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PROFESSORES DA FFLCH-USP E O MANIFESTO CARA DE PAU.

ffelech

Dia 19 de setembro de 2015 o site Carta Maior, o site da Revista Forum e diversos outros blogs publicaram um manifesto que tinha em todos o mesmo título: “Professores da FFLCH-USP lançam manifesto em defesa da democracia”. Felizmente, nem todos os professores da FFLCH-USP cometeram a tolice de assiná-lo.

Que pessoas com pouca informação digam certas bobagens é perdoável, mas quando estamos diante de professores da USP a coisa deveria ser diferente.

Na coleção de inverdades abaixo os professores signatários cometem afirmações quase inacreditáveis.

Mas sejamos práticos. Vou intercalar as críticas no próprio panfleto que reproduzo abaixo:

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Professores da FFLCH-USP lançam manifesto em defesa da democracia 

É preciso propor alternativas para combater os efeitos da crise mundial e não alimentar a instabilidade política por meio de ameaças ao voto popular.

Editoriais e manifestações de políticos de oposição procuram ampliar o escopo de um golpe na Democracia brasileira. É preciso estar alerta e pronto a evitar ameaças à vontade popular, expressa nas últimas eleições presidenciais.

(Comentário meu: democracia é respeito ao estado de direito e um eventual impeachment não é golpe agora, como não foi com Collor. Duvido que algum destes professores, à época, tenha publicado um único artigo ou manifesto dizendo que o impeachment de Collor fosse golpe. Além disso, silenciam completamente diante do estelionato eleitoral de Dilma, da incompetência gerencial e da corrupção como método de governo).

O caos que uma ação dessa ordem traria pode afetar radicalmente os rumos do país. Por isso, é uma irresponsabilidade social e política inflar um movimento que pode causar profundas rupturas na sociedade brasileira, com consequências econômicas, sociais, culturais e políticas que podem ser desastrosas.

(Comentário meu: isto é uma ameaça velada. Acontece que as pesquisas indicam que perto de 70% da população concorda com um eventual impeachment. Logo, a lógica indica o oposto: a maioria das pessoas apoiaria esta decisão. Apenas as franjas financiadas pelo PT, como CUT, MST, MTST e afins fariam o que sempre fazem: ameaças e badernas).

Nos últimos anos, partidos progressistas foram eleitos em vários países da América Latina. Ainda que muitos deles propusessem uma pauta moderada frente ao quadro de desigualdade social presente no mundo atual, conseguiram aplicar reformas que as diminuíram. Além disso, implantaram programas sociais que aumentaram a capacidade de emitir opinião de camadas sociais que não tinham como aferir sua situação no mundo diante da condição de miséria, desinformação e fome que viviam.

(Comentário meu: o que eles chamam de “partidos progressistas” são grupos políticos baseados no populismo personalista que investiram na progressiva fragilização da democracia que lhes permitiu serem eleitos. O que chamam de “pautas moderadas” é uma crítica ao fato de não terem logo partido para o modelo socialista, com desapropriações e confiscos. É uma crítica por não implementar de forma mais rápida e radical os objetivos traçados no Foro de São Paulo).

De modo articulado, assistiu-se um roteiro que seguiu os dirigentes progressistas de países da América do Sul, com agressões duras contra a Democracia. Governos eleitos na Venezuela, no Equador, na Bolívia, na Argentina e no Paraguai enfrentaram momentos difíceis que resultaram em países polarizados.

(Comentário meu: este parágrafo suscita dúvidas: foi mal escrito e resultou dúbio ou é dúbio de propósito para não dizer com todas as letras que estes países já não são democracias? A ocorrência de eleições é condição necessária, mas não suficiente para caracterizar uma democracia. Como chamar de democráticos governos como o de Nicolás Maduro, que fala com passarinhos e manda disparar fuzis contra estudantes? Como chamar de democracia o governo da Bolívia, que em um dos primeiros atos de governo destituiu o equivalente ao STF do país e nomeou juízes subservientes? A lista de desmandos é longa, mas voltemos ao manifesto).

 Esse modo de operar chegou ao Brasil, mas com uma agravante: um ódio descabido ao partido que aplicou as mudanças sociais no país. Como a história só se repete como farsa e como a política possui especificidades nacionais, causa muita preocupação o acirramento de tensões que, de algum modo, estavam acomodadas. No caso brasileiro, a irracionalidade trazida pelo ódio já tem resultado em agressões verbais e até físicas de cidadãos que simplesmente ostentam roupas de cor vermelha em situações as mais inusitadas. Isso não pode continuar.

(Comentário meu: quem investiu no discurso do ódio, do “nós contra eles”, foi o PT a partir do escândalo do mensalão. Ali Lula abandonou o “Lulinha, paz e amor” que venceu as eleições e partiu para o ataque. A estratégia tem, portanto, aproximadamente 11 anos, com as digitais e o DNA do PT. Embora realmente tenham ocorrido hostilidades verbais nas manifestações que foram às ruas, é preciso ao menos um pouco de honestidade, caros professores, para reconhecer que estas hostilidades foram metodicamente plantadas e cultivadas pelo PT e que, mesmo assim, foram casos isolados, sem violência física e sem quebra-quebra).

É preciso aprimorar o uso do potencial energético, dos recursos naturais e da capacidade produtiva no campo e nas cidades brasileiras para melhorar a vida da população por meio da criação de novas relações sociais e com o ambiente. O Brasil possui enormes vantagens nessa corrida tecnológica dada suas condições naturais, que garantem reservas de biodiversidade, petróleo, água, solo, sol e vento. Esses atributos devem ser usados de modo inteligente para alçar o país a um novo patamar de produção e distribuição de riqueza em vez de manter-se como simples provedor de produtos primários.

(Comentário meu: este parágrafo é puro “embromation”. É uma afirmação “fofinha”, mas não tem qualquer relação com a permanência de Dilma na presidência).

 É preciso reafirmar que quaisquer tentativas de retirar a Presidente Dilma Rousseff, eleita democraticamente, antes do fim de seu mandato, pode levar o país a uma situação insustentável do ponto de vista social e político.

(Comentário meu: nova ameaça velada e descolada do que indicam as pesquisas. Na falta de argumentos sólidos para lastrear o que desejam, apelam para este truque barato).

O Brasil não precisa disso, muito menos seu povo, que enfrenta as duras consequências de uma crise econômica e financeira que afeta o mundo hodierno.

 O momento exige responsabilidade e discernimento para propor alternativas sérias de combater os efeitos da crise mundial e não alimentar a instabilidade política por meio de ameaças ao voto popular.

(Comentário meu: a exemplo do PT, eles também querem nos convencer que a crise é mundial e não culpa da incompetência de Dilma e de sua irresponsabilidade fiscal. Como já apontei em outro artigo, não reconhecem a crise como consequência direta das pedaladas fiscais e da contabilidade criativa de Guido Mantega e Dilma. Não ligam que a crise atual tenha sido anunciada por todo mundo que entende ao menos um pouco de economia já no início do primeiro mandato de Dilma. Não vêm o impacto do atoleiro de corrupção que já emergiu da Petrobrás e começa a emergir de outras estatais como Eletronuclear e BNDES. Ignoram que os preços dos combustíveis e da energia elétrica criminosamente represados até as eleições catapultaram a inflação quando foram liberados – e foram liberados  porquê não havia mais dinheiro público, dinheiro de impostos, para cobrir o rombo. Ou seja: os fatos desmentem de forma cabal as alegações fantasiosas do PT e dos “professores da USP”, mas isto faz pouca diferença para quem demonstra total alheamento da realidade e/ou uma enorme cara de pau. Abaixo seguem os nomes que assinaram este manifesto e, no final, algumas sugestões de artigos relacionados com o que tratamos aqui).

