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O MOVIMENTO PASSE LIVRE E O ALMOÇO GRÁTIS – TUDO BEM PRA VOCÊ PAGAR A CONTA?

passe livre

Em São Paulo, da gestão de Jânio Quadros que começou em 1986 à de Haddad, que está em seu quarto ano de governo, o melhor momento do transporte por ônibus foi de 1991 a 1993, os três últimos anos de gestão de Luiza Erundina na prefeitura. Sabe por que? Porque ela passou a remunerar as empresas que faziam parte do sistema por um processo em que 80% da remuneração era paga por quilômetro rodado e 20% por passageiro transportado.

Havia a CMTC, empresa pública, e diversas empresas privadas operando centenas de linhas. Os técnicos da prefeitura e da CMTC, junto com lideranças do sindicato dos transportes impuseram às empresas privadas uma remuneração por quilômetro rodado baseada, majoritariamente, nos custos apurados na CMTC. A remuneração foi fixada no limite do prejuízo. A margem seria mínima para as empresas privadas. Seria.

Ocorre que as empresas privadas eram bem mais eficientes e bem administradas que a CMTC e conseguiam ter um bom lucro real operando com tarifas que, para a CMTC, mal pagavam os custos.

O resultado foi ótimo para os passageiros: tarifa baixa, mais e melhores ônibus em todos os horários, inclusive de madrugada, e grande redução da lotação dos veículos.

Foram anos de ouro para os usuários e para as empresas que operavam as linhas.

Só tinha um problema: custava caríssimo aos cofres municipais. Este programa quebrou a CMTC (que tinha servido de base para o cálculo das tarifas) e ameaçava quebrar a prefeitura.

Como a tarifa paga pelos passageiros não cobria os custos do sistema, era preciso subsidiar o transporte com impostos, ou seja, com dinheiro público.

Neste ponto é importante lembrar duas coisas essenciais.

Primeiro, se o sistema fosse todo público, sem participação da iniciativa privada, não teria custado mais barato (talvez custasse até mais caro, já que os custos foram baseados na CMTC, empresa pública e ela quebrou porque a remuneração não cobria realmente seus custos).

Segundo, que dinheiro público não é dinheiro fácil, não é dinheiro de ninguém, não é de quem chegar primeiro. Dinheiro público é dinheiro suado que cada cidadão ganha com seu trabalho e entrega ao estado esperando que ele faça bom uso deste recurso e devolva à população serviços públicos de qualidade em saúde, educação, segurança pública, saneamento, urbanização, cultura e, evidentemente, transporte.

Como os recursos (o dinheiro dos impostos) são finitos, o governo, representando a sociedade que o elegeu, deve identificar as áreas prioritárias para receber estes recursos.

Assim, voltamos à Erundina, ao Movimento Passe Livre e ao almoço grátis que não existe.

No final de sua gestão Erundina já havia percebido que o modelo que adotara não era sustentável sem reduzir despesas com educação, saúde e outras áreas importantes. A única alternativa viável naquele momento era aumentar a receita pelo aumento do preço das passagens e reduzir os custos voltando ao sistema de remuneração por passageiro transportado.

A situação é semelhante hoje com os pleitos do Movimento Passe Livre. Nem vou entrar no mérito de que são vândalos tentando “acirrar as contradições sociais” para ver se rola uma revoluçãozinha ou ao menos o fortalecimento dos partidos de esquerda.

Vamos esquecer a luta política e pensar na reinvindicação em si.

Discutir se a tarifa zero é desejável é sim oportuno. Vale a reflexão. Mas não se pode discutir o problema de forma abstrata. É fundamental ser objetivo e lembrar que para ela ser zero para os usuários, eu, você e todo aquele que ganha dinheiro com o suor de seu rosto vai pagar mais impostos para tornar este benefício possível.

O MPL não está preocupado do isto, claro, como não está preocupado com o transporte em si. O tema, para eles, é antes de tudo uma bandeira, um pretexto para dar visibilidade às suas teses que já eram velhas no século passado.

Mas é sim importante para a sociedade, tanto do ponto de vista prático (o transporte em si) como para discutir de forma clara onde gastar melhor o dinheiro dos impostos.

Lembre-se que a expressão “não existe almoço grátis” significa que alguém sempre paga a conta. Neste caso, nós, os pagadores de impostos.

Você está disposto a dar mais dinheiro para o governo?

________________

SOBRE O MOVIMENTO PASSE LIVRE

Em 2013 o MPL entrou nos holofotes da mídia nacional. Alguns poucos jornalistas criticaram o movimento, mas a maioria aplaudiu entusiasmada o tal “movimento horizontal, autônomo, independente e apartidário, mas não antipartidário”. Fez muito sucesso o “movimento sem líderes” mas, curiosamente, com lideranças – ou alguém acredita que os representantes que foram ao Roda Viva em 2013 foram escolhidos por sorteio?

Quanto ao que quer realmente o Movimento Passe Livre, posso estar errado. Pode ser que eles discordem do que apresentam como valores e objetivos no próprio site. É um pouco esquizofrênico, mas possível.

