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QUANDO A ESQUERDA É QUASE DE DIREITA.

Aquarela de Jean-Baptiste Debret, “Viagem pitoresca e histórica ao Brasil”.

Aquarela de Jean-Baptiste Debret, “Viagem pitoresca e histórica ao Brasil”.

É interessante o caminho das ideias. O artigo abaixo, de Mariana Nóbrega, que tem um posicionamento à esquerda, faz uma série de afirmações iniciais que corroboram algumas das teses que defendo em diversos artigos: muitas das bandeiras chamadas progressistas pertencem ao campo da direita. No entanto ela chama a atenção para o fato de que no Brasil isto não acontece e, ao mesmo tempo, oferece uma resposta razoável para indagações específicas que fiz no artigo OS PROGRESSISTAS, O PARADOXO E OS TEMPOS DE PAZ.

Suas ponderações e questionamentos me dão a impressão de que ela pertence ao que chamo “direita envergonhada”, ou seja, pessoas que se dizem “de esquerda” mas já não o são.

Deixo vocês com o artigo e volto no final para alguns comentários.

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Burguesia à brasileira

Por Mariana Nóbrega para o Blog Pandora Livre

Por que temas como feminismo, direitos humanos e reforma agrária, que surgem como demandas burguesas são, no Brasil, considerados assuntos da esquerda?

A burguesia nos países centrais foi responsável pela derrocada do feudalismo e do poder absoluto das aristocracias. A Revolução Industrial e a Revolução Francesa marcam a consolidação dessa classe, que trouxe consigo a imposição de um sistema econômico, o capitalismo industrial, e uma filosofia iluminista, de caráter liberal.

Foram os filósofos iluministas, representantes da burguesia, que consolidaram a concepção de direitos civis e políticos universais, o que permitiu o despertar da ideia de direitos humanos e o surgimento de movimentos como o feminista e o abolicionista (contra a escravidão).

Os direitos civis têm como pedra de toque a liberdade individual. Nessa categoria estão os direitos à vida, à liberdade, à propriedade e à igualdade perante a lei, prerrogativas que se desdobram na garantia de livre circulação, manifestação e organização, na inviolabilidade do lar e da correspondência, na garantia de um processo legal justo e no respeito às leis impostas pelo Estado por meio de uma Constituição. Os direitos políticos dizem respeito à participação dos cidadãos e cidadãs nas decisões relativas aos destinos da sociedade a qual compõem. O seu exercício corresponde à possibilidade de votar e ser votado, formar grupos políticos e organizar partidos. É possível existir direitos civis sem direitos políticos, no entanto, a plena realização dos direitos políticos só acontece com a realização dos de natureza civil.

Os direitos civis e políticos surgem, portanto, como conquistas burguesas, que estimularam demandas por igualdade das mulheres, dos negros e outras categorias sociais, ainda que esse resultado não tenha sido planejado inicialmente por alguns grupos.

A crítica da classe trabalhadora ao individualismo burguês, ao capitalismo industrial e ao liberalismo traz consigo uma terceira categoria de direitos: os direitos sociais. Com eles, reivindica-se a participação coletiva na riqueza, lutando pela redução da desigualdade e contra os abusos do capitalismo. Esses direitos podem existir, em tese, sem os direitos civis e políticos, mas sem estes o conteúdo dos direitos sociais e o seu alcance tendem a ser arbitrários.

Se os direitos civis e políticos são consequência da Revolução Burguesa, se a direita defende os interesses da burguesia, por que no Brasil a direita entende essas prerrogativas como uma questão predominantemente de esquerda? Por que movimentos sociais, como o feminista, o negro e o LGBT – coletivos que essencialmente lutam por direitos civis e políticos -, para a nossa direita, são “acusados” de levantarem temas que interessam somente à esquerda?

Florestan Fernandes explica que enquanto na Europa a burguesia foi responsável pelo rompimento com as aristocracias absolutistas, clamando pela derrubada dos privilégios da nobreza e pela democratização do Estado; no Brasil, a burguesia não efetuou esse rompimento, aliando-se à aristocracia rural e ao capital externo. Isso significa que o nosso país adotou a Revolução burguesa de maneira incompleta: aderiu ao sistema econômico do capitalismo industrial, no entanto, não aderiu à filosofia iluminista e aos seus valores de igualdade, liberdade e fraternidade.