  • Wagner Costa Ribeiro – Professor – Departamento de Geografia – USP
    2) Flavio Aguiar – Professor – USP
    3) Adrián Pablo Fanjul – Professor – Departamento de Letras Modernas – USP
    4) Marcello Modesto – Professor – Departamento de Linguística – USP
    5) Ligia Chiappini Moraes Leite – Professora – USP
    6) Fabio Cesar Alves- Professor – DLCV – USP
    7) Gloria Alves – Professora – Departamento de Geografia – USP
    8) Rita Chaves – Professora – DLCV/FFLCH – USP
    9) Marcos Silva – Professor – Departamento de História – USP
    10) Luis Roncari – Professor – DLCV – USP
    11) Ricardo Musse – Professor – DS – USP
    12) Olga Ferreira Coelho Sansone – Departamento de Linguística – USP
    13) Homero Santiago – Departamento de Filosofia – USP
    14) Ieda Maria Alves – DLCV – USP
    15) Tercio Redondo – DLM – USP
    16) João Adolfo Hansen – DLCV- FFLCH- USP
    17) Luís César Oliva – Professor USP
    18) Neide Maia González – FFLCH – USP
    19) Heloísa Pezza Cintrão DLM/FFLCH/USP
    20) Kabengele Munanga Dpto.Antropologia – USP
    21) Beatriz Raposo de Medeiros – FFLCH – USP
    22) Cilaine Alves Cunha – Literatura Brasileira – FFLCH – USP
    23) Renato da Silva Queiroz – FFLCH-USP
    24) Rosangela Sarteschi – DLCV – USP
    25) Sheila Vieira de Camargo Grillo – DLCV – USP
    26) Marta Inez Medeiros Marques – DG – USP
    27) Sylvia Bassetto – DH – USP
    28) Beatriz Daruj Gil – DLCV – USP
    29) Gustavo Venturi – DS – USP
    30) Paula Marcelino – professora – Departamento de Sociologia – USP
    31) María Zulma M. Kulikowski – DLM – USP
    32) Elisabetta Santoro – DLM – USP
    33) Vima Lia de Rossi Martin – DLCV – USP
    34) Pablo Schwartz – DLCV – USP
    35) Fabio Contel – DG – USP
    36) Léa Francesconi, professora, DG-FFLCH-USP
    37) Valeria De Marco – DLM/FFLCH-USP
    38) Adma Muhana – FFLCH-DLCV-USP
    39) José Pereira de Queiroz Neto – DG – USP
    40) Manoel Luiz Gonçalves Corrêa – DLCV – FFLCH – USP
    41) Waldir Beividas – DL- USP
    42) Rita de Cássia Ariza da Cruz – Departamento de Geografia – FFLCH/USP
    43) Ivan Marques – DLCV / FFLCH – USP
    44) Mónica Arroyo – DG – USP
    45) Homero Freitas de Andrade – DLO – FFLCH – USP
    46) Maria Helena Pereira Toledo Machado – FFLCH – USP
    47) André Martin – DG – USP
    48) Iris Kantor – DH – USP
    49) Fernanda Padovesi Fonseca – DG – USP

 

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ENTREVISTA DE ELIANE CANTANHÊDE COM DELFIM NETTO MOSTRA QUE É POSSÍVEL DEFENDER O GOVERNO DO PT SEM PASSAR VERGONHA INTELECTUAL.

Resolvi incorporar a entrevista abaixo a este artigo porque Delfim Netto, ex-ministro dos governos militares, deputado federal por 24 anos, membro da banca de doutorado de Aloízio Mercadante e apoiador do PT desde a eleição de Lula mostra para os professores da USP que assinaram o manifesto cara de pau que é possível defender o governo petista sem passar vergonha intelectual. Segue a entrevista de Delfim a Eliane Cantanhêde no Estadão:

ELIANE CANTANHÊDE :
Delfim diz que a presidente é honesta, mas ‘tem uma visão do Brasil que não coincide com o País’, classifica a proposta de Orçamento como ‘barbeiragem’ e o pacote fiscal como ‘fraude’ .
O ex-¬ministro, ex-¬deputado e afiadíssimo economista Delfim Netto, 87 anos, 24 deles no Congresso, como deputado, desfia uma série de adjetivos demolidores contra o pacote fiscal do governo e é implacável com a presidente Dilma Rousseff: “Ela é simplesmente uma trapalhona”.
Em entrevista ao Estado, Delfim classificou o envio de um Orçamento com déficit ao Congresso como “a maior barbeiragem política e econômica da história recente do Brasil” e disse que o pacote é “uma fraude, um truque, uma decepção, não tem corte nenhum, é uma cobra que mordeu o rabo”.
Quanto ao coração do plano: “A CPMF é um imposto cumulativo, regressivo, inflacionário, tem efeito negativo sobre o crescimento e quem paga é o pobre”.
A seguir, os principais trechos da entrevista.

ELIANE CANTANHÊDE : Como o sr. vê a situação hoje?

DELFIM NETTO: Com muita preocupação. As pessoas sabem que a presidente é uma mulher com espírito muito forte, com vontades muito duras, e ela nunca explicou porque ela deu aquela conversão na estrada de Damasco. Ela deveria ter ido à televisão, já no primeiro momento, e dizer: “Errei. Achei que o modelo que nós tínhamos ia dar certo e não deu”. Mas, não. Ela mudou sem avisar e sem explicar nada para ninguém. Como confiar?

ELIANE CANTANHÊDE : Como define a conversão na estrada de Damasco?

DELFIM NETTO: Ela mudou um programa econômico extremamente defeituoso, que foi usado para se reeleger. Em 2011, a Dilma fez um ajuste importante, aprovou a previdência do funcionalismo público, o PIB cresceu praticamente no nível do Lula. Mas o vento que era de cauda e que ajudou muito o Lula tinha mudado e virado um vento de frente.

ELIANE CANTANHÊDE : Os ventos internacionais?

DELFIM NETTO: Sim. Então, ela foi confrontada em 2012 com essa mudança e com a expectativa de que a inflação ia aumentar e o crescimento ia diminuir e ela alterou tudo. Passou para uma política voluntarista, intervencionista, foi pondo a mão numa coisa, noutra, noutra, noutra… Aquilo tudo foi minando a confiança do mundo empresarial e, de 2012 a 2014, o crescimento vai diminuindo, murchando.
ELIANE CANTANHÊDE : E o uso na reeleição?

DELFIM NETTO: A tragédia, na verdade, foi 2014, porque ela usou um axioma da política, que diz que ‘o primeiro dever do poder é continuar poder’. No momento em que ela assumiu isso, passou a insistir nos seus equívocos. Aliás, contra o seu ministro da Fazenda, o Guido Mantega, que tinha preparado a mudança, tanto que as primeiras medidas anunciadas pelo Joaquim Levy já estavam prontas, tinham sido feitas pelo Guido.

ELIANE CANTANHÊDE : Então, o sr. discorda da versão corrente de que a culpa foi do Mantega?

DELFIM NETTO: O Guido não tem culpa nenhuma. E, para falar a verdade, nenhum ministro da Fazenda da Dilma tem culpa nenhuma, porque o ministro da Fazenda é a Dilma, é ela. E o custo da eleição é o grande desequilíbrio de 2014.

ELIANE CANTANHÊDE : Qual o papel do Levy?

DELFIM NETTO: Como a credibilidade do governo é muito baixa, o ajuste que ele fez encontrou muitas dificuldades, não teve sucesso porque não foi possível dizer que o ajuste era simplesmente uma ponte.

ELIANE CANTANHÊDE : A presidente não vive dizendo que é só uma travessia?
DELFIM NETTO: Travessia sem ponte?

ELIANE CANTANHÊDE : E o pacote fiscal?

DELFIM NETTO: O primeiro equívoco mortal foi encaminhar para o Congresso uma proposta de Orçamento com déficit. Foi a maior barbeiragem política e econômica da história recente do Brasil. A interpretação do mercado foi a seguinte: o governo jogou a toalha, abriu mão de sua responsabilidade, é impotente, então, seja o que Deus quiser, o Congresso que se vire aí.

ELIANE CANTANHÊDE : A briga interna do governo não é um complicador?
Delfim: A briga interna ocorre em qualquer governo, mas o presidente tem de ter uma coisa muito clara: ele opta por um e manda o outro embora. Um governo não pode ter dentro de si essas contradições, senão vira um Frankenstein.

ELIANE CANTANHÊDE : Quem tem de sair, o Levy, o Nelson Barbosa ou o Aloizio Mercadante?

