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A INVEJA POSITIVA E O CAPITALISMO MALVADÃO.

O livre mercado é plural

O livre mercado é plural

Sabe aquele artigo que dá inveja, que a gente adoraria ter escrito? O que publico abaixo é um deles. Conciso, claro, equilibrado. Seu autor é Rodrigo da Silva, para o blog Spotniks. A qualidade do trabalho que eles vêm realizando já chamou a atenção de muita gente, merecidamente.

Como na célebre entrevista em que Milton Friedman responde sobre o papel positivo da ganância, Rodrigo da Silva desmistifica falsas questões e esclarece de forma elegante o equívoco persistente de certas críticas.

Fiquem com o artigo. Volto no final com algumas considerações complementares.

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Há 200 anos a esquerda tenta entender o que é o mercado. Não tem problema: nós explicamos.

Vai dizer que você nunca ouviu essa história por aí, em qualquer discussão política onde a expressão livre mercado insiste em aparecer: liberais são utópicos e ingênuos porque acreditam que o mercado é bonzinho. Ora, empresários são mesquinhos e estão interessados apenas em ganhar dinheiro, não é mesmo? Por que raios alguém acreditaria que um pobre tem algo a ganhar num cenário onde a livre concorrência impera? Os mais pobres serão engolidos nessa selvageria onde cada um é dono do seu próprio nariz, dizem. Além disso, os mais pobres precisam ter acesso à educação e à saúde. Alguém acredita realmente que o tal do mercado está interessado nesse negócio?

Quase sempre o caminho oferecido ao combate dessa ingenuidade latente liberal é a crença de que políticos estão plenamente interessados em atender os interesses dos mais pobres – ou então, a estabelecerem um cenário onde os mercados funcionam com justiça, seja lá o que isso signifique. Políticos são como divindades abençoadas que dedicam suas vidas ao mais desprendido altruísmo. A ideia funciona da seguinte maneira: você pega compulsoriamente quase metade daquilo que um pobre tem como fruto de seu trabalho, e entrega para algumas figuras de terno e gravata que prometem mundos e fundos num determinado período a cada quatro anos, acreditando que elas estarão interessadas em defender seus interesses melhor do que eles mesmos – e não apenas dedicando cada segundo de suas vidas a sustentar suas posições de poder e a de seus financiadores, em geral grandes empresas interessadas em utilizar de seus serviços para concentrar poder econômico. É como se de tempos em tempos você escolhesse o gerente do seu banco e lhe confiasse retirar todos os meses quase metade do que você ganha para gastar em seu nome em coisas para você mesmo, permitindo a ele retirar boa parte desse dinheiro apenas para sustentar a intermediação desse processo. Exatamente como se fosse um desses investimentos estúpidos que você não tem como se livrar.

E isso ainda não conta tudo que acontece por trás dessa história. Você colocará também essas mesmas pessoas de terno e gravata para criar leis e medidas que protejam os grandes empresários – aqueles mesquinhos do começo da história – a não lidarem com concorrência, afinal de contas você não quer um cenário de livre mercado, não é mesmo? É exatamente pra isso que a grande burocracia brasileira funciona: proteger os mais ricos da entrada dos mais pobres no mercado. As papeladas e boletos, afinal, funcionam como um tormento incomparavelmente menor para aqueles que preenchem o topo da pirâmide em comparação aos que estão na base, muitas vezes condenados à informalidade empreendedora – e com ela à insegurança que sepulta muitos negócios promissores. O protecionismo aqui não significa outra coisa que não seja proteger as grandes empresas que já chegaram lá e condenar os mais pobres a desistirem da possibilidade de ascender socialmente através das ferramentas de mercado que ascenderam os mais ricos.

 “Ok, mas isso tudo não prova que o mercado é bonzinho”, você deve estar pensando. E você tem razão. Só tem um problema: não existe esse negócio de bem ou mal na natureza do mercado. Assim como não passa de papo furado essa estória de deus mercado. Carlos Fuentes, um dos grandes romancistas da literatura mexicana do último século, criticava o fundamentalismo econômico dos liberais, “com sua convicção religiosa de que o mercado, deixado aos seus próprios mecanismos, é capaz de resolver todos os nossos problemas”. Harvey Cox, um dos mais influentes teólogos dos Estados Unidos, professor em Harvard, diz que para os crentes do liberalismo o mercado é feito uma divindade, “no mistério que o envolve e na reverência que inspira”. Como Deus, na visão de Cox, para os liberais ele é “onipotente (possui todos os poderes), onisciente (possui todo o saber) e onipresente (existe em todos os lugares)”, com atributos que “nem sempre são completamente evidentes para os mortais, mas deve-se acreditar neles e afirmá-los pela fé”.

