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Janio de Freitas é certamente um ativo “soldado do PT”¹. Há quem o considere um jornalista e colunista, mas a leitura atenta do que produz revela que lhe falta o básico para a função: independência e isenção. Sua indignação seletiva e a capacidade de defender Lula, José Dirceu e o PT com fidelidade canina o transformam em outro tipo de profissional: é hoje um relações públicas especializado na redução de danos. Sua ação não visa informar, mas defender o “cliente”.

O artigo abaixo é mais uma demonstração do que afirmo. Tece uma narrativa baseada mais em boatos que em fatos e insinua, já no título, uma “teoria da conspiração”. Não há novidade nisso, já que esta é a narrativa oficial do PT e há algum tempo Janio se comporta com a independência de um boneco de ventríloquo sentado no colo das lideranças petistas.

Leiam o artigo e observem que o mais importante é o não dito: não há uma única linha de crítica a Lula, seus filhos, ou o PT. Não há uma única linha de dúvida, de questionamento. Não há citação dos motivos que levaram à investigação. Não há qualquer palavra que remeta à surrealista narrativa criada por Lula e seus advogados para explicar tanto dinheiro, tantos favores, tantas coincidências.

Para o inimigo Sergio Moro e outras personalidades da Lava Jato sobram insinuações, suspeições e ataques diretos. Sobre os amigos investigados, apenas silêncio.

É surpreendente que alguém ainda o leve a sério.

Segue o artigo publicado originalmente na Folha de São Paulo. Volto no final para arrematar.

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O plano obscuro

 

Em condições normais, ou em país que já se livrou do autoritarismo, haveria uma investigação para esclarecer o que o juiz Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato intentavam de fato, quando mandaram recolher o ex-presidente Lula e o levaram para o Aeroporto de Congonhas. E apurar o que de fato se passou aí, entre a Aeronáutica, que zela por aquela área de segurança, e o contingente de policiais superarmados que pretenderam assenhorear-se de parte das instalações.

 

Mas quem poderia fazer uma investigação isenta? A Polícia Federal investigando a Polícia Federal, a Procuradoria Geral da República investigando procuradores da Lava Jato por ela designados?

 

É certo que não esteve distante uma reação da Aeronáutica, se os legionários da Lava Jato não contivessem seu ímpeto. Que ordens de Moro levavam? Um cameramen teve a boa ideia, depois do que viu e de algo que ouviu, de fotografar um jato estacionado, porta aberta, com um carro da PF ao lado, ambos bem próximos da sala de embarque VIP transformada em seção de interrogatório.

 

É compreensível, portanto, a proliferação das versões de que o Plano Moro era levar Lula preso para Curitiba. O que foi evitado, ou pela Aeronáutica, à falta de um mandado de prisão e contrária ao uso de dependências suas para tal operação; ou foi sustado por uma ordem curitibana de recuo, à vista dos tumultos de protesto logo iniciados em Congonhas mesmo, em São Bernardo, em São Paulo, no Rio, em Salvador. As versões variam, mas a convicção e os indícios do propósito frustrado não se alteram.

 

O grau de confiabilidade das informações prestadas a respeito da Operação Bandeirantes, perdão, operação 24 da Lava Jato, pôde ser constatado já no decorrer das ações. Nesse mesmo tempo, uma entrevista coletiva reunia, alegadamente para explicar os fatos, o procurador Carlos Eduardo dos Santos Lima e o delegado Igor de Paula, além de outros. (Operação Bandeirantes, ora veja, de onde me veio esta lembrança extemporânea da ditadura?)

 

Uma pergunta era inevitável. Quando os policiais chegaram à casa de Lula às 6h, repórteres já os esperavam. Quando chegaram com Lula ao aeroporto, repórteres os antecederam. “Houve vazamento?” O procurador, sempre prestativo para dizer qualquer coisa, fez uma confirmação enfática: “Vamos investigar esse vazamento agora!”. Acreditamos, sim. E até colaboramos: só a cúpula da Lava Jato sabia dos dois destinos, logo, como sabe também o procurador, foi dali que saiu a informação –pela qual os jornalistas agradecem. Saiu dali como todas as outras, para exibição posterior do show de humilhações. E por isso, como os outros, mais esse vazamento não será apurado, porque é feito com origem conhecida e finalidade desejada pela Lava Jato.

 

A informação de que Lula dava um depoimento, naquela mesma hora, foi intercalada por uma contribuição, veloz e não pedida, do delegado Igor Romário de Paula: “Espontâneo!”. Não era verdade e o delegado sabia. Mas não resistiu.

 

Figura inabalável, este expoente policial da Lava Jato. Difundiu insultos a Lula e a Dilma pelas redes de internet, durante a campanha eleitoral. Nada aconteceu. Dedicou-se a exaltar Aécio, também pela rede. Nada lhe aconteceu. Foi um dos envolvidos quando Alberto Youssef, já prisioneiro da Lava Jato, descobriu um gravador clandestino em sua cela na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Nada aconteceu, embora todos os policiais ali lotados devessem ser afastados de lá. E os envolvidos, afastados da própria PF.

 

Se descobrir por que a inoportuna lembrança do nome Operação Bandeirantes, e for útil, digo mais tarde.

 

Link para o artigo original: http://goo.gl/8spZTQ

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VOLTO PARA CONCLUIR

Há um ano, em março de 2015, vazava o comunicado da SECOM que resultou na queda de Thomas Traumann. Nele, lia-se esta pérola: “A guerrilha política precisa ter munição vinda de dentro do governo, mas ser disparada por soldados fora dele”.

Diariamente nos deparamos com a materialização desta tese. Não é a primeira vez que chamo a atenção para este fato, como pode ser visto aqui. O autor caiu, mas os métodos seguem entranhados no DNA do governo do PT.

Hoje, além de Janio de Freitas, a Carta Maior publicou artigo de teor semelhante, reproduzido pelo Diário do Centro do Mundo intitulado AERONÁUTICA ‘IMPEDIU’ MORO DE LEVAR LULA A CURITIBA.

Se você já descobriu que Papai Noel não existe, certamente percebeu que deve ser mais que coincidência apenas notórios publicadores de press-releases do Governo Federal repercutirem esta tese folhetinesca.

 

Link para a matéria da Carta Maior no DCM: http://goo.gl/ABHOMl

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1 – A origem do termo “Soldado do PT” é justamente esta frase do comunicado da SECOM: “A guerrilha política precisa ter munição vinda de dentro do governo, mas ser disparada por soldados fora dele”.

 

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