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OS PROGRESSISTAS, O PARADOXO E OS TEMPOS DE PAZ.

O sequestro das palavras.

A palavra “progressista” foi sequestrada e está sendo torturada. Diariamente. É uma violência inaceitável. Como nos famosos sequestros das FARCs colombianas, ela não está sozinha. Estão no cativeiro também palavras como “libertário” e “liberdade”.

É curioso como chegamos a este ponto.

O homem construiu, ao longo de sua história documentada, valores que não lhes eram próprios ou naturais. São valores cultivados lentamente e que revestem boa parte dos códigos de conduta (as leis) de cada país.

Nos países que constituem o que pode ser descrito como “primeiro mundo”, encontramos o que considero o grau máximo da construção de direitos e cidadania. Há diferenças importantes entre eles, mas há um traço comum que se destaca: a democracia liberal como valor fundamental. Democracia liberal, para que não haja dúvidas, é a democracia representativa, com executivo, legislativo e judiciário como poderes independentes e complementares.

É importante observar que tais conquistas não estão diretamente ligadas à riqueza, mas à história, à construção e acumulação de cultura. Um bom exemplo está na comparação entre Portugal e Brasil. Portugal é mais civilizado que o Brasil, apesar de ser um país economicamente mais pobre. Isto se revela de diversas maneiras, como IDH, segurança pública, funcionamento das instituições, educação etc.

Não vou me deter em contestações politicamente corretas sobre o valor de outras culturas. Vivemos inseridos em uma civilização que é filha direta da cultura greco-romana e é dela que trato aqui. Mesmo o Japão, com sua cultura milenar, recebeu importante influência dos valores ocidentais, a partir do final do Século XIX e se insere tanto no conceito de “primeiro mundo” quanto no de democracia.

A construção da democracia moderna, no entanto, não foi indolor – e ainda não é uma obra acabada. Pode-se dizer que nasceu a fórceps, impulsionada pela tensão entre correntes de pensamento de diversas maneiras antagônicas. De um lado do ringue, as teses de pensadores liberais como Adam Smith,  John Locke e Charles de Montesquieu. Do outro, anarquistas e socialistas como Proudhon, Saint-Simon, Marx e Engels.

As ideias liberais ajudaram a moldar a moderna democracia, mas não há dúvida que muitas das ideias anarquistas e socialistas ajudaram a dar direcionamento às tensões sociais e influenciaram diretamente diversas conquistas e melhorias nas democracias liberais.

Assim, podemos dizer que onde as ideias liberais e a democracia que delas derivou prevaleceu, novos direitos são continuamente incorporados, mesmo que lentamente, porque é da natureza liberal a incorporação do novo, é da essência da democracia a luta e a conquista de direitos.

Da mesma maneira podemos dizer que onde foram derrotadas pelas ideias socialistas, vimos a implantação de estados autoritários, às vezes totalitários e sempre carniceiros com a própria população.

As ideias anarquistas que tiveram relevância no século XIX perderam a guerra ideológica e foram condenadas ao ostracismo pela esquerda marxista. Perderam totalmente qualquer status político já na primeira metade do século XX.

Sendo estes fatos reais e comprováveis, pergunto: como foi possível a esquerda sequestrar para sí a palavra “progressista”? Que diabos os socialistas e seus filhotes teóricos querem dizer quando se intitulam “libertários”?

Há nesta apropriação um paradoxo insolúvel.

Enquanto as teses liberais cada vez mais acolhem a diferença, as minorias, as críticas, os defensores das teses de Marx e Engels ainda hoje imaginam poder alterar o DNA humano para criar o homem do futuro, sem ambições, sem gosto pelo poder, dócil a uma vontade coletiva que o anula como indivíduo. Não é à toa que Marx fala em Ditadura do Proletariado: apenas debaixo de porrete é possível realizar esta “engenharia de gente”.

Vejo muita ginástica teórica para justificar o sequestro daquelas palavras, mas esbarram sempre na incompatibilidade entre forma e conteúdo.

Mais uma vez chamo a atenção para um fato simples: conceitualmente falando, quem tem a democracia representativa como valor fundamental não é nem de esquerda nem de extrema direita, mas pode se dizer progressista e libertário, como também pode se dizer conservador.

Faz sentido. Corresponde aos fatos.

Já aqueles que não têm a democracia representativa como valor fundamental podem se chamar, quando à direita, de fascistas, nazistas, fundamentalistas, déspota e ditadores. À esquerda, podem se auto intitular revolucionários, socialistas e comunistas, mas jamais “democráticos”, “libertários” ou “progressistas”.

