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Ter babá só era notícia em revistas tipo Caras, em que se lê coisas como “Fulana de Tal atravessou a rua com os filhos e a babá para tomar um suco”. Neste 13 de março as publicações “políticas” financiadas pelo PT viveram seu dia de revista Caras. Foi uma glória. A cena do casal indo à passeata com os filhos e a babá foi imediatamente transformada em “denúncia. É uma bobagem que nem mereceria comentários, mas a coisa foi adiante. Descobriu-se que o homem da foto, Claúdio Pracownik, foi diretor da Brasif quando FHC era presidente e aproveitaram para trazer a história da amante de novo à cena, lembrando que a empresa pagava um salário de 3.000 dólares para a ex-jornalista e ex-amante que vivia na Europa.

Vamos lá. Ter babá ou amante não é exatamente um crime. Na França, ter amante é assunto privado e a imprensa nem noticia. Ter babá, então, só é assunto para quem não tem assunto.

Mas há a necessidade de desqualificar quem participou da megamanifestação e, veja só que sorte, já que Claúdio Pracownik é “o homem da Brasif” dá pra bater em FHC também.

Vou esquecer a babá, porque como já disse é tema para quem não tem assunto. Vamos nos concentrar na amante de FHC.

Observe que curioso. A versão amplamente divulgada por publicações que são tradicionais bonecos de ventríloquo do PT, como Carta Capital, Carta Maior, DCM, Brasil 247, Revista Forum e semelhantes vasculharam o assunto e o máximo que conseguiram foi dizer que FHC repassou 100 mil dólares à Brasif, que usou uma offshore nas Ilhas Cayman para transferir mensalmente o dinheiro à jornalista. Só. O resto ficou por conta da condenação moral por ter amante, por tê-la ocultado para não prejudicar eleição e outras irrelevâncias ditas em tom pomposo.

Prestem atenção: a acusação máxima da tropa de choque do PT é que FHC depositou dinheiro para a Brasif e esta repassou para a ex-amante. Pode não ser elogiável, mas não é nenhuma falcatrua.

Agora imagine se FHC tivesse feito o que fez Lula para sua amante. Lula deu a ela um belo e bem remunerado cargo no governo, cartão corporativo e várias mordomias pagas com dinheiro público. De certa maneira, do ponto de vista de Lula e do PT, não há nada de errado nisso, afinal o PT leva esta coisa de patrimonialismo muito a sério.

Lula então, pensa assim: se é público é meu. Logo, que mal há em usar dinheiro público para custear a boa vida da amante? Que mal há em ocupar um supercofre do Banco do Brasil desde 2011 sem pagar um tostão? Que mal há em levar embora obras de arte, faqueiros e outros bens do Palácio da Alvorada?

Note que nem falei em sítio, tríplex ou filhos milionários da noite para o dia.

Para efeito de comparação é suficiente observar como cada um ajudou financeiramente a amante: FHC com o dinheiro dele. Lula com o meu, o seu, o nosso dinheiro.

Os petistas não querem de volta “o tempo de FHC”, querem perpetuar “o tempo do Lula”, o tempo do vale tudo.

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