DELFIM NETTO: Quem tem de sair é problema da Dilma, mas quem assessorou isso do Orçamento com déficit levou o governo a uma decisão extremamente perigosa e desmoralizadora e isso produziu um efeito devastador.

ELIANE CANTANHÊDE : De tudo o que o sr. diz, conclui¬-se que o ponto central da crise é que Dilma é uma presidente fraca?

DELFIM NETTO: Ela tem uma visão do Brasil que não coincide com o Brasil.

ELIANE CANTANHÊDE : Por que o sr. defendia o aumento da Cide, não a recriação da CPMF?

DELFIM NETTO: O aumento da Cide seria infinitamente melhor. CPMF é um imposto cumulativo, regressivo, inflacionário, tem efeito negativo sobre o crescimento e quem paga é o pobre mesmo. Ele está sendo usado porque o programa do governo é uma fraude, um truque, uma decepção – não tem corte nenhum, só substituição de uma despesa por outra e o que parece corte é verba cortada do outro.

ELIANE CANTANHÊDE : Dizem que vão usar a verba do sistema S.
DELFIM NETTO: Ora, meu Deus do céu! R$ 1 do sistema S produz infinitamente mais do que R$ 1 na mão do governo. Alguém duvida de que o governo é ineficiente?
ELIANE CANTANHÊDE : A presidente Dilma…

DELFIM NETTO: Acho que não, nem ela. Ela sabe disso, só não tira proveito.

ELIANE CANTANHÊDE : E a Cide?

DELFIM NETTO: A CPMF é coisa do século 19, a Cide é do século 21, porque você corta consumo de combustível fóssil, reduz emissão de CO2 e vai salvar um setor que você destruiu, o sucroalcooleiro. Tem 80 empresas quebrando por conta dos erros da política econômica. Na hora que você fizer isso, toda essa indústria renasce.

ELIANE CANTANHÊDE : Quais as chances de o pacote passar?

DELFIM NETTO: Eles vão ter de negociar com a CUT e com o PT, que é o verdadeiro sindicato do funcionalismo público. Então, é quase inconcebível e vai ter uma greve geral que vai reduzir ainda mais a receita. É uma cobra que mordeu o rabo. O aumento de imposto é 55% do programa; o corte, se você acreditar que há corte, é de 19%; e a substituição interna representa 26%. Ou seja, para cada real que o governo finge que vai economizar com salários, ele quer receber R$ 3 com as transferências e o aumento de imposto. No fundo, o esforço é nulo.

ELIANE CANTANHÊDE : O sr. diz que os grandes problemas começam em 2014, mas muitos analistas respeitados dizem que começam antes. Qual a responsabilidade do governo Lula?

DELFIM NETTO: Até 2011, o vento de cauda era de tal ordem, a entrada da China foi de tal ordem, que dava a sensação de que você tinha entrado no paraíso e o Lula aproveitou bem para um crescimento mais inclusivo, mais equânime. Depois, eu estou convencido de que foi a intervenção extravagante, extraordinária, exagerada no sistema econômico que gerou tudo isso. Mexeu na eletricidade, mexeu nos portos, foi criando um estado de confusão que matou o “espírito animal” dos empresários, com uma queda dramática do nível de investimento e do nível de crescimento.

ELIANE CANTANHÊDE : A diferença é que o Lula nunca fez questão de ser de esquerda, mas a Dilma, que vem do velho PDT brizolista, nacionalista e estatizante, tem esse compromisso?

DELFIM NETTO: O Lula é um pragmático, uma inteligência extraordinária. Já a Dilma tem, sim, o velho problema do engenheiro, o engenheiro Brizola, que por onde passou destruiu tudo, destruiu de tal jeito o Rio Grande do Sul que ninguém mais salva. Ela tem uma ideia intervencionista, realmente não acredita no sistema de preços. Veja essa escolha dela no pré-¬sal, é inteiramente arbitrária. Foi dar para a Petrobrás uma tarefa muito acima do que ela é capaz. Nada mais infantil no Brasil do que a sua esquerda, facilmente manobrável.

ELIANE CANTANHÊDE : Quem é a esquerda no Brasil hoje?

DELFIM NETTO: No Brasil de hoje, esquerda e direita são sinais de trânsito. O fato é que a Dilma é uma intervencionista e foi a crença de que ela não mudou, e de que a escolha do Joaquim foi simplesmente um expediente para superar uma dificuldade, que não deu credibilidade ao plano de ajuste. Além de perder credibilidade junto aos empresários, a presidente também está perdendo apoios na base social do PT. Como ela não explicou que errou e por que iria mudar a política econômica, o 1/3 que votou nela se sentiu traído de verdade e o 1/3 que votou contra ela disse: ‘Viu? Eu não disse?”. Sobraram para ela só 8%.

ELIANE CANTANHÊDE : Em quem o sr. votou?

DELFIM NETTO: Na Dilma. Mas acho que o Aécio era perfeitamente “servível”. Teria as mesmas dificuldades que a Dilma enfrenta, porque consertar esse negócio que está aí não é uma coisa simples para ninguém, mas ele entraria com uma outra concepção de mundo, faria um ajuste com muito menos custo e a recuperação do crescimento teria sido muito mais rápida.

ELIANE CANTANHÊDE : Se a presidente está com 8% de popularidade, pior até que o Collor, o impeachment seria uma solução?

DELFIM NETTO: Se houver algum desvio de conduta materialmente provado, o impeachment é um recurso natural dentro da Constituição. Então, não há nenhuma quebra de institucionalidade, não tem nenhum problema. Agora, o Brasil não é nenhuma pastelaria e não é nenhuma passeata cívica de verde e amarelo nem panelaço que decide se vai ter ou não impeachment. Não há recall de presidentes. A sociedade votou, que pague os seus erros para aprender e volte em 2018. Está em segunda época, volte em 2018 para fazer nova prova.
ELIANE CANTANHÊDE : Então, o sr. não votaria na Dilma novamente em 2018, se ela pudesse ser candidata?

DELFIM NETTO: Não, primeiro porque ela não pode ser candidata. É preciso dizer que eu acho a Dilma absolutamente honesta, com absoluta honestidade de propósito, e que ela é simplesmente uma trapalhona.

ELIANE CANTANHÊDE : Numa eventualidade, o vice Temer seria adequado para a Presidência como foi o Itamar Franco?

DELFIM NETTO: Acho que sim. Nós somos muito amigos. O Temer tem qualidades, é uma pessoa extraordinária, um gentleman e um sujeito ponderado, tem tudo, mas eu refugo essa hipótese enquanto não houver provas, e vou te dizer: ele também.

Link para a entrevista no Estadão:
http://goo.gl/WP4wm6

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Link para artigos complementares:

IDEOLOGIA NÃO PAGA AS CONTAS: http://wp.me/p4alqY-hn

O BOLIVARIANISMO NO JARDIM DO VIZINHO:http://wp.me/p4alqY-hf

PORQUE A VENEZUELA NÃO É UMA DEMOCRACIA: http://wp.me/p4alqY-2b

A VENEZUELA E A VERDADEIRA NATUREZA DO LOBO: http://wp.me/p4alqY-eS

NÃO É MERA COINCIDÊNCIA: http://wp.me/p4alqY-fV

 

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28 comentários em “PROFESSORES DA FFLCH-USP E O MANIFESTO CARA DE PAU.

  1. Antônio Borges
    10/17/2015

    Tem gente que se faz de democrático, de libertário, mas sonha secretamente com o totalitarismo. Alguns, nem tão secretamente, como Mauro Iasi (PCB) que já foi candidato à presidência do Brasil na eleição do ano passado pelo PCB, partido filiado ao Foro de S. Paulo, e já foi candidato a vice-governador de São Paulo. Não é um participante inexpressivo pinçado no meio de uma manifestação, como a imprensa faz com qualquer lunático em atos contra o PT. É PhD em História pela USP e de 2011 a 2013 foi o presidente da Associação dos Docentes da UFRJ.

    Assista o vídeo abaixo e me diga: é ou não é incitação ao ódio? É ou não é um discurso carcomido por traças do século XIX?

