xadrez-politica

Esqueça os radicais de ambos os lados. Esqueça ódios. Vamos analisar o jogo político como ele se apresenta.
Há razões para um impeachment de Dilma hoje?
Temos opiniões respeitáveis dizendo que sim e que não. A lei é interpretativa e sua aplicação eminentemente política. O Art. 85. da constituição de 1988 define:
São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:

I – a existência da União;

II – o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação;

III – o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;

IV – a segurança interna do País;

V – a probidade na administração;

VI – a lei orçamentária;

VII – o cumprimento das leis e das decisões judiciais.
Há quem já veja na crise política e econômica riscos para a segurança interna do País.

Há quem veja na apresentação do orçamento de 2016, com um rombo de 30 bilhões, desrespeito à lei orçamentária.

Isto para ficarmos em dois tópicos alheios às acusações de corrupção, extorsões eleitorais etc. Os dois tópicos acima são reais, concretos e interpretativos.

A discussão não é simples, mas não são as interpretações legais que impedem que a discussão do impeachment avance neste momento. O que leva os políticos a serem vagos neste assunto são alguns cálculos políticos.

Veja como está o jogo.

Tirar Dilma agora transfere o ônus do ajuste para o PMDB e seus eventuais novos aliados e dá a Lula o palanque do oposicionista injustiçado e salvador da pátria. Ninguém tem dúvida deste desdobramento. Há poucas variáveis que impediriam isto.

Por outro lado, há o risco de que quem assuma arrume a casa e chegue nas próximas eleições fortalecido, mas isto é muito difícil de prever. O mais provável é uma gestão desgastante e resultados medíocres.

Logo, diante do medo de dar palanque para o Lula, a estratégia da oposição, por enquanto, é ameaçar, bufar, mas não soprar muito forte e deixar a Dilma e o PT se desgastarem em praça pública. Isto só mudaria se aparecesse algo forte contra o Lula na Lava Jato.

O próprio PT, em conversas privadas, considera Dilma um desastre e sua permanência um peso que esmagará o partido nas próximas eleições. A situação é tão grave que Lula tem buscado uma forma de apoiar Dilma e ser oposição a ela simultaneamente.

O Brasil está mergulhado em um perigoso e preocupante mar de problemas reais, com inflação alta, pressões inflacionárias via indexação de preços, alta do dólar e dos preços administrados, queda da atividade econômica, desemprego crescente, arrecadação decrescente e uma presidente politicamente fraca e administrativamente confusa.

Em minha opinião, o melhor para o País seria Dilma fazer um “mea culpa”, pedir desculpas e renunciar. Assumiria Michel Temer, um político hábil. Não haveria comoção, não haveria gritaria, não haveria pretexto para as tropas de choque do PT como CUT, MST e MTST infernizarem os brasileiros (o impeachment daria este pretexto, mas não teria grande apoio da população e isto esvaziaria rapidamente a agitação).

Se Temer desse logo de cara plenos poderes para Joaquim Levy ou outro nome respeitado pelo chamado “mercado” e bancasse o ajuste preservando os projetos sociais (mas sem aumentá-los por um tempo) é provável que o dólar recuasse, que muitos investimentos saíssem da gaveta e que o país destravasse – afinal, tudo que o “mercado” espera é que o mercado funcione, e para que o mercado funcione, é preciso regras claras e compromisso com a responsabilidade fiscal.

Não tenho bola de cristal não, mas este é um cenário lógico.

É claro que é a saída menos provável porque, apesar de ser a melhor para os brasileiros, não é a melhor para os políticos que disputam este jogo.

Hoje, o mais provável é Dilma continuar nos assombrando como sua progressiva loucura.

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