No site do movimento ainda hoje consegui localizar este trecho (pode ser que tirem do ar em algum momento):

“O MPL não tem fim em si mesmo, deve ser um meio para a construção de uma outra sociedade. Da mesma forma, a luta pela Tarifa Zero não tem um fim em si mesma. Ela é o instrumento inicial de debate sobre a transformação da atual concepção de transporte coletivo urbano, rechaçando a concepção mercadológica de transporte e abrindo a luta por um transporte público, gratuito e de qualidade, como direito para o conjunto da sociedade; por um transporte coletivo fora da iniciativa privada, sob controle público (dos trabalhadores e usuários).

O MPL deve ter como perspectiva a mobilização dos jovens e trabalhadores pela expropriação do transporte coletivo, retirando-o da iniciativa privada, sem indenização, colocando-o sob o controle dos trabalhadores e da população. Assim, deve-se construir o MPL com reivindicações que ultrapassem os limites do capitalismo, vindo a se somar a movimentos revolucionários que contestam a ordem vigente. Portanto, deve-se participar de espaços que possibilitem a articulação com outros movimentos, sempre analisando o que é possível fazer de acordo com a conjuntura local.”

Link para a página aqui.

Mas o que me interessa não são eles e sim você que está lendo: se entende a democracia como um valor fundamental e não negociável, todo o resto são negociações, lutas e demandas legítimas. Se não entende a democracia desta maneira, se não acredita na força e necessidade da democracia, se aceita soluções que a suprima, sinto muito, mas você quer uma ditadura. Pode ser uma ditadura bem-intencionada, mas ainda assim ditadura.

Não é simples, mas é assim.

 

Artigo de Paulo Falcão.

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46 comentários em “O MOVIMENTO PASSE LIVRE E O ALMOÇO GRÁTIS – TUDO BEM PRA VOCÊ PAGAR A CONTA?

  1. Matheus Padilha
    01/31/2016

    Sinceramente, lendo aqui alguns dos textos, relativamente bons em sua maioria (viva o debate de idéias acerca de questões relevantes) eu vejo que o autor frenquentemente esbarra em um limite. Esse limite é nada mais que uma ânsia (inconsciente talvez) de sempre girar em torno de uma mesma questão: a velha (velha mesmo) querela necessária entre mercado/estado, Ideologia capitalista liberal/Comunismo. Acusa o ultrapassado panfletarismo (que é ultrapassado mesmo) de uma datada militância revolucionária com argumentos de um “novo-velho” argumento de viés supostamente liberal, mais ultrapassado ainda. Hoje em dia as coisas são muito mais complexas e, num debate (sobre um movimento na Cidade de São Paulo), mandar do nada: “Um movimento como o MPL em Cuba, Coréia do Norte ou China terminaria com todos presos ou mortos. Na China, em 1989, um grupo de universitários fez um movimento pacífico acampando na praça da paz celestial.” (vide primeira resposta ao comentário de um leitor). Pelo amor de Deus, não é difícil enxergar que esse tipo de argumentação fede a mofo? As coisas nos dias de hoje são muito mais complexas, o diabo e o capeta já se mataram faz anos e tem muita gente (“esquerdista” ou “direitista”) que não quer enterrá-los. A questão do transporte público no Brasil é infinitamente complexa, as mobilizações sociais (sua composição) também são, O MPL (em sua totalidade e em suas reinvindicações) não é uma coisa só, a mesma coisa tanto para a violência policial quanto para ação ou reação violenta de manifestantes. A própria realidade do sistema de transporte demonstra como há uma imbricação complexa entre interesses (e recursos) públicos e privados. Um manifestante é necessariamente um Black Block? Todo “MPL” é Black Bolck? O Black block é uma coisa só ou é bem menos do que o discurso oficial pinta? O MPL é só passagem grátis? Quanto se perde (em dinheiro mesmo) com uma manifestação? Quanto se ganha (em dinheiro mesmo) lutando pela melhoria do transporte público? A polícia está preparada pra lidar com manifestações? Porque a maioria esmagadora de manifestações no Brasil são reprimidas violentamente? Foram os Black Blocks (seja lá o que isso realmente for atualmente) que inventaram a violência e o vandalismo na manifestações do Brasil? O transporte oferecido ao público é precário por causa do excesso ou falta de ingerência/regulação do Estado? Há uma prestação de contas das concessionárias de transporte? E os subsídios? Quantas vezes estamos pagando pelo nosso transporte? Essas são somente algumas das questões que tangem o assunto. Temos que ter muito cuidado para não elegermos um Cristo só.

    • Questões Relevantes
      02/03/2016

      Matheus, suas ponderações são boas no geral. No que tange à “velha questão” ideológica, eu gostaria imensamente que já estivesse realmente superada, mas não está. O próprio site do MPL demonstra com todas as letras que aos sonhos do século XIX continuam assombrando os viventes do século XXI. No blog há alguns debates com titulados professores e professoras de universidades estaduais de renome e que chegam a ser constrangedores para estas instituições.