Enquanto na Inglaterra, por exemplo, houve uma sequência lógica no desenvolvimento dos direitos de cidadania: primeiro, os direitos civis, depois, os direitos políticos e, por último, os direitos sociais; no Brasil, tentou-se implementar os direitos pela lógica inversa. Tentou-se implementar inicialmente os direitos sociais, posteriormente, os direitos políticos e, agora, ter-se-ia um movimento de luta pelos direitos civis. A falta de desenvolvimento destes, então, fez com que a efetivação dos direitos sociais e políticos anteriores se desse de forma limitada, desigual e autoritária.

Por essas e outras razões que temas originários da burguesia – o feminismo, a reforma agrária e assuntos que exigem a democratização do Estado, por exemplo –  são considerados questões da esquerda, e a nossa direita é caracterizada por sua mentalidade escravocrata e autoritária, típica da aristocracia rural – uma maneira interessante de perceber essa realidade é o filme “O Som ao Redor”, do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho.

Assim, de forma consciente ou não, a esquerda brasileira, tipicamente a representante da classe trabalhadora, tem tido a função de levantar a bandeira dos direitos civis e políticos, algo que parece não poder ser efetuado por nossa burguesia aristocrática. Então, torna-se responsável por conclamar uma dupla revolução: a proletária e a burguesa. As consequências dessa interpretação, para a própria esquerda, são muitas, mas isso é assunto para outro texto.

*Foram utilizadas como referência para este texto as seguintes obras, as quais recomendamos a leitura:

CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil – O longo Caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

FERNANDES, Florestan. A Revolução Burguesa no Brasil. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987.

FERNANDES, Florestan. Nós e o marxismo. São Paulo: Expressão Popular, 2009.

Link para o artigo original de Mariana Nóbrega:

http://pandoralivre.com.br/2015/11/05/burguesia-a-brasileira/

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RETOMO PARA CONCLUIR

A resposta aos questionamentos do artigo de Mariana Nóbrega pode ser dada em uma única palavra: patrimonialismo. Esta é uma prática que foi superada na Europa mas manteve raízes bem fincadas no Brasil. A ideia de um estado como patrimônio privado já era errada quando, no absolutismo, reis não faziam distinções entre o que era seu e o que era do estado. Hoje o patrimonialismo é ainda mais perverso, na medida em que vários atores disputam a usurpação do que é público para benefício privado.

Trata-se de uma prática essencialmente não republicana, já que na República há regras claras para o uso do dinheiro público. Burlar estas regras é burlar esta construção civilizadora que evoluiu com as repúblicas e que atende pelo nome de Democracia.

Podemos encontrar elementos patrimonialistas nas experiências de esquerda como União Soviética, China e Cuba, ou mesmo na recente “partilha” promovida pelo governo do PT do patrimônio público entre seus “companheiros” de partido ou de governo.

Podemos encontrar tais elementos também à direita, particularmente concentrados na política. Embora ainda possam existir casos, os proprietários de terras já não são articulados e poderosos como na época do império ou mesmo como o foram até o início da industrialização brasileira.

Analisando a prática patrimonialista, é fácil concluir que seus adeptos conspiram contra o correto funcionamento das democracias e o interesse público.

Assim, mais uma vez vejo reforçada minha tese: aqueles que têm a democracia como valor fundamental formam um guarda-chuva que ocupa a parte centro-direita do espectro político, que vai da social-democracia (no limite à esquerda) ao liberal conservador (no limite à direita). À direita do liberal conservador (e, por tanto, fora do guarda-chuva democrático) encontramos quem vê a democracia como algo, no máximo tolerável. A ideia de um golpe, de um governo autoritário que lhe assegure privilégios é bem-vista por este grupo. A este grupo, soma-se outro que não é necessariamente patrimonialista, mas une uma leitura primitiva da religião a este caldo de cultura perigoso, impondo dogmas religiosos ao que deveria ser um estado laico, isto quando não enveredam para algo que encontra abrigo no código penal no artigo 171.

