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Costumo afirmar que a esquerda e a lógica têm dificuldades de relacionamento. Também digo que não acredita na matemática. Eles respondem que isto é “Argumentum ad hominem” ou “argumento contra a pessoa”, uma técnica para negar uma proposição criticando o autor e não o conteúdo. Não é o caso de nada que escrevo. Chego a ser chato exatamente por isso: insisto na análise das teses e das práticas. Peço atenção à mensagem e não ao mensageiro. Em alguns casos a mensagem desqualifica o mensageiro, mas é raro que use o caminho inverso, ou seja, dizer que o mensageiro desqualifica a mensagem.

Para demonstrar mais uma vez minha tese resolvi analisar os elementos mais espalhafatosos da famosa pesquisa do instituto Oxfam segundo a qual 1% da população global detém a mesma riqueza dos 99% restantes e que as 62 pessoas mais ricas possuem mais riqueza que os 50% mais pobres.

A pesquisa tem umas conclusões meio estranhas, na linha da curiosa definição de “classe média” no governo Dilma, mas nem vamos entrar neste mérito. Vamos aceitar os números. A esquerda fez um carnaval com eles. Há um ou mais artigos sobre o assunto em todos os blogs e portais “progressistas” chamando a atenção para o absurdo, para a falência do modelo capitalista, para a desigualdade como o mal absoluto e para “a óbvia solução socialista”.

É claro que ninguém desta turma fez contas. É claro que ninguém parou para pensar realmente no assunto. Pensam com o fígado. E isto não é “Argumentum ad hominem”, é no máximo metonímia, já que não se ouve ou se lê manifestações da esquerda desafinando este coro. É trise, mas é a realidade.

Vamos começar pelos 62 mais ricos. A fortuna deles, acumulada ao longo de toda uma vida soma U$ 1720.6 bilhões de dólares. É realmente um dinheirão. A solução mais sonhada pela turma que adora socializar o capital alheio é confiscar tudo (talvez enforcar estes capitalistas em suas tripas) e dividir o valor entre os 50% mais pobres. São aproximadamente 3,6 bilhões de pessoas (é bom lembrar que deste total, 1 bilhão está na China, o mais próspero país socialista, e outro bilhão na Índia, país que sofre com sua cultura de castas e nunca foi um país capitalista ou uma democracia liberal).

Dividindo um pelo outro, cada uma das pessoas que está entre os 50% mais pobres receberia U$ 477,94. É isto mesmo, quatrocentos e setenta e sete dólares e noventa e quatro centavos. Não é por mês. É valor total. Resolveria o problema da desigualdade? Não. Da fome? Não.  Da falta de perspectiva? Não. Mas criaria um problemão na outra ponta: milhares de funcionários qualificados perderiam o emprego, a atividade econômica nas áreas mais dinâmicas da economia seria drasticamente afetada e contribuiria enormemente para o empobrecimento geral. Lembre-se que a riqueza que pode ser cobiçada e confiscada é finita. No fim, é como dizia Thatcher, quando acaba o dinheiro dos outros, o sonho socialista acaba também. (1)

Não localizei a informação sobre o valor total concentrado nas mãos de 1% da população e que equivaleria à riqueza dos 99% restantes, mas podemos pensar que o resultado final de seu confisco seria semelhante ao descrito acima, provavelmente com um desarranjo ainda mais grave da economia.

A desigualdade é um problema e deve ser combatida, principalmente a desigualdade “na partida”, como segurança alimentar, saneamento básico e educação de qualidade.  Não se combate a desigualdade punindo aqueles que possuem um maior talento para a geração de riqueza. É melhor e mais eficiente uma das três alternativas: aliar-se a eles, competir com eles ou estudar formas de aplicar suas técnicas de gestão.

É claro que a esquerda nega o talento destas pessoas para gerar riqueza. Diz que eles só sabem expropriar trabalho alheio. Não conseguem entender o impacto positivo que têm na geração de empregos em si e o quanto suas idéias e competência estimula funcionários, fornecedores e consumidores.

Dizem também que estes “muito ricos” o são por herança, não por mérito. Em alguns casos é verdade, mas nos 62 mais ricos que ilustram a pesquisa, parte importante é de pessoas que construíram a própria fortuna.

De qualquer maneira, resta claro que há muito mais de inveja e desejo irracional de “vingança” do que de crítica consistente nas muitas linhas que produziram. Resta claro também que a solução que desenham cria a igualdade deixando todos pobres.  Impossível não lembrar aqui da famosa frase de Joãozinho Trinta: “intelectual é que gosta de miséria, pobre gosta de luxo”.

 

(1) Em novembro de 2017 publiquei o artigo LENIN DESCREVE O FRACASSO DA DEMOCRACIA E DA LIBERDADE NO SOCIALISMO em que ironicamente fica claro que o grande pensador da Revolução Russa concordava que funcionários qualificados pelo capitalismo são fundamentais para o sucesso da atividade econômica nas fábricas e onde mais se deseje gerar riqueza. Não deixe de ler. É bastante didático.