      Quanto ao transporte em si, acho que precisa ser remodelado, ter maior pontualidade e mais conforto. Pode-se até discutira gratuidade. Mas tudo tem que ser feito com clareza e respeito ao princípio da responsabilidade fiscal. Do contrário, o desastre é certo.

      • Matheus Padilha
        02/03/2016

        No Brasil, perde-se muito tempo discutindo as formas de discutir as discussões – e aí eu concordo que há um ranço de um tipo de academicismo de botequim, supostamente revolucionário, muito presente e estimulado na comunidade acadêmica e espraiado nas militâncias sindicais e afins. Percebe-se que, aos poucos, com a atual fissura que se abre no pacto corporativista que alimentou esses discursos nas últimas décadas, essas perspectivas tendem a perder peso e alcance. Mas não não foi somente a esquerda institucional que perdeu com isso, pois os setores “liberais” dominantes também se alimentam, e muito, desse tipo de visão de mundo – pois como ela tenta explicar muita coisa acaba mesmo é por esconder, deixando questões objetivas cheias de nuances perdidas nas brumas do maniqueísmo teórico.

        Vale lembrar que hoje opera-se um movimento pendular, partindo do extremo de um esquerdismo mofado e corporativista acima citado para um dito liberalismo de cunho acentuadamente reacionário, que se aproveita da perda de legitimidade da perspectiva social reduzindo-a perversamente a pura relação de mercado.

        Acontece que esse reacionarismo hoje é menos teórico e sabe que vai poder surfar a toda velocidade na onda provocada pelo esgotamento do populismo fiscal corporativista, já que seu discurso ideológico conta com a contribuição do contexto de crise.

        É nesse sentido que o Movimento Passe Livre se mostra interessante, pois apesar de apresentar um discurso simplista no seu slogam, insere-se com grande poder de mobilização para as ações diretas e entra na urgência do processo num ponto crucial que é a prestação de serviços públicos – no caso do transporte público.

        As manifestações são perfeitas? Não, mas é o que efetivamente temos para além da da masturbação acadêmica (destra ou canhota) de gabinete.

      • Questões Relevantes
        02/03/2016

        Matheus, baseado em seus comentários, acredito que no geral tenho mais pontos de convergência do que de divergência com você, mas certamente o MPL é um dos pontos de divergência. Onde você vê um sopro de novidade, vejo o ranço de velhas idéias (que são o objeto de minha crítica). A novidade do MPL está mais na forma que no conteúdo. A forma cuidadosamente planejada de ter uma face visível para a ação de reinvindicação e outra mascarada para os atos de vandalismo se mostrou bastante articulada e eficente para escapar de punições. Não vejo com bons olhos esta “inteligência” a serviço de uma ideologia que despreza a democracia.

        Por fim, saíndo do MPL e voltando ao debate ideológico na cademia e na mídia, vejo que são poucos, muito poucos, aqueles que estão dispostos a um debate racional, em que se analisa e considera os argumentos em contrário, como estamos fazendo aqui.

        De qualquer maneira, apesar de poucos, existimos. O meu objetivo com este blog é justamente dar visibilidade e espaço a esta discussão e, quem sabe, demonstrar que a racionalidade é possível.

  2. Caio
    01/23/2016

    Concordo em partes com o texto. Acredito que a tarifa zero é tratada de maneira abstrata nas manifestações, mas também acho que os integrantes do movimento se saíram bem no debate do roda viva em 2013. É claro que não foram lá por sorteio foram selecionados no grupo por serem bons argumentadores. E é claro que existem lideranças, mas isso não quer dizer que haja UM lider. Mas a revindicação das manifestações não é o passe livre…isso é tratado nas próprias manifestações como uma meta a ser considerada e pensada, mas a revindicação é a revogação do aumento. O que para mim é com certeza a parte mais maniqueista da entrevista do Haddad hj (ignorar a real reivindicação das passeatas).

    Para além disso entendo que é um problema transferir o ônus dessa revogação para os cofres públicos, mas a questão é que é óbvio que existem irregularidades nos transportes da cidade, é óbvio pq a passagem é uma das mais caras em relação as horas de trabalho da população e pq há inúmeras denuncias de corrupção em relação ao metrô, que como de costume, no que tange o governo tucano, são abafadas pela mídia. E se for pra fazer uma aposta, creio que existem também irregularidades em relação aos ônibus.

    Quanto aos pontos que dizem respeito a administração da Erundina , não posso dizer muito pois não me lembro da época (rs), mas acho q a adminstração da Marta foi bastante transformadora com a inserção do Bilhete Único e corredores de ónibus, e mesmo na gestão atual observo uma grande renovação de frotas (se observar quase todos os ónibus agora são aqueles duplos gigantescos) além de novamente ter ampliado corrredores de onibus. Para ser sincero o pouco de simpatia que ainda possuo pelo PT vem no geral dessas intervenções no transporte público em SP, mas mesmo assim acho a passagem absurdamente cara e acho importante haver um movimento que problematize isso.