Fenômeno semelhante ocorre com o grupo que se situa à esquerda da social-democracia: em nome do fim da propriedade privada dos meios de produção e da produção de igualdade a qualquer custo, igualmente desprezam a democracia.

No fim, infelizmente, o que podemos observar é que neste nosso país tropical, abençoado pelo deus do Jorge Ben e bonito por natureza, o patrimonialismo segue impávido, mesmo que novas mãos à esquerda tenham se unido à perniciosa partilha. E o faz em companhia de uma religiosidade ignorante e arrogante, para dizer o mínimo.

Artigo de Paulo Falcão.

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25 comentários em “QUANDO A ESQUERDA É QUASE DE DIREITA.

  1. Fábio Colares
    01/16/2016

    Paulo, para terminar de vez. Eu não faço escolhas.As realidades são impostas não escolhidas. Eu não desprezo dado nenhum destas realidades. Recebo-os faço raciocínio lógico e tiro conclusões. Assim formo meus conceitos. Você não entendeu quando falei res-do-chão. Não quis dizer que era o carregador do carrinho, somente acompanhava e sentia a situação dele. Seu ego é alto demais para meu gosto. Apequenar argumentos são é argumentar. Dizer um monte coisas e não admitir contestações foi todo o resumo de nossa conversa. Sendo assim eu me retiro…vou cuidar do meu gado.

    • Questões Relevantes
      01/16/2016

      Existe uma tática descrita por Lênin que consiste em acusar seu oponente de fazer aquilo que é prática sua. Faz muito sucesso entre a liderança do PT e seus seguidores.

  2. Fábio Colares
    01/15/2016

    Paulo, os seus argumentos no último post faz-me entristecer por seus leitores. Seu ego está no pico do Evereste.

    • Questões Relevantes
      01/16/2016

      Fábio, como disse abaixo, todos temos ego, mas alguns de nós têm argumentos melhores. Quando você nega a realidade palpável, quando ignora estudos sérios como os do IBGE ou IDH, quando defende políticos comprovadamente corruptos, está abrindo mão da racionalidade, da lógica, e abraçando a ideologia, a utopia, eventualmente a descrença. Isto não acontece por conta de meu eventual ego. Acontece por suas escolhas.

  3. Enio
    11/12/2015

    Os movimentos elencados pela autora, a quem servem? Estão a
    soldo de quem? Qual ideologia propagam? Quem adquire poder os usando?
    A resposta já foi dada pelo filósofo Jean Madiran transcrito por Gustavo Corção em seu O Século do Nada:

    A distinção entre a esquerda e a direita é sempre uma iniciativa da esquerda, feita pela esquerda e em proveito da esquerda. Há uma direita na proporção em que uma esquerda se forma para designar a direita e a ela se opor: o inverso nunca se dá. Os que instauram.e põem em funcionamento o jogo esquerda-direita, logo se situam na esquerda de onde delimitam a direita para combatê-la e exclui-la. Num segundo momento, a direita, assim designada e apartada, arregaça as mangas,
    nunca muito depressa nem com muita disposição, e então se organiza, se defende, contra-ataca e às vezes consegue vitórias…
    Por isso, será “de direita” aquele que a esquerda designa ou de- nuncia arbitrariamente como tal: o inverso não é verdade, não existe. A arbitrariedade do processo se explica, ou se impõe, já que o jogo es- querda-direita, que mais exatamente deveria chamar-se esquerda-conira- direita é inventado, conduzido e julgado sempre pela esquerda, jamais pela direita.
    A direita sabe ou sente que se submete sem poder fixar ou .modifi- car as regras do jogo. A própria extrema-direita, quando não está con- tente com M. André Tardieu ou com M. Paul Reynaud, dirá que eles cedem às esquerdas, que aplicam seus programas, ou até dirá que traem, Jamais dirão que M. Tardieu ou M. Reynaud se tornaram homens da esquerda. E por quê? Porque a direita não se julga com títulos nem com a possibilidade de colar o rótulo nos frascos. A esquerda, ao contrário, senhora e árbitro do jogo que inventou e iniciou, relega para as direitas quem ela acha que deve relegar, e como e quando lhe parece oportuno
    e conveniente.