Não, não se deve. No mercado não existe nenhuma divindade, fé, bem ou mal. Mercados funcionam através de instituições econômicas. Sem mágica. Não é como se houvesse homens usando chapéu-coco com os pés apoiados em mesas de mogno, jogando banco imobiliário. Não existe uma mente brilhante ou perversa por trás, julgando e condenando a bel-prazer. O mercado é um tecido social onde as pessoas realizam trocas. Nesse tabuleiro, eu, você ou aquele seu amigo barbudo comunista, traçamos o rumo daquilo que queremos. As moedas facilitam esse processo. Os preços guiam o melhor racionamento de todas as coisas que existem no mundo. No fundo, o mercado é uma invenção humana, com imperfeições humanas, criado para lidar com um fato incontestável a respeito da natureza: a certeza de que, longe da infinitude do divino e das promessas abundantes e irresponsáveis do universo político, o mundo material é limitado pela escassez. Nada dura para sempre, não existe tal coisa como produtos ou serviços ilimitados. Guiados por tal limitação, os seres humanos desenvolveram uma ferramenta que possibilitasse razão ao uso dos bens materiais. E o nome dela é mercado.

E aqui, nós fazemos escolhas. O tempo todo. Quando você decidiu colaborar livremente para financiar o projeto dessa página (e você pode fazer isso clicando nesse link), implicitamente escolheu não gastar o seu dinheiro com outra coisa. Quando foi levado a abrir esse texto e dedicar os minutos que o levaram até a exata leitura dessa frase, fez o mesmo com outro bem escasso e precioso seu: o tempo. Essas decisões acontecem o tempo todo ao redor do mundo. Bilhões de pessoas, todos os dias, trocam sua força de trabalho por mordidas em sanduíches, baforadas de perfume, pisões em sapatos de couro. Outras tantas, sem qualquer julgamento moral do mercado, fazem o mesmo com crucifixos e livros religiosos, parcelam brinquedos eróticos no cartão de crédito, se embebedam com cerveja barata. O mercado premia pessoas que servem pessoas – e se engana quem pensa que isso acontece através da tal da meritocracia (mas esse é assunto para outro texto, que você receberá em primeira mão nos próximos dias caso tenha exercido a livre decisão de curtir a nossa página; e você pode fazer isso clicando aqui).

Nesse imenso tecido de trocas, são as pessoas que criam os ideais do que é bom ou ruim – não o sistema. No mercado, você pode escolher adquirir marcas simplesmente porque elas apoiam o casamento gay, combatem o racismo, questionam o papel da mulher na sociedade ou defendem os interesses dos animais. Você pode fazer tudo isso ao mesmo tempo em que realiza boicote ou pressiona outras marcas a seguirem pelo mesmo caminho – algo estupidamente comum nos últimos tempos. Pode criar produtos de nicho para atender demandas de grupos esquecidos. Pode utilizar dos produtos dispersos pelo mercado para propagar discursos contra o próprio mercado. No fim, guiado por incentivos econômicos – o bom e velho interesse pelo lucro – você provavelmente será condicionado dentro desse sistema indisposto ao julgamento à tolerância em relação à diferença. Como diz Robert Wright:

“Uma das muitas razões por que penso que não devemos bombardear os japoneses é que eles fizeram minha minivan.”

Dessa forma, ainda que amoral, o mercado premia a empatia – entre minorias étnicas, sexuais, religiosas. E isso pode ser facilmente corroborado pela história. Como diz o psicólogo canadense Steven Pinker:

“A história sugere muitos exemplos nos quais a maior liberdade de comércio correlaciona-se com mais paz. O século XVIII viu uma calmaria nas guerras e uma ênfase no comércio, quando os alvarás e monopólios régios começaram a dar lugar a mercados livres, e a mentalidade protecionista do mercantilismo deu lugar à mentalidade do ganho para todos do comércio internacional. Muitos países que se retiraram do jogo das grandes potências e suas consequentes guerras, como a Holanda no século XVIII e Alemanha e Japão na segunda metade do século XX, canalizaram suas aspirações nacionais para o objetivo de se tornarem potências comerciais. As tarifas protecionistas dos anos 1930 acarretaram um declínio no comércio internacional e, talvez, um aumento nas tensões internacionais. A atual cortesia entre Estados Unidos e China, países que têm pouco em comum além do rio de produtos manufaturados numa direção e dólares na outra, é um lembrete recente dos efeitos conciliadores do comércio.”

Em resumo, mercados são amorais e privilegiam a convivência pacífica entre as pessoas – quase todas interessadas na mesma coisa: servir umas às outras, independentemente de suas identidades, para receber dinheiro por isso. Não por acaso, como aborda o próprio Pinker em The Better Angels of Our Nature: Why Violence Has Declined, desde a Revolução Industrial e do desenvolvimento da sociedade capitalista, países simpáticos à economia de mercado testemunharam uma queda brusca em todos os cenários de violência (seja quando falamos de guerras civis ou internacionais, atos de terrorismo, abuso contra mulheres, gays, crianças ou animais). Pense nisso na próxima vez em que tentar tirar onda com um liberal ao citar sua hipotética ingenuidade na crença de que o mercado é bonzinho.