    No mais, as passeatas em que fui foram absolutamente pacíficas por parte dos manifestantes, mas fomos sempre tratados como terroristas, é um absurdo marchar em uma manifestação cercado enjaulado pela tropa de choque por todos os lados. É um absurdo o que ocorreu em 13 de jun de 2013 (quem estava lá sabe o terror que foi ser perseguido por todas as ruas fugindo do choque e das bombas pra todos os lados mesmo depois que a manifestação já havia sido dispersada), é um absurdo o que ocorreu no dia 12/1 onde a passeata não pode acontecer, e além disso fomos cercados por todos os lados sem poder dispersar enquanto atiravam bombas sem fim uma multidão pacífica e apavorada. (detalhe que quando começaram a atirar as bombas o cordão tentava ir no sentido consolação uma vez que o caminho sentido largo havia sido bloqueado pela PM. É claro que há momentos em que existem depredações, mas repito que nas manifestações em que estive presente sempre observei uma multidão pacífica. E para quem tem o estado democrático como algo tão caro e importante acho q é inadimissível ser conivente com o cerceamento do direito de manifestação imposto pelo atual governo, mesmo que seja contrário a pauta reivindicada.

    Acho muito importante que movimentos de esquerda se apoiem em uma pauta para tentar se fortalecer enfraquecer o PTismo, acho impressionante a quantidade de amigos que votaram na Dilma no primeiro turno, ainda que ela não defendesse nem a desciminalização do aborto, nem a descriminalização das drogas, nem a auditoria da dívida, nem nenhuma das pautas que são caras a maioria das pessoas próximas. Sei que vc acredita que boa parte dessas pautas não pertencem de fato à esquerda (com exeção da auditoria da dívida talvez), mas são pautas defendidas hj quase que exclusivamente por partidos de esquerda (na última eleição com maior representatividade na campanha do PSOL). Desse modo acredito que essa estratégia não só é totalmente compatível com a democracia, como acredito que é importante para a recosntrução da polaridade esquerda / direita no país, uma vez que boa parte da esquerda ainda é extremamente ligada ao PT sem que esse de fato apresente propostas ou políticas de esquerda, de modo que assistimos a uma tensão política de tocedores de futebol sem que de fato haja distancia suficiente entre as propostas colocadas pelos dois partidos hegemônicos do momento político. Acho importante que parte do eleitorado do Haddad vá as ruas e grite contra o prefeito (me pergunto: quando o eleitorado do PSDB vai as ruas e se coloca contra o partido, por ser contrário a uma medida da adminstração do mesmo? Acho q isso é extremamente importante em uma democracia real)

    • Questões Relevantes
      01/23/2016

      Caio, o principal ponto de suas ponderações que, em minha opinião, está equivocado é quando diz “E para quem tem o estado democrático como algo tão caro e importante acho q é inadmissível ser conivente com o cerceamento do direito de manifestação imposto pelo atual governo, mesmo que seja contrário a pauta reivindicada.”

      Em primeiro lugar, as manifestações aconteceram e, na medida em que ocorreram incidentes, vandalismos e confrontos, o policiamento foi aumentado e roteiros negociados para reduzir o impacto destes atos no trânsito da cidade, com planejamento de rotas alternativas.

      Ocorre que o MPL colhe maior visibilidade no confronto. Por estes dias discuti em algumas páginas e forums com integrantes do MPL que admitem que os Black Blocs são parte do movimento.

      Tenho certeza que houve abuso policial, mas para criticar a ação da PM e utilizar isto para criticar a democracia e o estado de direito como autoritários é preciso estabelecer algum parâmetro e o meu são os governos de esquerda.

      Um movimento como o MPL em Cuba, Coréia do Norte ou China terminaria com todos presos ou mortos. Na China, em 1989, um grupo de universitários fez um movimento pacífico acampando na praça da paz celestial. Há inclusive uma imagem símbolo que é um estudante bloqueando sozinho a passagem de um tanque de guerra. Fez muito sucesso naquela semana, com a cobertura da imprensa internacional. Na semana seguinte, o governo Chinês removeu a imprensa e matou todos os estudantes. Esta é uma das diferenças fundamentais entre autoritarismo, totalitarismo e o que defendo, a democracia liberal.

      • Simone W
        01/23/2016

        Nenhuma ditadura é aceitável. Nem a da esquerda nem a da direita. Ditadura não é uma prerrogativa da esquerda. O holocausto que o diga. Estamos falando de projetos de sociedade, não de práticas que se valem destes para manutenção do poder pelo poder.

      • Questões Relevantes
        01/23/2016

        Simone, concordo 100% e, em um artigo recente, digo que “O que os engenheiros sociais e outros pensadores não compreenderam é que, enquanto o Liberalismo Econômico é uma leitura da sociedade, uma tentativa de compreender como funciona uma sociedade fruto de milênios de desenvolvimento, Nazismo, Fascismo e Socialismo, por exemplo, são “projetos de sociedade”, são propostas de uma nova forma de organização que se propõe a abolir a atual e resolver os problemas do mundo.

        Este é o ponto. Toda filosofia procura explicar o mundo. Isto é produção de conhecimento. Quando a filosofia deixa de explicar o mundo e passa a propor outro mundo, a propor uma ruptura, deixa de ser filosofia e produção de conhecimento e passa a ser, antes de tudo, um projeto de poder.”