    Esta é nossa esquerda: gente classe média, com emprego público e platéia para defender paredões e assassinatos como seus ídolos fizeram ao longo da história.
    O planejamento socialista funciona apenas para a classe de onde saem os planejadores, que podem se assegurar de que seus interesses pessoais sejam atendidos. É por esse motivo que o socialismo é um fenômeno da classe média, e não da classe operária. Trata-se, ao contrário da propaganda de libertação do proletário, um programa de radicais de classe média que imaginam representar a classe operária. Operários de verdade, aqueles que trabalham, querem mesmo é se integrar à sociedade de consumo “burguesa”, ter bons empregos, ver a novela depois do trabalho nas suas TVs de 50 polegadas e tomar sua cerveja nos fds, ter boa vida. Não lhes passa pela cabeça coisas de “socializar os meios de produção” e “igualdade social”.

    • Questões Relevantes
      10/17/2015

      Boa contribuição. Obrigado.

  2. Rafael
    09/23/2015

    Paulo, é impressão minha ou esse Rogério está querendo criar um novo significado “Estilo Paulo Freire” para o verbete “Hermenêutica”? Infelizmente isso me entristece mais do que me alegra… Me entristece também observar alguém tendo a oportunidade de um debate construtivo, e preencher seus “argumentos” com vários “hahaha”, como se isso desqualificasse o debatedor… Paulo, sei que às vezes isso cansa, mas não esmoreça, ainda são blogs como o seu que trazem algum alento e esperança de que este país possa ser mudado um dia. E parabéns pelo blog, sempre o acompanho. As vezes discordo, concordo na maioria das vezes, mas o mais importante é que nos aguça mais ainda o senso crítico. Obrigado.

    • Questões Relevantes
      09/23/2015

      Obrigado.

  3. Wiliam SJ
    09/21/2015

    Caríssimo Paulo Falcão, li atentamente suas críticas ao manifesto dos docentes em favor da democracia e gostaria de fazer as seguintes pontuações:

    1) Claramente o impeachment é um instituto válido previsto constitucionalmente portanto não se trata de golpe. Golpe é forçar uma situação de impeachment baseado em situações frágeis, sejam através de ligar a PR a qualquer ato de corrupção ou as pedaladas fiscais. Primeiro porque até o momento não existe qualquer investigação contra a PR, pelo contrário quem foi citado pelo Sr. Yousseff como “propineiro” foi seu adversário de pleito, Aécio Neves. Quanto as pedaladas fiscais é espantoso tentarem cassar um PR por essa via, quando esta prática é corriqueira nos executivos estaduais e até entre ex-presidentes.

    2) Pesquisas dizem muito pouco sobre a coerência da população. FHC em seu tempo chegou a contar com menos de 20% de apoio popular e nem por isso perdeu legitimidade para continuar seu governo, mesmo diante de denúncias gravíssimas de corrupção em seu governo e mesmo diante do estelionato eleitoral de seu segundo mandato. Lula terminou seu governo com mais de 80% de aprovação e hoje dificilmente se reelegeria, ao mesmo tempo que a maior parte da população é a favor da redução da maioridade penal é contrária ao financiamento privado das campanhas. Portanto, dizer que 70% da população apoia um impeachment é um dado que revela muito pouco sobre o assunto, a não ser um descontentamento crescente e justificável contra o governo.

    3) O impeachment não é um instituto justo, pelo contrário, é um instrumento de chantagem parlamentar, foi assim com Collor e será com qualquer outro presidente. É claro que o “estelionato eleitoral” do PT deveria ser rechaçado por vias legais e de forma democrática, por exemplo através do instituto do “recall”, não me restam dúvidas que se assim fosse Dilma seria afastada do mandato, assim como FHC também deveria ter sido afastado em 99. Entretanto, se não contamos com um instrumento democrático parece-me pouco crível que devamos confiar o destino da nação a “baluartes éticos” como Cunha e Renan, não ? Ou a confiar na isenção de um tribunal de contas com sérios indicativos de inidoneidade moral.

    4) A ascensão da esquerda na AL a partir de 2000 apresenta diferenças muito significativas. Levistsky & Roberts em 2011 e Weyland em 2009 apresentaram essas diferenças chamando democracias consolidadas como Brasil, Uruguai e Chile “esquerda moderada” enquanto Venezuela, Equador, Argentina e Bolívia foram chamadas de “esquerdas populistas ou radicais”. Podemos pontuar diferenças significativas entre as políticas do grupo I e do grupo II, embora forçosamente tenhamos que reconhecer que suas bases partidárias e eleitorais e as formas de acesso ao poder se deram sempre democraticamente, gostemos ou não delas.

    5) Dizer que o discurso de ódio surge com o petismo no poder é apenas retórica, podemos dizer que a partir de 2005 o PT inaugurou a era do “vitimismo” como forma de contraposição, mas o fato é que durante esse período até junho de 2013 não observamos na sociedade qualquer demonstração de violência com conotação política. Continuamos presenciando na sociedade demonstrações de violência de cunho conservador, essencialmente em SP. O aprofundamento da crise política aliada a uma cobertura jornalística jamais vista apenas aprofundou esse sentimento conservador e inegavelmente de valores da direita. O ódio e as demonstrações de violência ante as minorias deu lugar também aquele grupo que seria o responsável por consolidar a presença dessas minorias na nossa sociedade, através de políticas de cotas ou de programas sociais. Em uma sociedade conservadora como a brasileira e acima de tudo reacionária como a paulista que acreditam que a “meritocracia” é a única base aceitável para desenvolvimento pessoal, desnecessário é dizer que essas políticas contrariam em muito seus ideais.

    6) Você diz que o PT pretende nos convencer que a crise é mundial. Ela é mundial, meu amigo, aceitar isso contudo não impede de criticarmos as escolhas feitas por Dilma I, seria ainda mais fácil criticar quando percebemos que as críticas as suas escolhas partem não somente da escola monetarista ou mais ortodoxa da economia, mas também de keynesianos e de desenvolvimentistas, a qual a PR sempre foi ligada. A crise é global e pouco tem a ver com as pedaladas, como já dito acima, a prática é corriqueira entre os executivos e não provoca crises como a atual. A crise dura 7 anos e nos últimos dois anos vem avançando sobre os países emergentes que se julgaram imunes diante das políticas anticíclicas adotadas. A bem da verdade, a crise pode ser dividida em três fases: (I) a primeira deu-se com a quebra do Lehman Brothers que arrasou a economia americana, a (II) deu-se a partir de 2011 com a crise das contas públicas nos países da União Europeia e a (III) atingiu fortemente principalmente países como Brasil, China e Rússia. Agora, muito mais que a crise econômica a qual o capitalismo já se mostrou incapaz de se recuperar com facilidade existe a crise política, esta sim a meu ver é muito mais grave.

    • Questões Relevantes
      09/21/2015

      Wiliam SJ, é sempre um prazer debater com você. Esta troca de ideias de forma civilizada tem se tornado algo cada vez mais rara na internet. Seguem minhas ponderações, também em tópicos:

      1) Sobre seu questionamento quanto à existência ou não de base legal para um eventual impeachment, ainda ontem discuti este assunto com um professor da USP, do departamento de Ciências Políticas e simpático ao PT. Ele mesmo lembrou que as cláusulas que regulam o impeachment na constituição brasileira preveem a sua aplicação também por incapacidade de gestão. No fim, é um instrumento político. Há base para aplicá-lo, mas o cálculo político atual está emperrando a questão.

      Tirar Dilma agora transfere o ônus do ajuste para o PMDB e seus eventuais novos aliados e dá a Lula o palanque do oposicionista injustiçado e salvador da pátria. Isto é certo. Há poucas variáveis que impediriam isto.

      Por outro lado, há o risco de quem assumir arrumar a casa e chegar nas próximas eleições fortalecido, mas isto é muito difícil de prever. O mais provável é uma gestão desgastante e resultados medíocres.

      Logo, diante do medo de dar palanque para o Lula, a estratégia da oposição, hoje, é ameaçar, bufar, mas não soprar muito forte e deixar a Dilma e o PT se desgastarem em praça pública. Isto só mudaria se aparecesse algo forte contra o Lula na Lava Jato.