Link para o artigo original: http://spotniks.com/ha-200-anos-a-esquerda-tenta-entender-o-que-e-o-mercado-nao-tem-problema-nos-explicamos/

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RETOMO PARA CONCLUIR

No artigo anterior deste blog, Mariana Nóbrega afirma que “Foram os filósofos iluministas, representantes da burguesia, que consolidaram a concepção de direitos civis e políticos universais, o que permitiu o despertar da ideia de direitos humanos e o surgimento de movimentos como o feminista e o abolicionista (contra a escravidão).

Os direitos civis têm como pedra de toque a liberdade individual. Nessa categoria estão os direitos à vida, à liberdade, à propriedade e à igualdade perante a lei, prerrogativas que se desdobram na garantia de livre circulação, manifestação e organização, na inviolabilidade do lar e da correspondência, na garantia de um processo legal justo e no respeito às leis impostas pelo Estado por meio de uma Constituição. Os direitos políticos dizem respeito à participação dos cidadãos e cidadãs nas decisões relativas aos destinos da sociedade a qual compõem. O seu exercício corresponde à possibilidade de votar e ser votado, formar grupos políticos e organizar partidos. É possível existir direitos civis sem direitos políticos, no entanto, a plena realização dos direitos políticos só acontece com a realização dos de natureza civil.”

Isto corrobora o “Dicionário de Política” de Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino, no verbete “democracia”, quando os autores afirmam que “foi-se afirmando, através dos escritores liberais, de Constant e Tocqueville e John Stuart Mill, a idéia de que a única forma de Democracia compatível com o Estado liberal, isto é, com o Estado que reconhece e garante alguns direitos fundamentais, como são os direitos de liberdade de pensamento, de religião, de imprensa, de reunião, etc, fosse a Democracia representativa ou parlamentar, onde o dever de fazer leis diz respeito, não a todo o povo reunido em assembléia, mas a um corpo restrito de representantes eleitos por aqueles cidadãos a quem são reconhecidos direitos políticos.”

Ao somarmos tudo isto e cotejarmos com as experiências concretas de governos à esquerda e à direita, podemos concluir que o “capitalismo malvadão”, aliado à democracia, esta democracia imperfeita e em constante processo de inclusão de demandas, é ainda a melhor solução construída pela civilização para a convivência de pessoas e gestão de sociedades complexas.

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Costura de textos por Paulo Falcão

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16 comentários em “A INVEJA POSITIVA E O CAPITALISMO MALVADÃO.

  1. Mauro Mello
    11/15/2015

    Contribuição para o debate:

    • Questões Relevantes
      11/15/2015

      Boa contribuição.

  2. A academia está em crise, mas ela ainda tem boas respostas para vc que canoniza a democracia:

    João Quartim de Moraes mostrou o quanto a democracia é “demorex”, democracia realmente existente, parece, mas não é.

    Artigo:
    Contra a canonização da democracia
    http://goo.gl/XWzUWZ

    • Questões Relevantes
      11/15/2015

      Lúcio, entre uma democracia que tem muitos defeitos mas existe e outra que não tem nenhum, mas não existe, prefiro a primeira. Esse negócio de negar a realidade e amar o que não existe está mais para religião do que para ciência.

      • Leia o artigo. Ele te responde. As democracias que vc tanto cultua são democracias imperialistas.

      • Questões Relevantes
        11/15/2015

        Lúcio, como digo sempre, as democracias são imperfeitas, são uma obra em processo, cometem injustiças, mas são o melhor que nossa civilização construiu. Todas as alternativas se mostraram piores.

        Dei uma lida e vi alguns detalhes curiosos. Em primeiro lugar, sorri aquele riso entre a ironia e a vaidade ao me deparar com esta frase:

        “Procuraremos mostrar, adiante, a inconsistência da argumentação desenvolvida por Carlos Nelson Coutinho, empenhado em provar que a doutrina de Berlinguer é compatível com o pensamento de Marx.”

        No artigo “Teoria das Gavetas”, um dos primeiro do blog, digo:

        “se formos minimamente rigorosos com o sentido das palavras, não há como dizer que uma ideia essencialmente marxista, leninista ou stalinista, ou ainda uma ideia comunista e/ou socialista, seja democrática e/ou humanista. Há uma contradição conceitual insanável, o que não impede alguns autores de tentarem demostrar o contrário, embora suas teses pareçam mais uma oração, um desejo, do que um fundamento teórico. Um dos nomes importantes no Marxismo brasileiro, Carlos Nelson Coutinho, é autor do ensaio “A democracia como valor universal”. Não duvido do coração puro do autor, mas observo que a contradição conceitual que apontei acima permanece em seu ensaio. Se para Marx a luta de classes é inerente ao capitalismo e o fim da propriedade privada dos meios de produção um objetivo a ser alcançado, tal só pode se realizar pela remoção da “burguesia” desta equação econômica, o que por sua vez só se realiza plenamente com a ruptura do estado democrático e de direito.”

