questões relevantes

espaço para debate de ideias sobre a cultura e a civilização

FUJA DE UM MUNDO MELHOR.

Cranios

O chamado Liberalismo Econômico e as democracias liberais são os promotores dos maiores avanços da história humana em termos de qualidade de vida, longevidade, liberdade individual, direitos civis, liberdade religiosa, liberdade sexual e direitos de minorias. São também, curiosamente, o mais atacado sistema econômico e político do século XX e XXI.

Não importa aos críticos que tais sociedades tenham evoluído de forma magistral neste período. Não importa que continue evoluindo.

O mais curioso é que não importe também que todos os projetos político-econômicos formulados como alternativa ao livre mercado e às democracias terminaram em desastres humanitários, genocídios e barbárie em nome do bem, como demonstra o livro TEMPOS MODERNOS: O MUNDO DOS ANOS 20 AOS 80 de Paul Johnson.

O que os engenheiros sociais e outros pensadores não compreenderam é que, enquanto o Liberalismo Econômico é uma leitura da sociedade, uma tentativa de compreender como funciona uma sociedade fruto de milênios de desenvolvimento, Nazismo, Fascismo e Socialismo, por exemplo, são “projetos de sociedade”, são propostas de uma nova forma de organização que se propõe a abolir a atual e resolver os problemas do mundo.

Este é o ponto. Toda filosofia procura explicar o mundo. Isto é produção de conhecimento. Quando a filosofia deixa de explicar o mundo e passa a propor outro mundo, a propor uma ruptura, deixa de ser filosofia e produção de conhecimento e passa a ser, antes de tudo, um projeto de poder.

Quem compreende o Liberalismo Econômico como projeto de poder, como “projeto de sociedade”, compreende errado. Não há comparação possível entre o liberalismo e, por exemplo, o Nazismo e o Socialismo. Enquanto o Liberalismo Econômico e a Democracia Liberal são de natureza libertária, Nazismo, Fascismo e Socialismo são totalitários, por definição.

Mas os críticos não se convencem. Insistem que o Liberalismo Econômico também é totalitário ao pretender uma hegemonia sobre as diversas economias do mundo. E não adianta dizer que as leis da economia, com a da gravidade, não são arbitrárias, são apenas explicações de fenômenos concretos e que, por tanto, nada mais natural que os fenômenos descritos aconteçam no mundo todo.

Os críticos insistem. Dizem que no caso da Grécia, a democracia escolheu o calote mas teve que ceder ao poder econômico. Bradam que o sacrifício da Grécia é apenas para assegurar o lucro de banqueiros.

Este argumento é uma bobagem. Equivale a achar certo um grupo de pessoas com cartão de crédito estourado se reunir para dizer que não vai pagar o que deve e ainda exigir que os cartões de crédito continuem funcionando, afinal precisam deles para pagar as contas futuras. A situação da Grécia é análoga a esta, como pode ser visto melhor no artigo A IGNORÂNCIA NÃO É UMA BENÇÃO.

A despeito do que pensam os adeptos da “contabilidade criativa” e do “pensamento mágico”, se a maioria decidir revogar a lei da gravidade, sinto informar que não terá efeito. O mesmo vale para as leis econômicas. Não se trata de simples vontade popular. Simplesmente não dá para sustentar irresponsabilidade fiscal por muito tempo, seja em democracias, seja nos regimes de esquerda. Caso contrário Cuba não passaria o miserê que passa. Viveriam todos no luxo, ou ao menos sem tantas carências.

No fim, podemos dizer que o livre mercado é parte integrante e constituinte da democracia e que é muito mais saudável e menos arriscado continuar o processo de melhoria contínua deste sistema. Uma destas melhorias é compreender, definitivamente, que “não existe almoço grátis” e que a responsabilidade fiscal é um valor republicano que beneficia os mais pobres, o que é fundamental na construção de sociedades mais justas.

Artigo de Paulo Falcão

___________________

PS – O ponto de partida deste artigo foi este vídeo com o odiado Olavo de Carvalho, que não está nada odiável aqui: https://www.youtube.com/watch?v=18amRDv1-jM

 

Anúncios

27 comentários em “FUJA DE UM MUNDO MELHOR.