      • Lúcio Júnior Espírito Santo
        01/23/2016

        O liberalismo não é ideologia?

      • Simone W
        01/23/2016

        Sim! É ideologia.

      • Lúcio Júnior Espírito Santo
        01/23/2016

        O Paulo Falcão ainda mistifica a história. Que história é essa de que em 1989 o governo chinês ‘matou todos os estudantes”? O governo negociou muito e autoridades ouviram muitas críticas, até que os operários das fábricas aderiram e fizeram greve, o que jogou água fria no movimento.

      • Questões Relevantes
        01/23/2016

        Lúcio, é ideologia, mas é derivado de uma construção milenar. É uma tentativa de explicar como a sociedade se organiza, de criticar sua ética e suas escolhas. Nunca foi um “Projeto de Sociedade” como nazismo, fascismo e socialismo.

      • Simone W
        01/23/2016

        Lucio, o liberalismo foi e é, e ainda bem que está ficando cada vez mais no passado, o projeto da burguesia frente à sociedade feudal e suas relações de poder. A burguesia já havia conquistado o poder econômico, mas o político ainda estava nas mãos dos reis e do clero católico. Era preciso um sistema de pensamento que legitimasse esta mudança, e o liberalismo cumpriu este papel. Houve inegavelmente muitos avanços com esse pensamento, sobretudo o Estado laico. Mas, agora quem se tornou conservador, no sentido de não querer alterar relações de poder vigentes, são os liberais, lógico pq agora o poder, político e econômico, está com eles. A roda da história gira. E agora pelas mãos de quem questiona e quer dirimir esta relação de poder que já se tornou obsoleta

      • Questões Relevantes
        01/23/2016

        Simone, as democracias liberais são o que você descreveu, na origem, e são, cada vez mais obras abertas em constante processo de inclusão de atores e demandas. Esta é a beleza da coisa. E se você, como já disse, é contra qualquer tipo de ditadura, é nas democracias liberais que as sociedades humanas encontraram o melhor equilíbrio para a luta por direitos e solução pacífica de conflitos. Neste sentido, atacar a democracia liberal como sistema de governo e tentar substituí-la por outro tipo de sistema de governo (entre os modelos já formulados), é flertar com um futuro de autoritarismo ou totalitarismo. O próprio Marx teve a coragem de dizer, com todas as letras, que o socialismo só conseguiria suplantar a democracia através da ditadura do proletariado. A única alternativa libertária conhecida, a única realmente não totalitária, é o anarquismo, que já se provou inviável em sociedades complexas.

      • Simone W
        01/23/2016

        Reconheço os avanços da sociedade liberal Paulo. Não quero voltar para trás. Mas tb não acho que este seja o fim da história. O contraponto tem que existir. O pensamento único é a forma mais sutil e por isto mesmo mais perigosa de ditadura.

      • Bruno Da Costa Ribeiro
        01/23/2016

        Na verdade a jornalista e escritora Xue Xinran no Roda Viva em 2009, disse com todas as críticas q se tem ao horror perpetrado na praça da paz celestial. Uma verdade tem q ser dita, aqueles estudantes paralisaram completamente por semanas uma região do tamanho do estado de SP, e ela ainda completou dizendo “duvido q qualquer país democrático ou ditatorial toleraria tal afronta ao seu poder por muito tempo”, podemos lembrar casos similares mas não iguais em nosso país canudos, o período regencial etc, etc…

      • Questões Relevantes
        01/23/2016

        Bruno, em nenhum país democrático teria acontecido este massacre. E, se ocorresse, o governo cairia. Este movimento era, até onde sei, pacífico. Os estudantes estavam armados apenas com sonhos, esperança e iniciativa. Estavam adotando a estratégia vencedora de Gandhi. Para os totalitarismos, opositores estarem armados ou desarmados faz pouca diferença, como Stalin demonstrou bem com suas ações de terror e limpeza e a China ratificou. Assim, voltamos ao ponto: apenas nas democracias a luta por direitos, as manifestações e até mesmo confrontos são tolerados. Apenas nas democracias a mudança está constitucionalmente prevista. Apenas nas democracias o cidadão tem direitos até mesmo diante do poder do estado.

      • Bruno Da Costa Ribeiro
        01/23/2016

        Veja roda viva dela, ela não é nenhuma apoiadora de pequim, tire as suas próprias conclusões e pare de ouvir só um lado, qto a china ser um estado totálitario sempre foi msm qdo era dividida em feudos, a história tem sempre 2 lados.

      • Lúcio Júnior Espírito Santo
        01/23/2016

        Não houve ações de terror por parte de Stalin e sim por parte do judiciário por volta das vésperas da II Guerra, limpando a quinta-coluna. Preferia Hitler ter vencido?

      • Questões Relevantes
        01/23/2016

        Lúcio, embora já o conheça e saiba de suas preferências, sempre me comove vem alguém defender Stalin.