Assim, para concluir, pergunto: quando começaremos a chamar as coisas pelo nome que têm?

Respondo: se depender da esquerda, nunca. A imprecisão semântica é uma de suas principais armas em tempos de paz.

Artigo de Paulo Falcão.

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28 comentários em “OS PROGRESSISTAS, O PARADOXO E OS TEMPOS DE PAZ.

  1. MARIO FONTES
    07/28/2016

    Li o artigo acho que há falta de Democracia e excesso de estados totalitários tanto na esquerda como na direita, mas há uma tendência da nossa media manipuladora de apenas citar os de esquerda a ponto de a população chegar a confundir Hitler e Mussolini como comunistas, isto é muito comum encontrei varias pessoas, com segundo grau completo, achando isso,. Culpa da nosso eficiente noticiário e Rede Globo.
    Tenho experiência de 5 anos morando como cidadão australiano num governo sobre o comando do Labor Party foi ótimo:
    Democracia
    Desenvolvimento
    Progressistas
    Tudo de esquerda
    Agora a consciência de cidadania do povo era infinitamente melhor que a do Brasil. Educação para cidadania se confunde com a ideia de ASSERTIVIDADE DO CIDADÃO que em poucas palavras eu diria representa algo que:

    CONHEÇA OS SEUS DIREITOS COMO CIDADÃO E EXIJA QUE SEJAM RESPEITADOS TANTO PARA VOCÊ COMO PARA SEUS COMPATRIOTAS EM QUALQUER LUGAR EM QUALQUER SITUAÇÃO CUSTE O QUE CUSTAR

    • Questões Relevantes
      07/28/2016

      Mario, acho que a Globo nem tem culpa desta ignorância toda que nos assola. De qualquer maneira, observe que existem experiências virtuosas de democracias liberais, como a Austrália, mas não existem experiências democráticas em países de esquerda. Onde vigora ou vigorou modelos socialistas, 100% foram totalitários.

  2. Mariana S.
    05/23/2016

    De alguma forma este artigo me fez lembrar desta entrevista do Pondé https://www.youtube.com/watch?v=DXJNIL_4DUo

    • Questões Relevantes
      05/23/2016

      Obrigado pela contribuição.

  3. Bill
    10/27/2015

    Concordo, a esquerda não possui o monopólio do “progressismo”, ainda mais que você delimita a esquerda como religiosos marxistas. A rigor, ok. Mas existe um erro de interpretação tanto do que é a esquerda quanto da realidade brasileira atual. Primeiro, Marx não define a esquerda (não foi capaz de fazê-lo nem mesmo em vida). Para a esquerda moderna, Marx foi um dos mais importantes criticos do capitalismo. Ponto. Todo mundo sabe das contradições marxistas, dos seus preconceitos, do seu ponto de vista autoritário, etc, etc. Essa visão reducionista da esquerda só encontra para no que a esquerda radical (esta sim, religiosa marxista) vê na direita. Segundo, está clara a afinidade ideológica do discurso autoritário que toma as ruas brasileiras hoje. Faça o teste: vá a uma passeata e defenda a democracia, é bem provável que vc seja hostilizado pelos manifestantes com gritos de “vai pra cuba” e “comunista”. Portanto, tirando a minoria da esquerda radical autoritária, o progressismo acaba se alinhando à esquerda por uma questão de contraste, pois os conservadores que vão às ruas se identificam mais com a direita, dai seu desconforto, pq acredito que vc não se identifica com a maioria desses manifestantes, mas eles se identificam com vc, até que vc abra a boca e defenda pautas progressistas, como a interrupção da gravidez.

    • Questões Relevantes
      10/27/2015

      Caro Bill, me parece que temos mais convergências que divergências. O blog vem discutindo este tema desde bem antes deste clima de confronto que tomou conta do debate político. Gente como Bolsonaro, Malafaia e Marco Feliciano são, realmente, opostos da esquerda. Inclusive há um artigo no blog em que afirmo que estes personagens ignorantes e caricatos são verdadeiros garotos-propaganda da esquerda, no sentido de que, com atuações desastrosas, fornecem argumentos e munição para todo tipo de crítica da esquerda.
      Seria muito bom se, como você afirma, “para a esquerda moderna, Marx foi um dos mais importantes criticos do capitalismo. Ponto. Todo mundo sabe das contradições marxistas, dos seus preconceitos, do seu ponto de vista autoritário, etc, etc.” Isto significaria superar esta matriz ideológica, o que não acontece nem nas universidades, onde seria de se esperar um melhor entendimento do assunto.
      Mesmo dentro do PT, em sua direção, há quadros importantes que desprezam a democracia “burguesa” e, se pudessem, fariam aqui o que apoiam na Venezuela, Equador e Bolívia.
      O assunto não se esgota neste artigo ou em nossa troca de respostas, mas deixo com você três artigos sobre esta temática (que também não vão esgotar o assunto, evidentemente).
      Os dois primeiros são debates com “professoras doutoras” de universidades estaduais de renome. Ambos demonstram que você é um otimista.
      O último é um dos primeiros e mais lidos artigos do blog e busca organizar melhor a discussão sobre este tema.
      Segue a lista:
      COMO O MARXISMO ATRAPALHA A VISÃO (E A ÉTICA). http://wp.me/p4alqY-39