        No fim chegamos, eu e João Quartim de Moraes, à mesma conclusão: o marxismo é incompatível com a democracia. A diferença fundamental é que para mim isto é uma prova de que o marxismo é um erro persistente, uma seita que acredita na terra prometida do comunismo, algo não mais provável que o paraíso com 300 virgens que aguarda os homens-bomba do Islã; para João Quartim de Moraes, é uma prova de que a democracia enfraquece e corrompe o ideal marxista.

        Vou reler o longo artigo com calma, mas deixo ainda uma diferenciação que julgo importante: tanto Quartim de Moraes, quanto Carlos Nelson Coutinho e o próprio Enrico Berlinguer usam a expressão “valor universal” para a democracia, seja como crítica, seja como afirmação.

        Em meus artigos prefiro a expressão “valor fundamental” e o faço porque claramente não se trata de um valor universal, mas de um valor lentamente construído em um sangrento processo civilizatório e que hoje está na base de um conjunto de valores ainda restrito à menos da metade da população mundial.

  3. Paulo e Rafael:

    Nunca existiram “mortos educativos” em nome da causa. O que houve, por exemplo, em relação a Lênin durante a guerra civil foi a ordem de executar kulaks que se negaram a dar suprimentos ao estado. Isso sim, há documento mostrando. No período Stálin, não foi morta a população desarmada. O único período realmente duro foi entre 1937-39, quando ocorreram os grandes expurgos e a yezhovchina. Segundo o historiador Arch Getty, o partido não era totalitário e sim bastante mal organizado e quase inexistente no campo. Se uma pessoa era expulsa, fazia autocrítica e voltava. Como o prefeito de Leningrado foi assassinado, muitas prisões e processos aconteceram, mas desde o início dos anos 30 o país já vivia um processo de sabotagens e atentados.

    Ocorreram conspirações do bloco zinovievista-trotsquista para matar Stálin e outros quadros da “burocracia soviética”. Trotsky nunca esconde que apoiava uma revolução para remover os quadros, a burocracia. O próprio Nikolai Yezhov, do comitê de segurança pública, estava envolvido na conspiração e, para derrubar o governo, passou a fazer prisões aleatórias e torturar pessoas. Ele foi descoberto e condenado em 1940.

    A revolução cultural foi uma experiência de democracia direta e que teve, sim, excessos. Em nome de combater excessos, no entanto, os maoístas foram presos e a esposa de Mao condenada à prisão perpétua. Em sua defesa, ela afirmou: “fazer a revolução não é crime”.

    Contra Pol Pot, objetivamente, há apenas o esvaziamento da capital (foi necesário, senão todos morreriam de fome) e a condenação dos conspiradores pró-Vietnã em várias ocasiões.

    Fidel apenas executou os criminosos do período Batista em tribunais revolucionários.

    Abs do Lúcio Jr.

    • Questões Relevantes
      11/14/2015

      Lúcio, obrigado pela contribuição. Mas você relativiza muito o assunto. Diz com a naturalidade de quem abre a janela de manhã que a revolução cultural chinesa teve excessos. Faltou lembrar que este excesso totalizou 34 mil mortos oficiais. Mas ninguém acredita nestes números. É bom lembrar também que a Revolução Cultural da China nasceu do fracasso da campanha “Grande Salto para a Frente (1958-1960) idelaizada por Mao Tse-tung, que pretendia construir uma sociedade igualitária mas desorganizou toda a economia rural e matou de fome milhões de pessoas.

      • Foi um fracasso? De fracasso em fracasso, construíram a segunda potência mundial, não foi? kkk

        Claro que houve excessos, pois uma vertente não acreditava em educação e sim bater em seus adversários. A esposa de Mao não era dessa linha. No entanto, a revolução cultural teve enormes pontos positivos. Criou os médicos que iam pela zona rural, os médicos pés-descalços. Diminui a diferença entre trabalho manual e rural, fechando as universidades por dois anos. A guarda vermelha foi uma experiência de DEMOCRACIA DIRETA. Precisávamos muito disso, dessa radicalidade para pensar nossa academia. Atualmente, são produzidas em séries teses que ninguém lê,os intelectuais são vaidosos e cínicos, pequenos.

      • Questões Relevantes
        11/15/2015

        Lúcio, é sempre curioso ver alguém descrever práticas autoritárias e falar em democracia ao mesmo tempo. No caso, democracia direta, claro, algo que não funciona em sociedades complexas (não há caso conhecido) e acaba significando a imposição da vontade de um grupo articulado sobre os demais, pelo uso da força se necessário.

        Mas não foi a revolução cultural ou o grande salto que transformaram a China na potência que é hoje. O “Grande Salto” real aconteceu quando reataram as relações comerciais com os EUA e iniciaram o que pode ser chamado de “Capitalsmo de Estado”, um capitalismo verdadeiramente selvagem, sem sindicatos, sem direitos, com baixos salários e insumos a preços controlados.

        Hoje a situação melhoru um pouco. Segundo pessoas que conheço e produzem na China ou vijam frequentemente para lá para desenvolver fornecedores, as proporções atuais entre classe alta, média e baixa na China são semelhantes às do Brasil, o que significa uma classe média 10 vezes maior que a nossa e que já criou um poderoso mercado interno.