    • Questões Relevantes
      11/12/2015

      Obrigado pela contribuição. Me posiciono contra este jogo desde o artigo Teoria das Gavetas.

  4. Francisco Fabio Paula Colares
    11/09/2015

    Volto a discordar do articulista. Ele generaliza atitudes como de uma sociedade quando devia particularizar. Nem “coletivo” da direita nem “coletivo” da esquerda tem como prática o patrimonialismo, o que não impede que indivíduos de um lado e de outro, usem e abusem deste patrimonialismo. Vamos acabar com esta história de generalizar o que deve ser individualizado. O “coletivo” deve ser aceito ou contestado pelo que ele prega, vamos dizer, “estatutariamente”. As práticas de alguns não podem serem generalizadas.

    • Questões Relevantes
      11/09/2015

      Francisco, na parte do artigo que é de minha autoria, particularizo. Se não ficou claro, explico: na URSS, Cuba e China, a nomenklatura adotou claramente o patrimonialismo.
      Na esquerda brasileira, tal prática foi adotada pelos grupos que conquistaram o poder, e o PT personifica o exemplo maior.
      No campo da direita, o exemplo mais gritante é o clã Sarney e a capitania hereditária do Maranhão, mas é eviente também em políticos com Collor, Renan Calheiros, Jardes Barbalho, os falecidos Toninho Malvadeza e Quercia, além de muitos outros, que vão de Maluf a Severino Cavalcanti.
      Quanto ao “coletivo” religioso, não escapa um da chamada bancada evangélica.

      • Francisco Fabio Paula Colares
        11/09/2015

        Você diz, com todas as letras: O PT FEZ A PARTILHA…Isto não é generalizar? Acho engraçado vocês da direita (Sim, todos os seus argumentos são os sofismas da direita) falarem do “partilhamento” do PT quando vemos que a direita é que “de priscas eras” usou e abusou (e aí vale o coletivo) de fazê-lo. Falam na corrupção do PT. Quando olhamos os denunciados vemos que ele é minoria. O exemplo da Petrobras mostra apenas um monte de corruptos (não é a empresa que é corrupta, ela é vítima) que praticaram a corrupção. E neste monte estão incluídos até do PT! É risível a “forçada de barra” de vocês. Paulo Falcão, aceito a discussão, honesta, entre direita e esquerda. Sou capitalista por vários motivos, mas sou socialista por vários outros. Acho que “misturando” podemos sair com coisas melhores.

      • Questões Relevantes
        11/09/2015

        Francisco, temos parte da cúpula do PT condenada no STF (mensalão). Quem escapou apresenta enriquecimento direto e de familiares de fazer inveja a qualquer esforçado trabalhador ou empresário. Não estamos falando de franjas, de bagrinhos, estamos falando só de peixes grandes. Se a cúpula, se os peixes grandes estão nesta situação, se a própria promotoria já disse que as práticas adotadas pelo PT no mensalão tiveram continuidade no Petrolão, acredito que o uso da menonímia é totalmente correto. Aparentemente você tem ligações afetivas com o PT. Talvez isto turve sua visão. Talvez lhe seja mais confortável duvidar dos fatos. Mas, infelizmente, os fatos são estes. Quanto à ideia de que o ocorrido na Petrobrás foi uma ação de empresas que corromperam funcionários, é desafiar o mais básico bom senso. Quem tinha e tem o poder é quem assina, quem contratata, quem estorque. Não há inocentes neste jogo, mas, como no mensalão, há um partido dando as cartas.

      • Francisco Fabio Paula Colares
        11/09/2015

        Paulo, vamos começar pela Petrobras. Não disse que foi empresas que subornaram funcionários. O que disse foi que funcionários achacaram as empresas. Só não aceito é a deturpação que foi ação direta do PT. Veja que um partido sem expressão nenhuma, PP, está no topo. Foi sim ações de corruptos. Não foi “coletivo” foram indivíduos. E não foi conluio entre a empresa e as empreiteiras. Foi de alguns indivíduos. Só não vê quem não quer.