      2) Quanto às pesquisas de opinião, acredito que houve um mal-entendido. Eu não disse que porquê 70% da população apoia o eventual impeachment ele é legítimo ou deva ocorrer. Apenas disse que as previsões catastróficas e ameaçadoras do manifesto não são respaldadas por estas pesquisas. São, por tanto, ameaças em estado bruto, que têm como objetivo semear algum receio nos eventuais leitores.

      3) O terceiro ponto de suas colocações me parece que foi respondido acima, no tópico 1.

      4) Sobre o item 4, concordo com tudo desde que seja feita a seguinte ressalva: Venezuela, Equador e Bolívia já não são democracias. E a Argentina está no limite. A perversidade é exatamente usar a democracia para chegar ao poder e, uma vez lá, trabalhar para solapá-la, para enfraquecê-la.

      O que chamei de “manifesto cara de pau” tem a desfaçatez de endossar claramente estas práticas. Mais do que isso: chama de democracia o que já não é, no caso dos amigos bolivarianos, e acusa de agressão à democracia o que é estritamente legal.

      5) O discurso de ódio é antigo e o modelo atual já estava presente no Manifesto Comunista de Marx e Engels. No Brasil, ensaiou passinhos aqui e ali. No final dos anos 80 ganhou proeminência no conflito não apenas verbal entre o MST e a UDR, mas os anos 90 acalmaram a UDR e hoje o MST briga sozinho.

      O clima de tensão, de ódio, de “nós contra eles” é claramente filhote da estratégia adotada pelo PT e por outros governos populistas da região que você chamou de “vitimismo”. Com o agravamento da crise econômica, com a perda de credibilidade e a enxurrada de casos de corrupção envolvendo pessoas ligadas ao Governo Dilma, os ânimos se exaltaram, mas repito o que disse antes: apesar da retórica muitas vezes ridícula e inapropriada, este movimento difuso de ódio ao PT não promoveu qualquer ato de agressão física contra ninguém, ao contrário do que aconteceu em manifestações do MPL e outras que tiveram a presença de Black Blocs, como as que ocorreram antes e durante a Copa do Mundo.

      A estratégia do conflito em uma boa síntese aqui: NÃO É MERCA COINCIDÊNCIA http://wp.me/p4alqY-fV

      Outro ponto que você aborda neste tópico é a questão da meritocracia como oposição às políticas de cotas e programas sociais. Sobre este tema especifico deixo um convite para debatermos em torno deste artigo: A MERITOCRACIA E SEU OPOSTO http://wp.me/p4alqY-eo

      6) Eu não nego que exista uma crise mundial, mas nego que a crise brasileira seja consequência dela, como o manifesto pretende fazer crer. Países que não caíram na irresponsabilidade fiscal estão com as economias organizadas, embora com desempenhos mais modestos que na época das vacas gordas.

      A crise mundial é real e sem dúvida agravou as consequências das decisões voluntariosas de Dilma, mas o buraco em que nos encontramos é obra de Dilma. Aliás, não sei se você também leu a entrevista com o Delfim Netto que está como um post-scriptum no artigo. Ela trata muito bem desta questão.

      Quanto à sua afirmação final, o capitalismo mostrou maior poder de recuperação nos países que levam à sério a responsabilidade fiscal e que, por tanto, possuem maior credibilidade junto aos agentes econômicos. A crise brasileira é grave pelos desequilíbrios fiscais a que chegamos pela crise política que você acredita mais séria que a crise econômica. Eu discordo: a crise política seria resolvida com a troca de algumas peças, já a crise econômica exigirá suor e lágrimas da população brasileira, principalmente da classe média para baixo.

      Mais uma vez, obrigado pela leitura atenta.

      • Wiliam SJ
        09/23/2015

        1) Não pretendo polemizar com o professor ao qual se referiu até porque também não teria base para isso. Mas apenas lanço a tese para reflexão – se houvesse brecha para impedimento democrático devido a má gestão ou incompetência administrativa e Dilma saísse por tais motivos julgo que se abriria um precedente perigoso para uma democracia tão frágil como a nossa. Afinal, por mais que Dilma se esforce em alcançar essa unanimidade outros chefes de executivo correriam o mesmo risco deflagrando uma crise institucional e um grau de insegurança política sem precedentes.

        Mesmo diante da possibilidade de condenação em razão das chamadas “pedaladas fiscais” estaríamos diante do mesmo risco, afinal paralelamente qualquer governador poderia ser impedido da mesma maneira e diante de uma LRF asfixiante no que se refere ao cumprimento de metas fiscais em detrimento de gastos sociais, seria praticamente impossível no atual nível de endividamento dos estados brasileiros promover qualquer ação social.

        Em relação a sua análise sobre o cenário avizinhado em uma eventual saída de Dilma concordo plenamente, apenas acrescentaria que o próprio PT deve ansiar pela saída de Dilma, obviamente de forma menos drástica, se licenciando do cargo talvez. Um impedimento politicamente seria desastroso para a legenda e principalmente para o criador da criatura.

        2) Entendi seu ponto de vista sobre as pesquisas, mas no mesmo sentido disse que nem sempre o inverso sirva para respaldar alguma coisa. O apoio da população a redução da maioridade penal por exemplo foi usado como retórica por Eduardo Cunha ao driblar o Regimento Interno da Câmara para votar a PEC derrotada um dia antes, mas do mesmo modo não serviu para arrefecer sua sanha pela manutenção do financiamento privado de campanha mesmo que a maior parte da população seja contrária. Os episódios que citei, bem como o referente ao apoio ao impedimento presidencial são reflexo de uma população altamente influenciável pelo sabor dos acontecimentos e que ainda utiliza a TV como o principal meio para se informar.

        3) O item é apenas a manifestação de que seja qual for o mandatário, impeachment é mera chantagem política, se queremos responsabilizar um mandatário por cumprir uma agenda enganadora, julgo que a melhor ferramenta seria o recall. Gostaria de saber sua opinião.

        4) Não consigo enxergar esse cenário em relação aos países que você citou o que não me impede obviamente de enxergar suas contradições. Desde a promulgação da CF 88, a democracia brasileira já foi solapada algumas vezes. Mesmo em democracias mais estabelecidas como a americana encontramos exemplos que contradizem qualquer ideal democrático.

        5) O discurso de ódio nasce do extremismo de esquerda ou de direita, mas especificamente no Brasil ele tem uma conotação de direita com reações a esquerda. Mas o protagonismo sempre foi da direita. Foi assim em 29, em 32, em 54 e em 64. Discordo quando você diz que esse movimento difuso de ódio ao PT não promoveu qualquer traço de ódio, a pouco tivemos um atentado a bomba a sede do Instituto Lula, um humorista filho de um jornalista habituado a alimentar esse clima belicoso no país foi agredido por usar uma camisa vermelha, as agressões que assistimos contra minorias essencialmente em SP são provocadas pelas mesmas pessoas, os ataques mesmo que através de redes sociais também são uma forma de violência, sejam quando uma estudante ignorante pede a morte de nordestinos, seja quando uma jornalista reclama por ter que conviver em Paris com o porteiro de seu prédio. Voltaremos a debater oportunamente sobre a questão da meritocracia.

        6) Eu não nego a responsabilidade de Dilma sobre a crise, mas não é possível crermos que a mesma tenha se estabelecido em virtude dos argumentos levantados por você, mas tampouco creditar a crise a irresponsabilidade fiscal. A crise alcançou primeiramente os países com práticas ortodoxas na economia como EUA, Alemanha e Reino Unido com estrito controle fiscal. Estes países sofrem os efeitos da crise há 7 anos, os países que decidiram aplicar políticas anticíclicas resistiram por mais tempo ao colapso econômico e mesmo enfrentando o auge da crise nesse momento provavelmente terão condições de se recuperar em menos de 7 anos, de todos esses países, essencialmente China e Rússia, o Brasil é o que levará mais tempo, otimistas falam em 2017 ou 2018, pessimistas em 2019.