      OS DEVOTOS DE “SÃO MARX DA MAIS VALIA”, O NEOLIBERALISMO E A LÓGICA. http://wp.me/p4alqY-c3

      ESQUERDA x DIREITA: A TEORIA DAS GAVETAS OU COMO NÃO CHAMAR URUBU DE “MEU LÔRO”. http://wp.me/p4alqY-a

      • Bill
        10/27/2015

        São tempos tão sombrios esses que fico emocionado só de obter uma resposta educada… enfim, vou ler os artigos e depois comento. Abraço.

    • Fábio Colares
      10/31/2015

      O autor do texto mostra-se contraditório, pior que Marx, quando afirma que o democrata, da direita( que ele até chama de conservador) ou da esquerda, pode se definir como progressista. Como é que é? Progressista é aquele que quer avançar, quer incorporar novidades. Conservador não quer isto. Quer queira ou não, só o de esquerda tenta avançar. Não querendo dizer que sempre estão certos. Veja Marx. não entendeu que o humano (no geral) não é altruísta, precisa de ter limites e estes são dados por leis. Estas serão sempre impositivas.

      • Questões Relevantes
        10/31/2015

        Fábio, acredito que sua leitura do texto deixou passar um detalhe fundamental que talvez tenha ficado muito sutil: defendo que os progressistas de verdade pertencem ao grupo que possui a democracia como valor fundamental. Este grupo forma um guarda-chuva que abriga grupos que vão da social-democracia (onde estão os chamados progressistas) aos conservadores (que também podem ser chamados de liberais no sentido econômico, de desejar mais livre iniciativa e menos interferência do governo).

        Quem não tem a democracia como valor fundamental, por definição, valoriza soluções totalitárias. E, no meu dicionário, não há como ser totalitário e progressista, ao menos no sentido positivo do termo.

  4. Hélio Monteiro
    10/22/2015

    Há um completo abuso da palavra ‘marxista’. Na verdade a maioria dos denominados marxistas deveriam ser chamados de leninistas, pois são seguidores de Lenin. Havia profundas diferenças entre o pensamento de Karl Marx e prática de Vladimir Lenin.

    • Questões Relevantes
      10/22/2015

      Hélio, você tem razão ao apontar diferenças, mas o que a dupla Marx e Engels propõem no Manifesto Comunista não é menos totalitário e violento do que a pratica de Lenin.

      • Hélio Monteiro
        10/22/2015

        E onde é que está no Manifesto a estatização total da economia nas mãos de uma elite do partido? Karl Marx foi um ótimo teórico que soube diagnosticar os males do capitalismo, mas ele não deixou quase nada escrito sobre como especificamente deveria ser esse comunismo que ele pretendia implantar.

      • Questões Relevantes
        10/22/2015

        Hélio Monteiro , realmente não está escrito desta forma, mas lá está escrito que “Os proletários não podem apoderar-se das forças produtivas sociais sem abolir o modo de apropriação que era próprio a estas e, por conseguinte, todo meio de apropriação em vigor até hoje. Os proletários nada têm de seu a salvaguardar; sua missão é destruir todas as garantias e seguranças da propriedade privada existentes até agora”
        Também temos a famosa carta que escreve a Joseph Weydemeyer, idealizador do termo “Ditadura do Proletariado” em que Marx diz: “Muito antes de mim, historiadores burgueses haviam descrito o desenvolvimento histórico dessa luta entre as classes. Minha própria contribuição foi mostrar que a existência das classes está simplesmente ligada a determinadas fases históricas do desenvolvimento da produção; que a luta de classes conduz necessariamente à ditadura do proletariado; que esta ditadura, em si, não constitui mais que uma transição para a abolição de todas as classes e a uma sociedade sem classes”.

