Aroeira - O Dia Online

Morreu esta semana o torturador e coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra. Não há dúvida:  foi um dos maiores carrascos do regime militar que se instalou no Brasil em 64.

É notícia? Evidentemente. Merece matérias? Claro. Merece críticas? Sem dúvida.

Mas que tipo de matéria deve ser publicada?

Resposta: de um tipo que não seja preguiçosa e parcial. É o básico do bom jornalismo.

Mas o que vimos foi o contrário. Com pequenas variações, diversas matérias parecem ter sido elaboradas a partir de um mesmo press-release.

A primeira que li e me chamou a atenção é de Wellington Ramalhoso para o portal UOL e tinha o seguinte título:

O que leva alguém a chamar de “herói” um acusado de tortura?

Em uma resposta, de bate-pronto, pensei: “o mesmo que leva pessoas a cultivarem ídolos como Chê Guevara, Fidel, Mao Tse-Tung, Stalin, Lenin e outros assassinos em massa do século XX. A estupidez é ambidestra”.

Li esta e outras matérias e descobri que, como sempre, apenas as torturas e mortes praticadas pelos militares são lembradas. Os militantes de grupos guerrilheiros, que também desejavam implantar uma ditadura, mas de esquerda, que também mataram em nome da causa, são tratados como combatentes pela democracia. É esta a encruzilhada a que chegam todos que trocam princípios éticos por ideologia.

É o caso de Mário Magalães que publicou um artigo intitulado

Morte de Ustra, comandante de campo de concentração, consagra impunidade.

Em essência, segue o mesmo roteiro de outro artigo que escreveu chamado “O SILÊNCIO CÚMPLICE ACEITA A BARBÁRIE” do qual fiz uma crítica que serve como uma luva também aqui. É triste constatar que continua preso a um cercadinho ideológico bem estreito.

Outro que bate nas mesmas teclas, demonstrando que andaram copiando o mesmo press-release, é Leonardo Sakamoto, também no UOL, com o artigo

Coronel Ustra e outros carniceiros de gente que morreram felizes por aqui.

Até o jornal O Globo publicou um artigo não assinado, logo da editoria, com basicamente o mesmo conteúdo:

Ustra, ‘carniceiro’ para a esquerda e ‘herói’ para militares.

Alguém que tortura e mata pessoas em custódia do estado é um criminoso. Não tenho dúvida disso. Mas, para mim, isto independe de suas preferências políticas, de suas afinidades à direita ou à esquerda.

Observe: as mesmas pessoas acima que lamentam a impunidade dos criminosos do regime militar brasileiro silenciam diante dos manifestantes abatidos a tiros de fuzil na Venezuela de Maduro.

Silenciam diante dos presos políticos em Cuba.

Silenciaram diante da conivência do governo brasileiro com a perseguição do Governo de Evo Morales, na Bolívia, ao senador e líder da oposição Roger Pinto Molina, que ficou quase 2 anos confinado na embaixada brasileira aguardando o salvo-conduto que deveria ser imediato. Ele só deixou o “cárcere” através de uma fuga espetacular conduzida pelo diplomata brasileiro Eduardo Saboia, que depois disso foi colocado no ostracismo.

A própria “Comissão da Verdade” levou esta postura ao paroxismo ao se negar a investigar os crimes cometidos pela esquerda e tentar reescrever a História.

Aparentemente, para estas pessoas, ser de esquerda, agir em nome da esquerda, lava os pecados e justifica todos os crimes, da corrupção a assassinatos.

A experiência já mostrou que este é um caminho certo para o desastre.

Artigo de Paulo Falcão.

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