        Mesmo assim é um cenário menos desolador do que o que assolou Europa e EUA. Li sim a entrevista de Delfim Netto, apesar de ter algumas discordâncias em relação a seu pensamento, acho essencial entendermos Delfim. Discordo de você em relação a intensidade da crise, a crise econômica como em qualquer outra já enfrentada pelo capitalismo, será superada em maior ou menor tempo, a julgarmos pelo receituário ortodoxo aplicado, em maior tempo e penalizando sem dúvida alguma a camada média e baixa da população como você bem destacou.

        Quanto a crise política tenho minhas dúvidas se seria tão fácil assim resolver, primeiro institucionalmente uma saída através de impeachment repercutiria muito mal tanto internamente quanto externamente. Em uma democracia jovem de 30 anos, um segundo impeachment seria desastroso perante a comunidade internacional terminando por afetar ainda mais uma economia já combalida e internamente também, uma vez que apenas contribuiria para que uma população já tão pouco participativa e tão descrente fizesse crescer um sentimento apolítico que não fará bem a ninguém.

        Da ausência destas pessoas que se distanciam cada vez mais da política é que surgem lideranças carismáticas mas com pouco ou nenhum conteúdo ideológico.

        Como sempre é um prazer debater com você, Paulo. Abraço.

      • Questões Relevantes
        09/24/2015

        1) William, o que assusta governos democráticos e mercados é a irresponsabilidade fiscal, as decisões açodadas, a falta de rumo, as regras incertas. Em minha opinião e conhecendo os “dois lados do balcão”, um eventual impeachment de Dilma certamente seguiria os ritos constitucionais e não traria grandes turbulências externas.

        É certo que CUT, MTS e outros coletivos ligados ao PT fariam protestos, eventualmente greves, mas não penso que seriam respaldados pela população. Se um novo presidente assumisse dizendo que não vai mexer no bolsa família e outros projetos sociais, haveria apoio imediato a ele.

        Quanto à Lei de Responsabilidade Fiscal, ela não é asfixiante. O problema se dá quando a sociedade, através de seus mecanismos de controle, tolera a irresponsabilidade além do limite razoável, como ocorreu no Rio Grande do Sul. Tarso Genro quebrou o estado e deveria ter sido punido antes da situação se tornar tão crítica. Independente da competência ou incompetência do Sartori, a verdade é que ele recebeu uma bomba relógio.

        Não foi diferente com Dilma. Qualquer candidato que vencesse as eleições enfrentaria o desequilíbrio fiscal gerado por Dilma e teria que lidar com suas decisões catastróficas que criaram desequilíbrios enormes em diversas áreas. Dilma é herdeira do desastre que plantou.

        Sobre o tema “contas públicas”, se tiver tempo leia estes artigos:

        IDEOLOGIA NÃO PAGA AS CONTAS http://wp.me/p4alqY-hn

        A IGNORÂNCIA NÃO É UMA BENÇÃO.http://wp.me/p4alqY-f9

        A GRÉCIA, A MATEMÁTICA E O DESTINO INELUTÁVEL. http://wp.me/p4alqY-f6

        2) Na questão das pesquisas, elas podem influenciar o voto de deputados e senadores em caso de uma votação de impeachment, principalmente em votações abertas como foi com Collor, mas meu ponto foi outro: influenciada ou não pela TV, se 70% apoia o afastamento de Dilma, é altamente improvável que ocorram as “profundas rupturas na sociedade brasileira, com consequências econômicas, sociais, culturais e políticas que podem ser desastrosas” como afirmou o manifesto.

        3) O impeachment não é mera chantagem política. Na primeira vez que ocorreu, havia um consenso ainda maior que hoje sobre sua aplicabilidade e conveniência. Hoje, pode haver algumas barganhas entre lideranças acuadas, mas no todo não vejo a possibilidade do impeachment como um tipo de chantagem. É uma luta pelo poder, sim, mas a possibilidade do afastamento de Dilma só se tornou defensável pelos erros e malfeitos cometidos por ela e pelo PT.
        Quanto ao recall, penso que é uma ferramenta válida e merece ser discutida no congresso para futuros mandatos executivos.

        4) Neste ponto nossa divergência é grande: não há como dizer que a Venezuela, Equador e Bolívia ainda são democracias, principalmente os dois primeiros. No blog há artigos em que detalho o assunto e não vou repetir tudo aqui, mas deixo o link para um deles, ainda do tempo de Chávez:

        PORQUE A VENEZUELA NÃO É UMA DEMOCRACIA http://wp.me/p4alqY-2b

        A democracia brasileira pós 1989 e a democracia Americana não “foram solapadas algumas vezes”. Podem ter ocorridos atos que as agrediu, mas nada que as solapou, como ocorreu na Venezuela, Equador e Bolívia.

        5) Sempre houve grupos radicais à direita e à esquerda, mas sejamos justos: o ódio, o incentivo para o confronto, está impresso com todas as letras no Manifesto Comunista de Marx e Engels e vem sendo uma ferramenta da esquerda para “acirrar as contradições sociais” desde então, inclusive no Brasil. As ações da direita em 29, 32, 54 e 64 foram, em larga medida, reações.

        O atentado a bomba ao instituto Lula pode ter sido tanto obra de algum idiota “de direita” (não há um único grupo organizado que defenda ou pratique atos violentos contra o PT) quanto um fraude cometida por militantes do próprio PT para gerar um fato oportuno que mudasse a abordagem da mídia sobre o PT de algoz para vítima.

        O episódio teve cobertura adequada e esta dúvida permanece até hoje. Mas lembro que nos últimos 12 meses tivemos 2 ou 3 episódios semelhantes em diferentes estados, sempre em momentos em que o PT estava acuado na posição de algoz. Particularmente (ao contrário de você, evidentemente), acredito mais na hipótese de farsa do que de atentado.

        6) Este é outro ponto em que nossa divergência é enorme. A crise de 2008 realmente foi séria e teve desdobramentos que são sentidos até hoje. Fato. Mas este fato atinge cada país de maneira diferente.

        A crise Brasileira foi amplamente anunciada a cada mal passo do governo Dilma. Foi uma crise fabricada pela incompetência bem-intencionada e turbinada pelo total descalabro que foi 2014 quando foram feitas todas as “maracutaias” possíveis para mascarar os problemas e vencer as eleições.

        A crise estava tão anunciada que, na campanha eleitoral, o PT passou a acusar seus adversários de terem a intenção de fazer ajustes que ele próprio já sabia que teriam que ser feitos.

        Penso que os três artigos sobre “contas públicas” que indiquei acima permitirão uma visão mais concreta do assunto.

        Há mais um que trata de ações preventivas, para evitar crises anunciadas:
        A AURORA NÓRDICA PARA O CAPITALISMO http://wp.me/p4alqY-bQ

        Quanto à crise política, realmente não há solução fácil. Se a Dilma fica, será difícil. Se sai, será difícil também. Mas na segunda hipótese há, acredito, um gatilho psicológico importante que daria um alento momentâneo.

        Se o “senhor mercado” entender o novo governo como realmente comprometido com os ajustes, a economia destrava, os investimentos voltam, o dólar cai e o Brasil rompe o imobilismo pessimista que paralisou o país. Não estou falando em “espetáculo de crescimento”, apenas da retomada de um padrão mínimo de funcionamento da economia, o que já seria altamente positivo frente ao cenário atual.

        E observe: como escrevi no artigo posterior a este, para mim o melhor cenário possível seria a renúncia de Dilma e a posse de Temer. Em nenhum momento defendi novas eleições, PSDB ou Aécio. A impugnação da chapa e convocação de novas eleições, frente às condições objetivas, me parece a pior das alternativas possíveis.

        Abraço. E viva o debate civilizado.

  4. ailton
    09/20/2015

    Bom, não vou entrar na tentativa de diminuir nomes da academia brasileira por conta de suas ideias e por enxergarem algo que o autor do texto não enxerga.

    Mas analisando os comentários, feitos a cada três linhas da carta assinada pelos professores, fica claro, a forma infantil com a qual se trata qualquer coisa que diz respeito ao governo federal, encontrada em qualquer textinho de pseudos liberais, ou neo liberais, fica estampado em cada palavra do repertorio curto e parco dos ditos liberais.