        Ou seja, a abolição das classes se dá pela eliminação em uma das partes da equação. Você pode gostar da ideia. Pode concordar com Marx. Mas não dá para chamar esta violência de progressista ou libertária.

      • Hélio Monteiro
        10/26/2015

        Não nego a opção pela violência dos marxistas. Essa é mesmo a diferença de Marx em relação aos socialistas históricos antes dele. O que eu nego é adequação do pensamento marxista à ditadura imposta na União Soviética, que a meu ver não tinha quase nada de marxista e, sobretudo, se essa ditadura foi instaurada sobre bases populares, como pregava Marx. E no meu ver a resposta é ‘não’. Marx falava em abolir ‘os modos de apropriação’ da mais-valia, o que levaria à ruína dos capitalistas e à ascensão dos trabalhadores. Aconteceu isso na União Soviética? Não. Marx tinha preconceito contra os eslavos e não acreditava em uma revolução em uma sociedade feudal como a russa.

        O que aconteceu na União Soviética foi a tomada do poder por intelectuais armados, como Lênin e Trotski. Noam Chomsky acerta no ponto quando diz que a eleiminação de Nestor Mahkno e dos anarquistas pelos bolcheviques significou o fim da esperança de uma revolução baseada nas camadas populares.

        Outro marxista, Eric Hobsbawm já também afirmava categoricamente que a economia da União Soviética não era marxista, mas sim a economia de guerra de Lênin, petrificada por Stalin. Não tiro de certa forma a razão de Lênin pois ele governou em meio a guerra civil e invasão pelas potências europeias. Mas, Stalin, que foi quem estabilizou a União Soviética não tinha nada de marxista. Nela, em vez de proletários no poder havia um quadro do partido no poder, aliado aos militares.

        Além disso, marxismo é um método das ciências sociais. É impossível discutir ciências sociais sem passar por Marx. Os pensadores positivistas, creio que em sua maioria, negam o conflito. Assim, creio, há um abuso do termo marxista, que recai tanto sobre cientistas sociais quanto a políticos soviéticos, e de outros estados autoritários, que nada têm do original pensamento de Karl Marx.

      • Questões Relevantes
        10/26/2015

        Hélio Monteiro, muito oportunas suas ponderações, e historicamente corretas. No entanto, ao mesmo tempo, admito ter dificuldade em aceitá-las sem ressalvas – e ressalvas muito grandes.
        A esquerda que sobreveio a Marx tornou o marxismo praticamente hegemônico. Bem ou mal lido, bem ou mal executado, foi a inspiração por trás de cada revolução “socialista” que assistimos.
        Como salientei acima, e você reconhece, Marx fez uma opção pela violência e pela equalização das pulsões sociais através da eliminação do discordante, do dissidente, ou para sermos mais precisos: do outro, entendido como o oposto, o opositor, a começar pela burguesia e a classe média.
        Deixo aqui o convite para a leitura de um artigo que trata especificamente desta questão.
        A ESQUERDA E OS CAMINHOS QUE SE BIFURCAM. http://wp.me/p4alqY-4D

  5. Érico
    10/22/2015

    “Já aqueles que não têm a democracia representativa como valor fundamental podem se chamar de revolucionários, de socialistas, de comunistas, mas jamais de ‘democráticos’, ‘libertários’ ou ‘progressistas’.”
    Estou curioso para saber como seriam chamados os austríacos. Certamente antidemocráticos, mas negar-lhes a posição de libertários seria estranho, pra dizer o mínimo, ainda que o termo “libertário” só tenha ganhado repercussão dentro do anarquismo, até onde sei.
    Enfim, admiro o esforço nessa batalha semântica tão cara a certos intelectuais de direita, como Roberto Campos e Ludwig von Mises, mas não vejo futuro nesse tipo de discussão. O próprio Mises, inicialmente confiante de que era possível restaurar o sentido do termo “liberal” nos Estados Unidos, acabou se desiludindo com a empreitada.

    • Questões Relevantes
      10/22/2015

      Érico, até onde a vista alcança, a Áustria é uma democracia. representativa parlamentar, fica no primeiro grupo e não no segundo como você indicou. Ou seja, quem defende o tipo de governo da Áustria pede ser chamado de progressista e libertário, como também pode se dizer conservador. São variações que cabem neste espectro político.

      Quanto à comparação com Roberto Campos e Ludwig von Mises, sinceramente quero dizer que ficar em uma lista em que entram os dois foi o maior elogio que já recebi. Obrigado.