      • Lúcio Júnior Espírito Santo
        01/23/2016

        E pior ainda, sem que os antagonistas consigam argumentar.

      • Questões Relevantes
        01/23/2016

        Lúcio, este antagonista apresenta alguns argumentos: “E o que dizer do Terror que ceifa não só o que resta da velha guarda bolchevique, além de seus familiares, mas leva de roldão uma enorme quantidade de quadros políticos e técnicos, agora com prejuízos incalculáveis para a administração civil? E isso de modo ainda mais impressionante que os anteriores, pois que o expurgo, como estipulavam as famigeradas “ordens operacionais” do NKVD, se faz através de quotas, vale dizer, metas puramente quantitativas para as diferentes seções do partido espalhadas pelo país: não importa se inocentes ou culpados (de quê?), se leais ou não ao regime, o aparato repressivo deveria “produzir” um tanto de fuzilados, outro tanto de condenados a prisões mais ou menos longas, ou ainda a trabalhos forçados …”

      • Lúcio Júnior Espírito Santo
        01/23/2016

        Isso aí é em boa parte verdade, realmente existiram essas cotas mesmo, mas a velha guarda bolchevique não foi exterminada, não. Isso tb é mito. Uma parte do partido envolveu-se com a oposição: Zinoviev, Bukharin, Kamenev e outros envolveram-se com Trotsky.

      • Simone W
        01/23/2016

        Isso mesmo, Bruno. Nenhuma ditadura é aceitável. Nem a da esquerda nem a da direita. Ditadura não é uma prerrogativa da esquerda. O holocausto que o diga. Estamos falando de projetos de sociedade, não de práticas que se valem destes de maneira puramente ideológica, i.e., para a manutenção do poder pelo poder.

        E há tb a ditadura do mercado. A mais nefasta de todas, pois ubiqua e naturalizada. Ninguém vê (a mão invisível), todo mundo obedece e nem sabe porque. Assim como ditadura não é uma prerrogativa da esquerda, a democracia não é uma prerrogativa da direita.

      • Lúcio Júnior Espírito Santo
        01/23/2016

        “Somos pela república democrática enquanto melhor forma de estado para o proletariado em regime capitalista; mas não temos o direito de esquecer que a escravidão assalariada é a sorte do povo, mesmo na república burguesa mais democrática” Lenin

        “a democracia para a imensa maioria do povo é a repressão pela força, isto é, a exclusão da democracia, para os exploradores, para os opressores do povo. Eis a modificação que sofrerá a democracia na transição do capitalismo para o comunismo”. Lenin.

      • Questões Relevantes
        01/23/2016

        Lúcio, na questão salarial, a diferença entre o capitalismo e o socialismo é que no capitalismo você pode escolher o patrão, pode escolher ser patrão, pode fazer greve, montar sindicatos etc. No socialismo, só existe o estado patrão que também é dono do chicote, do porrete e das masmorras.

      • Lúcio Júnior Espírito Santo
        01/23/2016

        Mas e se o patrão não quiser comprar seu trabalho, vc morre de fome sem emprego e perde toda sua dignidade. Uai, conforme o momento vcs falam que o estado não obriga a trabalhar, que deixa o trabalhador preguiçoso, que o negócio é o chicote do patrão.

      • Questões Relevantes
        01/23/2016

        Não, Lúcio, isto é conversa de esquerdista de boteco. Vamos manter o nível do debate.

      • Simone W
        01/23/2016

        Vc confunde socialismo com ditadura, Paulo Falcão. Isto é pura ideologia. Vamos qualificar o debate.

      • Questões Relevantes
        01/23/2016

        Simone, eu não confundo, apenas tenho o cuidado de chamar as coisas pelo nome que elas têm. O próprio Marx faz esta distinção. O socialismo e a ditadura do proletariado são uma coisa só até o dia em que haja tal consciência de classe, tal sincronismo de desejos, que adentraremos na terra prometida chamada comunismo. Aliás, você é capaz de citar uma única experiência socialista não totalitária?

      • Simone W
        01/23/2016

        Não. Porquê nunca existiu.

      • Questões Relevantes
        01/23/2016

        Entendo, Simone Wolff. Então, “Compara-se o capitalismo real, existente, com a ideia do socialismo, forjada por aqueles que lhe atribuem todas as perfeições. Ou seja, atribui-se ao socialismo todas as perfeições e, de posse destes atributos, passa-se a verificar se eles “existem” no capitalismo.”

        Há quem chame isto de ciência. Eu chamo de mistificação.

      • Questões Relevantes
        01/23/2016

        Bruno, acabei de assistir ao programa Roda Viva que você indicou.

        Foi um dos programas mais tristes que já vi. Do início ao fim as declarações de Xinran Xue dão cor e materialidade à todas as críticas que faço ao socialismo e vai além ao revelar que 75% da China continua rural e ignorante.

        Quanto à questão da Praça da Paz Celestial, que começa em 1:07:22h do programa, ela não nega o que aconteceu, apenas, como você indicou, amplia o quadro, mostrando que além da ocupação da praça, havia movimentos que paralisavam 5 cidades. Isto indica que o número de mortos e de presos foi muito maior do que se imaginava. Também me chamou a atenção que ela, como você, de certa maneira relativiza e e justifica o massacre. Como disse antes, este massacre não aconteceria em nenhuma democracia liberal, e se acontecesse, certamente o Governo cairia.