    Abri o texto, esperando encontrar argumentos claros, consistentes e, coerentes, mas só encontrei mais um primeiro anista do curso de economia destas faculdades gauchas, que tem em seus quadros professores pretensamente liberais, e que convencem os defensores inconsequentes e duvidosos da meritocracia mentirosa a que querem submeter a sociedade.

    Infelizmente, perda de tempo ler todo o texto, típico de pessoas que vão as ruas contra a corrupção…

    • Questões Relevantes
      09/20/2015

      Ailton, você trilha o mesmo caminho do Rogerio Beier, ou seja, faz “cara de conteúdo”, apresenta umas críticas genéricas e não aponta uma única inconsistência objetiva no que afirmo. Nada. Prefere os adjetivos que os argumentos.

      Quanto à questão da meritocracia que você cita, deixo aqui outra sugestão de artigo que você não será capaz de criticar com argumentos: A MERITOCRACIA E SEU OPOSTO ( http://wp.me/p4alqY-eo ).

      • Giales Pontes
        09/21/2015

        Tão corajoso o tal Ailton que nem sequer mostra a cara! É, hoje em dia ficou complicado mesmo ser petista! Pelo menos em público! ahahahahah

  5. Antonio Mirabile
    09/20/2015

    Cérebros de minhoca que recebem altos salários para pregar as asneiras que aprenderam de mestres do século dezenove.

    • Rogério Beier
      09/20/2015

      Um dos “cérebros de minhoca” é esse cidadão aqui ó:

      JOAO ADOLFO HANSEN CONCLUIU O DOUTORADO EM LITERATURA BRASILEIRA PELA UNIVERSIDADE DE SAO PAULO EM 1988. ATUALMENTE E PROFESSOR TITULAR MS6 DA UNIVERSIDADE DE SAO PAULO, MEMBRO DA FUNDACAO DE AMPARO A PESQUISA DO ESTADO DE SAO PAULO, MEMBRO DO CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO CIENTIFICO E TECNOLOGICO E MEMBRO DA COORDENACAO DE APERFEICOAMENTO DE PESSOAL DE NIVEL SUPERIOR. PUBLICOU 72 ARTIGOS EM PERIODICOS ESPECIALIZADOS E 3 TRABALHOS EM ANAIS DE EVENTOS. POSSUI 82 CAPITULOS DE LIVROS E 13 LIVROS PUBLICADOS. PARTICIPOU DO DESENVOLVIMENTO DE 112 PRODUTOS TECNOLOGICOS. PARTICIPOU DE 44 EVENTOS NO EXTERIOR E 165 NO BRASIL. ORIENTOU 26 DISSERTACOES DE MESTRADO E CO-ORIENTOU 1, ORIENTOU 17 TESES DE DOUTORADO, ALEM DE TER ORIENTADO 15 TRABALHOS DE INICIACAO CIENTIFICA E 8 MONOGRAFIAS DE POS-GRADUACAO LATO SENSU NAS AREAS DE LETRAS, HISTORIA E ARQUITETURA E URBANISMO E TER SUPERVISIONADO 12 PESQUISAS DE POS-DOUTORADO. RECEBEU 1 PREMIO (JABUTI-1990-CATEGORIA ENSAIO) E O GRANDE PRÊMIO DA CRÍTICA 2014 DA ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE CRÍTICOS DE ARTES. ATUA NA AREA DE LETRAS, COM ENFASE EM ESTUDOS COMPARADOS DE LITERATURAS DE LINGUA PORTUGUESA. EM SUAS ATIVIDADES PROFISSIONAIS INTERAGIU COM 15 COLABORADORES EM CO-AUTORIAS DE TRABALHOS CIENTIFICOS.

      Maiores detalhes em: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4780068H3

      Mais um “cabeça de minhoca” seria o prof. dr. Kabengele Munanga, livre-docente da USP (tal como o prof. Hansen, e cujo currículo pode jogar alguma luz em quem seriam os verdadeiros “cabeças de minhocas”. Abaixo apenas alguns números relevantes…

      – 49 artigos completos;
      – 16 livros publicados;
      – 46 capítulos publicados em livros;

      Fora outras publicações em periódicos, anais de congressos e eventos científicos.

      Currículo completo em: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4721570H5

      Mais um, o professor dr. Ricardo Musse. Livre docente pela USP, mestre e doutor em filosofia, com experiência em pesquisas e docência nas áreas de sociologia e de filosofia, com ênfase em teoria sociológica, atuando principalmente nos temas: teoria crítica da sociedade, sociologia do marxismo, teoria social, sociologia e filosofia alemã. Além da USP, lecionou também na UNICAMP e na UNESP. 31 artigos publicados em periódicos científicos, 2 livros, 22 capítulos publicados em livros organizados, além de inúmeros textos publicados em jornais e revista de grande circulação nacional.

      É verdade, esses cabeças de minhoca não sabem nada do que estão dizendo. hahahahahahaha

      Link para o currículo do prof. Musse: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4782899Z8

      • Questões Relevantes
        09/20/2015

        Rogério Beier, não concordo com o “cérebro de minhoca”, mas a titulação só aumenta a vergonha de terem concebido e assinado uma análise tão ruim.

    • Rogério Beier
      09/20/2015

      Sim, sim…. hahahaha Como disse anteriormente, sua [falta] de capacidade hermenêutica do manifesto dos professores é estarrecedora… resta-me sorrir e acenar.

      • Questões Relevantes
        09/20/2015

        Rogério Beier, pela experiência deste blog, toda vez que me esfregam currículos e titulações na cara, é porque os argumentos acabaram e só resta espernear. Se quiser, envio uma listinha de artigos retratando estes debates.

  6. Rogerio Beier
    09/20/2015

    Caro,

    Me estarrece sua falta de capacidade hermenêutica diante de um texto tão simples como o manifesto lançado pelos professores. Não sei se isso deve-se ao tal “ódio descabido” a que os professores se referiram no texto, a problemas cognitivos ou, simplesmente, a uma tremenda má fé. No entanto, não quero descobrir em que medida esses ingredientes se misturaram para produzir um comentário como este que você acabou de deixar aqui. Como meus pais já me ensinaram há algum tempo, é realmente falta de bom senso gastar “muita vela com pouco defunto”. Em casos como este, como bem me orientaram, devo apenas sorrir, acenar e, quando possível, sair de fininho para evitar o constrangimento de estar próximo a quem fez comentários tão despropositados.

    Att.

    RB

    • Questões Relevantes
      09/20/2015

      Rogerio, constrangedor é eu apresentar ponto por ponto os problemas com este manifesto e você não ser capaz de apontar falha objetiva em nenhum ponto específico do que postei. Fica nesta critica genérica, querendo fazer “cara de conteúdo”. Realmente constrangedor.

      • Rogerio Beier
        09/21/2015

        =) =) =) \o o/ \o o/

      • Sérgio
        09/21/2015

        Paulo, muito obrigado por apresentar argumentos qualificados às suas questões relevantes e ainda permitir que os esquerdistas façam um contraditório, como no caso do Rogerio Beier, acima.
        Não tem preço!

      • Questões Relevantes
        09/21/2015

        Sérgio, meu objetivo, desde o primeiro artigo, é criar um espaço de debate em que o contraditório é bem vindo. De qualquer maneira, obrigado pelo elogio.

      • Rogério Beier
        09/21/2015

        Caro Sr. Questões Relevantes,

        Para ficar em apenas um exemplo de sua inépcia ao analisar o manifesto dos professores da FFLCH, você os acusa de fazerem uma ameaça velada à sociedade quando eles afirmam que retirar a governante eleita democraticamente em 2014 é uma ação que traria caos e afetaria radicalmente os rumos do país. Não se trata de uma ameaça, mas sim de uma análise bastante acurada da reação que parte da sociedade moveria no atual contexto político e social vivido pelo Brasil. Certamente, como afirmaram os professores, tal reação traria consequências econômicas, sociais, culturais e políticas ainda mais graves ao país do que as vividas no presente cenário (ver considerações de Ciro Gomes à este respeito).

