Michel Temer - foto de Murillo Constantino

Em 08 de novembro de 2014, uma semana após a reeleição de Dilma, publiquei um artigo em que dizia: “Se Dilma abandonar a cartilha do PT e colocar gente que o mercado reconheça como competente à frente da economia, tudo vai se acalmar. Se insistir nos imodestos companheiros e neste script para o desastre, a vida dos brasileiros será cada vez mais um inferno. O demônio da economia não aceita desaforos por muito tempo”.

Aquele era o momento de corrigir a rota e evitar o impeachment. Não haveria clima para condená-la pelas pedaladas com a economia entrando no eixo, com as contas públicas melhorando.

Dilma até ameaçou fazer a coisa certa nomeando Joaquim Levy e conseguiu com isto algum crédito, “comprou” algum tempo. Mas logo ficou claro que o PT não aceitava quaisquer ajustes. Ficou claro que não reconheciam o desastre financeiro que haviam criado. Queriam aprofundá-lo. Seguindo a cartilha destes desafetos da matemática o Brasil caminharia para ser uma nova Venezuela.

O mais grave é que não enxergam isto. Não reconhecem a relação de causa e efeito entre a irresponsabilidade fiscal e o desarranjo da economia. Para eles, recessão, desemprego e inflação não são culpa de má gestão, mas do mercado, dos golpistas, da mídia. A culpa é sempre externa.

Agora que Temer assume é bom lembrar novamente: “o demônio da economia não aceita desaforos por muito tempo”.

É preciso sinalizar rapidamente que o novo governo tem real compromisso com a responsabilidade fiscal, com o controle da inflação e com a eficiência na gestão.

Se isto é importante sempre, é fundamental agora. A campanha de 2018 começa hoje. O fracasso do governo Temer fortalece Lula e o PT. Lula sabe que a saída de Dilma lhe é eleitoralmente vantajosa, caso não seja preso antes.

O PT e suas franjas farão de tudo para paralisar o Brasil. Farão de tudo para que nada funcione.

Assim, não basta a Temer fazer o básico. É preciso fazer um governo de excelência (não de excelências, se me perdoam o trocadilho).

É preciso igualmente dar total apoio à Lava-Jato, ao ministério público e à Polícia Federal.

Sem isto, Temer não tira o Brasil do buraco em que o PT colocou o país e ainda fornece ao PT e ao poderoso chefão Lula um elevador panorâmico para o alto das pesquisas nas próximas eleições presidenciais.

 

Artigo de Paulo Falcão.

 

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