      • érico
        10/22/2015

        Me referia à Escola Austríaca de Economia, particularmente a partir de Rothbard.

      • Questões Relevantes
        10/22/2015

        Érico, o libertarianismo é uma espécie de miragem, é o novo anarquismo, evidentemente no sentido clássico do termo. Sua pregação pela liberdade do indivíduo e ausência do estado me dá esta impressão. Penso que tanto um como outro são inviáveis para sociedades complexas, mas o Libertarianismo austríaco não está à esquerda no sentido discutido no artigo.

  6. Thelma Duarte Carvalho
    10/21/2015

    Excelente publicação.

  7. Raquel Fiuza Quedevez
    10/21/2015

    Realidade!! Belo texto!!

  8. Antônio Borges
    10/17/2015

    Tem gente que se faz de democrático, de libertário, mas sonha secretamente com o totalitarismo. Alguns, nem tão secretamente, como Mauro Iasi (PCB) que já foi candidato à presidência do Brasil na eleição do ano passado pelo PCB, partido filiado ao Foro de S. Paulo, e já foi candidato a vice-governador de São Paulo. Não é um participante inexpressivo pinçado no meio de uma manifestação, como a imprensa faz com qualquer lunático em atos contra o PT. É PhD em História pela USP e de 2011 a 2013 foi o presidente da Associação dos Docentes da UFRJ.

    Assista o vídeo abaixo e me diga: é ou não é incitação ao ódio? É ou não é um discurso carcomido por traças do século XIX?

    Esta é nossa esquerda: gente classe média, com emprego público e platéia para defender paredões e assassinatos como seus ídolos fizeram ao longo da história.
    O planejamento socialista funciona apenas para a classe de onde saem os planejadores, que podem se assegurar de que seus interesses pessoais sejam atendidos. É por esse motivo que o socialismo é um fenômeno da classe média, e não da classe operária. Trata-se, ao contrário da propaganda de libertação do proletário, um programa de radicais de classe média que imaginam representar a classe operária. Operários de verdade, aqueles que trabalham, querem mesmo é se integrar à sociedade de consumo “burguesa”, ter bons empregos, ver a novela depois do trabalho nas suas TVs de 50 polegadas e tomar sua cerveja nos fds, ter boa vida. Não lhes passa pela cabeça coisas de “socializar os meios de produção” e “igualdade social”.

    • Questões Relevantes
      10/17/2015

      Boa contribuição. Obrigado.

    • PRENDAM BRECHT!!! Prendam o subversivo poeta!!! Poesia nãoooooo!!!

      Você está em: Home / Grandes Autores e Pensadores / Perguntas a um homem bom
      Domingo – 09/06/2013 – 06:12h
      Perguntas a um homem bom

      Por Bertolt Brecht
      Avança: ouvimos
      dizer que és um homem bom.
      Não te deixas comprar, mas o raio
      que incendeia a casa, também não
      pode ser comprado.
      Manténs a tua palavra.
      Mas que palavra disseste?
      És honesto, dás a tua opinião.
      Mas que opinião?
      És corajoso.
      Mas contra quem?
      És sábio.
      Mas para quem?
      Não tens em conta os teus interesses pessoais.
      Que interesses consideras, então?
      És um bom amigo.
      Mas serás também um bom amigo de gente boa?
      Agora escuta: sabemos
      que és nosso inimigo. Por isso
      vamos encostar-te ao paredão. Mas tendo em conta os teus méritos
      e boas qualidades
      vamos encostar-te a um bom paredão e matar-te
      com uma boa bala de uma boa espingarda e enterrar-te
      com uma boa pá na boa terra.
      Bertolt Brecht (1898-1956) – Dramaturgo e poeta alemão

      • Questões Relevantes
        10/19/2015

        Lúcio, democracia é isto: você pode dizer o que lhe der na telha, mas as reações (verbais) ao que você diz também são livres.

        No entanto, faço uma ressalva: em um momento em que tanto se reclama dos discursos de ódio à direita e à esquerda, a escolha de Mauro Iasi, este velho comunista, foi bastante infeliz.

  9. Élcio Carvalho
    10/15/2015

    Poucas vezes li algo tão claro e equilibrado sobre o clássico antagonismo Direta X Esquerda. A lógica me parece impecável. Se fosse vivo Cazuza talvez dissesse que, no seu caso, as ideias correspondem aos fatos.

    • Questões Relevantes
      10/15/2015

      Obrigado.

  10. Marta Vasconcelos
    10/13/2015

    Muito boa a abordagem. Pena que muita gente ainda pensa que nada disso importa.

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