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JANIO DE FREITAS NÃO TEM MEDO DO RIDÍCULO.

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Cada vez fica mais claro que Janio de Freitas não tem medo do ridículo. Mesmo assim, é surpreendente a conclusão a que chega sobre as razões da baixíssima popularidade da presidente Dilma Rousseff.

Em seu artigo na folha de São Paulo no dia 6 de setembro, foi taxativo: “a queda brutal da aprovação a Dilma exprime a dimensão gigantesca da repulsa à sua política econômica e, portanto, também social. E seus efeitos estão só no começo. Como, de resto, estão as próprias medidas apregoadas por Joaquim Levy.”

Se você ainda tem dúvidas, achando que ele pode estar fazendo alguma crítica ao desastre que foi a gestão Dilma em seu primeiro mandato, esqueça. Joaquim Levi é o judas a ser malhado. É o culpado de tudo.

Não importa que ele não tenha nada com as pedaladas fiscais ou a contabilidade criativa de Guido Mantega e Dilma.

Não importa que a crise atual tenha sido anunciada por todo mundo que entende ao menos um pouco de economia já no início do primeiro mandato de Dilma.

Não importa o atoleiro de corrupção que já emergiu da Petrobrás e começa a emergir de outras estatais como Eletronuclear e BNDES.

Não importa os preços dos combustíveis e da energia elétrica criminosamente represados até as eleições e que catapultaram a inflação quando foram liberados porque não havia mais dinheiro público, dinheiro de impostos, para cobrir o rombo.

Não. Para este ex-jornalista em atividade a popularidade foi para o ralo porque nomeou um neoliberal para o Ministério da Fazenda.

Não importa que ele tenha sido voto vencido no orçamento apresentado ao congresso.

Não importa que os cortes que sugeriu não tenham sido aceitos.

Não importa que a política econômica continue sob a batuta de uma presidente cada vez mais destrambelhada e de seus homens de confiança Nelson Barbosa e Aloízio Mercadante, o economista que não sabe a diferença entre débito e crédito.

Pensando bem, Janio sabe de tudo isso. Não tem como não saber. É exatamente por esta razão que não pode haver dúvida: estamos diante de um homem que despreza a verdade, os fatos, e abraça corajosamente o ridículo.

Link para a íntegra do artigo de Janio de Freitas na Folha: http://app.folha.uol.com.br/#noticia/592860

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8 comentários em “JANIO DE FREITAS NÃO TEM MEDO DO RIDÍCULO.

  1. Rômulo
    09/25/2015

    Gostei do artigo e deixo aqui uma contribuição emprestada do artigo de Reinaldo Azevedo na Folha de hoje. Observe as convergências na análise:

    PT tucano e PSDB petista?

    Li uma reportagem que vinha carregada daquela indignação cívica de que só os petistas que não ousam dizer seu nome são capazes, informando que o PSDB, em cujo governo foi aprovado o fator previdenciário, votou em massa, com uma exceção, pela derrubada do veto de Dilma. Essa seria a evidência da sua incoerência.

    Pois é… A simples lembrança de que a presidente pertence a um partido que sempre se disse contrário àquele expediente -embora nunca tenha tentado extingui-lo em 13 anos de governo- deveria bastar para que o petista no armário mudasse de assunto. Se ele quisesse ficar naquela retórica nem-nem tão comum na nossa imprensa, poderia ao menos concluir que nem petistas nem tucanos são coerentes nessa matéria.

    E seria, ainda assim, um juízo torto porque ignora o peso da história. Sim, é verdade que as agendas do PT -se o PT fosse sinônimo de Dilma- e do PSDB, aparentemente ao menos, estão trocadas. Um idiota da objetividade concluiria que os tucanos, ao longo de sua trajetória, foram fanaticamente populistas, jamais se ocuparam do equilíbrio fiscal e, em nome do aplauso, jogaram na lata do lixo a matemática. Já os petistas, ao contrário, não temem a impopularidade. Se a conta não fecha, põem a contabilidade acima das generosidades.

    Alguém identifica o PSDB com esse retrato? Alguém reconhece nos traços que vão acima o perfil do PT?

    O petismo tentou inaugurar na política, já escrevi certa feita, o presente eterno. Pouco lhe importam compromissos, promessas, valores e até ideologia -desde que as escolha sirvam para fortalecer o ente de razão destinado a tomar o lugar da sociedade.

    Foram poucos os que apontaram as contradições dos companheiros no primeiro mandato de Lula, quando seguiu, em linhas gerais, a cartilha deixada por FHC. Busca-se o selo de “partido sério”. Na segunda gestão do
    Babalorixá de Banânia, e foi quando ele atingiu o cume da popularidade, Guido Mantega começou a praticar suas heterodoxias incompetentes. E arrematou suas bobagens no primeiro mandato de Dilma.

    Entre 2011 e 2014, o PT foi, digamos, absolutamente petista. Entre 2003 e 2006, mesmo seguindo a cartilha do adversário e antecessor, Lula criou a mentira da herança maldita; entre 2007 e 2010, enfiou o pé nas generosidades sem lastro e elegeu a sua sucessora, que acelerou as irresponsabilidades do mestre e levou o Tesouro à insolvência.