 

Segue a lista dos 62 bilionários que a esquerda adoraria punir:

1 Bill Gates – US$ 79,2 bi –   Microsoft – EUA

2 Carlos Slim Helu – US$ 77,1 bi –   telecom – México

3 Warren Buffett – US$ 72,7 bi –   Berkshire Hathaway – EUA

4 Amancio Ortega – US$ 64,5 bi –   Zara – Espanha

5 Larry Ellison – US$ 54,3 bi –   Oracle – EUA

6 Charles Koch – US$ 42,9 bi –   diversos – EUA

7 David Koch – US$ 42,9 bi   – diversos – EUA

8 Christy Walton – US$ 41,7 bi    – Wal-Mart  – EUA

9 Jim Walton – US$ 40,6 bi    – Wal-Mart – EUA

10 Liliane Bettencourt – US$ 40,1 bi   – L’Oreal – França

11 Alice Walton – US$ 39,4 bi    – Wal-Mart – EUA

12 S. Robson Walton – US$ 39,1 bi    – Wal-Mart – EUA

13 Bernard Arnault – US$ 37,2 bi   – LVMH – França

14 Michael Bloomberg – US$ 35,5 bi    – Bloomberg LP – EUA

15 Jeff Bezos – US$ 34,8 bi    – Amazon.com – EUA

16 Mark Zuckerberg – US$ 33,4 bi   – Facebook – EUA

17 Li Ka-shing – US$ 33,3 bi    – diversos – Hong Kong

18 Sheldon Adelson – US$ 31,4 bi    – cassinos – EUA

19 Larry Page – US$ 29,7 bi    – Google – EUA

20 Sergey Brin – US$ 29,2 bi     – Google – EUA

21 Georg Schaeffler – US$ 26,9 bi    – rolamentos – Alemanha

22 Forrest Mars Jr. – US$ 26,6 bi    – doces – EUA

22 Jacqueline Mars – US$ 26,6 bi    – doces – EUA

22 John Mars – US$ 26,6 bi     – doces – EUA

25 David Thomson – US$ 25,5 bi     – mídia – Canadá

26 Jorge Paulo Lemann – US$ 25 bi     – bebidas – Brasil

27 Lee Shau Kee – US$ 24,8 bi     – imóveis – Hong Kong

28 Stefan Persson – US$ 24,5 bi    – H&M – Sweden

29 George Soros – US$ 24,2 bi    – hedge funds – EUA

29 Wang Jianlin – US$ 24,2 bi     – imóveis – China

31 Carl Icahn – US$ 23,5 bi    – investimentos – EUA

32 Maria Franca Fissolo – US$ 23,4 bi     – Nutella – Itália

33 Jack Ma – US$ 22,7 bi      – comércio digital – China

34 Prince Alwaleed bin Talal Alsaud – US$ 22,6 bi     – investimentos – Arábia Saudita

35 Steve Ballmer – US$ 21,5 bi     – Microsoft – EUA

35 Phil Knight – US$ 21,5 bi     – Nike – EUA

37 Beate Heister & Karl Albrecht Jr. – US$ 21,3 bi      – supermercados – Alemanha

38 Li Hejun – US$ 21,1 bi –       equipamento de energia solar – China

39 Mukesh Ambani – US$ 21 bi –     petroquímicos, óleo e gás – Índia

40 Leonardo Del Vecchio – US$ 20,4 bi     – óculos – Itália

41 Len Blavatnik – US$ 20,2 bi    – diversos – EUA

41 Tadashi Yanai – US$ 20,2 bi     – varejo – Japão

43 Charles Ergen – US$ 20,1 bi      – Dish Network – EUA

44 Dilip Shanghvi – US$ 20 bi     – farmacêuticos – Índia

45 Laurene Powell Jobs – US$ 19,5 bi     – Apple, Disney – EUA

46 Dieter Schwarz – US$ 19,4 bi    – varejo – Alemanha

47 Michael Dell – US$ 19,2 bi      – Dell – EUA

48 Azim Premji – US$ 19,1 bi     – software- Índia

49 Theo Albrecht Jr. – US$ 19 bi     – Aldi, Trader Joe’s – Alemanha

50 Michael Otto – US$ 18,1 bi     – varejo, imóveis – Alemanha

51 Paul Allen – US$ 17,5 bi     – Microsoft, investimentos – EUA

52 Joseph Safra – US$ 17,3 bi     – financeiro – Brasil

53 Anne Cox Chambers – US$ 17 bi      – mídia – EUA

54 Susanne Klatten – US$ 16,8 bi BMW     –  farmacêuticos – Alemanha

55 Pallonji Mistry – US$ 16,3 bi       – construção – Irlanda

56 Ma Huateng – US$ 16,1 bi     – mídia – China

57 Patrick Drahi – US$ 16 bi     – Telecom – França

58 Thomas & Raymond Kwok – US$ 15,9 bi     imóveis – Hong Kong

59 Stefan Quandt – US$ 15,6 bi     – BMW – Alemanha

60 Ray Dalio – US$ 15,4 bi –      Hedge funds – EUA

60 Vladimir Potanin – US$ 15,4 bi     – metais – Rússia

62 Serge Dassault – US$ 15,3 bi      – aviação – França

 

Artigo de Paulo Falcão.

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