        O vídeo reforça o que respondi ao Caio: um movimento como o MPL em Cuba, Coréia do Norte ou China terminaria com todos presos ou mortos.

    • Joao Paulo
      01/23/2016

      Só uma coisa, em todas as democracias avançadas europeias qualquer manifestação ou evento público deve ser acompanhado pela polícia, bem como bombeiros e socorristas. Em alguns lugares a falta de roteiro e a falta de um ofício da prefeitura da cidade é suficiente para impedir o acontecimento.

      Veja este vídeo: https://goo.gl/yO5FMd

  3. João Paulo
    01/23/2016

    A princípio você tem toda a razão, mas a realidade não é tão simples quanto você coloca. Primeiramente, há outras reformas tarifárias possíveis de se fazer que resultariam em uma cobrança mais justa pelo serviço fornecido, como por exemplo a cobrança diferenciada por percurso feito, criação de opções de bilhetes – anuais, mensais, semanais, por horário de circulação etc – mais vantajosos que as opções atuais. Além disso o usuário do transporte público se sente lesado pelo péssimo serviço fornecido e com aumento de tarifa, desde o último aumento até hoje as melhoras foram pífias e as reclamações continuam as mesmas. Assim é um pouco injusto repassar o ônus da incompetência na gestão pública para os cidadãos.
    Em segundo lugar há duas coisas diferentes: gasto e investimento. Quem paga a conta de gastos públicos é a população, já investimentos – se bem feitos – se pagam por conta própria. Nesse caso transporte público é investimento, bem como educação pública, saúde pública, segurança pública etc. Segundo um estudo realizado pela FGV a cidade de São Paulo tem um prejuízo anual de 11 bilhões de reais por conta do péssimo trânsito da cidade, imagine o quanto os cofres públicos estão perdendo por causa da péssima condição do transporte em São Paulo, imagine quanto se deixaria de gastar com tratamento de doenças decorrentes desse problema ( há estudos de Paulo Saldiva nessa área). Com certeza isso será mais que suficiente para pagar os subsídios necessários para manter a tarifa menor e oferecendo um serviço menor.

    Por último, é necessário uma mudança de mentalidade. Transporte público não é feito para gerar lucro – mesmo que gere retorno como dito acima. A Alemanha por exemplo tem um transporte público excelente e monopolizado por uma empresa estatal (DB) cujo o objetivo é não fechar no vermelho e esporadicamente necessita de injeções de dinheiro público, além do investimento do estado em infraestrutura. Aqui chegamos então ao ponto principal, uma cidade ou estado ou país que investe em transporte público tem suas contas pagas por uma melhoria na economia, pela maior arrecadação de tributos por pessoas que economizando dinheiro com transporte no fim do mês vão gastá-lo em serviços e produtos melhorando a economia. Não é uma questão se ou concordo com o MPL mas do que é certo em termos de políticas públicas.

    O custo do trânsito que eu disse está equivocado, e é apresentado aqui por um por um professor titular e vice presidente da FGV, em 2013 somou-se algo em trono de 30 bi em perdas:
    http://goo.gl/yHxWbg

    • Questões Relevantes
      01/23/2016

      João Paulo, considero o transporte público a única alternativa viável para São Paulo no longo prazo e acho que suas ponderações são ótimas. Descartaria apenas a cobrança por trecho porquê sacrifica ainda mais quem já mora longe, quase sempre por necessidade e não por opção. Conhecendo o Brasil e a ineficiência da maioria das empresas públicas quando comparadas com as privadas, acredito que o modelo ideal é o sistema ser operado por empresas privadas, mas com planilhas de custos abertas. Isto cria uma discussão madura e despolitizada da questão. Como digo no artigo, acho importante esta discussão, mas que seja da forma correta, deixando claro que existem custos e é necessário fazer escolhas. Quanto a concordar com p MPL, tenho certeza que você pode até concordar com alguma reivindicação, mas não o imagino concordando com a ideologia do movimento.

      • João Paulo
        01/23/2016

        Primeiro, sim; não concordo com a ideologia deles em nenhum sentido. E é exatamente isso que eu acho que eles tem algum mérito, trazer a discussão a tona. Eu achei só seu texto um pouco simplista na análise e quis trazer um contraponto porque de fato é muito difícil a gestão pública e é difícil responder se é justo e necessário e qual o tamanho do aumento de tarifa.

  4. Celso P
    01/15/2016

    Excelente artigo.

    Acrescento apenas que o MPL perdeu a discussão ao fugir da reunião com a polícia e o governo para decidir sobre o trajeto da passeata informando origem e destino. O MPL não quer negociação, nem discussão ou diálogo. Quer apenas provocar a polícia para dar início ao quebra-quebra e depois posar de mártir.