    Ao longo de 12 anos, as críticas e óbices às escolhas do partido foram relegadas pela companheirada ao ridículo. A bomba da inflação renitente que se armava -e notem que ela insiste em ficar entre nós, mesmo com uma recessão de quase 3%- era o Santo Graal do modelo petista. Dilma chegou a oferecer aos europeus, em 2012, num seminário na França, o modelo brasileiro como alternativa à falta de criatividade dos alemães, que insistiam na austeridade fiscal. Sim, Dilma quis ser a professora de Angela Merkel.

    O artigo continua, mas o que me interessou foi esta parte.

    • Questões Relevantes
      09/25/2015

      Obrigado pela contribuição. Realmente há diversas convergências entre os artigos.

  2. Rômulo
    09/09/2015

    Como disse antes, este é o segundo editorial do Estadão:

    Levy e o ajuste sem cortes

    O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, até se esforçou para mostrar otimismo nas entrevistas e declarações na Turquia e na Espanha, durante o fim de semana prolongado, mas acabou admitindo uma condicionante nada trivial. A economia só voltará a crescer, “em questão de meses”, se o País escapar do rebaixamento pelas agências de classificação de risco. Evitar a perda do grau de investimento permanece, claramente, no alto da agenda do ministro. Ele mencionou o risco de reclassificação do crédito soberano ainda em Ancara, depois de participar da reunião de ministros e presidentes de bancos centrais do Grupo dos 20 (G¬20). A presidente Dilma Rousseff, segundo fontes do governo, também se preocupa com esse risco e por isso – ou também por isso – se esforça para manter Levy no Ministério. Mas na sexta–feira, um dia depois de reafirmar seu apoio ao ministro da Fazenda, descartou num discurso em Campina Grande a possibilidade de novos cortes no Orçamento proposto para 2016. Terá esquecido, novamente, o olhar crítico dos avaliadores de crédito?
    Em sua viagem, o ministro da Fazenda continuou falando como se representasse um governo claramente disposto a seguir uma política séria e austera. “A presidente”, disse ele a uma plateia de 150 empresários, em Madri, “teve coragem de tomar as medidas necessárias.” Talvez tenha sido convincente, naquele momento, mas a crença em suas palavras só será mantida se as ações do governo as confirmarem.
    Não há sinal claro de cortes, por enquanto, e nenhuma outra autoridade federal se mostrou disposta, pelo menos até ontem, a defender um programa de redução de despesas federais. Fala¬-se em suspensão ou redução de programas, como o habitacional, mas ninguém apresentou ao público uma lista bem definida de revisão de prioridades e de corte de despesas. Os programas sociais, diz a presidente e repetem seus auxiliares, continuarão intocáveis – e nada se acrescenta sobre o assunto.
    A austeridade proposta pelo ministro da Fazenda – e de vez em quando admitida como necessária até pela presidente – deverá consistir, tudo indica, em pouco mais que uma caça à arrecadação. Discute-¬se na área econômica a elevação de alíquotas de alguns tributos – o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), incidente sobre combustíveis. O Executivo pode aumentar essas alíquotas por decreto, sem depender do Congresso. Além disso, a Receita Federal se dispõe a apressar a cobrança de débitos fiscais acima de R$ 10 milhões.
    Ainda há, em Brasília, defensores da recriação do imposto do cheque, a CPMF, uma aberração tributária, mas politicamente isso seria muito mais complicado e custoso.
    De toda forma, a ideia de um ajuste efetivo parece, por enquanto, abandonada para efeitos práticos. Neste momento, a preocupação da equipe econômica está centrada numa tarefa muito mais modesta – garantir o fechamento das contas de 2016 sem déficit primário, oficialmente estimado em R$ 30,5 bilhões. Um ajuste merecedor desse nome deveria envolver uma revisão da qualidade do gasto e dos padrões da administração federal. Sem isso, qualquer arrumação das contas terá sempre duração limitada, porque as despesas tenderão a crescer mais velozmente que o Produto Interno Bruto (PIB) e a receita fiscal, como ocorre há muitos anos.
    Sem reformas ambiciosas e politicamente difíceis, o desarranjo das contas públicas será um risco permanente. Desajuste fiscal e ineficiência da administração pública geram pressões inflacionárias constantes, limitam a redução dos juros e entravam o crescimento econômico. O ministro da Fazenda fala ocasionalmente sobre esses problemas e sobre o desafio da competitividade. Esses temas poderiam compor uma boa agenda, se a presidente levasse a sério seu ministro da Fazenda e lhe conferisse função mais nobre que a de amuleto vivo contra a perda do grau de investimento.

    • Questões Relevantes
      09/09/2015

      Obrigado pelas contribuições.

      Um detalhe que deveria chamar a atenção mas costuma passar desapercebido é que não existem defesas da gestão economica de Dilma que façam sentido. A ideia de disciplina fiscal, de programar despesas compatíveis com a arrecadação, é algo que tortura o cérebro da esquerda em geral, e não apenas de petistas. É como tenho afirmado: no choque da ideologia com a matemática, a última sempre demonstra ter razão.