  1. Pingback: O CAMPO MAGNÉTICO DA LIBERDADE E O FIA DA NAVALHA. | questões relevantes

  2. Pingback: O MARXISMO E SEUS IRMÃOS: O FASCISMO E O NAZISMO. | questões relevantes

  3. A frase “fuja de um mundo melhor” é preconceituosa, não, Paulo? A imagem é do Cambodja, me parece? Eu acho realmente estranho alguém dizer isso: “não queira um mundo melhor, não há aquecimento global, esse mundo está muito bom, conforme-se: se protestar, virá o totalitarismo”. É tolice, não?

    • Questões Relevantes
      01/19/2016

      Lúcio, evidentemente não é isto. O que o artigo faz é a contraposição do que é um processo (a democracia liberal, que vem se aperfeiçoando ao longo do tempo e continua evoluíndo) e o que é uma intervenção, a substituição radical do modelo em curso por outro de resultado incerto. Os três citados no artigo, fascismo, nazismo e socialismo/comunismo são modelos teóricos que, postos em prática, resultaram em ditaduras de nefastos resultados.

  4. André Silva
    01/11/2016

    Sinto-me obrigado a lhe informar que você não sabe o que é Socialismo. Só para que lhe sirva de provocação, Cuba, por exemplo, não é Socialista. E é possível sim um Socialismo com liberdade.

    • Questões Relevantes
      01/11/2016

      André, como estou sem tempo, vou citar um pequeno resumo da Wikipédia: Em 01 de janeiro de 1852, o jornalista comunista Joseph Weydemeyer publicou um artigo intitulado “Ditadura do Proletariado” no jornal de língua alemã Turn-Zeitung, onde escreveu que “é bem claro que não pode haver aqui qualquer duvidas sobre transições pacíficas graduais”, e lembrou os exemplos de Oliver Cromwell na Inglaterra e do Comitê de Salvação Pública na França, como exemplos de “ditadura” e “terrorismo” (respectivamente), necessários para derrubar a burguesia.[6] No mesmo ano Karl Marx escreveu para ele, dizendo:

      Muito antes de mim, historiadores burgueses haviam descrito o desenvolvimento histórico dessa luta entre as classes. Minha própria contribuição foi mostrar que a existência das classes está simplesmente ligada a determinadas fases históricas do desenvolvimento da produção; que a luta de classes conduz necessariamente à ditadura do proletariado; que esta ditadura, em si, não constitui mais que uma transição para a abolição de todas as classes e a uma sociedade sem classes
      —Karl Marx[7]
      Marx expandiu suas ideias sobre a ditadura do proletariado em sua obra Crítica ao Programa de Gotha, publicada em 1875, na qual faz uma crítica mordaz e ataques aos princípios estabelecidos no programa do Partido dos Trabalhadores Alemães (antecessor do Partido Social-Democrata da Alemanha). O programa apresentava uma forma moderada e evolutiva para o socialismo, em oposição à abordagem revolucionária e violenta dos marxistas “ortodoxos”. Como resultado, Marx acusou o programa de Gotha como sendo revisionista e ineficaz.[8]”

      Recomendo também a leitura de um artigo que aborda bem seu questionamento:
      A ESQUERDA E OS CAMINHOS QUE SE BIFURCAM. http://wp.me/p4alqY-4D

      • Houve um grau de liberdade mesmo na ditadura do proletariado. Existe um livro chamado Containing Stalinism que mostra, na época, protestos contra o governo, uma greve inclusive. Vc quer dizer: socialismo com liberdade para explorar, liberdade para pregar a volta ao capitalismo, né? Aí, realmente, o grau de liberdade foi menor, mas não se pode negar que existiram dissidentes. Um caso muito interessante foi o de Soljenitsin, muitíssimo tolerado até 1973. E depois disso pode-se supor que ainda circulou via imprensa alternativa (sim, ela existiu na URSS).

      • Questões Relevantes
        01/13/2016

        Democracia de partido único é uma espécie de unicórnio: uma bela e sofisticada ficção.

  5. william
    01/09/2016

    Me prestei a ler essa merda, aí no fim vi que o ponto de partida era o vídeo do astrólogo haha

    • Questões Relevantes
      01/09/2016

      William, quando você for capaz de apontar algum erro factual ou conceitual no artigo, enriquecerá o debate. Por enquanto, seu comentário apenas revela alguém preconceituoso e mal educado, algo que até lembra um pouco o odiado Olavo de Carvalho em seus piores momentos.