        Embora a democracia, a boa e velha democracia liberal, só exista em países Capitalistas, o capitalismo demonstrou funcionar muito bem em regimes autoritários de esquerda e de direita.

        Mas concordo com uma coisa que você disse: nossa “academia” passa por uma crise de qualidade seríssima.

      • Paulo, não exagere quanto à China: não é que não existam sindicatos, mas os mais perseguidos lá, agora que voltou a ser um capitalismo, mas usando máscara socialista, são os maoístas. A mulher de Mao morreu na prisão, suicidou-se. Outro dia foi preso um advogado trabalhista.

        Mas não se pode comparar o Brasil, onde a classe média é minúscula, onde não houve nem reforma agrária, país semifeudal, colonizado, com um país soberano e que viveu uma revolução socialista.

      • Questões Relevantes
        11/15/2015

        Lúcio, em um País onde, em 1989, aconteceu o massacre da Praça da Paz Celestial, é quase humor negro falar em liberdade de organização, sindicatos pra valer e algum tipo de liberdade.

  4. Rafael Silva
    11/10/2015

    No primeiro parágrafo o autor começa a falar sobre livre mercado. Livre mercado é uma mentira pura e simples. Se os mercados não tiverem regulação alguma nada impede que eles empreguem crianças. Se os mercados não podem empregar crianças eles são regulados e, portanto, não livres.

    No segundo parágrafo o autor contrapõe o “livre mercado” ao estado e ao “político”, criando uma falsa dicotomia em que se você não apoia um, necessariamente deve apoiar o outro, o que é falso. Além disso, declara estes como “apenas dedicando cada segundo de suas vidas a sustentar suas posições de poder e a de seus financiadores, em geral grandes empresas interessadas em utilizar de seus serviços para concentrar poder econômico.”, o que é verdade, mas não aplica isso às corporações, entidades imortais com maiores privilégios legais do que o indivíduo (tanto na nossa sociedade atual quanto no pesadelo de livre mercado).

    No quinto parágrafo o autor começa a soltar frases que nada querem dizer como “Os preços guiam o melhor racionamento de todas as coisas que existem no mundo.” Não há evidência para tanto, aliás, se formos usar os parâmetros de fome, saúde e mortalidade a evidência é exatamente contrária. O “racionamento” de recursos é pior onde o preço é a única métrica para trocas.

    No sexto parágrafo o autor usa o emprego formal (e informal) como exemplo de troca voluntária, quando na verdade nada há de voluntário quando a escolha é entre emprego e morte por inanição. Escravidão do salário.

    No sétimo parágrafo o autor usa a falácia que o consumidor tem poder sobre o mercado já que pode escolher o que comprar ou mesmo boicotá-lo. Mais uma falácia. Não só o consumidor pode escolher apenas o que está disponível, ou seja, se todas as empresas que fornecem certo produto são inconformes com a ética do consumidor e esse produto é essencial para sua vida, ele não tem escolha. Além disso, os estudos mostram sistematicamente a influência que a propaganda exerce sobre nosso dia-a-dia e nossas “escolhas”.

    No décimo parágrafo o autor cita uma das frases mais mentirosas do psicólogo Steven Pinker, além de omitir as guerras do século XVIII, ainda coloca como positivo um momento em que o mundo em geral e nosso país em particular era regido por um sistema de escravidão e expropriação.

    No décimo-primeiro e último parágrafo o autor conclui com mais uma falácia sem evidências que o suportem: “mercados são amorais e privilegiam a convivência pacífica entre as pessoas – quase todas interessadas na mesma coisa: servir umas às outras, independentemente de suas identidades, para receber dinheiro por isso.”, e ainda faz uma ode ao que os liberais realmente querem: um estado que proteja as instituições das pessoas e a dominação do homem pelo homem. Só assim se justifica a sua frase em que celebra “países simpáticos à economia de mercado”, corresponsáveis na história e ainda hoje pela opressão, morte e miséria de tantos.

    • Questões Relevantes
      11/10/2015

      Rafael, o livre mercado, desde Adam Smith, prevê regulações. Chama-se livre em oposição à economia estatizada ou com forte intervenção estatal. Há índices para medir o grau de liberdade do mercado, ou liberdade econômica, que, efetivamente, nunca é inteiramente livre.

      A questão central aqui é que economias mais livres tendem a funcionar melhor, como demostra a prática.

      No segundo ponto que você aborda, o que o autor coloca é que o estado não é neutro e seus agentes atuam para defender seus próprios interesses, o que dificulta o bom funcionamento da economia, já que reduz as oportunidades de concorrência (mais estado é igual a mais burocracia, mais intervenção, mais dificuldades para os pequenos e os novos competidores). Como o estado intervencionista possui o poder de legislar, cobrar impostos e de orientar a produção, temos uma concentração excessiva de poder e, em geral, uma crescente ineficiência.

      As empresas e os indivíduos também são movidos pela defesa dos próprios interesses, mas, em um mercado menos regulado e, por tanto, mais livre, enfrentam concorrentes novos e antigos, locais e de fora, forçando a eficiência e a queda de preços.