  3. Rômulo
    09/09/2015

    O Estadão de hoje traz vários artigos e editoriais que confirmam a tese defendida neste artigo.

    Veja este:

    Autocrítica encabulada
    A sólida falta de credibilidade a que Dilma Rousseff fez jus pela teimosia com que sempre defendeu sua catastrófica política econômica e pelo estelionato eleitoral que praticou sem o menor escrúpulo no ano passado torna difícil acreditar na sinceridade da tentativa encabulada de autocrítica que fez no Dia da Pátria: “As dificuldades e os desafios resultam de um longo período em que o governo entendeu que deveria gastar o que fosse preciso para garantir o emprego e a renda do trabalhador, a continuidade dos investimentos e dos programas sociais. Agora, temos de reavaliar todas essas medidas e reduzir as que devem ser reduzidas”. De qualquer modo, é alentador que a chefe do governo tenha finalmente confessado a prática da gastança desenfreada que marcou seu primeiro mandato e acabou arrombando as contas públicas, muito embora tente justificar o erro com a desculpa de que foi cometido com boas intenções – aquelas das quais, como se diz, o inferno está cheio.
    A autocrítica do governo já havia sido ensaiada na semana passada pelo ministro¬-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, em entrevista à Folha de S.Paulo: “Fomos além do que podíamos na política anticíclica, na desoneração de impostos, no esforço de manter os investimentos, de manter os gastos”. Mas Mercadante foi além também do que a sensatez recomenda ao criar uma desculpa esfarrapada e transferir a responsabilidade da crise para o mercado internacional: “Acho que poucos se deram conta da velocidade da queda das commodities no fim de 2014. Estávamos em intensa campanha, debatendo, viajando e, quando ela chegou ao fim, o mundo era outro. Isso impactou muito as finanças públicas”. Uma cândida confissão de que, preocupado com a eleição presidencial, o governo esqueceu-se de governar.
    Dilma e seus ministros estão cientes, portanto, de que a gastança é uma das razões da crise econômica e é preciso agora corrigir os erros fazendo aquilo que se chama de ajuste fiscal, para botar as contas do governo em ordem e criar condições para a retomada do crescimento, condição essencial à manutenção e ampliação dos programas sociais.
    Falta, porém, combinar com o PT e com os movimentos sociais filopetistas, que pura e simplesmente se opõem a qualquer ajuste fiscal. “Lutamos contra o ajuste fiscal”, enfatiza o manifesto divulgado no sábado, em Belo Horizonte, no lançamento da Frente Brasil Popular pelos participantes da Conferência Nacional Popular em Defesa da Democracia e por Uma Nova Política Econômica. Subscrevem o manifesto, entre outras entidades, a CUT (o braço sindical do PT), a UNE (o braço estudantil, controlado pelo PC do B, o mais prestativo aliado do lulopetismo) e até o MST, do carbonário João Pedro Stédile. Este marcou presença no encontro com a declaração de que Dilma precisa “mudar as burrices que vem fazendo”, porque “a responsabilidade é dela” e é preciso “que ela mude enquanto é tempo”.
    Movimentos filopetistas – e essa é uma das marcas do surrealismo da crise política – não são necessariamente movimentos de apoio ao governo. O próprio PT é o primeiro a defender a demissão do ministro Joaquim Levy e proclamar a necessidade de uma “nova política econômica”. Ora, o que Levy defende até agora são os fundamentos de uma política econômica baseada em princípios de racionalidade financeira que garantam governabilidade ao País. Mas o PT e esses movimentos sociais partidarizados entendem que racionalidade é desculpa da elite perversa para fazer o povo sofrer. Partem do princípio de que um governo “do povo” tudo pode e por isso “deveria gastar o que fosse preciso” em beneficio do povo, persistindo no erro que agora Dilma admite ter cometido – o que não significa que não possa mudar de ideia outra vez.
    O PT planeja reunir¬-se em Belo Horizonte para debater, em especial, os rumos da economia. Os petistas não gostam de Dilma, consideram-¬na uma arrivista, proclamam o “Fora Levy” e defendem uma “nova” política econômica. Nova não em relação à “nova matriz econômica” que levou o País para o buraco, mas à tentativa de consertar esse desastre.
    Deve haver alguém que consiga explicar como isso faz sentido. De qualquer forma, como o PT tem dono, é conveniente esperar até sextafeira para saber o que vai acontecer na capital mineira.

  4. Rosangela Piné
    09/09/2015

    Se fosse o único, esse texto foi reproduzido numa ONG no dia da independência: Dilma e a esfinge no dia da tal Independência http://goo.gl/pOirZk

    • Questões Relevantes
      09/09/2015

      É que o Rovai nunca foi nada. O Janio tinha uma reputação…

  5. Flávia Cavalcante
    09/09/2015

    Levy deveria pegar o pouco que lhe resta de dignidade e deixar o governo.

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Publicado às 09/08/2015 por em Uncategorized e marcado , , , , .
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