    Neste ponto a mídia tem ajudado bastante, fazendo o que mais sabe fazer na guerra pelos pontos do Ibope: jogar o povo contra as instituições, especialmente a polícia.

  5. luisfellin
    01/13/2016

    Todo seu argumento se baseia na premissa de que “as empresas privadas eram bem mais eficientes e bem administradas que a CMTC”, ou seja, outro clichê liberal tomado como axioma.

    • Questões Relevantes
      01/13/2016

      Luis Fellin, quer dizer que você considera clichê a constatação empírica de que, recebendo exatamente a mesma remuneração, as empresas privadas tiveram lucro e a pública prejuízo?

      Eu diria que onde eu entro com fatos, você entra com sonhos. Onde argumento com dados concretos, você, sem resposta, apela à desqualificação ad hoc.

      Não há surpresa no seu comentário, já que a própria teoria de base que supostamente fundamenta a ação do MPL e seus seguidores é, no máximo, um erro persistente. Simplesmente não há fatos que corroborem suas teses.

  6. Questões Relevantes
    01/12/2016

    Lúcio, eu não tenho medo nenhum, a não ser de que algumas pessoas de quem gosto muito fiquem presas nessa cano furada e atrasem suas vidas.

    A chance de sucesso desta gente, em termos de “revolução” é ZERO. Mas o mal que podem fazer aos bobos que os levam a sério é imenso. O resto é mais caso de polícia que de política, afinal o direito de manifestação é livre, mas o de vandalismo não.

  7. kkk Sim, Paulo, imagino sua cara quando que vc leu o que o MPL quer e sentiu um arrepio de medo, pois ele quer “o totalitarismo”, como disse outro dia Flávio Morgenstern.

    Há muitas administrações inviáveis Brasil afora com o aparato de leis neoliberais atuais, há muitas demitindo, ameaçando fechas as portas, etc. A questão é o intocável dinheiro do banqueiro que financia, em retorno, os “democratas” da democracia liberal. Por isso esse dinheiro é sagrado. Que morram os pobres na fila do SUS!

    • Questões Relevantes
      01/12/2016

      Lúcio, eu não tenho medo nenhum, a não ser de que algumas pessoas de quem gosto muito fiquem presas nessa cano furada e atrasem suas vidas.

      A chance de sucesso desta gente, em termos de “revolução” é ZERO. Mas o mal que podem fazer aos bobos que os levam a sério é imenso. O resto é mais caso de polícia que de política, afinal o direito de manifestação é livre, mas o de vandalismo não.

  8. Roniel Sampaio Silva
    01/10/2016

    Cerca de Metade dos recursos da união são destinados pra pagar uma dívida pública que nunca foi auditada e que não se reveste em benefício para o brasileiro, exceto para os banqueiros.

    Quando um benefício está em pauta como o passe livre, há muita preocupação: “nós vamos pagar a conta porque não existe almoço grátis”. É óbvio. Em tese, o Estado deveria existir para garantir o interesse da coletividade e todos pagam a conta do estado. Em tese, ele deveria existir para quem mais precisa.

    Enquanto a conta continua paga por nós para beneficiar banqueiros tá tudo bem. Ano passado pagamos mais de 1 trilhão de reais em uma dívida que só aumenta. Agora quando o estado se volta para beneficiar um número maior de pessoas aí é inadimissível porque “nós pagaremos esta conta e não existe almoço grátis” – aqueles clichês de economista formado no siste do von mises.

    A conta dos banqueiros podemos pagar sem reclamar que existe almoço grátis. As demais contas que beneficiam mais pessoas devem ser combatidas porque senão não sobra dinheiro pros banqueiros oprimidos, afinal o papel de muitos é defender os interesses deles na internet.

    O almoço grátis dos banqueiros é sagrado.

    • Evannoel De Barros Lima
      01/10/2016

      Boa Roniel. Todo mundo sabe que almoços e passagens não são grátis. Mas, isso não impede de termos transporte público de qualidade com passe livre. O Estado pode reverter parte de nossos impostos para isso. Afinal já pagamos em impostos almoço, janta, lanche e passagens. Temos que pagar outra vez por um transporte que nem de qualidade é?

    • Questões Relevantes
      01/10/2016

      Roniel e Evannoel, esta conversa de “auditoria da dívida” é uma bobagem. O PT, por exemplo, falava sobre isto ANTES de chegar à presidência, mas depois esqueceu, porque as dívidas são reais. Quando o estado gasta mais do que arrecada, precisa pegar dinheiro emprestado para fechar as contas. Esta é justamente a origem da Lei de Responsabilidade Fiscal: impedir o endividamento excessivo do estado, inviabilizando futuras administrações.

      O artigo tem três objetivos: lembrar que a “estatização” do transporte não garante custos menores, como demonstrou a experiência CMTC X Iniciativa privada; discutir o subsídio ao transporte de forma racional e não emocional; e deixar claro que para o MPL esta bandeira é apenas oportunismo político.

      Talvez seja oportuno vocês lerem também este artigo: O QUE ESPERAR DE UM GOVERNO QUE NÃO ACREDITA NA MATEMÁTICA? http://wp.me/p4alqY-m3

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