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O capitalismo, como a democracia, tem muitos defeitos. Alguns graves. Mas veja só que curioso: desde a revolução industrial, a experiência democrática só ocorreu em países capitalistas e permitiu uma revolução impressionante das sociedades em termos de direitos civis, direitos trabalhistas, liberdade individual e direitos para minorias.

O termo “revolucionário” é bem aplicado quando se analisa esta questão. Nenhum outro sistema político-econômico implantado desde o século XIX chegou perto das conquistas obtidas nas democracias liberais.

É preciso melhorar mais? Evidentemente há muito o que ser melhorado. A beleza da coisa é que as democracias liberais oferecem todas as ferramentas necessárias para que o indivíduo e/ou a sociedade lutem por tais mudanças, conquistem novos direitos, implantem novos conceitos.

Bem, e fora das democracias liberais, como atua o capitalismo?

Analisando as experiências da China e da Índia pode-se dizer que o capitalismo em si também é um importante indutor de mudanças.

As mudanças na China são evidentes, embora não suficientes.

Na Índia, com seu milenar sistema de castas, começam a aparecer resultados surpreendentes, como podemos ver no artigo abaixo.

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COMO O CAPITALISMO ESTÁ DESTRUINDO O SISTEMA DE CASTAS NA ÍNDIA.

Por Swaminathan S. Anklesaria Aiyar, pesquisador associado ao Cato Institute com foco na Índia e na Ásia, tendo mestrado em Economia pela Oxford University, do Reino Unido.

Karl Marx estava errado sobre muitas coisas, mas em algo ele acertou: o ataque e destruição ao feudalismo promovido pelo capitalismo foi inigualável. Como explico em um novo estudo, desde as reformas econômicas de 1991, a ascensão do capitalismo na Índia vem minando o tradicional sistema de castas, uma hierarquia social rígida que punha quatro castas no topo e uma quinta casta – os dalits – abaixo da poeira levantada pelos pés das outras. Os dalits, comumente chamados de “intocáveis”, tradicionalmente não tinham acesso a qualquer meio de vida que não envolvesse a servidão para os donos de terras e a execução dos trabalhos mais sujos, e que, quase sempre, eram vetores de doenças, como limpar fossas sanitárias e manusear corpos de humanos e animais mortos. A abertura da economia indiana permitiu aos dalits abandonar suas antigas ocupações e lhes abriu caminho para iniciarem seus próprios empreendimentos.

A Câmara do Comércio e Indústrias dos Dalit Indianos (em inglês, DICCI) conta hodiernamente com mais de 3.000 milionários entre os seus membros. Esta revolução ainda está engrenando, mas já é incontrolável.

Milind Kamble, presidente do DICCI, acredita que o capitalismo tem sido fundamental para derrubar o antigo sistema de castas. Durante o período em que a Índia vivenciou uma experiência quase socialista de planejamento econômico, alguns poucos industriais detinham concessões para operar e costumavam requisitar insumos e serviços de logística apenas para membros da sua própria casta. Entretanto, após as reformas econômicas de 1991, as empresas rapidamente descobriram que para sobreviver em um mercado mais livre, elas tinham que se tornar mais competitivas. O que importava agora não era mais a casta do fornecedor, mas o preço que ele ofertava.

A falta de eficiência levou um sem número de companhias há muito tempo estabelecidas a falência, abrindo novos espaços que poderiam ser preenchidos por novos empreendedores, inclusive dalits. Os membros do DIOCCI faturaram 500 milhões de dólares em 2014 e objetam dobrar esse número em cinco anos. Para Kamble, os dalits deixaram de ser objeto de pena e passaram a ser objeto de inveja. Eles deixaram de procurar empregos para se tornarem criadores de empregos.

Até mesmo nas áreas rurais os dalits obtiveram melhoras nas duas últimas décadas. Uma pesquisa conduzida no estado de Uttar Pradesh mostra que a quantidade de dalits que moram em casas de tijolos saltou de 38 para 94%, o número dos que tem o próprio negócio saiu de 6 para 36,7%, e a porcentagem daqueles que tem o próprio celular aumentou de 0 para 33%. Uma quantidade crescente de dalits tem adquirido terras, e, às vezes, até mesmo contratam pessoas de casta superiores. Para os dalits, o mais revolucionário disso tudo é a mudança em seu status social.

No passado, eles eram encarados como mão de obra destinada a serviços sujos, e não podiam comer ou beber junto as castas mais altas. Agora, a maior parte destes trabalhos foi eliminada, e os dalits são donos dos restaurantes em que as castas altas comem e bebem. Eles ainda continuam relativamente pobres e sofrendo discriminação, mas as reformas econômicas vêm revolucionando desde 1991 seu status econômico e social.

 

Link para o artigo original: http://goo.gl/cEHvUW

 

 

 

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