        A ideia de que 70% da população concorda com um eventual impeachment é mera falácia de uma pesquisa encomendada, produzida e divulgada ad nauseam por uma mídia comprometida com a queda desse governo (Folha, Globo, Veja, enfim, os suspeitos usuais). Subestimar os movimentos sociais nas grandes cidades, e uma boa parcela da população do nordeste (sob liderança de políticos locais que já se declararam favoráveis à manutenção do governo), é um erro grosseiro que os professores (cabeças de minhoca, como qualificou um de seus seguidores nas redes sociais), não se permitem fazer. Não estamos falando de ameaças e badernas aqui, camarada, estamos falando de uma dura resistência que certamente levará muita gente à morte.

        Outro exemplo, é que quando os professores falaram que as manifestações e editoriais de políticos da oposição ampliam o escopo de um golpe na Democracia brasileira, você busca rebatê-los comparando o contexto da crise atual com a que levou ao impeachment de Collor. Nada mais descabido do que fazer tais comparações. São situações distintas as da presidenta Dilma e a de Collor. Não sei se você não enxerga porque realmente tem dificuldades, ou se apenas não quer ver. Cair no discurso raso e de maus perdedores da oposição de que houve um “estelionato eleitoral” ou, pior ainda, de que o impeachment justifica-se pela corrupção (que é crônica e endêmica no Brasil), é uma obtusidade sem tamanho. Deve-se punir, isso sim, os corruptos e os corruptores devidamente identificados. Se for encontrado qualquer indício direto de envolvimento da presidenta nos esquemas de corrupção, aí sim. Mas enquanto isso, deve-se manter as instituições. Qualquer movimento oposto É GOLPE!!!

        Enfim, já me estendi demais…

        Att.

        RB

      • Questões Relevantes
        09/21/2015

        Sobre a existência ou não de base legal para um eventual impeachment, ainda ontem discuti este assunto com um professor da USP, do departamento de Ciências Políticas e simpático ao PT. Ele mesmo lembrou que as cláusulas que regulam o impeachment na constituição brasileira preveem a sua aplicação também por incapacidade de gestão. No fim, é um instrumento político. Há base para aplicá-lo, mas o cálculo político atual está emperrando a questão.

        Tirar Dilma agora transfere o ônus do ajuste para o PMDB e seus eventuais novos aliados e dá a Lula o palanque do oposicionista injustiçado e salvador da pátria. Isto é certo. Há poucas variáveis que impediriam isto.

        Por outro lado, há o risco de quem assumir arrumar a casa e chegar nas próximas eleições fortalecido, mas isto é muito difícil de prever. O mais provável é uma gestão desgastante e resultados medíocres.

        Logo, diante do medo de dar palanque para o Lula, a estratégia da oposição, hoje, é ameaçar, bufar, mas não soprar muito forte e deixar a Dilma e o PT se desgastarem em praça pública. Isto só mudaria se aparecesse algo forte contra o Lula na Lava Jato.

        Quanto às pesquisas de opinião serem encomendadas e por isso sem credibilidade, lembro que já foram muito comemoradas quando os números eram favoráveis ao governo.

        Mas sossegue seu coração: em caso de impeachment, não haverá confronto nas ruas. Não haverá guerra civil ou revolução. Apenas os movimentos sociais patrocinados pelo PT farão badernas por alguns dias. Mortos, como na Venezuela, são uma possibilidade remotíssima.

      • Rogério Beier
        09/21/2015

        Caro sr. Relevantes,

        Eu estou com o coração sossegado, quem deveria estar preocupado são os que querem derrubar o governo, pois estes é que sentirão a força das ruas.

        Novamente reafirmo que sua inépcia, e a de boa parte dos que não enxergam que a queda deste Governo levará o país ao caos jurídico, político, econômico e social, beira as raias da insanidade. Esta “cegueira” o fez considerar, por exemplo, que os professores estão fazendo uma ameaça velada à sociedade, como se estes tivessem um exército no bolso pronto a defender o Governo e exterminar aqueles que querem derrubá-lo. Patético.

        O ex-presidente do STF, Ayres Britto, talvez mais um cabeça de minhoca, como seus seguidores gostam de qualificar aqueles que discordam de vocês, acaba de dizer que não há motivos para o impeachment e que, se mesmo assim, ele ocorresse da forma como se está propugnando, ele produziria “insegurança jurídica” no país. Ora, se mantivermos a lógica de sua argumentação contra os professores, então o ex-ministro Ayres Britto também está fazendo uma ameaça velada à sociedade? Será que ele também não percebe que o contexto do impeachment de Collor, nos anos 90, é igual ao contexto do impeachment que se está armando contra Dilma, como você propôs em sua análise inicial? Segundo esse magistrado, no entanto, para que se configure crime de responsabilidade e seja possível abrir um processo de impeachment contra Dilma, seria necessário provar uma afronta à Constituição, o que, ao menos para ele, ainda não está configurado. Assim, vemos mais um dos seus argumentos cair por terra quando você alegava haver “estelionato eleitoral” por parte da presidenta.

        Link para matéria com opinião do ex-ministro Ayres Britto: http://goo.gl/EstCO1

        Em outro exemplo de sua incapacidade hermenêutica (o terceiro que apresento), você afirma em um determinado momento de sua “análise” que uma parte do texto apresentado pelos professores é “puro ’embromation’”, que tal trecho se tratava de uma “afirmação ‘fofinha’ sem qualquer relação com a permanência de Dilma na presidência”. Ora, meu caro, isso demonstra quão limitado foi o alcance de sua compreensão do texto (que diga-se de passagem, nem é complexo). Aquele parágrafo aponta justamente para onde nós deveríamos concentrar nossos esforços em busca de saídas para a atual crise ao invés de fomentar a derrubada de um governo legitimamente eleito e criar ainda mais instabilidade no país.

        Portanto, permaneço com meu coração em paz e reafirmo o quanto sua análise do manifesto divulgado pelos professores da FFLCH foi pífia. Como disse anteriormente, achava desnecessário, mas lembrando uma frase famosa de Bertold Brecht, vivemos tempos em que se faz necessário defender o óbvio.

        Att.

        RB

      • Questões Relevantes
        09/21/2015

        Rogério, eu não acho que os professores têm um exército no bolso, quem acha isto é você e eles, este exército imaginário de proletários que foram ao paraíso e lutarão nas ruas para não serem tirados de lá.

        O que acredito é justamente o contrário: a população aceitará tanto a permanência de Dilma quanto sua eventual saída.

        Para quem se acha douto em hermenêutica, é até engraçado.

        Quanto à opinião do Aires Brito, respeito-a, mas lembro que o direito é interpretativo e outros juristas têm interpretação distinta.

      • Rogério Beier
        09/21/2015

        hahahaaha Ora, caro Relevantes, você precisa ter mais firmeza em suas afirmações. Primeiro você fala que os professores fazem uma ameaça velada à sociedade, mas logo depois você retira seu time de campo dizendo que não acha que eles tenham um exército no bolso. Então eles ameaçam com o quê??? Com palavras???

        Parece-me que sua emenda está saindo pior que o soneto, como se fosse possível. Pelo que entendi do que você acabou de escrever, esses professores da FFLCH seriam, então, um bando lunáticos, que fazem ameaças à sociedade com base em “exércitos imaginários de proletários”. hahahaha Pra sua informação, os professores mais à esquerda não assinaram esse manifesto, tolinho.

        Como disse desde o princípio, sua crença na passividade da população brasileira é um equívoco ao qual esses professores não se permitiram e, justamente por isso, estão alertando a sociedade.

        Em nenhum momento afirmei que sou douto em hermenêutica, disse que sua capacidade de compreensão de texto é pífia. Não me inclua nessa. hahahaha

        No mais, essa saída de que direito é interpretativo e de que respeita a posição do Ayres Britto me lembra muito os fiéis das diferentes denominações religiosas. Essa minha fé, eu respeito a dos outros e espero que você respeite a minha. Pra quem disse que não havia argumentos para batê-lo, se esconder por trás do argumento de que o “direito é interpretativo”, soa bastante ridículo.

        Att.

        RB.

      • Questões Relevantes
        09/21/2015

        Haja défict de hermenêutica…

      • Rogério Beier
        09/21/2015

        Pois é, como disse, só me resta sorrir e acenar… hahahaha

        Att.

        RB

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Publicado às 09/20/2015 por em Uncategorized e marcado , , , , , , .
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