      A frase que você destaca no quinto parágrafo “Os preços guiam o melhor racionamento de todas as coisas que existem no mundo” se refere ao fato de que a forma mais eficiente de racionar um bem ou serviço, ou seja, de fazer sua distribuição em situações de demanda maior que a oferta, é o preço. Isto pôde ser visto com clareza na crise hídrica de São Paulo, em que a elevação dos preços e a premiação da economia de água com descontos permitiu administrar o estoque escasso com a manutenção do fornecimento.

      Outro exemplo é o Bolsa Família. A distribuição de dinheiro, dando ao beneficiário o direito de escolher onde comprar e o que comprar, se mostrou mais barata e eficiente que a antiga distribuição de comida do natimorto “Fome Zero” do Lula ou as cestas básicas do Sarney.

      No sexto parágrafo chegamos a um ponto de inflexão importante no diferenciamento entre liberais (humanistas, iluministas, libertários, social-democratas e mesmo os conservadores) e socialistas: a liberdade individual, a liberdade de empreender e a de vender sua força de trabalho. O que para os primeiros é um direito fundamental, para você e a esquerda (principalmente a socialista) é um escândalo, é “a escravidão do salário”. Aqui se manifesta de maneira clara o autoritarismo de quem vê com maus olhos esta liberdade. Ao substituirmos a pluralidade da livre iniciativa pelo estado, como nas experiências conhecidas de governos socialistas, retiramos do indivíduo a liberdade de empreender ou de vender livremente sua força de trabalho para quem lhe pague mais e lhes impomos uma única possibilidade: vender seu tempo e esforço ao “estado patrão” que lhe paga o que quiser (um exemplo gritante são os médicos cubanos no Brasil, que custam aproximadamente R$ 10.000,00 por mês aos cofres públicos, mas os profissionais recebem apenas R$ 2.700,00 – o restante é confiscado pelo Governo Cubano).

      Já sua crítica ao sétimo parágrafo, o poder do consumidor em influenciar o mercado, revela novamente uma visão estranha à lógica. Veja, você critica o fato do consumidor ter que se contentar em eventualmente escolher entre poucas opções e acha melhor que tenha uma só: o estado patrão.

      Isto sim é o que podemos chamar de “servidão voluntária”. Voluntária no seu caso, claro, porque a população só é mantida nestas condições debaixo de autoritarismo violento.

      Chegamos à sua crítica ao décimo parágrafo. A história não pode ser criticada sem perspectiva. As comparações de Steven Pinker se referem às opções disponíveis naquele corte temporal. O ponto é: onde havia mais liberdade econômica, houve melhores resultados. Isto não perdoa ou justifica a escravidão. Não perdoa ou justifica a super exploração. Não perdoa nem justifica o que quer que seja.

      Quanto à frase “mercados são amorais e privilegiam a convivência pacífica entre as pessoas – quase todas interessadas na mesma coisa: servir umas às outras, independentemente de suas identidades, para receber dinheiro por isso”, é uma síntese do que ocorre em situações de maior liberdade econômica. Como escrevi no artigo “Teoria das Gavetas”, o próprio Adam Smith já defendia que “o liberalismo econômico se caracteriza pela organização da economia com base no individualismo, compreendido aqui como o resultado da iniciativa econômica individual em ocorrência múltipla, como os galos tecendo a manhã no poema do comunista João Cabral de Melo Neto. Tais ações/iniciativas levam a uma total descentralização das decisões econômicas, que se atomizam no maior número possível de indivíduos com a menor interferência possível de instituições ou organizações coletivas. É nesta soma de capacidades individuais, de busca da prosperidade e desenvolvimento econômico ocorrendo simultaneamente em diversas áreas e direções que residiria a capacidade de gerar riquezas. Esta proposição já foi confundida com um elogio da ganância, mas certamente não é. Trata-se da valorização da liberdade econômica e da meritocracia que traria benefícios para toda a sociedade, regulando excessos através da soma de interesses particulares e da concorrência, em uma auto-regulação que tenderia ao equilíbrio. No entanto, embora defenda a baixa interferência de governos na economia, defende também que o Estado tem um papel legítimo no fornecimento de bens públicos”.

      Ao contrário do que você defende, a realidade demonstra de maneira cristalina a superioridade do binômio livre mercado/democracia sobre o binômio estado forte/socialismo, principalmente na elevação da qualidade de vida da população mais pobre, na luta/conquista de direitos e na liberdade individual. O único quesito em que a esquerda leva real vantagem não deveria ser motivo de orgulho: a produção de mortos educativos entre a própria população que diz representar. Aqui ela é imbatível.

      • Rafael Silva
        11/13/2015

        Paulo, é bom saber que você deseja restrições ao mercado. Eu também. Apesar de sua tentativa de caracterizar a minha visão como estatista, fica claro lendo o meu comentário que isso é falso. Quem quer estado são os liberais, que como disse Adam Smith, existe para proteger as pessoas ricas das pobres.