        Você joga para mim o que acho de você, a direita turva a sua mente. É elas por elas. Estamos quites. Não sei se você sabe, eu sou velho, estou com 83 anos e desde meus vinte (década de 50) acompanho a política, não exercendo, mas tentando entendê-la. A política é imprescindível na democracia! Na minha idade já aí muitas coisas. Acompanhei tudo de GETÚLIO, JANGO, JUSCELINO, JANIO etc. Então eu te aconselho, cuidado com o que você acredita. Não sei sua idade, mas crente como você se mostra, na minha idade, terá tido muitas decepções.

      • Questões Relevantes
        11/09/2015

        Francisco, , é curioso nosso debate. Não sou um jovenzinho, tenho 54 anos, mas perto de você, evidentemento, sou quase um adolescente (mas tenho amigos mais velhos que você, na faixa dos 87). Não vou insistir na questão do PT. Já dissemos o suficiente. Mas você havia insinuado antes e esclareceu definitivamente agora algo que para mim é básico: ter a democracia como fundamental. Isto nos coloca sob o guarda-chuva democrático, que, como venho insistindo, vai da social democracia ao liberal consrvador (liberal no sentido econômico, de menos estado).

        Apesar de nossas divergências, acredito que o blog tem vários artigos que não lhe desagradariam. Em muitos deles, há também bons debates com os leitores. Fica o convite e um link para um dos artigos. Neste, como em vários outros, discuto as coisas de um ponto de vista macro, sem entrar na política partidária: LIBERDADE, DEMOCRACIA E MARXISMO: ESTRANHO FETICHE.http://wp.me/p4alqY-1a

      • Francisco Fabio Paula Colares
        11/09/2015

        Para finalizar. Sempre me coloquei contra o comunismo porque não aceito a tentativa de implanta-lo matando a democracia. Sempre me coloquei contra o capitalismo que está sendo, ainda, implantado sem a preocupação de combater seus danosos efeitos colaterais o pior sendo a concentração de renda. A minha cabeça faz uma mesclagem dos dois. SOCIALISMO ONDE O COLETIVO É PREVALENTE AO INDIVIDUAL Almejo um socialismo em que a lei básica seria: VOCÊ É LIVRE ATÉ ENCONTRAR UM OUTRO INDIVÍDUO. AÍ ENTRA A POLÍTICA. VAMOS NEGOCIAR E…. SURGEM AS LEIS.

      • Fábio Colares
        01/12/2016

        GIGANTE COM PERNAS CURTAS

        Comentários sobre um artigo do FACEBOOK, em um blog autodenominado QUESTÕES RELEVANTES (Não sei o nome do autor).

        Sr. articulista:

        Qualquer animal, principalmente o homem, dá o passo com as pernas, mas quem comanda é a cabeça. Sem comando as pernas atrofiam! E mais, passos longos só com pernas longas, independentemente da cabeça.

        É o retrato do Brasil. Nos nossos mais de 500 anos a elite (Cabeça) usou o “povão” (Pernas) para sustentar esta cabeça e nunca para fortalecer a perna. Estamos até hoje, só dando pequenos passos.

        Então soa como desfaçatez querer exigir que este governo resolva, em quinze anos, os problemas acumulados.

        -Vou me alongar um pouco mais na resposta porque, mesmo achando ser você uma espécie de RODRIGO CONSTANTINO, (não sei se pior, ou melhor) senti um “quê” de sinceridade nos seus comentários. Isto é: VOCÊ ACHA, SINCERAMENTE, QUE ESTÁ CERTO! O não ter falado em “CORRUPÇÃO DO PT” reforça esta percepção, porque, para mim, esta fala soaria desonesta. E com desonesto eu não troco argumentos. Seria bobagem. Aproveito então pra falar para você e para os seus leitores. Para simplificar vou usar: EU (esquerda), VOCÊ (direita).

        -No seu artigo inicial você tenta, com um sofisma, demonstrar que não houve avanço no Governo Lula. E compara a Turquia com o Brasil chegando a conclusão que, na mesma época do Lula o PIB da Turquia foi maior do que do Brasil. Eu pergunto: o que tem a ver o PIB de um país com o desenvolvimento do seu povo? Eu respondo: Nada! O importante não é o crescimento do PIB, o importante é: PARA QUEM!