  6. Fabio
    01/09/2016

    Em um pais tão corrupto como o nosso até as leis da física são ignoradas, apesar de tantos anos de liberalismo econômico na America do Sul e um período pequeno de governos populares a corrupção sempre correu solta em ambas as gestões é um sistema montado para roubar, o funcionalismo público não se renova , falta democracia, dialogo, troca de experiencias.
    Só vejo a China como exceção neste seu raciocínio pois evolui muito nestes últimos 20 anos.

    • Questões Relevantes
      01/09/2016

      Fabio, este artigo não fala em corrupção, não porque a ignore, mas porque o objeto de reflexão é outro: discute um sistema político e econômico fruto de um longo desenvolvimento humano e que se tornou referência no século XX versus modelos “de laboratório” que se definem com “científicos” mas são mistificações que terminaram em desastres humanitários.

      O Liberalismo econômico em sua forma democrática é novo e frágil na América Latina. A corrupção que perpassou todos os sistemas econômicos e políticos conhecidos ocorre em em maior ou menor grau em função da probabilidade e do tipo de punição. No Brasil, a corrupção se alastra por conta de um sistema judiciário lento e cheio de facilidades para criminosos de colarinho branco, que raramente são punidos e, quando o são, logo estão na rua. Ou seja: há uma sensação clara de que o crime compensa.

      No caso da China, onde também ha corrupção, o salto teve início com a gradual substituição do estado-patrão pelo capitalismo de estado, em que o governo é sócio, controlando preços de insumos, garantindo baixos direitos e custos trabalhistas e deixando a gestão com sócios privados. Isto reduziu custos, aumentou a eficiência e a qualidade, aumentos os lucros e a receptividade mundial aos produtos chineses. Mas neste caso, tudo sob a mão de ferro de um governo totalitário.

      A China só pode ser vista como um modelo de “evolução” por quem despreza a liberdade individual e a democracia.

  7. Rinaldo Lobato
    01/07/2016

    Pouco afeito à experiência empírica. Estamos longe de encontrar a melhor forma de coexistirmos neste planeta, mas as objeções às alternativas ao liberalismo econômico só tem falhado pelo baixo nível de evolução da espécie humana. Morte, destruição, desastres…bem isso é marca do capitalismo, sem adjetivos liberais, e quejandos. Exploração desenfreada dos recursos naturais, e humanos, resultando em diversos prejuízos coletivos, bem como coletivo é, quando nas constantes crises o estado é chamado a pagar a conta da ganância de bancos quebrando. Morte todos os dias, em decorrência da exploração da mão de obra. Exclusão de grande parcela das sociedades à bens produzidos coletivamente, mas de usufruto restrito. Amigo, credibilidade baixíssima de seus argumentos. Não à toa, Olavo é referência do “artigo”.

    • Questões Relevantes
      01/07/2016

      Rinaldo, você enumerou frases de efeito, mas não apontou um único erro objetivo. Ao contrário, há uma frase sua que corrobora o que o artigo afirma quando diz que todas es experiências nazistas, fascistas e socialistas terminaram em desastre humanitário: “as objeções às alternativas ao liberalismo econômico só tem falhado pelo baixo nível de evolução da espécie humana.” Traduzindo para o bom e velho português, os “projetos de sociedade” falharam porque o homem resistiu a mudar sua natureza, seu DNA. Esta é a matriz dos mortos educativos em escala industrial. No fim, o que você faz em seu comentário é exatamente o que afirmo em outro artigo: “Compara-se o capitalismo real, existente, com a ideia do socialismo, forjada por aqueles que lhe atribuem todas as perfeições. Ou seja, atribui-se ao socialismo todas as perfeições e, de posse destes atributos, passa-se a verificar se eles “existem” no capitalismo.” A integra está aqui: http://wp.me/p4alqY-1a

      • É muito interessante o que vocês liberais ficam propagandeando aí. E a na Idade Antiga e Média, o liberalismo ainda não tinha aparecido “no DNA”?