        “A questão central aqui é que economias mais livres tendem a funcional melhor, como demonstra a prática.”
        Se os dados que você usa para afirmar isso são os rankings da Heritage Foundation, as evidências mostram como as notas atribuídas (subjetivamente, diga-se de passagem) não refletem sua posição. Não há relação entre menor governo e melhor vida para sua população. O que há é uma relação entre o que eles determinam ‘boa governança’ e melhor vida. Um claro exemplo é a Finlândia. Aliás, essa é uma evidência contra o livre mercado e a favor da participação efetiva da população em sua organização. A organização das pessoas pode ser feita de forma tão benigna quanto quisermos. Mesmo com o capitalismo de estado que temos hoje, o estado é, pouco, mas, influenciável pela população, já no ‘livre mercado’ a população não tem voz alguma sobre o destino de suas vidas e comunidades.

        Criticar a neutralidade do estado, pois ele “reduz as oportunidades de concorrência” e “o estado intervencionista possui o poder de legislar, cobrar impostos e de orientar a produção, temos uma concentração excessiva de poder e, em geral, uma crescente ineficiência”, e não criticar o mercado como legislador, orientador de políticas e produções, dominação ideológica e sua concentração excessiva de poder? É muito interessante a aplicação seletiva de critérios.

        “As empresas e os indivíduos também são movidos pela defesa dos próprios interesses, mas, em um mercado menos regulado e, por tanto, mais livre, enfrentam concorrentes novos e antigos, locais e de fora, forçando a eficiência e a queda de preços.”
        A ação das empresas tem o exato oposto sentido do que você disse, um de seus maiores esforços se encontra em barrar todo concorrente, seja ele novo ou antigo, local ou de fora, forçando sua eficiência à custa da saúde de seus trabalhadores e exercendo, se permitidas, um monopólio com controle unilateral de preços. Exemplos disso são as leis de patente, a protelação ad eternum da entrada de ideias em domínio público, a espionagem industrial, a propaganda enganosa, os monopólios, o cartel, etc.

        “a forma mais eficiente de racionar de um bem ou serviço, ou seja, de fazer sua distribuição em situações de demanda maior que a oferta, é o preço. Isto pôde ser visto com clareza na crise hídrica de São Paulo, em que a elevação dos preços e a premiação da economia de água com descontos permitiu administrar o estoque escasso com a manutenção do fornecimento.”
        Pelo contrário, a ‘crise hídrica’ é exemplo de como as grandes corporações tem seus desejos atendidos pelo governo liberal, já que são premiadas quanto mais água gastem em plena crise, como pode ser visto abaixo:

        FETEC-CUT/SP finaliza sua 3ª Campanha de Sindicalização
        http://goo.gl/NheaHb

        Em plena crise, Sabesp ainda premia grandes consumidores
        http://goo.gl/B34OmO

        Sabesp ampliou a lista de clientes ‘premium’ em plena crise
        http://goo.gl/wIu2Av

        “chegamos a um ponto de inflexão importante no diferenciamento entre liberais (humanistas, iluministas, libertários, social-democratas e mesmo os conservadores) e socialistas: a liberdade individual, a liberdade de empreender e a de vender sua força de trabalho.”
        Sua definição está equivocada, quem destrói a livre iniciativa são o estado e as grandes corporações que mantém o indivíduo refém diminuindo suas escolhas à fome ou escravidão do salário, obediência ou morte.
        “vender seu tempo e esforço ao “estado patrão” que lhe paga o que quiser”
        Quem é a favor da manutenção do estado são os liberais, como você já demonstrou diversas vezes por aqui.

        “Veja, você critica o fato do consumidor ter que se contentar em eventualmente escolher entre poucas opções e acha melhor que tenha uma só: o estado patrão.”
        Não, não é o que eu disse. Socialismo nada tem a ver com estado, socialismo é uma sociedade onde os trabalhadores são donos dos meios de produção. Você se apoia novamente em uma dicotomia falsa, de que se não nos submetermos à dominação das poucas escolhas artificialmente criadas pelas grandes corporações a única alternativa é o estado, o que é falso, mas serve bem a quem quer manter o espectro político e de ideias o menos possível.

        Sobre a frase de Steven Pinker é muita desonestidade intelectual chamar de liberdade econômica a liberdade para escravizar, torturar e matar. Para os reis o absolutismo foi onde houve melhores resultados.
        Afinal, o que você quer dizer com melhores resultados? Melhores resultados para quem?