        – Na ditadura chegamos a crescer 7%. Para quem cara pálida? Não sei. Sei que para o povo não foi! Façamos uma divagação: Sem levar em consideração a VALE suponhamos o nosso crescimento zero e entrando a VALE o crescimento do PIB chegue a cinco. Isto seria péssimo. Os acionistas da VALE ganhariam muito e nós, o “povão”, que somos os donos dos bens que a VALE vendeu, ficamos com os buracos! DRUMOND DE ANDRADE já dizia: “Itabira é só um retrato na parede” e eu acrescento tal qual BELCHIOR: “Esta lembrança é o quadro que dói mais”.

        Você fala nos erros da esquerda. Concordo, são vários, inclusive alguns violentos. Mas comparando com os da direita, esta ganha de 10 a 1! Se compararmos genocídios então…!

        -Não aceito a privatização da VALE sem obrigação de investir parte de seu lucro no aumento de valor agregado. (Fora o roubo no preço).

        -Não aceito a SABESP ser privatizada (É o cúmulo privatizar agua). A regra era ter lucro para acionistas. Era dado incentivo aos grandes consumidores. Pode? Resultado: A Bolsa de New York agradecia e o povo de São Paulo não tomava banho!

        Sobre o que tivemos nos últimos 15 anos, desafio: FAÇAM, VOCÊ E SEUS LEITORES, UMA PESQUISA ENTRE SEUS PARENTES, AMIGOS, CONHECIDOS ETC. A MAIS AMPLA POSSÍVEL, COM A PERGUNTA: EM 2000 A SUA SITUAÇÃO ERA MELHOR OU PIOR DO QUE HOJE? Arrisco um palpite: mais de 70% dirá que hoje está melhor. Claro se a pesquisa for honesta…

        Fábio Colares

      • Questões Relevantes
        01/13/2016

        Fábio, segundo dados do próprio IBGE, eu estou certo e você errado: o Brasil vem melhorando gradativamente desde a década de 1950 em termos de acesso à educação, à direitos sociais e políticos, à saúde, expectativa de vida etc. Evidentemente que estamos falando da parcela mais pobre da população.

        Também não disse que não houve avanços no governo Lula. O que os números revelam é que ele foi muito bem enquanto seguiu os princípios básicos do Plano Real e aprofundou as políticas de distribuição de renda. A Partir de 2008, resolveram inovar, criaram a “nova matriz econômica” e começamos a ir para o buraco em que Dilma terminou de nos colocar.

        O resto de suas afirmações são mantras comuns da esquerda, desprovidos de substância e de conexão com a realidade. típicos de quem não entende como a riqueza é gerada e como funcionam as economias.

        O liberalismo econômico e a democracia liberal não são perfeitos, mas são abertos à luta e à pressões que os modificam, que os transformam, que os aperfeiçoam. As alternativas, todas elas, se mostraram desastrosas, como está bem sintetizado neste outro artigo: FUJA DE UM MUNDO MELHOR http://wp.me/p4alqY-mF

  5. Fábio Severo Linderman
    11/08/2015

    Gostei. É o mínimo que eu posso dizer. Por quê? Porque li ideias. Portanto, ficando de lado as bizarras ofensas pessoais que está a campear o mundo virtual.

    • Questões Relevantes
      11/08/2015

      Esta é a ideia.