        Procure, por exemplo, o debate entre Luiz Carlos Prestes e Roberto Campos no youtube. É decadente você procurar Olavo como filósofo. Olavo aparece na web xingando, insultando, a vida inteira praticou picaretagens (e eu vi em matérias na imprensa): foi de seitas bizarras, foi astrólogo na Veja. E, igualmente, ele defende que a Terra está parada. Ele é um filósofo que comprava que o Brasil ainda é semifeudal, pois seu pensamento é medieval.

      • Questões Relevantes
        01/08/2016

        Lúcio, esta coisa de atacar o Olavo para desmerecer uma reflexão é bobagem. Ele é, frequentemente, exagerado e grosseiro? Sim. Mas não o é neste vídeo e é o que ele disse neste vídeo que usei como ponto de partida. Costumo dizer que meu foco é sempre a mensagem e não o mensageiro. “Quem” diz alguma coisa não faz o enunciado ser certo ou errado, o fundamental é o enunciado em si, que neste caso é muito bom.

  8. Joel Nascimento
    01/07/2016

    O cara compara a lei do livre mercado com a lei da gravidade…não se pode levar a sério uma pessoa com esse desvio de personalidade.

    • Carlos Eduardo Silva
      01/07/2016

      Joel, muito sensato e coerente o post… Acho que precisamos conversar com mais equilíbrio e sem ofensas… Os melhores paises do mundo são Liberais e isso é um fato! https://www.youtube.com/watch?v=F30iPkZ_DKc

      • Joel Nascimento
        01/07/2016

        Achar sensatez comparar a lei do mercado com a lei da gravidade já denuncia a insolvência intelectual do post.

      • Carlos Eduardo Silva
        01/07/2016

        Fundamente o seu argumento, não solte apenas pérolas… Explique por quê? Fazer militância por militância, não adianta… De forma cordata!

      • Questões Relevantes
        01/07/2016

        Joel, a lei da gravidade é tão natural quanto o fato de 2 + 2 serem 4 e de 4-6 resultarem em um déficit de 2. Se você acumula déficits, chega uma hora em que a engrenagem pára. Foi o que aconteceu na Grécia e é o que está acontecendo agora no Brasil, por sorte em escala menos severa. Sua dificuldade é compreender o que é uma formulação resultante da observação de fenômenos (Lei da Gravidade, Leis de Mercado, Oferta e Procura, Finitude de recursos, Limite de endividamento) e o que é desejo, como o sonho socialista. Por exemplo, quando Marx escreve que “Na fase superior da sociedade comunista, quando houver desaparecido a subordinação escravizadora dos indivíduos à divisão do trabalho e, com ela, o contraste entre o trabalho intelectual e o trabalho manual; quando o trabalho não for somente um meio de vida, mas a primeira necessidade vital; quando, com o desenvolvimento dos indivíduos em todos os seus aspectos, crescerem também as forças produtivas e jorrarem em caudais os mananciais da riqueza coletiva, só então será possível ultrapassar-se totalmente o estreito horizonte do direito burguês e a sociedade poderá inscrever em suas bandeiras: De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades” temos ZERO de observação ou descrição de um fenômeno observável e 100% de especulação e sonho. Espero que tenha ficado mais claro.

      • Joel Nascimento
        01/07/2016

        Negativo…lei da gravidade é absoluta lei de livre mercado é subjetiva. Isso é básico.

      • Questões Relevantes
        01/07/2016

        Joel, a própria lei de livre mercado reconhece que há um grau se subjetividade, exatamente porque é fruto de observação…como a lei da gravidade.

      • Joel Nascimento
        01/07/2016

        Pegar fragmentos de Marx é sinal de desespero para explicar sandices liberais.

      • Carlos Eduardo Silva
        01/07/2016

        Estou esperando você fundamentar alguma resposta… Só soltar pérolas de militância, com ofensas não vale…! Muito raso isso!!

      • Joel Nascimento
        01/07/2016

        Pra quem compreende fica fácil entender mas para quem quer o beabá, fica dificil.

      • Questões Relevantes
        01/07/2016

        Carlos Eduardo, aparentemente o limite do Joel Nascimento são os adjetivos e as frases de retórica vazia. É um membro dos Yahoos descrito neste outro artigo: http://wp.me/p4alqY-hV

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: