistimos no judiciário e no legislativo seriam naturalmente rechaçados.
      Sobre esta questão esquerda X direita há diversos artigo no blog. Frente ao que você comentou, penso que vá achar este interessante:
      A PROVA DE QUE A DIREITA TEM CORAÇÃO.
      http://wp.me/p4alqY-kz

  5. Célia Piccolo Aricini
    05/23/2016

    Uma dúvida se a dívida dos Estados pode ser revista, e talvez até paga com juros simples. Por que não a dívida?

    • Questões Relevantes
      05/23/2016

      Célia, em primeiro lugar a dívida dos estados e municípios foi objeto de uma grande renegociação durante a gestão de FHC do Plano Cruzado, acabando com a farra dos auto-financiamentos com bancos públicos, alongando as dívidas e implantando a lei de responsabilidade fiscal. De lá pra cá muitos estados e municípios tentaram renegociar suas dívidas, mas o Governo Federal sempre se recusou por um motivo bem objetivo: se fizer para um vai ter que fazer para todos, e as recitas do governo federal contam com as parcelas devidas por estados e municípios. Veja o que aconteceu com Minas na época em que Itamar foi Governador e, mais recentemente, com o RS que atrasou parcela da dívida e teve seus repasses federais congelados. Qualquer renegociação de dívidas complexas é difícil e, sem credibilidade, mais difícil e cara. O Brasil viveu momentos no governo Lula em que poderia ter ido ao mercado internacional pegar dinheiro barato para quitar dívidas caras, alongando seu perfil. Perdeu esta janela de oportunidade por questões ideológicas. Era mais bacana bater no peito e dizer que não precisava de empréstimos do exterior. Hoje, com baixa credibilidade, o governo só consegue se financiar pagando juros altos. Ao adotar uma política de transparência e responsabilidade fiscal o governo Temer tenta iniciar o resgate da credibilidade perdida. Não precisa fazer nenhum milagre. Tudo que o “Deus mercado” deseja agora é ter certeza que parou de piorar e que os números estão na mesa.

  6. Sonia Pedrosa Pereira
    05/22/2016

    Sei sobre irresponsabilidade social. Quanto não se pagaria de bolsa família e outros programas sociais com o salário milionário de políticos e juízes… Aliá, o Temer se aposentou com 55 anos com 9.300 reais de aposentadoria e quer aumentar a idade mínima de aposentadoria para 65 anos. Aguarde a reforma trabalhista que está pra sair e veja os direitos que você vai manter. De reforma poítica que é bom, eles não falam.

    • Questões Relevantes
      05/22/2016

      Sonia, seu argumento é a velha ladainha de acusar os outros pelos próprios erros. Nada do que você descreveu como “acusação” é novidade. Já era assim há um mês, há um ano, há 13 anos. O que mudou foi a gestão do pais e o desprezo do PT por fundamentos como responsabilidade fiscal, transparência e controle da inflação.

  7. Bruno Da Costa Ribeiro
    05/22/2016

    “Agora, o anúncio do “pendura” extra de 170 bilhões que o governo Dilma deixou escondido para todos os brasileiros pagarem, inclusive os mais pobres, é uma oportunidade para explicar mais uma vez para este pessoal do realismo mágico e da contabilidade criativa a importância do reconhecimento da responsabilidade fiscal como um compromisso republicano, um compromisso que protege a todos os cidadãos, principalmente aqueles que precisam das políticas de distribuição de renda como o Bolsa Família.”

    Um compromisso tanto federativo, quanto estadual quanto privado.

    Essa divida anunciada no texto não tem origem sobre o fim do pagamento da dívida pública (No caso a relação de débitos do tesouro sobre uma dívida nunca auditada) e sim uma dívida oriundo do não pagamento de dívidas dos empréstimos do estados com a união e do não pagamento de impostos de empresas privadas com a união.

    Esse débito quase alcança os R$ 900 Bi, algo que ultrapassa de longe esses R$ 170 Bi de déficit federativo.

    A questão não foi explicada a nenhum momento nos dois textos apresentados, sendo que o segundo possui origem dentro do primeiro, criando um ciclo vicioso onde não foi contra argumentado nada sobre meu posicionamento apontado sobre a gestão privada em detrimento a gestão popular.

    A responsabilidade se torna unicamente da Federação com o “Dever Republicano”, mas se esquecem o quanto os partidos que apoiaram o impeachment possuem de responsabilidade desse não “Dever Republicano” ou também da responsabilidade dessas empresas que devem imposto também com esse “Dever Republicano” possuem no déficit econômico.

    A gestão equivocada do governo federal na economia é reflexo puro de como as gerências estaduais e a falta de responsabilidade fiscal do poder privado atrapalham a economia da federação e compartilham as mesmas responsabilidades.

    • Questões Relevantes
      05/22/2016

      Bruno, isto é a famosa conversa para boi dormir.

      As dividas de empresários devem ser cobradas, inclusive a dos amigos do rei Lula e dos demais políticos. Ninguém que cobre responsabilidade fiscal discute isto. O que se discute é que um governo tem que ter responsabilidade e transparência, elementos fundamentais para se conquistar credibilidade e, com isto, reduzir os juros necessários para a rolagem de dívida.

      Além disso, estes números que você cita precisam ser comprovados e, se verdadeiros, já eram de conhecimento do Governo. A dívida não se originou por um movimento orquestrado de calote.

      Aliás, as maiores dívidas conhecidas para com a União são resultado das apostas do governo do PT nos “campeões nacionais” como a OI telefonia e os negócios de Eike Batista, além de muitos outros financiamentos vultuosos que não foram pagos e são de recebimento improvável.

  8. Simone
    05/22/2016

    Vc e o seu sincronismo de direita. Podíamos ir até Dom João VI ou aos mecenas da renascença para explicar como a dívida pública é o principal meio de alimentar a bancocracia que alimenta a corrupção dos poderosos e fazer o povo pagar. Mas, por conveniência, vamos nos ater nos últimos 13 anos.

    • Questões Relevantes
      05/22/2016

      Ao contrário, defendo que você pode auditar a dívida toda e até questiona-la nos tribunais, mas tem que pagar.

      • Simone
        05/22/2016

        Que pague quem a fez. Responsabilidade fiscal é o melhor meio de se privatizar os lucros e socializar as crises.

      • Questões Relevantes
        05/22/2016

        Então explique o caso recente. Quem deve pagar a dívida contraída por Dilma?

      • Simone
        05/22/2016

        O grande capital transnacional que desde o neoliberalismo está livre leve e solta para circular por onde bem entender, sem ter que dar satisfação para ninguém.

      • Questões Relevantes
        05/22/2016

        Nossa, nobre socióloga pós-doutorada, você pensa isto mesmo ou é só uma tentativa de humor?

  9. José Madeira
    05/22/2016

    Não devia haver uma auditoria no bolsa empresário, afinal ele é muito maior que o bolsa família

    • Questões Relevantes
      05/22/2016

      A “Bolsa Empresários Amigos do rei” com certeza deve ser investigada e, neste caso COBRADA. Mas o caminho para isto não é nenhum tipo de calote. É preciso seguir as instâncias legais ou vira o caos.

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