    • Fábio Colares
      01/14/2016

      COMENTÁRIOS PARA “QUESTÕES RELEVANTES” (SITE)

      Sr. articulista:
      -Eu escrevi contra generalizações feitas contra o PT. Você responde: os fatos mostram seus dirigentes presos no Mensalão e enriquecimento ilícito de vários dos seus membros. Sobre o Mensalão só o futuro irá demonstrar o que realmente ele foi. ( Esclareço: assisti várias sessões ao vivo. Ouvi a Rosa Werner dizer que não tinha provas mais condenava. Ouvi o Fux dizer que o Dirceu tinha que comprovar a sua inocência. Deixa pra lá!) Sobre os “fatos” é simplório o que diz. Os fatos mostram enriquecimento ilícito. Eu digo: a “narrativa” de pseudos fatos. Se você tem provas, mostre. Os “narradores” na mostraram.
      -Quando você diz que não é a empresa que corrompe é o funcionário você mostra toda a sua ingenuidade. Concordo que não é a empresa, são seus donos. Eles sabem que neste ambiente empresarial um “chefete” pode não ajudar, mas pode atrapalhar e muito. O funcionário sabendo disto insinua… aí! Vivi muito tempo neste ambiente.
      – Nesta última postagem diz que os dados do IBGE mostram que você está certo e eu errado. Diz que o Brasil vem num crescendo desde 1950. Diz que o Lula foi bem enquanto seguiu as diretrizes do Plano Real (Meu Deus!). Diz que depois ele quis “reinventar a roda” e deu no que deu!
      – Não vou comentar quando você apequena meus argumentos: “São coisas da esquerda”. Deixa pra lá!
      -A verdade é outra. Os dados do IBGE e de outros organismos internacionais isentos mostram um crescimento do Brasil, depois da segunda guerra, aos pulos e não gradual. Pesquise as épocas dos “pulos”. Você será surpreendido.
      – Você mostra desconhecer o que foi o Plano Real. O mérito deste foi só fazer a ligação entre Alta inflação e inflação controlada. Nada mais. Quem baixou a inflação foi o “arrocho” que foi implantado. Simples assim!
      – O Lula foi bem até 2008 não pelas diretrizes do Plano Real (inexistentes), foi bem por vários fatores juntos que incluía o crescimento mundial, e para nós no Brasil as políticas sociais implantadas. Não adianta a direita querer tapar o “sol com a peneira”.
      Depois de 2008 o mundo “pirou” e você diz, pejorativamente, que o culpado foi a nova “matriz econômica” do Lula. É muita cegueira! Neste período, entre as grandes nações, quem menos sofreu foi o Brasil. Estávamos com pleno emprego até um ano atrás. O Nordeste veio crescendo a 4% ao ano. Tivemos uma diminuição da desigualdade entre Norte e Sul e entre as pessoas mais e menos favorecidas. E você classifica como “abismo”. ( Abismo foi o governo FHC!).
      – Os seus comentários depois disto explicita, escancara, a luz do sol mostra, o porquê de nossas diferenças: VOCÊ QUER CHEGAR A UM LUGAR QUE NÃO É O MEU.
      – Você diz se preocupar com o “macro”. Isto tem méritos. Eu sou mais humilde por não ter as condições. Os meus “conceitos filosóficos” não são filosóficos, são conceitos forjados na dura realidade da vida, no “micro”, no rés-do-chão das fábricas, na exposição ao sol de grandes obras. As minhas preocupações não estão na criação de riquezas (riqueza é só riqueza, quem quiser que acumule, só não sei pra que). Eu me preocupo é com a busca do conhecimento, não para achar riquezas, mas por uma causa maior o BEM COMUM NO CAMINHAR DA HUMANIDADE. Acumular riquezas é o contrário disto.

      Conclusão que tiro: Seu site na me cabe…

      Fábio Colares

      • Questões Relevantes
        01/14/2016

        Fábio, admiro sua determinação em defender o indefensável, como estes cleptocratas do PT. Chega a ser comovente. Quanto ao restante de seu comentário, sobram afirmações grandiloquentes e falta substância.

        Mas não faça pose de operário boia-fria. A sua escrita é de quem teve acesso à educação e só está no chão de fábrica por escolha (se é que está mesmo).

        Mas mesmo este ponto é bobo: todo trabalho é digno. As diferenças de valores entre os trabalhos estão relacionadas com a quantidade de pessoas capazes de realizá-los bem. Quanto menor o número de pessoas, maior o salário.