        “Tais ações/iniciativas levam a uma total descentralização das decisões econômicas, que se atomizam no maior número possível de indivíduos com a menor interferência possível de instituições ou organizações coletivas. É nesta soma de capacidades individuais, de busca da prosperidade e desenvolvimento econômico ocorrendo simultaneamente em diversas áreas e direções que residiria a capacidade de gerar riquezas. Esta proposição já foi confundida com um elogio da ganância, mas certamente não é. Trata-se da valorização da liberdade econômica e da meritocracia que traria benefícios para toda a sociedade, regulando excessos através da soma de interesses particulares e da concorrência, em uma auto-regulação que tenderia ao equilíbrio. No entanto, embora defenda a baixa interferência de governos na economia, defende também que o Estado tem um papel legítimo no fornecimento de bens públicos”.”
        Ora Paulo, isso só demonstra o que os liberais querem, a exclusividade de organização coletiva ou de instituições. Toda instituição que não é do agrado das grandes corporações devem ser terminadas com a frase de que isso é estado e o estado deve ser mínimo. É um dogma.
        Outro dogma é a famosa mão invisível, essa, felizmente, foi abolida de qualquer meio científico sério, não há evidência alguma do que você fala sobre auto-regulação de corporações tendendo ao equilíbrio quando a única métrica é lucro e acúmulo de poder.
        Você frequentemente elogia seus usuários quando eles são honestos quanto ao que querem dizer, seja honesto aqui e diga qual é o papel legítimo do estado no fornecimento de bens públicos? Quais são bens públicos? A água? A terra? Ou o que você quer dizer é que o estado tem um cassetete bem grandão e que deve quebrar a cabeça de quem não se conformar com a dominação dos seus senhores?

        “O único quesito em que a esquerda leva real vantagem não deveria ser motivo de orgulho: a produção de mortos educativos entre a própria população que diz representar. Aqui ela é imbatível.”
        Eu não entendi o que você quis dizer aqui, o que são mortos educativos?

        Fontes:

        Market Freedom and the Global Recession
        https://goo.gl/oN40Pb

        O QUE O ÍNDICE DE LIBERDADE ECONÔMICA DA HERITAGE FOUNDATION REALMENTE NOS DIZ?
        https://goo.gl/3aNolf

        Por que não me entusiasmo com o ranking da Heritage Foundation?
        http://goo.gl/0udCOA

        Which Economic Freedoms Contribute to Growth?
        http://goo.gl/zJK06b

        Beyound Western Economics
        https://goo.gl/xYvJ8K

      • Questões Relevantes
        11/13/2015

        Rafael Silva, sua leitura é estranha, seja do que escrevi, seja do que você mesmo escreveu.

        Escreve uma coisa e diz ter escrito outra. Eu escrevo uma coisa e você entende o contrário.

        Logo no primeiro parágrafo de sua treplica isto já salta aos olhos.

        Quem, como você o fez no primeiro comentário, vê as relações entre empregador e empregado como uma “escravidão do salário” está fazendo eco com as teses marxista-leninistas e criticando o “direito de explorar”, para usar a linguagem e vocabulário de marxistas em geral. Aliás, quase todos os comentários que fez na primeira participação e que aprofunda em sua tréplica seguem este caminho.

        Quem escreve que “Quem quer estado são os liberais, que como disse Adam Smith, existe para proteger as pessoas ricas das pobres” não entendeu nada do que eu ou Adam Smith escrevemos.

        Quanto aos rankings da Heritage Foundation, novamente você não entendeu o que escrevi e, aparentemente, não entendeu o próprio ranking: ele não se refere ao tamanho do estado ou se há ou não um estado de bem-estar social. Mede a liberdade econômica, ou seja, a maior ou menor intervenção do estado na abertura e fechamento de empresas, na cobrança de tributos, no custo direto e indireto das transações entre empresas e entre empresa e consumidor final etc.

        “Boa governança” é outro conceito que você não entendeu. Trata-se de uma medida de desempenho interno, não externo. Não tem relação direta com a liberdade econômica, mas com o equilíbrio financeiro. Uma empresa sem “boa governança” gasta mais do que ganha e quebra. No caso de estados, se as contas públicas estão desequilibradas, com despesas superiores às receitas, mais cedo ou mais tarde entrará em colapso.

        A Finlândia e outros países Nórdicos, ao contrário do que você parece acreditar, são bons exemplos de liberdade econômica e também de estado de bem-estar social.

        Vou indicar aqui alguns artigos em que se explica melhor a experiência virtuosa dos países nórdicos. São os dois primeiros. Ou outros dois tratam dos demais questionamentos que fez.

        Mas antes, esclareço sua pergunta final: “mortos educativos” são todos aqueles que foram assassinados pelos próprios governos em nome da “causa”, como o que foi feito por Lenin e Stalin na URSS, por Mao na “revolução cultural” da China, Por Pol-Pot, Fidel etc. Isto não conta os mortos em guerras externas. Estamos falando em perseguição à própria população, em geral desarmada.

        Segue a lista de artigos:

        A AURORA NÓRDICA PARA O CAPITALISMO. http://wp.me/p4alqY-bQ

        SERÁ QUE EXISTE UMA EXPERIÊNCIA VIRTUOSA DE ESQUERDA? http://wp.me/p4alqY-if

        LIBERDADE, DEMOCRACIA E MARXISMO: ESTRANHO FETICHE. http://wp.me/p4alqY-1a

        A ESQUERDA E OS CAMINHOS QUE SE BIFURCAM. http://wp.me/p4alqY-4D

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