  6. Rodrigo
    11/07/2015

    Direita e esquerda são campos posicionais. Ser liberal na época da aristocracia dominante não era ser de direita, porque a direita daquele tempo refletia os interesses desta última classe. Quando os liberais se tornam o grupo dominante, a oposição a eles, exigindo novos direitos ou a inclusão dos grupos marginalizados nos direitos já existentes, é que são a eaquerda, a nova, da época. Norberto Bobbio define esquerda e direita como atitudes frente à igualdade, basicamente, em vez de por conteúdos específicos. Isso tem a vantagem de evitar anacronismos como o que você inadvertidamente cometeu, de achar que certos temas são “no fundo” de direita, porque hoje a direita representaria a burguesia.

    • Questões Relevantes
      11/07/2015

      Rodrigo, obrigado por sua participação. Ela é uma bela contribuição e, ao mesmo tempo, um reforço para o que defendo em outros artigos: a esquerda sequestrou o bem, o belo e o justo.

      Gosto do Bobbio, mas esta ótica “posicional” é um erro e permite todo tipo de prestidigitação intelectual.

      Penso que o reconhecimento da Democracia representativa como valor fundamental, com a real independência de poderes, é o melhor critério.

      A questão do modo de produção ambicionado também é um componente fundamental.

      Sem estes elementos, a discussão cai no maniqueismo do “bem versus o mal”, sendo “o bem” sempre a esquerda que mantem em cativeiro “o bem, o belo e o justo”.

    • Fábio Colares
      01/15/2016

      Paulo, com argumentos assim entristeço por seus leitores. Seu ego é muito alto. Abraço.

      • Questões Relevantes
        01/16/2016

        Fábio, todos temos ego, mas alguns de nós têm argumentos melhores. Quando você nega a realidade palpável, quando ignora estudos sérios como os do IBGE ou IDH, quando defende políticos comprovadamente corruptos, está abrindo mão da racionalidade, da lógica, e abraçando a ideologia, a utopia, eventualmente a descrença. Isto não acontece por conta de meu eventual ego. Acontece por suas escolhas.

  7. Os direitos humanos como estão proclamados pelos uSA e pela revolução francesa são importantes, no entanto, a burguesia se reserva tb o direito de explorar. Isso é evidente em todas essas declarações.

    A burguesia num país periférico como o Brasil nunca rompeu com o feudalismo totalmente e nunca romperá. O capitalismo no Brasil cairá com o latifúndio.

    Os direitos civis são uma pressão revolucionária aqui no capitalismo selvagem, pois aqui não há direitos nem para maiorias, o que dirá para minorias.

    Abs do Lúcio jr.

    • Questões Relevantes
      11/07/2015

      Lúcio, reforma agrária já não é prioridade ou necessária no Brasil faz tempo. Aliás, nem o MST quer reforma agrária, quer apenas confronto, quer manter uma tensão latente, e, claro, quer receber uma graninha do Governo Federal e as ações assistencialistas para seus militantes nos acampamentos. Stedile, por exemplo, é um “burguês do capital alheito” – como já disse alguém.

      A única política que faz sentido aqui é definir com precisão os critérios do que seja uma área produtiva (tem que valer para todos, do pequeno ao enorme) e criar uma progressão anual de impostos para as áreas consideradas improdutivas.

      Havendo terras improdutivas, esta política gera aumento de arrecadação no início e, no limite, permite a desapropriação pelo custo dos impostos.

      Outro fator contra a reforma agrária: poucas pessoas querem ou aceitam ficar longe de cidades hoje em dia. Fazer reforma agrária seria fácil nas fronteiras agrícolas, mas não existe nenhum interesse por parte do MST e seus militantes por estas áreas. O fato é que, como disse no início, eles não querem terra para produzir, querem uma bandeira para manter a tensão.

      Aliás, falar em latifúndos evoca automaticamente o conceito de “improdutivo” e, hoje, isto significa desconhecer a realidade do campo e o próprio noticiário econômico do Brasil.

      Um setor que representou 23,3% do PIB em 2014 e 22,5% em 2013 pode ser chamado de tudo, menos de improdutivo ou ineficaz.

      Mais informações sobre este setor podem ser vistas aqui: PIB Agro CEPEA-USP/CNA
      http://cepea.esalq.usp.br/pib/

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Publicado às 11/06/2015 por em Uncategorized e marcado , , , , .
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